Governo federal libera R$ 660 milhões a Azul e Gol para conter impactos da crise do petróleo
Governo federal libera R$ 660 milhões a Azul e Gol para conter impactos da crise do petróleo
O Banco do Brasil fechou na sexta-feira um contrato de empréstimo de R$ 660 milhões com a Azul e a Gol, dentro das medidas do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para socorrer o setor em meio à alta do querosene de aviação (QAV). Cada companhia solicitou R$ 330 milhões, limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Ao todo, o governo reservou cerca de R$ 1 bilhão para as companhias aéreas, com foco no capital de giro de curto prazo. O pagamento do empréstimo ao governo deve ser feito em até seis meses, com taxa equivalente a 100% do CDI.
Segundo o governo, “a medida busca dar liquidez de curto prazo às empresas aéreas, em um cenário de pressão sobre os custos operacionais, especialmente em razão da alta do querosene de aviação nos últimos meses”. Os recursos serão administrados pelo Banco do Brasil, com risco de crédito integralmente assumido pela União.

“Trata-se de financiamento reembolsável, e não de subvenção ou transferência a fundo perdido”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. “A linha tem caráter emergencial, prazo curto e foco exclusivo em capital de giro. Sua finalidade é preservar a continuidade das operações aéreas domésticas, apoiar a regularidade da malha e reduzir riscos de desorganização operacional em momento de pressão extraordinária de custos.”
Além de Azul e Gol, as aéreas regionais Abaeté e Rima obtiveram, respectivamente, R$ 819 mil e R$ 634 mil em empréstimos.
QAV sobe 70% no Brasil desde o início da guerra no Oriente Médio

O pano de fundo para a liberação dos recursos é a guerra no Oriente Médio. O conflito, que estourou no último dia de fevereiro, fez disparar o preço do petróleo, o que levou a uma alta expressiva no combustível de aviação. No Brasil, o QAV subiu cerca de 70% no acumulado desde março.
O produto, aliás, é o maior custo operacional das companhias aéreas. Segundo uma estimativa da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), representa uma fatia de 45% dos gastos, contra 30% antes da guerra.
Como consequência da alta do QAV, as companhias aéreas têm cancelado uma série de voos, elevado o preço de passagens e reduzido projeções de crescimento para 2026. E mesmo com o arrefecimento do conflito entre Estados Unidos e Irã, pode levar meses para os preços voltarem, no mínimo, aos patamares de antes da guerra.
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Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!