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Por que os códigos de aeroporto têm 3 letras? Veja como são escolhidos e 6 casos bizarros

Mateus Tamiozzo
07/09/2025 às 8:00

Por que os códigos de aeroporto têm 3 letras? Veja como são escolhidos e 6 casos bizarros

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Um dos setores mais rigidamente controlados do mundo, a aviação segue orientações técnicas claras para garantir, sobretudo, a segurança – desde o agente de aeroporto até o passageiro. Algumas normas são consagradas há décadas, enquanto outras surgem conforme as exigências da indústria. Um elemento presente há cerca de seis décadas são aquelas três letrinhas que identificam um aeroporto – o chamado código IATA.

Você certamente já o viu no seu cartão de embarque ou quando procura passagens aéreas: GRU, GIG, POA, REC, FOR etc.

Essas denominações não existem por acaso, e são importantíssimas para o setor, pois padronizam e simplificam a comunicação, já que muitas cidades e aeroportos têm pronúncias e escritas bem diferentes dependendo do idioma. Isso evita confusões que poderiam colocar em risco a segurança de uma operação aérea e ser uma dor de cabeça para muita gente.

Via de regra, os códigos seguem uma lógica que respeita o nome de uma cidade ou de um aeroporto, mas nem sempre é assim!

Quando e por que teve início a identificação com códigos de 3 letras?

Segundo a Agência Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), que regula os códigos, o uso para os aeroportos começou nos anos 1930. À época, as companhias aéreas escolhiam uma denominação de apenas duas letras – o que limitava as combinações a apenas 676. Isso era especialmente importante para cidades que não tinham estações meteorológicas, identificadas também com duas letras e que eram a principal referência para operações aéreas, já que a maioria ficava em regiões aeroportuárias.

A partir do fim dos anos 1940, o número de aeroportos já excedia a capacidade do sistema de duas letras, e começou então a aplicação do padrão de três letras, em vigor até hoje. O terminal de Los Angeles, por exemplo, era apenas LA, mas se tornou LAX em 1947.

Nos anos 1960, a partir de uma necessidade das companhias aéreas, a IATA entrou em cena para padronizar os códigos de forma definitiva. A norma é válida apenas para operações comerciais. Hoje, é uma das principais formas de referência na aviação para evitar confusão na identificação de aeroportos ou cidades.

Mas como veremos logo mais, equívocos muito sérios podem ser cometidos.

Como são definidos os códigos de 3 letras dos aeroportos?

Os códigos IATA são disponibilizados pela Agência Internacional de Transporte Aéreo para identificar aeroportos ou outros locais com serviço de transporte (como estações de trem cujas viagens são vendidas também pelas companhias aéreas em um esquema intermodal/multimodal).

A identificação com as 3 letras só é feita mediante um pedido de uma companhia aérea – normalmente, pela empresa que voará primeiro para um determinado aeroporto. O custo para solicitar e emitir o código supera os US$ 5 mil!

A IATA também nomeia cidades ou regiões metropolitanas servidas por mais de um aeroporto. É o caso de São Paulo, que recebe o código SAO enquanto tem a seu redor Guarulhos (GRU), Congonhas (CGH) e Viracopos (VCP).

As regras para a identificação de um aeroporto seguem a Resolução 763 da IATA. O principal objetivo é garantir que a combinação de três letras seja única.

A designação vale para:

  • um aeroporto que recebe voos de uma companhia aérea.
  • uma localidade que precise ser identificada para transporte intermodal.

Para a seleção de um código, o procedimento é o seguinte:

  • como primeira opção, seleção de um código não usado com as três primeiras letras do nome do local.
  • como segunda opção, um código não usado preferencialmente começando com a primeira letra do nome do local.
  • quem solicita pode sugerir à IATA seus códigos preferidos, desde que disponíveis na lista.

Aeroporto do Galeão (GIG), no Rio de Janeiro

O código GIG, por exemplo, faz referência ao Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Mas não há referência à cidade: o primeiro G se refere ao Galeão, enquanto IG se refere a Ilha do Governador, onde fica o terminal. Como a capital fluminense também tem o Aeroporto Santos Dumont (SDU), a cidade fica com  RIO.

Para a criação de um código para uma cidade ou região metropolitana ou a inclusão de um aeroporto em uma área que já esteja identificada, as três letras são decididas por meio de uma… enquete. Se você esperava algo super técnico, lamento a frustração!

Por que alguns códigos não fazem referência à cidade ou ao aeroporto?

Embora a maioria dos códigos seja definida idealmente a partir de uma referência à cidade, ao aeroporto ou a algum aspecto da região, certas denominações simplesmente não fazem sentido à primeira vista.

Abaixo, elencamos 6 casos, no mínimo, “incomuns” e alguns detalhes curiosos e estranhos, incluindo uma história desastrosa. Confira!

  • FRU – Bishkek, Quirguistão

Em 2023, visitei o Quirguistão. Depois de voar de São Paulo para Istambul, o trecho final saindo da Turquia seguiria para Bishkek, a capital do país localizado na Ásia Central. Para minha surpresa, no cartão de embarque o código IATA de Bishkek era FRU – nada, absolutamente nada a ver com o nome da cidade. Nem mesmo com Aeroporto Internacional de Manas.

Depois de alguns dias viajando, tirei um tempo para uma breve pesquisa. E a resposta é: FRU se refere a Frunze, nome antigo de Bishkek, datado da era soviética – o aeroporto recebeu seus primeiros voos nos anos 1970, quando o Quirguistão era parte da União Soviética.

A IATA poderia, por exemplo, até alterar o código para algo mais próximo de “Bishkek” ou “Manas” mediante solicitação, mas a agência raramente faz essa concessão.

  • MCO – Orlando, Estados Unidos

Se você acha que MC é uma referência a Mickey e que O significa Orlando, pare agora! O código de Orlando, nos Estados Unidos, tem origens militares. O aeroporto foi uma base militar datada dos anos 1940, quando era chamada de Pinecastle Army Field. Em 1958, foi renomeada para McCoy Air Force Base – daí vem a sigla MCO.

Um fato bastante curioso: em inglês, o aeroporto se chama Orlando International Airport. Pelas suas iniciais, muitos norte-americanos se referem ao terminal pelo código OIA, ainda que informalmente. Uma eventual alteração da identificação de MCO para OIA seria impossível. Além de a IATA raramente autorizar mudanças, a combinação OIA já tem dono: pertence – nada mais, nada menos –  ao Aeroporto de Ourilândia do Norte, no Pará!

O caixão perdido de Maceió

Códigos IATA muito parecidos podem gerar situações, no mínimo, constrangedoras, por isso todo cuidado é pouco para quem trabalha em aeroportos e até mesmo para passageiros.

Em 2015, fui apresentado à história do transporte de um caixão de São Paulo para Maceió (MCZ), pela extinta companhia aérea Transbrasil, que terminou indo parar no lugar errado. Abaixo estão alguns detalhes do episódio, relatados no blog da jornalista Solange Galante, especialista em aviação.

(Crédito: Revista Flap)

O caixão foi embarcado na capital paulista em um Boeing 767 da Transbrasil que teria como destino final Orlando (MCO), com uma escala em Brasília. Ao chegar à capital federal, os passageiros, bagagens e outros objetos (incluindo o caixão) que seguiriam para Maceió deveriam ser transferidos para outro avião. No entanto, mesmo com a etiqueta MCZ, o caixão foi deixado no Boeing 767 por engano e descuido com relação ao código e seguiu viagem para MCO.

Em Orlando, as autoridades que recepcionaram o voo abriram o caixão para conferir se havia itens proibidos, tóxicos ou contrabando, e o despacharam de volta para o Brasil. Bastou a leitura errada de uma letra para todo o problema acontecer.

O “Z” em MCZ faz referência a Zumbi dos Palmares, nome do aeroporto de Maceió.

Nos Estados Unidos, uma letra é proibida

Pode procurar à vontade: você não vai encontrar nos Estados Unidos um aeroporto cuja identificação de três letras comece com N. Isso ocorre porque a letra é reservada para códigos usados pela Marinha (Navy) norte-americana.

  • JTC – Bauru / QDV – Jundiaí, São Paulo

Desde que descobri os códigos IATA, os aeroportos de Bauru e Jundiaí me deixam bastante intrigado. As denominações JTC e QDV não fazem sentido algum à primeira vista, tanto pelo nome das cidades quanto pelo nome dos terminais – o de Bauru se chama Aeroporto Estadual de Bauru-Arealva / Moussa Nakhl Tobias, e o de Jundiaí, Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro.

Em casos assim, a explicação mais plausível seria uma escolha aleatória. A ideia geral é que as três letras tenham alguma relação com a cidade, o terminal ou a região ao redor, mas, como já dissemos, isso não é uma regra. Há muitos outros aeroportos cujos códigos não seguem uma lógica aparente.

Consultamos a Rede VOA, concessionária de Bauru e Jundiaí, em busca de uma explicação, mas não obtivemos retorno.

  • YYZ – Toronto (e outros aeroportos no Canadá)

O Canadá é um caso especial. Salvo algumas exceções, os aeroportos do país começam sempre com Y. Toronto, por exemplo, leva a denominação YYZ.

Segundo a IATA, a convenção de códigos no Canadá data da aviação pré-Segunda Guerra Mundial. Acredita-se que as identificações de aeroporto no país estejam relacionadas às duas letras designadas para estações de meteorologia ou transmissores de localização via rádio. 

Nos anos 1930, por questões de segurança e de pouso de aviões, era importante saber se um aeroporto tinha estações meteorológicas ou de rádio. Em caso positivo, a letra Y (de YES, ou SIM) era adicionada ao código.

Esse padrão já não é mais levado em consideração nos dias de hoje, e alguns terminais do Canadá iniciam com letras como Z, X, M, J, H, entre outras. Mas o Y é claramente predominante.

  • FNJ – Pyongyang, Coreia do Norte

A Coreia do Norte é um país conhecido por ser bastante fechado, com poucas informações disponíveis publicamente. E o “mistério” que sempre parece rondar o país se estende ao aeroporto de Pyongyang, na capital do país. À primeira vista, o código FNJ parece não ter nada a ver com a cidade ou alguma característica local. Mas há uma explicação aparente.

Consultamos a agência de viagens Koryo Tours, especializada em levar turistas para a Coreia do Norte, a respeito da justificativa mais provável para a sigla. Segundo o gerente geral da agência, Simon Cockerell, a origem da sigla FNJ estaria na escrita e na pronúncia de “Pyongyang” em russo.

E faz bastante sentido: em russo, o nome da capital norte-coreana tem a pronúncia “Phenjang”, sendo que PH tem som de F. Vale considerar que o aeroporto foi inaugurado em 1948, quando a parte norte da península coreana estava sob forte influência soviética!

Destacamos que essa é apenas uma probabilidade, já que não há um registro formal em torno da escolha da sigla FNJ.

Quantos códigos estão em uso atualmente? Há um limite de combinações? 

De acordo com a IATA, aproximadamente 11.300 códigos estão em uso atualmente, e entre 40 e 50 são emitidos todos os anos. Os pedidos são avaliados pela entidade assim que são recebidos – não há uma periodicidade específica, e todo o processo é feito online.

Há mais de 17 mil códigos possíveis, portanto ninguém precisa ficar preocupado – por enquanto – com o fim das combinações. Em um ritmo de 50 novas identificações por ano, levaria mais 114 anos para se atingir o limite!

Até 2.139, ano em que isso aconteceria, muita água terá passado por debaixo da ponte e muito avião terá passado pelo céu, e até mesmo outras formas de codificação já poderão ter sido criadas.

É possível mudar um código IATA?

Para a IATA, a identificação de três letras é considerada permanente – alterações só acontecem com uma justificativa muito plausível, e precisam, sobretudo, estar relacionadas à segurança aérea.

Um exemplo apresentado pela agência é a do Washington Dulles International Airport, que teve seu código modificado de DIA para IAD para evitar confusões com o Ronald Reagan Washington National Airport (DCA), que fica bem próximo.

Pode um aeroporto não ter código IATA?

Sim. Vale ressaltar que o código IATA é especificamente voltado a operações de companhias aéreas comerciais (Gol, Latam, Azul etc.). Em situações em que não há identificação IATA, os aeroportos costumam ter apenas a identificação ICAO (sigla em inglês para Organização Internacional da Aviação Civil), usada para terminais que recebem voos comerciais e não comerciais.

Aeroporto de Flores, em Manaus

No Brasil temos alguns casos. Por não terem operações de companhias aéreas comerciais, os aeroportos de Flores (localizado em Manaus) e Luziânia (Goiás) – para ficarmos apenas em dois exemplos -, não têm a identificação de três letras emitida pela IATA. Caso haja interesse de Azul, Gol ou Latam de operar nesses locais, as empresas precisarão solicitar um código à entidade.

O que são os códigos ICAO?

Diferentemente da IATA, os códigos ICAO são definidos pela Organização Internacional da Aviação Civil, braço da Organização das Nações Unidas (ONU), e levam quatro letras!

Você nunca verá essas identificações em uma passagem aérea ou na divulgação comercial de um aeroporto, por exemplo. Trata-se de uma identificação de caráter mais técnico, usada por controladores aéreos e em planejamentos das companhias aéreas. Traduzindo, fica nos bastidores.

A ICAO estabelece iniciais diferentes para cada região do mundo. Na América do Sul, todos os códigos começam com S (de South America). Especificamente para o Brasil, as iniciais são SB, SD, SI, SJ, SN, SS e SW. As duas letras finais identificam um aeroporto. Veja os exemplos abaixo:

  • SBKP – Campinas/Viracopos
  • SBGR – São Paulo/Guarulhos
  • SBSV – Salvador
  • SWGN – Araguaína (TO)
  • SSPI – Paranavaí (PR)

Como saber quais são todos os códigos IATA?

No site da IATA, é possível checar todos os códigos atualmente em uso, mas a agência não disponibiliza outros detalhes. A busca pode ser pelas três letras, pelo nome do aeroporto ou da cidade.

Já o site Airport Codes é bem mais interessante, uma vez que traz, de forma resumida, a justificativa por trás de determinado aeroporto ter determinado código. O lado negativo é que a busca se dá apenas pelas três letras.

Nem todas as localidades estão disponíveis, e qualquer pessoa pode adicionar informações. Por ser um site não oficial e de contribuição pública, pode haver inconsistências.

De toda forma, para além de serem boas fontes de informação sobre os códigos dos aeroportos, rendem um quiz muito legal para jogar entre amigos!

Códigos IATA de aeroportos brasileiros e internacionais

Como já destacamos, há mais de 10 mil aeroportos que detêm um código IATA. Nesta lista, vamos apresentar apenas alguns deles, como foco nos aeroportos brasileiros e internacionais mais importantes:

Aeroporto/Cidade Código IATA
São Paulo (Guarulhos) GRU
São Paulo (Congonhas) CGH
São Paulo/Campinas (Viracopos) VCP
Rio de Janeiro (Galeão) GIG
Rio de Janeiro (Santos Dumont) SDU
Belo Horizonte (Confins) CNF
Brasília BSB
Salvador SSA
Recife REC
Belém BEL
Porto Alegre POA
Nova York (John Fitzgerald Kennedy) JFK
Nova York (Newark) EWR
Miami MIA
Orlando MCO
Los Angeles LAX
San Francisco SFO
Londres (Heathrow) LHR
Paris (Charles de Gaulle) CDG
Lisboa LIS
Frankfurt FRA
Madri MAD
Pequim (Capital International) PEK
Pequim (Daxing) PKX
Dubai DXB
Doha DOH
Joanesburgo JNB
Bogotá BOG
Buenos Aires (Aeroparque) AEP
Buenos Aires (Ezeiza) EZE
Santiago SCL
Lima LIM
Assunção ASU
Cidade do México MEX

Com informações do Simple Flying e Flightradar24


Conhece algum caso interessante de código IATA que não está na nossa lista? Participe nos comentários!

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