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Como fazer um mochilão: guia para iniciantes

Sandro Kurovski
Sandro Kurovski
23/01/2021 às 11:00

Como fazer um mochilão: guia para iniciantes

Se você morre de vontade de colocar a mochila nas costas e se aventurar pelo mundo, ou quer simplesmente viajar de um jeito muito barato, mas não sabe por onde começar, seja bem-vindo(a)! Fizemos esse guia básico para ajudar você a se preparar e (finalmente!) transformar o sonho de fazer aquele mochilão em realidade!

O que é mochilão?

Mochilão nada mais é do que um jeito de viajar barato praticado por pessoas de várias idades e em diversas partes do mundo. Lá fora esse tipo de viagem é conhecida por “backpacking” (em inglês “backpack” significa “mochila”). Então quando alguém fala que vai “fazer um mochilão” essa pessoa quer dizer que vai viajar por conta própria com uma mochila nas costas, gastando o mínimo de dinheiro possível, sem nenhum roteiro muito rígido, levando apenas coisas essenciais e úteis na bagagem. É um estilo de viagem para quem quer economizar, conhecer pessoas, lugares, culturas, paisagens e provar novos sabores sem gastar muito.

 

Tipos de mochilão

É bem comum que o mochilão seja associado a uma viagem longa e cheia de perrengues, exclusiva para jovens. Mas a verdade é que a prática não tem idade certa nem uma duração definida.

Mochilão de curta duração

Esse é o tipo de viagem mais comum e viável para a grande maioria das pessoas. Normalmente dura de 15 a 90 dias e é feita em época de férias, depois da formatura, naqueles dias livres antes de iniciarmos em um novo trabalho ou qualquer outra oportunidade que junte tempo livre e dinheiro disponível.

Mochilão clássico

Já o mochilão clássico é uma viagem mais longa, que pode durar meses (ou até mesmo anos dependendo da sua disposição). É aquela viagem da sua vida! Em alguns países, inclusive, esse tipo de viagem é visto como um ritual de passagem.

Parece até absurdo pensar que tem gente que viaja desse jeito, mas acredite, essa é uma prática cada vez mais comum, seja do jeito clássico ou curto.

uma mulher com mochila sentada numa praia da Tailândia

Tipos de mochileiro

Esqueça aquela ideia de que o mochileiro só viaja de carona ou dorme em cadeiras (ou chão) no aeroporto entre uma conexão e outra. De acordo com o Blog Mochileiros existem diferentes perfis de pessoas que fazem mochilão e com certeza você vai se identificar com algum deles:

Viajantes que trabalham para viajar

São aqueles que se esforçam para juntar dinheiro com objetivo de realizar esse sonho e reservam um período “sabático” para isso. Pode ser um período longo, ou só férias mesmo;

Viajantes endinheirados

Quem já possui uma condição financeira confortável, tempo livre de sobra, ou que consegue se afastar do trabalho com facilidade para se aventurar por aí;

Mochileiros que trabalham durante a viagem

Seja em trabalhos temporários, trocando mão de obra por hospedagem e alimentação ou os chamados nômades digitais, aqueles que conseguem levar seu trabalho junto e manter assim a sua fonte de renda para se sustentar viajando;

Mochileiros roots

São aqueles que sabem fazer mochilão com muito pouco dinheiro e se mantém na estrada com atividades autônomas, como a venda de artesanato, apresentações artísticas (como música ou malabares), entre outras.

Trabalhar durante a viagem tendo apenas um laptop e acesso à internet é algo que tem se tornado realidade para profissionais de diversas áreas e a própria pandemia de Covid-19 mudou a mentalidade de muitas empresas, que passaram a enxergar o “home office” com outros olhos. Se o seu trabalho pode ser feito de casa ele pode ser feito de qualquer parte do mundo, já pensou?

nomade digital bali indonesia

Inclusive, alguns países facilitam a estadia prolongada de quem trabalha dessa forma, como é o caso da Estônia que criou o primeiro visto específico para nômades digitais do mundo. Se você vê isso como uma possibilidade para concretizar seu mochilão não deixe de conferir também nossa lista com os 10 destinos mais procurados por nômades digitais (e alternativas) para fugir deles.

Como escolher o roteiro para um mochilão?

Essa é uma pergunta muito pessoal e para saber a resposta é preciso analisar para onde você gostaria de ir e por qual motivo. É para ver alguma paisagem específica? Alguma atração ou evento? Ter contato com alguma cultura que sempre quis conhecer? Se você nunca fez um mochilão pode ser interessante montar um roteiro pelo próprio Brasil para se acostumar com esse estilo de viagem antes de partir para jornadas mais desafiadoras no exterior.

Muitos brasileiros escolhem fazer mochilão pela América do Sul pela proximidade, custo baixo e facilidade de se virar sem saber espanhol. Na Europa, Portugal e Espanha podem ser bons países para começar. Se você tiver coragem para ir mais longe a Tailândia e a Austrália são consideradas ótimas para iniciantes por recebem milhares de mochileiros todos os anos e contarem com uma ótima infraestrutura.

Você pode tanto definir o roteiro a partir do orçamento que tiver disponível quanto determinar quanto de dinheiro precisará juntar para fazer aquele roteiro desejado. O tempo de permanência também vai depender da sua disponibilidade e do quanto de dinheiro você conseguir reservar para isso, ou da sua capacidade de fazer renda durante a viagem.

Casal deitado na grama olhando um mapa

Quanto custa fazer um mochilão?

O custo da sua viagem de mochilão vai depender do tempo que você vai viajar, dos países ou cidades pelas quais vai passar e do quanto você está disposto(a) a economizar. O ideal é pesquisar com antecedência sobre o custo de vida dos lugares e estimar gastos diários com hospedagem, alimentação, transporte e passeios que você pretende fazer por lá. Além disso, é preciso separar uma graninha extra para imprevistos (que pode ser o saldo do cartão de crédito, só não esqueça de liberar para uso internacional hein!). Já fiz mochilão com orçamento equivalente a 25 dólares por dia (cerca de R$ 130,00) e acabei gastando menos, mas sei de pessoas que viajam com ainda menos que isso por dia.

Fazer um mochilão pela América do Sul pode sair muito mais em conta do que pela Europa ou América do Norte. Por ser mais perto será mais fácil achar passagens baratas ou até mesmo optar por fazer alguns trajetos de ônibus (por que não?). Ninguém disse que mochilão precisa ser internacional. Mochilar pelo próprio país é uma ótima maneira de ganhar experiência e se sentir mais confiante para jornadas mais desafiadoras.

Que documentos levar para um mochilão?

Passaporte

Ele é um documento obrigatório para qualquer um que queira viajar para fora do país. Tem 10 anos de validade, mas em alguns países só é aceito até 6 meses antes da data de expiração. Saiba como tirar seu passaporte passo a passo.

É possível viajar por países da América do Sul apenas com o RG, desde que ele esteja em bom estado de conservação, tenha foto atualizada que permita te identificar claramente (se ainda tem aquela foto com cara de 12 anos, atualize o documento!) e tenha menos de 10 anos de data de emissão. Os países que aceitam a entrada de brasileiros apenas com o RG são: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Certificado Internacional de Vacinação

O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, o CIVP, é um documento emitido pela ANVISA , uma espécie de carteirinha de vacinação para viajantes. Mesmo que você já tenha tomado a vacina contra a febre amarela será necessário emitir o certificado internacional para entrar em países que exigem este documento. Se você ainda não tomou, a vacina está disponível nos postos de Saúde do SUS e deve ser tomada no mínimo 10 (dez) dias antes da viagem. Saiba como emitir o CIVP pela internet.

Seguro Viagem

Alguns países exigem a cobertura de um Seguro Viagem, mas mesmo onde não é obrigatório vale a pena ter essa segurança extra em caso de problemas de saúde. Temos 18 dicas sobre seguro viagem e o que você precisa saber na hora de viajar.

Visto

O visto é uma autorização de entrada em um país, geralmente feita com um anotação no seu passaporte. Você precisa verificar se os países que pretende visitar exigem visto de entrada. No site do Ministério das Relações Exteriores há uma lista que mostra todos os países que exigem visto dos brasileiros.

Alguns países não exigem visto, mas pedem que você comprove que tem dinheiro suficiente para se manter no país no período da viagem, apresente reserva em hotéis (ou hostels), passagem de retorno, entre outras formalidades. Pesquise sempre quais são as exigências dos países de destino. Saiba mais sobre países que não exigem visto de turistas brasileiros.

Como procurar passagens aéreas baratas para o mochilão?

Mochileiro que se preza compra sempre suas passagens aéreas em promoção. E é justamente aqui que o Melhores Destinos pode te ajudar a economizar uma boa grana. Nós monitoramos as tarifas 24 horas por dia e avisamos sempre que surge uma oferta interessante. Você pode acompanhar as promoções aqui mesmo pelo site, ou baixar o app do Melhores Destinos. Não deixe de conferir nosso post com 15 dicas infalíveis para comprar passagens aéreas baratas .

Antes de fazer parte da equipe, quando era leitor, fiz muitos mochilões com as promoções anunciadas pelo MD. Gosto de consultar os valores pelo Google Voos para ter uma noção dos preços médios e depois espero uma super promoção para fazer a compra. Foi assim que consegui passar um mês na Europa gastando menos de R$ 3 mil com passagem já inclusa.

Qual o melhor tamanho de mochila?

Evite escolher uma mochila muito grande para ser sua companheira de viagem. Pode ser difícil a primeira vista, mas o ideal é comprar uma mochila média, com capacidade entre 40 a 50 litros. 45 litros pra mim é o ideal, cabe todo o que é essencial e não sobra espaço para nada desnecessário. Se não cabe, é porque você não precisa levar! Além disso, as mochilas de 40-50 litros ficam dentro das medidas permitidas para bagagem de mão e dificilmente você vai conseguir ultrapassar o limite de 10kg com elas. Só é preciso ter cuidado para não incluir nenhum item que seja proibido de transportar no avião.

E o objetivo de levar toda a bagagem em apenas uma mochila não é apenas “poético”, é justamente para ter mais mobilidade e facilitar na hora de andar pela cidade, pegar um transporte público, mudar de hospedagem… essas coisas que seriam muito mais complicadas com uma mala de rodinha a tiracolo, mas que ajudam a economizar muito dinheiro.

Mochila encostada numa árvore na floresta

O que levar na mochila?

Apenas o essencial e que caiba em uma mochila de até 50 litros! O tipo de mochilão e o seu perfil de viajante é que vão determinar o que é essencial para você. Não faz sentido nenhum levar uma barraca se você pretende ficar sempre em hostel, por exemplo. A toalha de banho pode ser substituída facilmente por uma toalha de acampamento, que seca rápido e ocupa pouco espaço (ou mesmo por uma fralda de pano que faz o mesmo efeito e custa uma fração do valor).

Lembre que você pode sempre lavar as roupas durante a viagem ou comprar alguma coisa se for preciso. Gosto de deixar de fora tudo o que “talvez eu vá usar”. Se não é certeza que vou precisar ou se vou usar poucas vezes, posso me virar muito bem sem. Fazer um mochilão é uma verdadeira experiência de desapego, que no começo pode assustar, e se você acha que não é capaz de viajar com pouca coisa, esse realmente não é o estilo de viagem mais indicado.

mulher com mochila sentada na beira da estrada com montanhas ao fundo

Como economizar na hospedagem?

O nível de perrengue aqui vai depender do seu perfil de viajante (do quanto você está disposto a se esforçar para economizar) e do seu orçamento, é claro! Dá para acampar ou dormir nas cadeiras do aeroporto de graça, ficar em um quarto coletivo em um hostel gastando pouco, optar por um hotel acessível ou até usar todas essas alternativas em uma mesma viagem. Assim você pode alternar momentos de “sacrifício” com um pouco mais de conforto.

Hostel/albergue

O hostel é um grande aliado do mochileiro. Além de ser um ponto de encontro de viajantes, é possível trabalhar em alguns deles como voluntário, em troca de hospedagem. Se for viajar sozinho a dica são os quartos coletivos, se viajar em dupla ou casal os hostels também possuem quartos privativos que costumam ter preços mais interessantes que os hotéis. No Booking você encontra e reserva o hostel para seu mochilão. Outras alternativas são o HostelWorld e o Hi Hostel.

Na maioria das minhas viagens, mesmo de trabalho, prefiro ficar em hostels para economizar. Se você quiser ter uma ideia de como é essa experiência não deixe de ver nosso vídeo sobre como é ficar hospedado em um hostel em Nova York:

Apartamento ou quarto

Serviços como o Airbnb facilitaram muito o aluguel de um quarto, um sofá para dormir na casa de um morador da cidade ou até mesmo de um apartamento inteiro, seja no Brasil ou em outros lugares do mundo. Pode ser uma ótima forma de economizar, fugir da burocracia, ter contato com os locais ou mesmo de conseguir um lugar mais sossegado e com mais privacidade para trabalhar.

Acampar

Essa é uma alternativa realmente econômica, perfeita para quem não se importa em carregar peso extra. Basta armar a barraca para ter seu próprio cantinho de descanso. Mas não é permitido montar acampamento em qualquer lugar, por isso é preciso ter cuidado para não ter problemas. Procurar áreas próprias para camping é o mais indicado (e seguro), o custo geralmente é baixo e ainda há facilidades como banheiros, chuveiros e até internet.

Viagens noturnas e lugares públicos 24 horas

Arrumar um lugar para dormir sem pagar nada não é tão difícil quanto parece e pode ajudar a economizar bastante. Eu mesmo já passei a noite em aeroportos e também fiz viagens noturnas de ônibus e trem para economizar na hospedagem. Há ainda a possibilidade de se hospedar gratuitamente na casa de moradores fazendo amizades on-line ou utilizando sites como o Couchsurfing, onde as pessoas oferecem hospedagem gratuita para viajantes.

Como economizar no transporte dentro das cidades?

Transporte público

Usar o transporte público como os moradores fazem, sem dúvidas, é uma ótima forma de economizar ao se deslocar pelas grandes cidades. Aproveite as linhas de ônibus, trens urbanos, metrô e até balsas. O Google Maps é um ótimo aliado na hora de escolher o melhor trajeto. Só lembre que as facilidades não serão as mesmas se você estiver no interior ou em meio a natureza.

Táxi, Uber e outros apps

Se você precisa de mais comodidade ou ficou na rua até tarde, o táxi e os transportes por aplicativo como Uber podem ser uma mão na roda. Verifique sempre quais serviços operam naquela cidade.

Bicicleta

Da mesma forma, dá para economizar muito ao alugar uma bicicleta, principalmente nos lugares que contam com uma boa rede de ciclovias.

Caminhar

Mochileiro não tem medo de fazer longos trechos a pé. Além de ser grátis (ou quase) faz bem para a saúde e é um ótimo jeito de explorar a cidade. No entanto, algumas áreas podem ser perigosas para pedestres, se informe e fique atento!

Como economizar na alimentação?

Café da manhã incluso + supermercado

A dupla que salva a vida de qualquer mochileiro! Dê preferência para hospedagens que incluam café da manhã e ofereçam uma cozinha para uso dos hóspedes (o maioria dos hostels proporciona as duas coisas).  Assim, você pode se alimentar bem no café e se aventurar na cozinha para preparar o almoço ou jantar.

Gosto de comer bem no café, fazer um lanche leve no almoço ou degustar algum prato local, e depois preparar a janta no hostel. Muitas vezes você faz amizade com outros mochileiros e rola até um banquete coletivo, juntando o que cada um comprou no supermercado.

Casal de mochileiros comprando frutas em uma feira

Evitar os restaurantes turísticos

Os restaurantes frequentados pelos moradores sempre têm pratos da gastronomia local com preços menos salgados. E se por ventura você não for muito fã da comida do lugar, sempre dá pra recorrer ao supermercado.

Comida de graça

Para os mochileiros mais “roots” existe ainda a opção de praticar o chamado “freeganismo”, também conhecido como “comer de graça”. Sabe aquela porção de batatinha frita que alguém abandonou na mesa do shopping ou da lanchonete? E aquele refil de refrigerante pronto para ser reabastecido? (depois de devidamente lavado no bebedouro ou na pia do banheiro, claro!). Isso até pode parecer nojento, mas realmente dá para economizar muito com comida aproveitando o que os outros deixaram para trás. E as pessoas desperdiçam muita comida!

Na própria cozinha do hostel há sempre comida grátis à disposição, geralmente alimentos que os hóspedes não deram conta de consumir durante a estadia ou que ficaram esquecidos na geladeira coletiva quando eles foram embora. Esses itens normalmente ficam numa área reservada para coisas compartilhadas e podem ser consumidos livremente. É bem comum encontrar pacotes de macarrão aberto, por exemplo, já que ele é uma comida prática e barata em qualquer país, e costuma vir em embalagens grandes. Confesso que já consegui algumas refeições de graça assim e também já deixei muita comida para os outros usarem.

Em alguns países também é comum que supermercados descartem alimentos próximos de vencer (ou no dia do vencimento) que vão para o lixo embaladinhos e em perfeito estado de consumo. Se você não for fresco(a) e tiver estômago suficiente para isso o Eliezer do canal Via Infinda dá dicas bem interessantes para quem quer comer de graça, vale conferir:

Porém, tome cuidado e não se arrisque à toa. Uma intoxicação alimentar pode interromper a sua viagem por vários dias e gerar gastos extras com atendimento médico. Casos da chamada “diarreia do viajante” são mais comuns do que você imagina! Uma dica para se prevenir é a vacina Dukoral, contra a cólera que estimula as defesas imunológicas do intestino.

E aí, pronto pra cair na estrada? Já tem alguma ideia de roteiro em mente? Se tiver mais dicas para ajudar os novatos no mundo do mochilão deixe sua contribuição nos comentários.