Decolou! Avião supersônico que pode ir de SP a Nova York em 4 horas faz primeiro teste em voo
Decolou! Avião supersônico que pode ir de SP a Nova York em 4 horas faz primeiro teste em voo
Um novo marco foi alcançado nas últimas semanas na corrida pela exploração da aviação comercial supersônica. O X-59, aeronave da Nasa que pode voar acima da velocidade do som e conectar São Paulo a Nova York em quatro horas, saiu do chão pela primeira vez!

O palco da decolagem foi uma área de testes da Lockheed Martin, parceira da Nasa no projeto, em Palmdale, cidade no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. De lá, o X-59 partiu para um curto voo até um centro de pesquisas da Nasa na cidade de Edwards, também na Califórnia.
Em um comunicado, a Lockheed Martin afirmou que o X-59 “performou exatamente como o planejado”, e coletou dados sobre a qualidade e o desempenho do voo.
Não há muitos detalhes além disso, mas vale lembrar que, em setembro, a Nasa afirmou que os primeiros testes seriam feitos em baixas altitudes (12.000 pés, ou 3.600 metros) e a cerca de 240 milhas por hora (aproximadamente 386 km/h).
Voo em velocidade supersônica deve ser o próximo passo

Futuramente, segundo a Nasa, o avião poderá atingir e ultrapassar a velocidade do som em novos testes. A ideia é que o avião sobrevoe algumas cidades, e que a agência escute o que as populações têm a dizer sobre o ruído gerado pela aeronave.
A proposta central em torno do X-59 é a de criar um protótipo de aeronave que voe em velocidades supersônicas com redução do chamado “boom supersônico”, um grande obstáculo atualmente para operações comerciais com esses tipos de aviões. A ideia é que o modelo da Nasa sirva de inspiração para projetos futuros, sobretudo desenvolvidos por empresas privadas.
O principal problema é o ruído gerado em áreas urbanas e nas proximidades dos aeroportos – foi, inclusive, um dos motivos que levaram à aposentadoria do lendário Concorde. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, proíbe voos comerciais desse tipo.
Como o X-59 reduz o ruído supersônico?

A principal vantagem do X-59 se deve à tecnologia que a Nasa chama de QueSST – Quiet SuperSonic Technology -, uma ambição da agência diante de tantos modelos anteriores que acabavam gerando ruído excessivo. A agência espacial não fornece detalhes públicos sobre como os mecanismos de redução de barulho funcionam.
Enquanto o saudoso e finado Concorde produzia 105 decibéis, a nova aeronave da Nasa deverá gerar apenas 75 decibéis – segundo a agência espacial, menos do que o barulho de bater palmas (97) ou de uma bola de basquete quicando no chão (81).
O motor de alta potência, que também é usado em caças, está instalado em cima do X-59, com o objetivo de direcionar o ruído para longe das pessoas no solo. No Concorde, por exemplo, ficava na parte inferior das asas, como ocorre em aviões comerciais da atualidade.
Projetos de aviões supersônicos
O principal projeto de avião supersônico atualmente em andamento é o Overture, da fabricante norte-americana Boom Supersonic. Segundo a empresa, o avião poderá atingir até 2.000 km/h (Mach 1.7) e de voar a até 18.000 metros de altitude. Além disso, promete ser duas vezes mais rápido quando estiver sobre a água.

Mesmo sem ainda ter sido lançada e certificada, a aeronave já tem pedidos de empresas como Japan Airlines, United Airlines e American Airlines. Segundo a Boom Supersonic, há 130 pedidos e pré-pedidos do Overture, que poderá transportar de 60 a 80 passageiros.
Atualmente, a fabricante conduz testes com o XB-1, o protótipo que, futuramente, dará vida ao Overture. O modelo ultrapassou a velocidade do som pela primeira vez em janeiro deste ano, e, em fevereiro, a Boom Supersonic anunciou que o protótipo executou um voo de cruzeiro gerando um estrondo supersônico “inaudível”.
O fracasso da Aerion

Outra iniciativa que gerou expectativa no setor foi a da Aerion, fabricante dos Estados Unidos que também planejava construir aviões supersônicos e tinha a Boeing como parceira. Em 2021, porém, a empresa fechou as portas por falta de dinheiro.
A proposta da Aerion era bastante ousada: o modelo AS3 seria um avião comercial Mach 4+ que voaria a velocidades entre 3.700 a 6.200 km/h. Isso permitiria que um voo entre São Paulo e Lisboa fosse feito em menos de duas horas!
A proposta era que a aeronave tivesse capacidade para 50 passageiros e autonomia de 12.800 km.