Credores aprovam divisão e venda de ativos da Avianca Brasil em sete lotes!

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Publicado 5 · abr · 2019       23:00Atualizado 12 · abr · 2019

Os credores da Avianca Brasil aprovaram, em Assembleia realizada na noite dessa sexta-feira (5), a divisão dos ativos e slots (horários de pousos e decolagens em aeroportos) da empresa em sete lotes, dando sequência ao processo de recuperação judicial. A venda desses ativos precisa agora ser aprovada pela justiça para que seja realizado um leilão, previsto para os próximos 30 dias. Azul, GOL e Latam já apresentaram propostas e podem ficar com uma ou mais fatias da Avianca. Veja os detalhes!

 

Como os ativos da Avianca foram divididos?

A empresa conseguiu aprovar um plano de recuperação judicial dividindo seus ativos e slots (horários de pousos e decolagens em aeroportos) em 7 UPIs (Unidades Produtivas Isoladas), ao invés de uma única, como proposto inicialmente. Isso pode facilitar a venda para diferentes compradores. O plano aprovado foi a seguinte:

UPI A – 20 voos de Guarulhos, 12 voos do Santos Dumont e 18 voos de Congonhas

UPI B – 26 voos de Guarulhos, 8 voos do Santos Dumont e 13 voos de Congonhas

UPI C – 6 voos de Guarulhos, 6 voos do Santos Dumont e 8 voos de Congonhas

UPI D – 6 voos de Guarulhos, 4 voos do Santos Dumont e 4 voos de Congonhas

UPI $ – 6 voos de Guarulhos, 4 voos do Santos Dumont e 9 voos de Congonhas

UPI F – 23 voos de Congonhas

UPI Programa Amigo – Membros, banco de dados e contatos relacionados ao programa

Cada UPI terá um certificado de operação aérea, exceto a do Programa Amigo. Os compradores poderão utilizar a marca Avianca Brasil por até um ano. E as contratações de pessoal serão feitas de acordo com a necessidade de cada operador, mediante a realização de novos contratos de trabalho.

Já as aeronaves da Avianca Brasil serão objeto de negociação entre os compradores das UPIs e as empresas de leasing, que detém o direito sobre esses a ativos.

A Avianca Brasil original poderá ficar com parte do que sobrar dos slots, e o que eventualmente não for vendido. Será uma empresa minúscula e provavelmente deixará de integrar Star Alliance, por não atender aos requisitos mínimos da aliança.

 

Quem está na disputa pelos ativos da Avianca Brasil?

A Azul foi a primeira empresa a apresentar uma proposta concreta para a aquisição de ativos da Avianca Brasil. Porém, nessa semana, GOL e Latam entraram na disputa, apresentando suas propostas para os credores da Avianca, esquentando a briga. Até a data do leilão é permitido que outros eventuais interessados também façam propostas por esses ativos.

O cenário mais provável é que duas ou três companhias aéreas nacionais participem do leilão. Cada uma pode ficar com uma parte, mas é possível que uma ou mais UPIs fiquem sem comprador, já que nem todos os slots da Avianca Brasil tem o mesmo valor de mercado.

Todas as empresas interessadas se comprometeram a conceder empréstimos à Avianca Brasil, em acordos firmados com um de seus maiores credores, visando assegurar a operação da empresa até que o processo de criação da UPI seja concluído. Isso deve levar de 3 a 6 meses. A GOL e a Latam se comprometeram a emprestar US$ 8 milhões cada (aproximadamente R$ 30 milhões), sendo uma parcela creditada dia 9 e outra no dia 16 de abril. A Azul também já emprestou R$ 51 milhões para a Avianca. Esses empréstimos funcionam como antecipações de pagamentos para o caso da futura aquisição das UPIs.

 

Qual é o tamanho da dívida da Avianca Brasil?

A dívida foi atualizada para R$ 2,752 bilhões de reais, mas esse valor ainda pode sofrer alterações após ser auditado. Além disso, a empresa continua operando no vermelho, o que aumenta o endividamento dia após dia.

 

Quem tem passagem comprada ou planeja viajar com a Avianca Brasil pode respirar aliviado?

Ainda não! A empresa luta para manter sua operação estável. Se o leilão efetivamente for bem sucedido a Avianca ganha um fôlego importante para continuar operando por mais um tempo, até a nova empresa se tornar operacional. Nesse caso, os compradores podem colaborar na reacomodação de passageiros de voos domésticos e iniciar uma operação compartilhada (codeshare).

Até lá, a Avianca Brasil vai ter grandes desafios. Recentemente a empresa anunciou a suspensão de todos os voos com origem ou destino ao Rio de Janeiro (Galeão), Petrolina e Belém, além do cancelamento de 22 rotas ao longo do mês de abril. São elas:

Aracaju-Salvador

Salvador-Bogotá

Petrolina-Salvador

Recife- Salvador

Brasília-Salvador

Galeão-Salvador

Maceió-Salvador

Belém-Guarulhos

Fortaleza-Bogotá

Brasília-Cuiabá

Brasília-Fortaleza

Brasília- Galeão

Brasília-Maceió

Florianópolis-Galeão

Fortaleza-Galeão

Guarulhos-Galeão

Galeão-Foz do Iguaçu

Galeão-João Pessoa

Galeão-Natal

Galeão-Porto Alegre

Petrolina-Recife

Uma parte desses voos continuam sendo operados normalmente e serão descontinuados gradativamente, nos próximos dias. Se tiver viagem marcada procure a companhia aérea para saber se houve mudança na sua programação ou não.

A partir de 8 de abril a empresa também pode ser proibida de voar para o aeroporto de Salvador, devido uma ação onde a administradora do aeroporto acusa a empresa de apropriação indébita de dinheiro, já que a Avianca estaria cobrando os passageiros a taxa de embarque sem repassar esses valores para a concessionária. Mas é possível que a medida seja revertida, com o pagamento antecipado das taxas.

Por fim, quinta-feira, no aeroporto de Brasília, passageiros que aguardavam para embarcar no voo 6173 da Avianca, com destino a Congonhas, foram surpreendidos por um oficial de justiça que conseguiu impedir o embarque com uma liminar para o arresto da aeronave. A empresa conseguiu suspender a liminar, mas o imbróglio só foi resolvido horas depois, já na madrugada. Os passageiros acabaram chegando com quase seis horas de atraso em Guarulhos, já que Congonhas fecha após as 23 horas. A empresa ainda corre risco de novos pedidos arrestos de até 19 aeronaves, já que a liminar anterior assegurava os aviões apenas até a data da assembleia de credores, que ocorreu hoje.

 

Qual será o impacto para o consumidor?

O impacto deve ser negativo. Esse movimento da Avianca vai aumentar ainda mais a concentração de voos nas mãos de poucas empresas. Serão apenas três grandes competidores, e não mais quatro. Certamente a Avianca Brasil pressionava suas concorrentes e as obrigava a praticar tarifas mais baixas. Além disso, com a divisão das unidades produtivas, a tendência é que a GOL e a Latam ampliem seu domínio nos principais aeroportos do país, como Congonhas, Guarulhos e Santos Dumont, se valendo dos slots da Avianca. Mas o desfecho poderia ser ainda pior com uma eventual falência da empresa, que deixaria milhares de consumidores prejudicados.

 

O colapso financeiro também atingiu a Avianca Internacional (ou Avianca Colômbia)?

Não. As duas empresas aéreas operam de forma distinta. A Avianca Brasil, na verdade, é uma empresa nacional denominada Ocean Air, que licenciou a marca Avianca para uso no Brasil. A Ocean Air faz parte do Synergy Group, que também tem participação na companhia colombiana. José Efromovich é presidente do conselho da Avianca Brasil e membro do conselho de administração da holding Avianca. Seu irmão, Germán Efromovich, é presidente do conselho da Avianca Holding Mas a Oceanair é uma companhia independente da Avianca Holdings S.A. e, portanto, não consolida lucros ou prejuízos financeiros com nenhuma das subsidiárias do grupo colombiano.

A Avianca Internacional, que voa do Brasil para Bogotá, com conexões para dezenas de cidades, fechou um acordo de compartilhamento de voos em parceria com a United Airlines e recebeu um aporte financeiro da companhia aérea norte-americana. É uma situação distinta da Avianca Brasil.

Com informações do Valor e do G1.