Como conseguir um bom cartão de crédito para acumular milhas e viajar?

Daniel Gadelha
Daniel Gadelha
13/11/2019 às 21:56 - atualizado em 30/03/2020

Como conseguir um bom cartão de crédito para acumular milhas e viajar?

Um bom cartão de crédito pode ser a chave para uma viagem melhor. Recentemente atualizamos o nosso ranking com os melhores cartões de crédito para viajar. Lá elegemos os principais cartões do mercado e os qualificamos levando em consideração os benefícios oferecidos para viagens, como acúmulo de pontos, acesso a salas VIP, seguros e assistências em viagem, entre outros.

No entanto, uma das perguntas que recebemos diariamente é como conseguir um desses cartões sem ser rico, ou ter uma renda altíssima comprovada. É possível ter uma proposta para um cartão desse tipo aprovada pelo banco? E aqueles cartões que estão disponíveis somente para quem for convidado pelo banco, como ter um? Neste post vamos dar algumas dicas sobre como trilhar o melhor caminho para conseguir os cartões de crédito mais desejados pelos viajantes, de preferência sem gastar com anuidade! Confira as nossas dicas:

1- Construa um bom relacionamento com o seu banco desde cedo

É muito difícil conseguir um cartão de crédito top, como Black ou Infinite, logo de cara. É preciso começar de baixo.

O meu primeiro cartão de crédito foi um Ourocard Universitário laranjinha. Ele estava incluso no pacote quando abri minha conta universitária no Banco do Brasil em 2011 (eu era calouro… parece que foi ontem). O limite era de apenas R$ 400, o acúmulo de pontos era super baixo e não tinha quase nenhum benefício. Mesmo com pouco “incentivo”, eu sempre concentrei as minhas compras no cartão de crédito por menor que fossem os valores. Lembro de colegas que falavam que não utilizavam o cartão pois o limite era muito baixo, enquanto eu, muitas vezes, fazia pagamentos avulsos da fatura para liberar o limite e poder continuar usando o cartão. Afinal, para quem tinha passado no vestibular, “driblar” um limite baixo não era lá um grande desafio.

Tempos depois, eu já estava almejando o Ourocard Gold, um cartão dourado menos adolescente, com uma cara mais madura e com alguns benefícios a mais. Mas como chegar até ele? Eu tratei logo de pedir um comprovante de renda da empresa onde eu estagiava e levei ao banco. Sim, fui no banco. Peguei uma senha de atendimento e fiquei lá sentado esperando para ser atendido e mostrar o meu comprovante de renda com o meu mega salário (só que não), torcendo para que o tal “cartão ouro” fosse liberado – e foi!

A história não termina aqui, mas o ponto que destaco é a importância em, desde cedo, começar a utilizar serviços bancários (conta corrente, aplicações, cartão de crédito, etc). Usando esses serviços, por mais simples que sejam, você irá criar um vínculo com o seu banco que se fortalecerá com o tempo e, consequentemente, poderá abrir portas para produtos e serviços bancários melhores – inclusive melhores cartões!

2- Pague sempre o valor total da fatura do seu cartão de crédito, sem atrasos

A segunda dica parece óbvia, mas é muito válida. Os bancos valorizam os clientes que honram o pagamento de suas faturas em dia e, consequentemente, trazem menor risco. É importante comprar apenas o que estiver dentro do seu orçamento e que seja uma real necessidade para você. Afinal, cartão de crédito não é brinquedo. Existem dois tipos de usuários de cartões de crédito: aqueles que compram mais do que podem pagar, pagam o valor mínimo da fatura e entram no rotativo, até inadimplência, e os que utilizam o cartão com responsabilidade, pagam suas faturas integralmente todos os meses e tiram proveito dos benefícios que os cartões podem oferecer, como as milhas, salas VIP, descontos em cinemas e teatros, entre outros. Qual usuário você prefere ser? Eu fico com a segunda opção (obrigado, de nada).

Claro que emergências acontecem. Podemos ficar doentes, desempregados, nos envolver em um acidente de trânsito, precisar comprar uma passagem aérea de última hora para fazer uma entrevista de emprego em outra cidade (essa última já aconteceu comigo #FoiTenso), entre outros eventos aos quais estamos sujeitos diariamente. No entanto, o cartão de crédito NÃO deve ser usado em situações em que você não tenha como pagar a “bolada” no final do mês. Os juros são altíssimos e sua dívida VAI crescer exponencialmente em uma velocidade mais rápida que a da luz (para a história ficar ainda mais triste, saiba logo que juros, multas e encargos financeiros lançados na fatura não geram milhas. Ou seja, como diz meu pai, você vai pagar caro por uma coisa “sem ter comido ou bebido nada” HAHAHA).

Nesses casos, contrate uma linha de crédito mais barata, como empréstimo pessoal, ou consignado. Lembre-se da primeira dica e procure seu banco de relacionamento mais forte, ele poderá ser a sua opção mais barata.

Caso tenha dificuldade em se lembrar de pagar suas faturas em dia, existe a opção de programar o pagamento delas em débito automático (opção favorita dos bancos pois reduz o risco de você pagar a fatura com atraso). Outra dica é baixar o app do banco e habilitar as notificações de fechamento da fatura, data de vencimento, liberação de limite etc. para não passar vexame. Eu mesmo já paguei uma fatura com um dia de atraso e fui “premiado” com a cobrança de juros e multa no mês seguinte. O valor que o banco me cobrou era suficiente para ir ao melhor rodízio japonês da cidade com direito a sobremesa (sim, foi bem triste).

3- Transfira todos os gastos possíveis para o cartão de crédito

Lembra que eu falei que compro tudo com o cartão de crédito? Pois é, eu compro mesmo e você deve fazer o mesmo para acumular mais pontos e chegar mais perto de um cartão de crédito melhor. Hoje em dia, além das compras do cotidiano, existem diversos serviços que podem ser pagos com os plásticos, como TV a cabo, conta de celular,  internet e serviços de streaming. Lembre-se que cada centavo conta. Incontáveis vezes eu paguei valores pequenos com o cartão de crédito e notei uma certa desaprovação de vendedores, lojistas e até de amigos. Eles que me perdoem, mas se eu tenho vergonha de alguma coisa nesta vida é de pagar qualquer coisa em dinheiro vivo. Meu pensamento é: se eu não pagar com cartão de crédito, eu não acumulo pontos e não viajo.

Uma dica interessante é a possibilidade de realizar o pagamento de contas e boletos utilizando o cartão de crédito. Essa opção já existe há bastante tempo, porém deixou de ser vantajosa em função das taxas cobradas pelos bancos. No entanto, na era dos aplicativos, surgiram diversas ferramentas de pagamentos que permitem o pagamento de contas utilizando o cartão de crédito, sem taxas, ou com valores atrativos. São apps como Mercado Pago, Recarga Pay, Pic Pay, ITI, entre outros. A jogada é aproveitar o que estiver disponível de forma gratuita em cada app para gerar milhas com despesas que você já possui.

Cada app tem uma regra, mas geralmente o limite é de R$ 1.000 sem taxas. Boletos com valores maiores, criando duas contas no app (com celulares diferentes), você consegue transferir dinheiro entre contas sem custo, gerando milhas  – pois o valor é debitado do seu cartão de crédito. Saiba mais sobre como pagar contas com o cartão de crédito.

Além disso, sempre tem aquele amigo(a) ou parente que precisa fazer uma compra grande como uma geladeira, televisão ou uma passagem aérea (de preferência de alguma promoção do Melhores Destinos) mas não tem cartão de crédito. Se a pessoa for de sua total confiança e pagar à vista, que mal ajudar usando seu cartão? A pessoa compra o que precisa, você acumula os pontos, aumenta sua movimentação no cartão e ainda vai ter feito uma boa ação. Você garante mais uma estrelinha para sua entrada no céu e milhas para viajar.

Uma maior movimentação no cartão vai te ajudar a conquistar mais limite e opções melhores. Os bancos estão constantemente acompanhando o comportamento financeiro dos seus clientes para oferecer produtos compatíveis com o seu perfil.

4- Trabalhe seu limite de crédito

Agora que você já tem uma movimentação bem animada no seu cartão, é importante também ter um bom limite de crédito. O meu amigo (e agora colega de trabalho) Cassol fez um post bem legal tempos atrás com algumas dicas de como aumentar o limite do seu cartão de crédito (mas só pode ler depois de terminar o meu post, ok? Obrigado, de nada.)

Uma das coisas que eu sempre fiz com os meus cartões foi, de tempos em tempos, ligar na central de atendimento para solicitar aumento de limite. Cheguei até a decorar o telefone de algumas centrais de atendimento de tantas ligações que fiz. Mas qual era a minha intenção? Bom, primeiro pelo simples fato de que os limites dos meus primeiros cartões eram vergonhosos (pronto, falei). Segundo que ter um limite alto (mesmo que você não o utilize completamente) pode abrir portas para outros cartões. Na medida em que o banco vai lhe confiando mais crédito e você vai utilizando ele com responsabilidade, maiores suas chances de você avançar para as variantes mais poderosas do cartão. Seria ilógico para o banco ter um cliente com R$ 20 mil de limite utilizando um produto básico como um cartão de crédito universitário, concordam?

Sabendo usar, os limites só lhe trarão benefícios. A princípio o seu limite pode ser uma porcentagem do valor da sua renda e com o tempo pode chegar a ser até 10 ou 15 vezes maior. Alguns bancos permitem ainda que você transfira o limite de crédito de outros produtos como cheque especial para o cartão de crédito. Essa dica é boa tanto para turbinar o seu limite no cartão, como para reduzir o risco de você utilizar o limite do cheque especial (que deveria se chamar “cheque espacial” de tão caro que é também).

Ao longo do tempo eu consegui esticar bastante os meus limites e hoje acredito que eles somem em torno de 35 vezes o valor da minha renda mensal (calma, a culpa não é do Melhores Destinos, eu que consegui limites muito altos mesmo HAHAHA). Não foi fácil, mas deu certo! (por favor, bancos, não cancelem meus limites agora…)

5- Não leve tão a sério a renda mínima exigida pelo banco

Os cartões mais exclusivos do mercado exigem renda de R$ 20 mil, podendo chegar até R$ 30 mil, além de aplicações no banco e outros requisitos malucos. Isso significa que todas as pessoas que usam tais cartões possuem essa renda? A resposta é não. Uma pessoa pode ter uma super renda comprovada e ter o cartão negado e outra, que tem uma renda menor, pode ter o cartão aprovado. Mas por que isso acontece?

Ao invés de considerar a renda do cliente um fator decisivo na liberação dos cartões, os bancos estão dando maior importância para a capacidade financeira do cliente em honrar seus pagamentos. Um dos motivos seria a quantidade crescente de atividades informais exercidas pelos brasileiros. Mas como os bancos analisam o risco de um cliente além da sua renda comprovada? Os bancos utilizam poderosas ferramentas de consulta (como Serasa Experian e SPC Boa Vista, por exemplo) para analisar o perfil financeiro de cada cliente.

Essas empresas cruzam os dados da sua movimentação financeira e grau de endividamento em diferentes bancos de dados e lhe classificam com uma pontuação (o chamado score de crédito) de risco para o banco. Quanto maior for a sua classificação nesses indicadores, maiores serão as suas chances de ter a sua proposta aprovada. Ou seja, a renda do cliente é sim um dos diferentes critérios utilizados pelo banco, mas ela não é decisiva.

Para consultar seu score, basta acessar gratuitamente o site do Serasa Score ou do SPC Boa Vista. Cada um calcula um score diferente de acordo com os dados que dispõem. Então, é normal que haja uma diferença na pontuação apresentada em cada portal. É importante ficar sempre de olho, pois qualquer variação pode impactar quando você solicitar crédito a alguma instituição. Saiba mais sobre o score de crédito.

6- Não seja fiel à apenas um banco

Eu sei que essa dica parece entrar em conflito com a primeira, mas calma que eu explico. Cada banco possui um portfólio de cartões de crédito e faz uso de critérios próprios para que seus clientes alcancem os melhores produtos. Se você tentar em apenas um banco, terá apenas uma chance para o sucesso. Agora se você for cliente de mais de um banco, suas chances aumentam. Além disso, as instituições utilizam modelos diferentes de avaliação dos clientes, podendo ser mais ou menos agressivas na concessão de crédito. Além disso, se você tiver mais de um cartão e souber aproveitar o melhor que cada um pode lhe oferecer, você só tem a ganhar.

Atualmente eu sou correntista de quatro grandes bancos tradicionais (e sim, o Banco do Brasil velho de guerra permanece na lista) e utilizo os melhores serviços de cada um. E não pensem que metade do meu salário é destinado ao pagamento de cestas de serviços bancárias, pois as modalidades de contas que utilizo são todas isentas desta cobrança. Fica mais fácil você tentar negociar um cartão de variante alta em um banco quando você já conquistou aquela mesma variante em outro banco. Seu gerente vai querer lhe oferecer os mesmos benefícios que o concorrente para não lhe perder.

Existem ainda as contas digitais que chegaram aos montes nos últimos anos, a maioria prometendo rendimento maior que a poupança, simplicidade e transparência. Esse tipo de concorrência é importante para estimular os bancos tradicionais a oferecerem pacotes mais acessíveis.

 

7- Use o limite de um cartão de crédito como comprovante de renda

Antigamente os documentos mais comumente solicitados pelos bancos para aprovação dos cartões eram holerite, contra-cheque e declaração de imposto de renda.

No entanto, a maioria deles aceita como comprovação de renda a fatura de um outro cartão de crédito. Nesses casos, o valor total do limite cujo cartão você apresentar a fatura é geralmente considerado como sua renda mensal. Ou seja, ter um limite volumoso em um cartão pode lhe abrir portas para conseguir um segundo. E por aí vai… Eu mesmo já consegui emitir mais de um cartão utilizando como comprovante uma fatura com limite considerável. Claro que, ainda assim, o banco irá consultar seu CPF na praça e suas movimentações, mas não deixa de ser um atalho.

Lembre-se que o cartão poderá ser solicitado não apenas através do site do banco, mas também presencialmente com o gerente da sua conta (olha aqui a importância da primeira dica). Uma conversa frente a frente com o seu melhor amigo, digo, seu gerente, poderá lhe trazer bons frutos se você conseguir se expressar e argumentar de forma a convencê-lo de que aquele produto está dentro do seu perfil. Outra forma, essa mais recente, é a possibilidade de solicitar cartões através de consultores terceirizados e corretores. Esses profissionais atuam como correspondentes bancários oferecendo, principalmente, cartões de crédito e fazem a intermediação entre o cliente e o banco emissor.

É interessante comentar também que já existem cartões de crédito no mercado sendo emitidos sem nenhuma comprovação de renda (mediante análise do banco, claro). O maior exemplo é o Credicard Black lançado no ano passado e que oferece um acúmulo interessante de pontos, tem parceria com salas VIP, oferece os seguros e assistências da bandeira MasterCard Black e conquistou o 25º lugar no nosso ranking. Gastando R$ 6 mil mensais você não paga nada de anuidade.

8- Não tenha medo das anuidades altas dos cartões de crédito

Depois de tanto esforço para finalmente conseguir aquele sonhado e desejado cartão, chega a parte triste da história: a temida ANUIDADE – escorreu até uma lágrima aqui só de pensar :'(

Sabemos no ranking que quanto mais benefícios são oferecidos pelo cartão, mais salgada é a sua anuidade, que pode chegar a R$1.500 (no caso do Porto Seguro Visa Infinite, primeiro do ranking).

Mas e agora? Chegamos na linha de chegada e vamos desistir do nosso prêmio? Nada disso! Alguns bancos estão adotando políticas transparentes para isenção ou desconto na anuidade dos nossos amados plásticos. Uma das políticas mais comuns é o banco estabelecer um valor mínimo a ser gasto no cartão por mês para que o cliente fique livre ou ganhe desconto na anuidade.

No caso do cartão que citei, da Porto Seguro, caso você gaste R$15 mil reais por mês no cartão, você estará isento da anuidade. Pronto, fim de papo. Mas daí você pode falar: “Mas poxa, nem se eu emprestar o meu cartão para a torcida do Palmeiras eu não vou conseguir atingir esses R$15 mil”. Não tem problema, se você conseguir gastar acima de R$6 mil por mês, ele te oferece 50% de desconto, que tal?

Se ainda assim você não conseguir isentar a sua anuidade, calma que ainda há esperança. Temos um post de dicas sobre como conseguir negociar a anuidade do seu cartão (ou até mesmo isentar, oremos!). É preciso ter paciência e persistência para chegar na melhor negociação possível. Eu mesmo não estou pagando a anuidade de nenhum dos cartões que tenho ativo no momento e, seis deles, estão no TOP 15 do ranking do Melhores Destinos.

Além dessas dicas, os bancos estão constantemente oferecendo promoções com isenção de anuidade nos primeiros anos, acúmulo de pontos em dobro ou bonificações em pontos ao contratar um novo cartão. Essas campanhas aparecem com certa frequência e esperamos ter algumas na Black Friday – eu, pelo menos, já estou pensando qual cartão irei pedir na próxima promoção.

E você, já conseguiu um bom cartão sem gastar muito? Tem alguma outra dica? Comente e participe!

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