Tudo o que você precisa saber para planejar uma viagem às Ilhas Falkland

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30 · jan · 2019       16:53

Já escrevemos sobre os motivos pelos quais você deveria considerar uma viagem para as Ilhas Falkland, o território ultramarino britânico no Atlântico Sul. E também já contamos o que fizemos por lá durante nossa estadia de uma semana: observamos animais marinhos, pássaros, passeamos de barco, viajamos de bimotor e também compreendemos um pouco mais sobre a Guerra das Malvinas. Agora, está na hora de dar algumas dicas de como planejar uma viagem para as Falklands!

Devido à pequena capacidade das ilhas, o ideal é programar uma viagem com bastante antecedência — cerca de um ano e meio antes. A alta temporada vai de novembro a fevereiro (época em que os animais vão até ali para se reproduzir) e há duas agências de turismo no país, que podem ser contratadas para definir um itinerário de acordo com os seus objetivos no destino.

Claro que você poderá fazer tudo separadamente — mas, nesse caso, não é tão aconselhável. A internet por lá é artigo de luxo e as informações nem sempre estão disponíveis nos sites dos hotéis, restaurantes, pousadas de campo, atrações turísticas (isso quando existem sites). Além disso, para visitar alguns lugares, você dependerá de um morador local, que já conhece os relevos, pontos de inundação e as manhas para dirigir fora da estrada (porque são pouquíssimas as rotas asfaltadas).

E mais: para ir até as ilhas, você irá voar com a Figas, a companhia aérea do governo local — e essa será uma das atrações mais divertidas de toda a viagem. Só que o vento pode mudar e o voo não sair em determinado dia — e aí, se você tiver fechado a sua viagem com uma agência, ela mesma irá acompanhar tudo de perto e reprogramar todo o itinerário, avisando as demais pousadas e atrações do ocorrido.

Quando ir às Falklands

A alta temporada nas Malvinas vai de novembro à fevereiro — no resto do ano muitas das ilhas não recebem turistas porque simplesmente não há demanda suficiente, nem o que fazer/ver. É durante o verão no Hemisfério Sul que os animais marinhos e pássaros se deslocam para as ilhas para acasalar ou ter seus filhotes —  e essa é, portanto, a melhor época do ano para ir para lá.

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Clima nas Ilhas Malvinas

Mas não pense que o verão deles é como o nosso por aqui. Na época mais quente do ano, os termômetros por lá registram temperaturas entre 4°C e 13°C. E o clima costuma mudar bastante ao longo do dia, por isso é recomendável levar roupas que possam ser facilmente colocadas ou tiradas.

Em outras palavras, o figurino ideal é no estilo “cebola”: várias camadas para ir se adaptando à mudança de temperatura durante o dia. Não se esqueça de levar roupas impermeáveis e corta-vento, além de botas para fazer caminhadas nas ilhas e protetor solar e labial.

Como chegar

São poucas as maneiras de se chegar às Falklands. A Latam opera um voo semanal, aos sábados, a partir de Punta Arenas, no Chile. Todo segundo sábado do mês, também há um voo saindo de Río Gallegos, na Argentina. Fora isso, há voos operados pela Força Aérea Real do Reino Unidos, ligando Stanley à Inglaterra. Ou seja: saindo do Brasil, a melhor maneira é voar com a Latam — e você terá de ficar 7 ou 14 dias nas Falklands. A Latam planeja ter um voo direto ligando São Paulo a Stanley, mas ainda não há data para o início das operações. Torcemos para que seja em breve!

Aqui vale um alerta: uma taxa de embarque de 22 libras esterlinas deve ser paga por todo o passageiro que partir em voos internacionais do Aeroporto Mount Pleasant, nas Falklands. Se este valor não estiver incluso no seu pacote de viagem, garanta que você terá esta quantidade em dinheiro para pagar a taxa antes de deixar Stanley.

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Também há dezenas de cruzeiros que passam pelas Ilhas Malvinas, a maior parte deles também tem no roteiro a cidade argentina de Ushuaia (de onde muitos partem) e a Antártica. Nesses casos, no entanto, o turista passa apenas algumas horas no arquipélago — e certamente sairá de lá querendo ter ficado mais tempo.

Moeda

As Falklands têm a sua própria moeda, a Libra das Ilhas de Falkland, que tem o mesmo valor da libra esterlina (as duas são aceitas em todos os lugares). Muitos estabelecimentos também recebem euros e dólares, mas nem todos trabalham com cartões de crédito ou débito.

Para sacar dinheiro, o indicado é o Banco Standard Chartered, que funciona se segunda à sexta, das 8h30 às 15h. Ali é possível trocar dinheiro, fazer transferências e resolver problemas das bandeiras Visa e Mastercard — mas, claro, taxas podem ser cobradas pelos serviços.

 

Transporte

É possível alugar carro em Stanley, mas não é recomendado. Primeiro porque você não conseguirá ir muito longe de carro. São poucas as estradas, elas não conectam uma ilha à outra. Além disso, há estradas de chão e terrenos não muito confiáveis. Se o carro ficar atolado ou você tiver qualquer problema mecânico, também será difícil entrar em contato com alguém da cidade, uma vez que não há cobertura de telefone celular fora da cidade.

Uma das grandes experiências de uma viagem às Falklands é viajar de uma ilha a outra nos aviões bimotores Britten-Norman BN-2 Islander da Figas (Serviço Aéreo do Governo das Ilhas Falkland). É esse o meio de transporte mais prático e mais utilizado entre os moradores das Malvinas, que transitam entre a capital e o camp (como se referem às ilhas).

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Informações sobre voos e agendamentos podem ser consultados por meio do site ou pelo e-mail reservations@figas.gov.fk da Figas. Como as rotas são desenhadas diariamente, conforme as condições climáticas e os deslocamentos solicitados pelos passageiros, você será informado sobre o horário do seu voo somente no dia anterior (geralmente alguém da Figas liga para o hotel ou alojamento onde você estiver hospedado passando a informação).

A maneira mais segura de que você conseguirá cumprir um roteiro pelas ilhas, independentemente das alterações dos horários de voos (levando em conta que eles podem não sair em um determinado dia em função dos ventos e você tenha que reorganizar toda a programação dos dias seguintes), é contratando uma agência de turismo local. Como já disse, as Falklands não são um dos destinos mais simples para o qual planejar uma viagem de forma independente — e já que você provavelmente vai ter apenas uma semana por lá, é melhor garantir que tudo sairá mais ou menos conforme o previsto.

Mas por que voar de Figas é uma experiência? Os aviões bimotores são pequenos (cabem somente 8 pessoas), barulhentos e divertidos. A decolagem e os pousos nas ilhas são feitos diretamente sobre a grama ou estradas de terra. A vista durante o deslocamento entre as ilhas é espetacular: um emaranhado de pequenos pedaços de terra, isolados e, em sua grande maioria, inabitados. O mar ganha diferentes tons de verde e azul ao longo dos voos e quando o deslocamento é feito por dentro das ilhas maiores, é possível ver rios de pedras e a variação do relevo, que é mais alto na ilha do Oeste.

Hospedagem

As hospedagens nas Ilhas Falkland são bastante limitadas — são poucos os hotéis e alojamentos e toda a demanda se concentra em poucos meses do ano.

Em Stanley, o número de estabelecimentos é bem superior ao do resto do arquipélago. Boa parte dos hotéis ficam concentrados à beira da baía, são bastante confortáveis e oferecem internet aos hóspedes (às vezes, cobrando uma taxa pelo serviço). Eis alguns deles:

Malvina House
info@malvinahousehotel.com
www.malvinahousehotel.com

Waterfront (onde nos hospedamos, super recomendado)
stay@horizon.co.fk
www.waterfronthotel.co.fk

The Pale Maiden B&B
www.thepalemaiden.com

Já nas ilhas, os alojamentos são cuidados pelas famílias que cuidam e preservam o local. Os lodges, como são chamados, possuem poucos quartos (alguns abrigam não mais do que quatro pessoas, outros chegam a ter capacidade para mais de 20 hóspedes), poucos funcionários — mas são super confortáveis, oferecem refeições saborosas e têm a vantagem de permitir que os turistas fiquem mais próximas dos falklanders.

Carcass Island Lodge

Agências de viagem nas Falklands

São somente duas as agências de viagem nas Malvinas. Apesar de terem algunas sugestões de roteiros prontas, as empresas estão abertas a ouvir quais são os interesses dos turistas e planejar uma viagem ainda mais personalizada para cada cliente. Conforme o responsáveis pelo turismo pelo turismo no arquipélago, um roteiro de 7 dias custa entre 1.700 a 2.000 libras – contando com gastos de voos internos, hospedagem e alimentação.

Falkland Islands Holidays

info@falklandislandsholidays.com

International Tours & Travel
se.itt@horizon.co.fk

Roteiros pelas Falklands

As ilhas oferecem roteiros de 7 ou 14 dias. Nós estivemos por uma semana nas Falklands e contamos qual foi o nosso itinerário neste post. Abaixo, deixamos outras três sugestões de roteiro, de 7 e 14 dias. Mas, como já dissemos, é possível criar itinerários completamente personalizados. Pegue o mapa, leia muito sobre as ilhas, defina os pontos de interesse e monte a sua viagem!

Sugestão de roteiro de 14 dias

Dia 1 – Chegada ao Aeroporto Mount Pleasant e ida para San Carlos, onde é contada parte da história da Guerra das Malvinas, de 1982.
Dias 2 e 3 – Voo com a Figas para Pebble Island, santuário de vários animais, entre eles, quatro espécies de pinguins.
Dia 4, 5 e 6 – Voo com a Figas para Carcass Island, uma ilha tranquilíssima, com montanhas, praias e várias espécies de animais, entre eles, o carcará-austral. De Carcass, é possível fazer um bate-volta para West Point, onde, após uma caminhada, é possível admirar a paisagem do topo de um penhasco, dominado por ninhos de pinguins e albatrozes.
Dias 7 e 8 – Visita à Weddell Island, a maior das ilhas (depois de East e West Falkland).
Dias 9 e 10 – Voo com a Figas para Port Howard, ilha em que o turista pode vivenciar como é a vida no campo nas Malvinas, além de praticar a pesca.
Dias 11 e 12 – Transfer de Figas para Sea Lion Island ou Bleaker Island — duas das ilhas mais planas, onde é possível, a partir de pequenas caminhadas, acompanhar a rotina de elefantes e leões marinhos, pinguins e outros animais da região.
Dias 13 e 14 – Voo de Figas para Stanley, a capital das Falklands, para uma estadia de duas noites. É hora de conhecer a cidade a pé, visitando museus, lojinhas, igrejas e admirando as pequenas casas de telhados coloridos. Em um dos dias, programe um bate-volta para Volunteer Point, onde está a maior colônia de pinguins-rei do mundo.
Dia 15 – Retorno.

Sugestão de roteiro de 7 dias (Vida Selvagem)

Dias 1 e 2 – Seal Lion Island
Dias 3, 4 e 5 – Saunders Island (uma das principias ilhas, tem como um dos pontos mais importantes o The Neck, de onde é possível observar albatrozes; em Saunders também foi instalado o primeiro assentamento britânico nas ilhas)
Dias 6 e 7 – Stanley
Dia 8 – Retorno

Sugestão de roteiro de 7 dias (para ver campos de batalha)

Dias 1 e 2 – Darwin (campo de batalha onde estão enterrados soldados argentinos mortos na guerra)
Dias 3 e 4 – Pebble Island (cenário importante da Guerra da Malvinas, a ilha conta com cinco espécies de pinguins)
Dia 5 – Port Howard
Dias 6 e 7 – Stanley
Dia 8 – Retorno

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Essas são algumas informações que podem tornar o planejamento da sua viagem às Malvinas um pouco menos complicado. Não se esqueça de conferir os outros dois posts que fizemos sobre o destino: Ilhas Falkland: roteiro de 7 dias nas Malvinas e Ilhas Falkland: um destino exótico, cheio de história e vida selvagem no Atlântico Sul.

Se você já esteve nas Ilhas Falkland e tem outras dicas para compartilhar, deixe as sugestões nos comentários abaixo! E se estiver planejando uma viagem às Falklands e as dúvidas surgirem, escreva pra gente. É sempre bom trocar ideias!

* A editora viajou à convite da Embaixada Britânica no Brasil