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O que Latam, Avianca e Aeromexico estão fazendo para superar a recuperação judicial e seguirem voando

Leonardo Cassol
21/07/2020 às 5:07

O que Latam, Avianca e Aeromexico estão fazendo para superar a recuperação judicial e seguirem voando

A Latam Airlines, a Avianca Holdings e a Aeroméxico estão entre as maiores companhias aéreas da América Latina, tendo transportado juntas mais de 110 milhões de passageiros no ano passado. Com a pandemia de coronavírus, as empresas viram a demanda cair repentinamente mais de 90%, sem uma perspectiva clara de quando será retomada. Acabaram pedindo recuperação judicial nos Estados Unidos, visando preservar suas operações e ativos, bem como conseguir melhores condições de negociação com seus credores e fornecedores.

Nesse post vamos mostrar o plano e as medidas que cada uma das empresas estão adotando para se reestruturar e como isso pode ou não impactar a vida dos passageiros. Confira!

Latam Airlines

A recuperação judicial do grupo Latam Airlines teve início no dia 26 de maio, nos Estados Unidos. No dia 9 de julho, foi a vez da filial brasileira ser incorporada nesse processo. Esse instrumento ajuda as empresas em dificuldades financeiras a alongar sua dívida e conseguir melhores condições com seus credores. E a escolha dos Estados Unidos como palco para esses processos tem ocorrido em função do país ter uma legislação (o Capítulo 11 ou Chapter 11) mais eficiente e que viabiliza a renegociação dos contratos de leasing das aeronaves.

Além de manter boa parte dos seus aviões em solo durante a pandemia para poupar combustível e colocar os funcionários de licença não remunerada ou em acordo de redução de salário e jornada, a Latam adotou as seguintes medidas:

Devolução de aeronaves

O Grupo Latam já fechou um acordo para a devolução 31 aviões, de acordo com o portal Europa Press. Mais de 120 das 332 aeronaves do grupo (36% da frota), estão sendo negociadas com as empresas de leasing. Não se sabe ao certo quantas delas terão efetivamente o contrato de aluguel encerrado, e nem de que filiais. Mas certamente parte da frota utilizada no Brasil entrará no pacote, já que a empresa acredita que a demanda por aqui não será a mesma nos próximos anos.

Empréstimos e aportes de acionistas

A Latam levantou R$ 12 bilhões (US$ 2,2 bilhões) em aportes e empréstimos, sendo destes R$ 5 bilhões dos acionistas Qatar Airways e das famílias Amaro e Cueto, e outros R$ 7 bilhões do fundo de investimentos Oaktree Capital Management. Além disso, negocia com o BNDES e bancos comerciais no Brasil um empréstimo de aproximadamente R$ 2 bilhões.

Saídas de mercados e rotas não essenciais

A Latam encerrou definitivamente suas operações domésticas na Argentina. No Brasil e nos demais mercados onde atua, deve se concentrar na redução de frequências e de rotas menos rentáveis, para se adequar ao novo ambiente da demanda. Em termos práticos, é provável que a empresa reduza a quantidade de destinos atendidos na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil e na América Latina. Por exemplo, em vez de operar voos diretos e regulares para Barcelona, Madri, Frankfurt, Lisboa, Londres, Paris, Roma e Milão, a empresa pode manter 4 ou 5 desses 8 destinos e oferecer os outros através das parcerias que possui com a British e a Iberia. Esse mesmo raciocínio se aplicaria a todos os mercados. No Brasil, a empresa fechou recentemente sua base em Campinas, onde a agora parceira Azul possui uma grande quantidade de voos.

Parcerias estratégicas com Azul e Delta Airlines

Outra ação da Latam para enfrentar a crise provocada pela pandemia de coronavírus são parcerias com empresas que eram suas concorrentes. Em agosto a Latam e a Azul vão iniciar um compartilhamento de voos (codeshare) para conectar mais de 50 rotas não sobrepostas em suas respectivas malhas domésticas no Brasil. As duas empresas também celebraram uma parceria entre os seus programas de fidelidade, possibilitando aos clientes acumular pontos no programa de sua escolha.

Além disso, a Latam está avançando na parceria com a Delta, iniciada antes da pandemia. As companhias apresentaram recentemente um pedido de imunidade antitruste para sua Joint Venture, que vai permitir que elas planejem conjuntamente rotas, serviços e tarifas em voos entre a América do Sul e os Estados Unidos e o Canadá.

Redução de equipe

Com uma demanda muito menor do que antes da pandemia e sem uma perspectiva clara de retomada, a Latam negocia com os sindicatos acordos para reduzir jornadas e salários por 18 meses, como fizeram a Gol e Azul. A empresa também quer incluir no acordo a diminuição o quadro de pilotos e comissários. Parte das equipes dos aeroportos já foi desligada, sendo que outros cortes são esperados para as próximas semanas.


De acordo com Roberto Alvo, novo CEO do grupo Latam, a empresa deu um grande passo para garantir sua continuidade operacional. “O apoio de dois de nossos principais acionistas foi essencial, pois despertou o interesse e o comprometimento dos investidores que não tínhamos há um mês. Esse sinal de confiança no futuro do grupo permitiu capturar todos os recursos necessários para operar durante a crise, até a recuperação da demanda, concluindo com êxito o processo de recuperação judicial”.

As chances de recuperação da Latam aumentaram muito com todas essas medidas. No entanto, é provável que a empresa saia da recuperação judicial de 30% a 50% menor do que entrou, com menos rotas e frequências, mas com parcerias mais fortes, como as que foram feitas com a Azul e com a Delta.

Veja também: O que esperar da recuperação judicial da Latam

Avianca Holdings

Com sedes na Colômbia e no Peru, e subsidiárias de El Salvador e no Equador, a Avianca Holdings é a segunda maior companhia aérea da América Latina. Entrou em recuperação judicial em 10 de maio, numa situação bem mais complicada do que a da Latam. A empresa já acumulava dívidas bilionárias, quando foi surpreendida pela suspensão dos voos internacionais pelo governo colombiano até 31 de agosto e dos voos domésticos até o fim de junho. A medida afetou duramente a empresa, que utiliza seu centro de operações em Bogotá para interligar passageiros de toda a América do Sul, América Central e Caribe, além de Estados Unidos, México e Canadá.

A Avianca Holdings conseguiu aprovar preliminarmente suas primeiras moções no Tribunal de Falências dos Estados Unidos, onde o pedido de recuperação judicial foi registrado. Antes mesmo de iniciar esse processo, a empresa tinha deixado de fazer o pagamento das empresas de leasing e negociava aeronaves para reduzir sua frota. Outras medidas adotadas pela empresa foram:

Licença não remunerada dos funcionários

A Avianca ofereceu um programa de licença voluntária não remunerada que foi aceito por cerca de 14.000 funcionários. Isso ajudou a reduzir as despesas em mais de 80%, dando tempo para os executivos trabalharem na reestruturação.

Saídas de mercados e rotas não essenciais

Paralelamente, a empresa decidiu encerrar suas operações domésticas no Peru. Também não deve retomar todos as antigas rotas quando for autorizada pelo governo, priorizando os trechos mais rentáveis. No entanto, a empresa ainda não divulgou detalhes da adequação de frota e de malha.

Empréstimos e apoio governamental 

A Avianca Holdings negocia contratar o Banco Goldman Sachs para apoiá-la na busca de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,5 bilhões) em financiamentos, para que consiga atravessar o período de recuperação judicial. A empresa também planeja obter junto ao governo colombiano financiamento público para superar a crise.


De fato, a Avianca Holdings ainda está numa situação muito delicada. Mas caso consiga viabilizar novos empréstimos, ou apoio do governo, pode conseguir recursos para respirar aliviada.

Aeroméxico

A Aeroméxico foi mais uma empresa a aderir a um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, para tentar fortalecer a sua saúde financeira e proteger suas operações e ativos. Com dívidas de mais de US$ 5 bilhões (quase R$ 22 bilhões), a empresa retomou uma pequena parte dos seus voos, mas assistiu à demanda despencar subitamente durante a pandemia.

Com as primeiras petições aprovadas pelo Tribunal norte-americano, a Aeroméxico disse que vai conseguir manter os salários dos empresados em dia, bem como honrar todos os bilhetes, reservas e milhas. Entre as ações adotadas pela empresa, temos:

Busca de novos financiamentos

A Aeroméxico está em negociações para obter novos empréstimos, como parte do processo de reestruturação, mas ainda não tem nenhum apoio concreto divulgado. Também não está descartado um eventual financiamento do governo mexicano.

A empresa anunciou no começo de julho um acordo com a canadense AIMIA, com apoio financeiro de US$ 100 milhões (R$ 535 milhões). Além disso, conseguiu estender até 2050 o contrato comercial que opera o programa de fidelidade Club Premier, em conjunto com a PLM.

Em agosto conseguiu um empréstimo de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões) com a gestora de investimentos Apollo Global Management, com sede em Nova York. O acordo ainda precisa ser aprovado pela corte norte-americana e envolve algumas condições que podem levar a uma mudança futura no controle acionário da empresa.

Renegociação de taxas aeroportuárias

O Mexican Pacific Airport Group (GAP), que administra 12 terminais aéreos no país, informou publicamente que apoiará a Aeroméxico durante seu processo de reestruturação, oferecendo facilidades para manter suas operações em suas unidades. Não foram divulgados detalhes sobre a iniciativa.

Revisão dos contratos de aluguel de aeronaves e redução de frota

A Aeroméxico negocia com as empresas de leasing melhores condições para o aluguel de aeronaves. A empresa divulgou ainda a devolução de 19 aeronaves, cerca de 15% de sua frota, sendo 10 Boeing 737 e 9 Embraer 170. No total, 45 dos 68 aviões da empresa são alugados.


Como a Aeroméxico entrou em recuperação judicial recentemente, ainda não há informações mais detalhadas sobre seu plano de reestruturação. Mas podemos dizer que a empresa tem boas chances de se recuperar. Vamos aguardar e acompanhar a evolução do processo.

Outras companhias aéreas em risco

No contexto atual, nenhuma companhia aérea está livre do risco de quebrar durante essa pandemia. Especialmente se o fechamento de fronteiras e a pandemia se alongarem por muito tempo. Em qualquer cenário, quatro fatores serão determinantes para a sobrevivência das empresas de aviação nesse contexto de instabilidade e incerteza: um eventual apoio governamental, a situação financeira da empresa antes da crise, a resposta dos seus executivos aos efeitos da pandemia e quando a demanda voltará a patamares próximos ao período antes da crise.

Considerando esses fatores, listamos nesse post 10 companhias aéreas que podem desaparecer em meio à pandemia do coronavírus.


E você, acredita na recuperação das três empresas? Tem viagens, crédito ou milhas vinculadas a elas? Comente e participe.

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