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Menos voos? Congonhas e Guarulhos podem ter capacidade reduzida com mudanças no Campo de Marte

Mateus Tamiozzo
30/12/2025 às 10:47

Menos voos? Congonhas e Guarulhos podem ter capacidade reduzida com mudanças no Campo de Marte

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Os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, podem ver uma redução de capacidade em 2026. O motivo é o aumento de voos previsto no Campo de Marte – terminal na capital paulista voltado à aviação executiva – com a implementação do IFR (Instrument Flight Rules), que permite a aproximação de aeronaves em condições de baixa visibilidade pelo uso de instrumentos. As informações são do jornal Valor Econômico.

Hoje, a operação no Campo de Marte é feita “no visual”, o que impede pousos e decolagens sob clima adverso. Portanto, a mudança deve aumentar o movimento no aeroporto, mas cria um impasse com Guarulhos e Congonhas, que teriam de “dividir” o espaço aéreo com mais aviões executivos e abrir mão de capacidade. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, Congonhas pode ser o mais afetado, com a perda de dois slots (autorizações de pouso e decolagem) por hora.

Para a PAX Aeroportos, concessionária que assumiu o Campo de Marte em 2023, a possibilidade de uma eventual não implementação do IFR vai contra o modelo de negócio da empresa. A empresa vem fazendo obras há dois anos com a perspectiva de justamente aumentar o número de voos.

Quais seriam as saídas para o problema?

Segundo o Valor, há um grupo de trabalho em andamento no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) para buscar saídas para o entrave. A principal opção seria redesenhar o espaço aéreo de São Paulo, com uma mudança nas aerovias dos três aeroportos. No entanto, conforme aponta a reportagem, esse processo pode levar até três anos para ser concluído.

Outra alternativa seria retomar os slots deixados de lado em Congonhas por conta das obras no aeroporto. Os trabalhos obrigaram a Aena, concessionária do terminal, a reduzir os slots de aviação geral (que não configuram transporte aéreo público de passageiros ou carga). A ideia seria usar esses espaços em um esquema “tampão” até que se encontre uma saída.

Um terceiro caminho é a redução da distância das rotas de aproximação dos aviões. Atualmente, o Decea estabelece o limite de cinco milhas náuticas – a proposta é a de que a separação caia para três milhas náuticas.

O que dizem as empresas e os órgãos federais

Em nota ao Melhores Destinos, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que “acompanha o tema de forma coordenada com os demais órgãos envolvidos, respeitadas as competências institucionais de cada um, com foco na segurança das operações, na eficiência do sistema aeroportuário e na preservação do interesse público”.

O órgão também afirmou que “uma eventual alteração do perfil operacional do aeroporto – de operações visuais (VFR) para operações por instrumentos (IFR) – depende de manifestação e deliberação prévia do Decea antes de ser submetida à homologação da Anac”. E destacou que “até o momento, não é possível afirmar se haverá, ou não, redução de capacidade nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos”.

Segundo a Anac, essas definições somente poderão ser feitas “a partir da conclusão dos estudos atualmente em curso no âmbito do Decea”.

O Ministério de Portos e Aeroportos também se manifestou. O órgão afirmou que “atualmente, no âmbito da concessão, o terminal [Campo de Marte] passa por obras de readequação e modernização dos sistemas a fim de garantir maior segurança e eficiência às operações aéreas. No momento, a adequação do terminal para operações IFR, voos por instrumento, envolve análises técnicas e institucionais de diferentes órgãos, as quais ainda estão em andamento.”

A PAX Aeroportos afirmou que “as obras no Aeroporto Campo de Marte, referentes à fase 1B do contrato de concessão, estão em andamento e serão entregues no início de 2026, antes do prazo contratual, com toda a infraestrutura necessária para operação IFR. Com as obras concluídas, cabe à ANAC homologar a infraestrutura aeroportuária, abrindo caminho para esse tipo de operação.”

A concessionária disse ainda que “tem plena confiança na competência técnica, profissionalismo e expertise do DECEA para conduzir as decisões técnicas relacionadas ao IFR do Campo de Marte e fazer o planejamento do Terminal São Paulo, integrando as operações de Campo de Marte, Congonhas e Guarulhos, com foco na segurança, eficiência operacional e fluidez do tráfego aéreo.”

A Aena não comentou. Na reportagem do Valor, no entanto, o diretor-executivo da concessionária no Brasil, Kleber Meira, afirma que “o que não podemos concordar é que, para viabilizar esse tipo de equipamento em um aeroporto de aviação geral, sejam impostas restrições operacionais, de capacidade, de horário ou de aproximação nos principais aeroportos comerciais de São Paulo. Não é razoável, nem aceitável, priorizar a operação de um jato executivo em detrimento de aeronaves comerciais com 150 ou 180 passageiros. Qualquer solução nessa direção seria um contrassenso e um prejuízo direto à maioria da sociedade.”

A GRU Airport optou por não comentar.

Também procuramos o Decea, mas ainda não obtivemos retorno. O post será atualizado com o posicionamento se houver manifestação.

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