Azul vai deixar de receber 50 aviões e prevê saída antecipada da recuperação judicial
Azul vai deixar de receber 50 aviões e prevê saída antecipada da recuperação judicial
A Azul aprovou um novo plano de negócios que inclui cortes nos pedidos de aeronaves. O documento, segundo a empresa, contém “desenvolvimentos que reduzem significativamente os riscos do plano”. Além disso, um aporte financeiro extra pode levar a companhia a sair “antecipadamente” da recuperação judicial, processo previsto para terminar inicialmente em fevereiro.

Um dos destaques do plano está em acordos com fabricantes sobre o cronograma de entregas de aeronaves. A Azul não especificou quais são os acordos, mas o documento aponta que a empresa deixará de receber 50 aviões que eram parte da carteira de pedidos. Vale lembrar que, em dezembro, a aérea cortou pedidos firmes do Embraer E195-E2 de 51 unidades para apenas 25.
A Azul devolveu diversos aviões de Embraer, ATR e Airbus a seus donos originais, como as empresas de arrendamento, ao longo da recuperação judicial. A expectativa era de redução de até 35% da frota, incluindo aeronaves fora de operação e que estavam encomendadas.
Recentemente, o CEO da Azul, John Rodgerson, admitiu haver um “plano de crescimento muito mais moderado” e citou prioridade ao mercado nacional ao falar sobre os próximos passos da empresa.

No documento divulgado ontem, a aérea prevê um crescimento de capacidade tímido no longo prazo, de apenas 3% – antes da recuperação judicial, esse número estava em 11%. Além disso, a Azul projeta uma frota futura de 168 aeronaves, contra 185 registradas no último relatório financeiro disponível.
Ainda de acordo com as novas informações, a companhia deverá focar em “destinos de lazer de alta demanda”. Documentos públicos anteriores indicavam que a estratégia se concentrará em rotas diretas, mais lucrativas, menos dependentes de conexões e com foco em seus hubs (centros de distribuição de voos), como Campinas, Recife e Belo Horizonte.
Qual é a frota atual da Azul?

No terceiro trimestre de 2025, última data de registros públicos da Azul, a companhia tinha 185 aeronaves – 12 Airbus A330, 57 Airbus A320neo, 37 Embraer E195-E2, 25 Embraer E195-E1, 31 ATR e 23 Cessna. A empresa recebeu ao menos mais quatro modelos E2 entre outubro e dezembro de 2025.
Na comparação do terceiro trimestre de 2025 com o mesmo período de 2024, a Azul registrou 13 Embraer E2 a mais, e oito E1 e cinco ATR a menos. A companhia não recebeu nenhum A320neo e não houve devoluções oficializadas no ano passado.
No caso do E1, é importante ressaltar que, à medida que a frota vai ficando mais velha, há a tendência natural de que a Azul decida deixar de operá-lo. A empresa está fazendo a renovação com as encomendas do E2.
Aporte extra de US$ 100 milhões pode antecipar saída da recuperação judicial

Um comunicado divulgado afirma que “determinados credores e stakeholders da Azul concordaram em realizar um aporte adicional de US$ 100 milhões para apoiar a saída da companhia do Chapter 11“. A empresa citou que o dinheiro adicional permite que a saída ocorra “antecipadamente”.
Segundo a Azul, esse valor já estava previsto no plano de recuperação aprovado em dezembro – à época, porém, não havia citação sobre uma saída antecipada do Chapter 11 (mecanismo da Justiça dos Estados Unidos, onde corre o processo, de proteção contra falência.)
Até o momento, a expectativa é que a recuperação judicial da aérea brasileira seja encerrada no mês que vem.

Segundo a empresa, o investimento extra de US$ 100 milhões, “juntamente com a garantia firme de subscrição de US$ 650 milhões no contexto da oferta pública de saída do Chapter 11 e dos US$ 200 milhões a serem investidos por investidores estratégicos, elevará o montante total de investimentos a serem captados pela companhia de US$ 850 milhões para US$ 950 milhões”. O valor total de US$ 950 milhões já estava previsto anteriormente.
A Azul afirmou que o novo plano de negócios mantém a perspectiva de que sairá da recuperação judicial “como uma companhia aérea significativamente mais saudável, com menor endividamento total, menores passivos de arrendamento e pagamentos de arrendamento de aeronaves, bem como uma alavancagem consideravelmente inferior”.
Azul aguarda aprovação do Cade para aporte de US$ 100 milhões da United

Os “parceiros estratégicos” mencionados pela Azul no comunicado são a United Airlines e a American Airlines, que deverão investir, cada uma, US$ 100 milhões na aérea brasileira.
O aporte envolvendo a United já está em andamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão havia aprovado o investimento dos norte-americanos, mas uma contestação do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) fez com que o caso voltasse a ser analisado.
O IPSConsumo alega que as informações fornecidas pelas aéreas ao Cade contêm “relevantes lacunas informacionais, contradições e obscuridades”. A organização também diz que a análise foi feita “sem o imprescindível aprofundamento instrutório e/ou abalizado pronunciamento sobre temas concorrencialmente essenciais, os quais importam relevantes riscos à dinâmica competitiva.”

Se aprovado, o aporte da United na Azul ocorrerá por meio de aquisição de ações ordinárias. Desta forma, os norte-americanos passariam a deter 8% dos direitos econômicos da aérea brasileira – antes era 2,02%.
O processo envolvendo a American Airlines só deverá ser enviado ao Cade após a questão com a United ser resolvida.