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A viagem de Mara, a elefanta mais querida da Argentina, para viver no Brasil

Thayana Alvarenga
15/05/2021 às 7:00

A viagem de Mara, a elefanta mais querida da Argentina, para viver no Brasil

Há um ano, enquanto o mundo inteiro estava preso em casa para se proteger do coronavírus, a elefanta Mara deixou sua vida de confinamento para seguir rumo à liberdade. Ela foi trazida do antigo zoológico de Palermo, local que vivia em Buenos Aires na Argentina, até o Brasil no santuário de elefantes na Chapada dos Guimarães, estado do Mato Grosso, onde iniciou sua nova vida.

A extraordinária viagem entre os dois países durou 2.700 km, que foram realizados via transporte terrestre em 109 horas de percurso. Mas como será que está Mara todos esses meses depois morando em outro lugar? E você sabia que o Brasil tem um importante santuário de elefantes? Entenda melhor essa história toda a seguir!

Um santuário de elefantes no Brasil

Um santuário é uma instalação onde os animais que sofreram abusos, negligência ou exploração são levados para serem cuidados e respeitados. São amplos espaços onde os elefantes podem viver em liberdade, mas com o controle de quem cuida de alimentá-los, curá-los e cuidar de seu bem-estar. Os santuários geralmente não são abertos ao público, nem buscam ganhos financeiros – esse é sustentado por campanhas e doações de seus seguidores.

O Santuário de Elefantes Brasil é o primeiro da América Latina e foi fundado pela ONG dos Estados Unidos Global Sanctuary for Elephants (GSF). Scott Blais e sua esposa Kat começaram o projeto em 2012. Ele já tinha larga experiência nos EUA onde criou o Elephant Sanctuary, no Tennessee. Sua paixão por esses animais começou quando tinha apenas 15 anos e viu os maus-tratos que eles recebiam em um parque no Canadá. Mais tarde, tomou a decisão de dedicar sua vida ao resgate e reparação dos danos sofridos pelos elefantes em cativeiro.

O santuário fica na Chapada dos Guimarães, em uma ampla ecorregião no estado do Mato Grosso conhecida por sua importante diversidade de flora e fauna. “Nossa localização é espetacular. É protegida e isolada, com riachos, lagoas, matas e pastagens. Frequentemente, vemos antas, tamanduás e inúmeros pequenos mamíferos próximos aos elefantes. É um paraíso para elefantes e vida selvagem”, destacou Scott.

A viagem internacional da elefanta Mara

A viagem de Mara em meio a uma pandemia, foi um verdadeiro feito. Por ter vivido tantos anos no antigo zoológico de Buenos Aires, que recentemente foi convertido em um biparque, a elefante é muito conhecida e querida na Argentina. Desde o fechamento do zoológico, o destino de Mara era acompanhado pela imprensa do país, que também deu destaque à sua viagem.

Mara foi treinada para entrar no contêiner e resistir ao repasse de tantas horas de viagem. “Foram vários dias na estrada. Os contêineres tinham câmaras internas onde os elefantes eram monitorados e espaços laterais onde podiam se encostar caso ficassem cansados ​​e quisessem relaxar as pernas. Durante a viagem, paravam sempre que o animal indicasse para dar água, comida e conversar com ele”, explica Mariana, diretora do Ecoparque de Mendoza.

“O Brasil tem outra infraestrutura, um ambiente natural que no Ecoparque não temos, não só pela quantidade de superfície, mas também porque você tem outros recursos naturais: a possibilidade de pastar, colher alimentos naturalmente, o banho em lagoas, o caminhar por diferentes substratos e, principalmente, a possibilidade de interagir com outros indivíduos de sua espécie, o que não acontece nos zoológicos”, disse Federico Iglesias, subsecretario do Ecoparque de Buenos Aires.

Sentindo-se em casa no Brasil

Scott Blais conta como foi a adaptação: “Mara se adaptou à sua nova vida no santuário com facilidade. Pela primeira vez, ela vive em um mundo onde pode instintivamente ser quem ela é, como um elefante. Poucos dias depois de sua chegada, Mara estava explorando o habitat e construindo amizades com outros animais, que ficavam mais fortes a cada dia. Muitas pessoas ficam surpresas com a facilidade com que os elefantes se adaptam depois de entrarem em zoológicos ou circos. Mas a adaptação mais difícil foi quando ela foi levada para o cativeiro, sobrevivendo ao confinamento desde jovem, sem outros elefantes. A vida em um santuário tem menos a ver com adaptação e mais a ver com assimilação do que é e sempre foi sua verdadeira natureza.”

Isso não significa, no entanto, que você pode se recuperar rapidamente do trauma de décadas de cativeiro.

Scott considera que, um ano após sua mudança, Mara é “um novo elefante”. Além do contato com a natureza, uma das mudanças mais importantes é a relação com outros elefantes asiáticos como Rana, sua primeira amiga, e Bambi, que se juntou depois. “Mara e suas amigas são mais discretas durante o dia, costumam cochilar na sombra ou em pé à beira do lago”.

Quanto ao seu estado de saúde, como muitos elefantes que passaram décadas em cativeiro, Mara chegou com problemas nas pernas e um comprometimento gastrointestinal que felizmente está superando, graças ao seu novo estilo de vida e aos cuidados dispensados ​​pelos veterinários do santuário.

 

Com informações do jornal La Nación e fotos de Sofía López Mañán

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