Avião supersônico da Nasa que pode ligar SP a Nova York em 4 horas se prepara para testes de voo
Avião supersônico da Nasa que pode ligar SP a Nova York em 4 horas se prepara para testes de voo
A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, anunciou que vai iniciar testes em voo do X-59, avião supersônico que poderá inspirar viagens comerciais no futuro. As primeiras análises no ar devem ocorrer muito em breve, mas ainda serão executadas em baixas altitudes (12.000 pés, ou 3.600 metros) e a cerca de 240 milhas por hora (aproximadamente 386 km/h) para a verificação dos sistemas da aeronave.

De acordo com a agência, todas as etapas serão mapeadas – taxiamento, decolagem, etapa de cruzeiro e pouso. A Nasa pretende avaliar diversos pontos, como performance de motores, estabilização, controles e piloto automático.
O primeiro voo deverá durar cerca de uma hora e decolará de Palmdale, na Califórnia. O local de pouso previsto é o Armstrong Flight Research Center, em Edwards, no mesmo estado.
Futuramente, o X-59 passará por testes em altitudes mais elevadas e atingirá velocidades maiores, “chegando eventualmente a ultrapassar a velocidade do som”, segundo a Nasa. A ideia é que o avião sobrevoe algumas cidades e que a agência escute o que as populações têm a dizer sobre o ruído gerado pela aeronave.

Até então, o X-59 só havia passado por análises em solo – as mais recentes foram provas de taxiamento em baixa e alta velocidade, em julho.
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Voos mais silenciosos e ligação São Paulo-Nova York em 4 horas
O X-59 foi desenhado para voar a uma velocidade máxima de 1.728 km/h – a velocidade do som é de 1.238 km/h –, o suficiente para conectar São Paulo e Nova York em apenas 4 horas! Outro destaque da aeronave é que, mesmo em seu regime supersônico, produzirá um “estrondo silencioso” em vez do estrondo sônico alto.

Isso se deve à tecnologia que a Nasa chama de QueSST – Quiet SuperSonic Technology -, uma ambição da agência diante de tantos modelos anteriores que acabavam gerando ruído excessivo.
Enquanto o saudoso e finado Concorde produzia 105 decibéis, a nova aeronave da Nasa deverá gerar apenas 75 decibéis – segundo a agência espacial, menos do que o barulho de bater palmas (97) ou de uma bola de basquete quicando no chão (81).
O projeto do novo avião supersônico da Nasa

O X-59 foi oficialmente anunciado em 2016, mas um projeto dessa magnitude começou com uma fase de pesquisas muito antes disso. Esta é a primeira aeronave experimental pilotada pela agência espacial americana em mais de três décadas.
Antes disso, a Nasa desenvolveu outras aeronaves da série “X”. Em 1947, o X-1 foi o primeiro avião tripulado a passar a marca da velocidade do som, enquanto a aeronave tripulada mais rápida é o X-15, que em 1967 atingiu Mach 6,7 (mais de 7 mil km/h).
Para o X-59, a Nasa trabalha em parceria com a empresa aeroespacial Lockheed Martin, em um projeto está orçado em US$ 247 milhões. Em 2022, a agência divulgou um vídeo do avião tomando forma.
As primeiras peças do X-59 foram fabricadas pela Lockheed Martin em novembro de 2019, e o avião foi oficialmente apresentado ao mundo em janeiro de 2024. Houve atrasos no projeto, já que a expectativa é que o X-59 voasse sobre algumas cidades dos Estados Unidos ainda no ano passado, mas os testes no ar feitos pela Nasa só vão começar agora.
Quais são as tecnologias e diferenciais do X-59?
Como destacamos, a tecnologia que permite ao avião voar na velocidade de 1.728 km/h sem causar nenhum estrondo em solo é chamada pela Nasa de QueSST – Quiet SuperSonic Technology.
A forma como os engenheiros projetaram o X-59 ajuda a evitar que as ondas de choque se unam quando a aeronave ultrapassa a barreira do som – ocorre justamente o contrário: essas ondas se espalham graças às estruturas aerodinâmicas do avião, começando no nariz e indo até a cauda.

O X-59 tem um design longo e fino, com cerca de 30 metros de comprimento e 8,8 m de largura. O nariz alongado chama a atenção: ocupa praticamente 1/3 do tamanho da aeronave.
O motor de alta potência, que também é usado em caças, será instalado em cima do X-59, com o objetivo de direcionar o ruído para longe das pessoas no solo.
E como o nariz é comprido e fino, os engenheiros precisaram pensar em um jeito para que os pilotos não tivessem a vista externa prejudicada. A solução foi criar o “eXternal Vision System (XVS)”, que usa uma combinação de sensores, computadores e monitores HD para substituir a janela frontal que vemos nos aviões padrões.

Vale ressaltar que o formato atual definitivamente não será o mesmo para eventuais operações comerciais desta aeronave ou de modelos inspirados no X-59. O avião supersônico da Nasa, por enquanto, é um protótipo – agora em tamanho real.
Outros projetos de aviões supersônicos
O principal projeto de avião supersônico atualmente é o Overture, da fabricante norte-americana Boom Supersonic. Segundo a empresa, o avião será capaz de atingir até 2.000 km/h (Mach 1.7) e de voar a até 18.000 metros de altitude. Além disso, promete ser duas vezes mais rápido quando estiver sobre a água.

Mesmo sem ainda ter sido lançada e certificada, a aeronave já tem pedidos de empresas como Japan Airlines, United Airlines e American Airlines. Segundo a Boom Supersonic, há 130 pedidos e pré-pedidos do Overture, que poderá transportar de 60 a 80 passageiros.
Atualmente, a fabricante conduz testes com o XB-1, o protótipo que, futuramente, dará vida ao Overture. O modelo ultrapassou a velocidade do som pela primeira vez em janeiro deste ano, e, em fevereiro, a Boom Supersonic anunciou que o protótipo executou um voo de cruzeiro gerando um estrondo supersônico “inaudível”.
O fracasso da Aerion

Outra iniciativa que gerou expectativa no setor foi a da Aerion, fabricante dos Estados Unidos que também planejava construir aviões supersônicos e tinha a Boeing como parceira. Em 2021, porém, a empresa fechou as portas por falta de dinheiro.
A proposta da Aerion era bastante ousada: o modelo AS3 seria um avião comercial Mach 4+ que voaria a velocidades entre 3.700 a 6.200 km/h. Isso permitiria que um voo entre São Paulo e Lisboa fosse feito em menos de duas horas!
A proposta era que a aeronave tivesse capacidade para 50 passageiros e autonomia de 12.800 km.
Lembra do Concorde?
É impossível pensar no futuro da aviação comercial supersônica sem lembrar do histórico Concorde, que fez sucesso nas companhias aéreas British Airways e Air France. Primeiro avião comercial supersônico, fez sua primeira viagem transatlântica em 1973, e foi adotado pelas duas empresas aéreas europeias em 1976.

O Concorde encurtou (e muito!) as distâncias de algumas rotas ao longo de 27 anos. Foi, inclusive, escalado pela Air France para voos entre o Rio de Janeiro e Paris, que eram feitos em apenas seis horas. O jato voava a um máximo de 2.200 km/h e 17.000 metros de altitude!
O supersônico era uma experiência mais exclusiva, já que tinha apenas 100 assentos, e o preço da passagem aérea era salgado em comparação a voos em outros aviões. O custo de um bilhete podia chegar a US$ 9 mil, mas há relatos de passageiros que compraram passagens para o último voo da aeronave em leilões online por mais de US$ 60 mil!
No entanto, mesmo com tanto sucesso e admiração, o custo operacional do Concorde, somado ao problema gerado pelo ruído da explosão supersônica, colocaram a sua continuidade e a sua existência em xeque a partir dos anos 90.

O famoso acidente com o modelo da Air France em 2000 foi praticamente a pá de cal na história do Concorde. A partir daquele momento, muitas questões começaram a pairar em torno da aeronave, e a popularidade entre os passageiros já não era mais a mesma.
Essa soma de fatores levou a British Airways e a Air France a aposentar conjuntamente o Concorde em 2003.
Já se imaginou viajando em um avião supersônico? Já voou no Concorde? Participe nos comentários contando quais são as suas expectativas – e se já esteve no Concorde, conte para outros leitores como foi a experiência!
Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!