Recuperação judicial perto do fim! Azul recebe aval do Cade para investimento de US$ 100 milhões da United
Recuperação judicial perto do fim! Azul recebe aval do Cade para investimento de US$ 100 milhões da United
O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou hoje, por unanimidade, o aumento da participação da United Airlines na Azul, que passará de 2,02% para aproximadamente 8%, por meio de um investimento de US$ 100 milhões. A operação faz parte do processo de recuperação judicial da aérea nos Estados Unidos (Chapter 11).

Em dezembro do ano passado, o Cade havia aprovado o pedido sem ressalvas. O caso, porém, voltou à análise pelo órgão antitruste após um recurso pelo Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo), que foi aceito como terceiro interessado no processo.
Entre os argumentos do IPSConsumo estava o investimento de United e American Airlines na Azul – juntas, as empresas querem fazer um aporte de US$ 200 milhões -, que poderia lhes dar “todo o poder decisório que lhe for legalmente permitido”, o fato de que a American já tem um investimento na Gol e a participação da United no Grupo Abra, que abarca Gol, Avianca e Wamos.
Como foi o voto do relator do caso?

Segundo o Cade, o relator do caso, conselheiro Diogo Thomson, examinou se a notificação do ato de concentração deveria abarcar também a American Airlines, envolvida no Chapter 11 da Azul, considerando a “possibilidade de exercício conjunto de poder de mercado” pela United e pela American.
O relator também levou em conta as respectivas participações de United e American na Gol, bem como avaliou os impactos na estrutura da Azul e as prerrogativas atribuídas à United na operação. A United tem uma fatia de 8% no Grupo Abra, enquanto a American detém 5,3% da Gol.

O conselheiro destacou que “eventuais preocupações concorrenciais relacionadas à ingerência da United na companhia em recuperação judicial foram mitigadas pelas diretrizes de governança” e pelos “compromissos assumidos” pelas empresas. Este cenário levou à aprovação do pedido.
Entre as preocupações do Cade está a necessidade de uma estrutura que restrinja a troca de informações sensíveis entre Abra e Azul e garanta a independência concorrencial.
Cade continuará acompanhando a Azul de perto
Mesmo com a aprovação, o Cade deixou recados à Azul de que poderá rever a decisão caso as condições de mercado mudem. Qualquer transação que resulte na alteração da participação ou mudança no controle e no comitê estratégico da Azul deverá ser submetida para análise do órgão.

Com a aprovação do investimento da United, a Azul agora vai trabalhar pela validação do aporte da American. Se aprovado pelo Cade, a participação conjunta dos norte-americanos na aérea brasileira será de 17,6%.
O presidente do Cade, Gustavo Augusto, destacou que a avaliação do investimento da American, quando for enviado ao órgão, deverá considerar a operação da United e poderá ser mais rigorosa.
Como está sendo a recuperação judicial da Azul?
A Azul entrou em recuperação judicial em maio do ano passado afundada em dívidas bilionárias que a fizeram recorrer ao mecanismo de proteção contra falência na Justiça dos Estados Unidos.

Desde então, a aérea tem atuado para renegociar dívidas, alterar e cancelar contratos, devolver aeronaves e preparar o caminho para voltar a céus menos turbulentos a partir deste ano (leia mais abaixo sobre quando a Azul deve sair da recuperação judicial).
Em dezembro do ano passado, a Justiça dos Estados Unidos aprovou o plano de recuperação da Azul, um dos passos mais importantes para que a companhia possa finalizar o processo de reestruturação financeira.
Como ficará a Azul depois da recuperação judicial?

A expectativa pós-Chapter 11 é de que a Azul siga um plano de crescimento “muito mais moderado”, conforme afirmou em dezembro o CEO da companhia, John Rodgerson. Ele também citou uma prioridade ao mercado nacional.
O foco deverá ser rotas mais rentáveis, com aposta em voos “ponto a ponto”, ou seja, sem conexões e que costumam ser mais caros. A ideia é que uma parte maior das operações envolva os seus principais aeroportos, como Campinas, Belo Horizonte e Recife.

No mês passado, a Azul aprovou um novo plano de negócios que inclui a consolidação de cortes nos pedidos de aeronaves. A Azul não deu detalhes, mas o documento aponta que a empresa deixará de receber 50 aviões que eram parte da carteira de pedidos. Vale lembrar que, em dezembro, a aérea cortou pedidos firmes do Embraer E195-E2 de 51 unidades para apenas 25.
Quando a Azul vai sair da recuperação judicial?
Oficialmente, a Azul ainda projeta que a recuperação judicial deve terminar neste mês. Por outro lado, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou ontem em um evento do setor financeiro que a companhia aérea brasileira deverá encerrar o seu processo de recuperação financeira em março.

A fala do ministro aconteceu no contexto do seu otimismo com o momento do setor no Brasil. Entre os principais destaques do ano passado estão justamente a saída da Gol da sua própria recuperação judicial – e já dando sinais de fôlego com o suporte do Grupo Abra – e a compra de aviões Embraer E195-E2 pela Latam.
Além disso, cabe ressaltar que, no ano passado, o Brasil alcançou um novo recorde de passageiros. Cerca de 130 milhões de pessoas passaram pelos aeroportos nacionais em 2025, com ênfase para Guarulhos, Congonhas, em São Paulo, e Galeão, no Rio de Janeiro.