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Quando será possível viajar novamente para os Estados Unidos sem restrições?

Leonardo Cassol
Leonardo Cassol
22/08/2020 às 14:40

Quando será possível viajar novamente para os Estados Unidos sem restrições?

Todos os dias recebemos mensagens perguntando qual é a previsão de retomada de viagens para os Estados Unidos, sem as restrições impostas pelo governo norte-americano. Na prática, a ordem executiva que proíbe a entrada de passageiros provenientes do Brasil inviabilizou o turismo nos destinos mais procurados pelos brasileiros. Apesar de não existir qualquer data ou informação oficial, é possível ter uma ideia mais clara de quando isso pode ocorrer.

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Quais as restrições atuais para a entrada de brasileiros nos Estados Unidos?

Em função da pandemia de coronavírus e do grande número de casos de Covid-19 por aqui, o governo norte-americano proibiu a entrada de passageiros com origem no Brasil, ou que tenham estado no País nos últimos 14 dias antes da admissão nos Estados Unidos. A exceção é apenas para cidadãos dos Estados Unidos, residentes permanentes, cônjuges, filhos e irmãos de americanos e de residentes permanentes (no site do Departamento de Estado tem o detalhamento dessa medida, em inglês).

Na prática, para um viajante do Brasil conseguir entrar hoje nos Estados Unidos, ele teria que passar pelo menos 14 dias em um país que não tenha restrições vigentes, como o México, cuja limitação permanece apenas nas fronteiras terrestres. Ainda assim, nada garante que entre a compra da passagem e a viagem alguma nova regra seja imposta pelo governo norte-americano, aumentando assim o risco e o custo de qualquer viagem.

É importante destacar que o Brasil não foi o único país afetado por políticas imigratórias restritivas dos Estados Unidos. A China e os países da União Europeia, por exemplo, continuam com limitações para viagens de turismo e de negócios para o país.

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Qual a previsão dos Estados Unidos voltarem a permitir passageiros do Brasil?

As restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos não têm data para expirar e não há qualquer previsão oficial para o fim das medidas implementadas. Porém, investigando um pouco mais a fundo, é possível ter uma ideia de quando a situação pode mudar…

É muito difícil que as restrições de viagem para os passageiros vindos do Brasil sejam retiradas antes de 3 de novembro, data das eleições presidenciais nos Estados Unidos. O cenário mais provável é que a situação seja normalizada apenas no primeiro semestre de 2021, condicionada ao controle da pandemia no Brasil e nos Estados Unidos, ou a um eventual processo de vacinação que possa começar nos próximos meses. Eu explico melhor as razões a seguir…

Debate político e eleitoral

A pandemia acabou se tornando um ponto central no debate político da maioria dos países. Nos Estados Unidos, no entanto, o coronavírus foi pautado também no debate eleitoral, por conta das eleições presidenciais que ocorrem no começo de novembro. O presidente Donald Trump foi acusado de negligenciar a pandemia, especialmente no início da crise, passando a adotar medidas mais duras apenas depois que o número de casos já tinha fugido ao controle. Seu principal argumento de defesa foram as restrições aos voos e/ou a visitação de viajantes de outros países, que começou com a China, passando pela União Europeia, até chegar ao Brasil.

Sem entrar no mérito político, de fato os Estados Unidos foram um dos primeiros países a coibir as viagens internacionais e um dos mais duros com turistas de todas as partes do mundo. Também um dos que mais sofre com restrições de outros países, já que, junto com o Brasil, o país permanece como um dos epicentros globais da Covid-19. E isso tem sido usado por Joe Biden, principal adversário de Trump nas próximas eleições, inclusive com campanhas mostrando um mapa com os poucos países que permitem hoje a entrada de cidadãos dos Estados Unidos.

Após o pleito, marcado para 3 de novembro, a pressão política vinda do debate eleitoral diminui. Trump, ou o próximo governante, poderão encaminhar a questão menos influenciados por essas questões.

Restrições permanecem, mesmo para países que controlaram a pandemia

Como essas decisões de abertura ou fechamento de fronteiras não é somente técnica, mas em parte política, isso acaba influenciando muito o posicionamento do governo. Por exemplo, a China deixou de ser uma fonte relevante de casos há alguns meses, mas as restrições para a entrada de viajantes provenientes de lá ainda não foram retiradas. O mesmo aconteceu com a maioria dos países da União Europeia. Ou seja, se o governo não aliviou a barra de nações desenvolvidas que conseguiram controlar a pandemia, dificilmente vai fazer algo por países que sequer atingiram um baixo número de casos. É politicamente inviável, já que a opinião pública norte-americana cobra mais medidas concretas para a contenção da pandemia no país.

Luz no fim do túnel

Mas há esperança para os países que controlaram a pandemia. No último dia 6 de agosto, o Departamento de Estado do governo norte-americano, em coordenação com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla do nome em inglês), suspendeu o alerta global de nível 4 para viagens, que estava em vigor desde 31 de março.

No comunicado, o governo destacou que “com as condições de saúde e segurança melhorando em alguns países e potencialmente se deteriorando em outros, o Departamento de Estado está retornando ao sistema anterior de níveis específicos para cada país (que variam de 1 a 4, dependendo das condições específicas de cada Nação).” Tais alertas influenciam as políticas públicas e também servem para dar aos viajantes informações detalhadas e úteis sobre as restrições de viagem.

Isso abre espaço para que os Estados Unidos flexibilize, ou até retire as restrições impostas a alguns países que apresentem uma quantidade reduzida de casos de Covid-19. Infelizmente, mesmo que isso seja feito, o Brasil não seria incluído, já que seguimos com um volume de casos bastante elevado por aqui.

Qual o cenário mais provável de uma retomada de viagens do Brasil para os EUA?

Uma vez disponibilizada uma vacina que comprovadamente seja eficaz e leve a imunização das pessoas, é possível que o governo dos Estados Unidos volte a permitir o embarque de não cidadãos vindos do Brasil, com a condição de que tenham sido vacinados, ou que apresentem um exame comprovando imunidade para a Covid-19. A grande questão é que ainda não há certeza de que as vacinas que estão em fase avançada de testes vão garantir mesmo uma imunidade completa, e por quanto tempo. Mas há chances reais de que uma vacina segura seja disponibilizada no fim deste ano ou no primeiro semestre de 2021… (vamos torcer!) Quem sabe até lá o dólar não baixa!

Num segundo momento, com o fim da pandemia ou o efetivo controle do coronavírus no Brasil e nos Estados Unidos, tal restrição vai perder o sentido, até porque há uma pressão do setor de turismo nos Estados Unidos para a retomada das atividades tão logo isso seja possível. Mas não há garantia de que isso vai ocorrer até o fim de 2021.

Devo remarcar minha viagem para os Estados Unidos?

Para quem já tem passagem comprada para este ano, vale a pena aguardar o desdobramento dos cenários (a esperança é a última que morre e eu adoraria ser surpreendido com um desbloqueio antes do esperado!), mas já prevendo o cancelamento ou adiamento da viagem. O ideal é esperar a companhia aérea cancelar o voo ou atualizar a política de remarcação sem custo para o período da sua viagem. Assim você terá mais opções para remarcar ou gerar o crédito sem precisar gastar mais dinheiro. Pela nova Lei 14.034, aprovada em agosto, a validade do crédito passou a ser de 18 meses após a data da viagem, dando mais flexibilidade para os passageiros.

Quem tem planos de viajar, mas ainda não comprou a passagem, o ideal é aguardar novas atualizações do governo dos Estados Unidos. Se for reservar, fazer para a data mais a frente possível (de preferência para o segundo semestre de 2021), sempre consultando a política de flexibilidade oferecida pela companhia aérea, no caso de no futuro você precisar remarcar a viagem.

Lembrando que pela legislação recentemente aprovada, as empresas tem até 12 meses para fazer o reembolso de passagens aéreas e pacotes de viagem. Confira nosso post “Passagens aéreas na pandemia: guia para remarcar ou cancelar gratuitamente sua viagem“, com dicas para não ficar no prejuízo.”

Naturalmente, vamos acompanhar atentamente essa questão, trazendo informações atualizadas sobre as políticas para turistas brasileiros de cada país.


E você, tinha planos de viajar em 2020 para os Estados Unidos? Teve alguma viagem afetada pela pandemia? Comente e participe!

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