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Como foi voar para o outro lado do mundo na pandemia com a JAL e fazer quarentena de 14 dias em hotel

Como foi voar para o outro lado do mundo na pandemia com a JAL e fazer quarentena de 14 dias em hotel

FRA Frankfurt
SYD Sydney
408
Avião Boeing 787 Dreamliner
Classe Econômica
Poltrona 18D
Data 20/09/2020
Partida 19h40
Chegada 06h10
Duração 27h30
Por Marcus Santos
Leitor do Melhores Destinos
30/03/2021 às 16:56

A pandemia adiou os planos de viagem de muita gente. Nosso leitor Marcus Santos mora na Austrália desde 2015 e teve de viajar ao Brasil durante o primeiro pico da Covid-19 no mundo. Ele relatou toda a jornada de ida e volta, que incluiu 14 dias em um hotel quarentena após a entrada no país, além de voos com a Japan Airlines em uma saga para, enfim, chegar ao destino. Confira a seguir todos os detalhes de como foi voar para o outro lado do mundo durante o pico do coronavírus!.

Olá, leitores do Melhores Destinos! Meu nome é Marcus Santos, moro desde 2015 na Austrália, e vou descrever aqui minha experiência voando de Frankfurt na Alemanha até Sydney, jornada que incluiu 14 dias em um hotel quarentena após a entrada na Austrália.

Sou completamente apaixonado por viagens. A vontade em explorar novos lugares e culturas é algo que me acompanha desde criança, viagens de avião inclusive me apresentaram a parceira da minha vida.

Não conheço ninguém que não foi afetado pela pandemia e, claro, muitos de nós, que amamos viajar, tivemos que adiar planos e sonhos. Meu ano de 2020 começou com uma maravilhosa viagem ao Egito e muitos planos de viagens, inclusive idas para o Brasil, que foram adiadas. Até que por uma emergência pessoal precisei viajar ao nosso país.

Sair da Austrália já foi uma aventura, o país proibiu a saída de australianos e residentes, e há um processo de aprovação para saídas do país. Eu pensava que esse processo já tinha sido uma grande aventura, mas para voltar para a Austrália foi uma aventura maior ainda, que vou descrever aqui.

Voando da América do Sul para a Oceania

Voar entre a América do Sul e a Oceania não é novidade para mim, já fiz muitas vezes com Latam, Qantas e Air New Zealand. Infelizmente essas rotas ‘rápidas’ de 20 e poucas horas não existem mais, foram canceladas devido à Covid-19, restando opções mais complicadas como via Oriente Médio, Europa ou Estados Unidos.

Eu programei tudo cuidadosamente para a volta não ter problemas, e meu plano era voltar via Dubai, até que recebi um email da Emirates poucos dias antes do embarque informando que meu ticket estava cancelado devido às restrições do governo australiano.

Entrei em contato com a Emirates e não ofereceram nenhuma opção para me colocar em um outro voo, informaram que não havia disponibilidade nos próximos dois meses. Lembro de ler muitos relatos falando que empresas aéreas estavam cancelando tickets na classe econômica para Austrália, podendo assim vender tickets mais rentáveis na primeira classe.

Atualmente é bem complexo entrar na Austrália, há um limite de pessoas, que na época era de 4 mil pessoas por semana, porém esse limite e a alta demanda de pessoas retornando fazem os preços serem extremamente caros.

Do Brasil para a Austrália em tempos de pandemia

Após o cancelamento pela Emirates, embarquei em uma jornada que foi achar um voo de volta para a Austrália. Em agosto as restrições para passageiros que estiveram no Brasil eram muito grandes, inclusive para voar para os Estados Unidos e Europa. Via Oriente Médio, Qatar e Emirates não mostravam opções disponíveis do Brasil para a Austrália nos três meses seguintes. Alguns artigos em agosto falavam em 40 mil australianos tentando sem sucesso voltar para a Austrália, muitos que assim como eu tiveram seus tickets cancelados.

A busca pela passagem aérea não foi trivial devido às complexas restrições de diversos países no combate a pandemia, as variáveis que eu precisei considerar eram: 1) a companhia aérea vai honrar esse ticket e não vai cancelar? 2) posso transitar nos países da conexão ? 3) Custo total

O processo para achar o ticket em si é um outro assunto, mas tive muitas buscas frustradas e informações vagas, que mudavam rapidamente. Simplesmente não encontrava opções disponíveis e lógicas nos próximos dois meses, até ler um artigo informando que a Japan Airlines estava voando novamente a Sydney.

O único contratempo é que a JAL não voa para o Brasil, mas havia voos dela para a Europa, sendo que a passagem de Frankfurt para Sydney estava disponível para o início de setembro. Nas minhas pesquisas eu sabia que havia restrições de entrada na Europa mas que poderia entrar devido à minha cidadania portuguesa. Então decidi embarcar na jornada São Paulo – Frankfurt (primeiro ticket com Latam) e Frankfurt – Tóquio – Sydney (com a Japan Airlines).

Compra das passagens

Efetuei a compra pelo site em inglês, mas no processo todo vi e ouvi bastante japonês. Liguei antes para a JAL e me confirmaram que eu poderia transitar no aeroporto de Narita, em Tóquio, sem necessidade de visto e não havia limitação de conexão devido ao Covid, tive uma ótima impressão na qualidade do atendimento logo na primeira ligação.

O ticket foi comprado na classe econômica e em euros 10 dias antes do embarque. Detalhe que o site falava que era o último assento disponível.

Check-in e embarque

Cheguei ao aeroporto de Frankfurt de trem partindo do centro da cidade, respeitando todas as orientações quanto à Covid. Já havia recebido a confirmação do check-in por email, pois quando efetuei a compra selecionei a opção de check-in automático da JAL, eu não possuía bagagens para despachar, mas o voo permitia até duas malas de 23 kg.

Passei no balcão apenas para perguntar sobre acesso à sala VIP e fui muito bem atendido, não havia filas e fui informado que o lounge infelizmente estava fechado, porém como forma de reparação estavam oferecendo internet sem fio liberada durante todos os voo, algo que sem dúvidas é um diferencial, especialmente bordo de voos longos.

Tanto raios-x quanto imigração estavam vazios, não necessariamente rápidos devido às precauções quanto a pandemia. Já no portão de embarque vi uma boa estrutura, o aeroporto de Frankfurt possui TV’s e poltronas reclináveis, bastante útil enquanto aguardava. Todos os voos saíram e chegaram pontualmente. O embarque foi feito por volta de uma hora antes da partida.

Cabine e entretenimento

O primeiro voo de 11 horas para Tóquio foi feito em um Boeing 787 Dreamliner e fui recebido com simpatia pelos comissários de bordo, todos usando máscaras. Pude selecionar um assento na classe econômica com mais espaço devido ao status junto a Oneworld. Realmente o espaço a mais ajuda, com exceção da divisão entre assentos que não era móvel.

Junto ao assento havia travesseiro, cobertor e fone de ouvido.

O voo para Sydney foi uma experiência parecida, mas um tanto quanto estranha, principalmente pelo fato de ver um Boeing Dreamliner gigante com menos de 30 passageiros devido a limites do governo australiano.

Entretenimento

O entretenimento a bordo era bem similar a outros voos de longa distância, com filmes, jogos, documentários e séries, sendo que os mais conhecidos vinham em inglês e japonês. Destaque para a internet a bordo, que funcionou bem durante os dois voos e permitia funções como navegar ou utilizar aplicativos de chat.

Serviço de bordo

A qualidade e variedades das refeições da JAL me surpreenderam positivamente, não costumo apreciar comida no avião, mas estava tudo saboroso. Houve também bastante cuidado com a higiene, algo tão importante em tempos de pandemia. De forma geral as refeições tinham opções orientais e ocidentais.

A primeira refeição, o jantar, foi servido uma hora após a decolagem, havia uma pasta e opção oriental com arroz, vegetais e carne, que escolhi. Para sobremesa sorvete Häagen-Dazs. Além disso, opções de refrigerantes, sucos e vinhos para acompanhar as refeições eram disponibilizadas.

No café da manhã havia dois menus e eu fiquei com a opção oriental. Serviram frutas, iogurte, café e um noodle com vegetais, cogumelos e frango. Fora as duas refeições principais, por diversas vezes no voo o time da JAL ofereceu bebidas e snacks.

Conexão no Japão

A saída da aeronave foi de forma não usual, em que primeiro os passageiros em conexão saíram, e os que ficariam no Japão esperaram na aeronave para orientações.

A conexão em Narita era longa e encontrei um aeroporto praticamente vazio, bem diferente das experiências antigas que tive no Japão, onde muitas vezes há trânsito intenso de pessoas para todos os lados. Não havia um restaurante aberto e todas as lojas estavam fechadas também. Por sorte, diferente do aeroporto na Alemanha, a sala VIP da JAL estava aberta em Narita, algo que ajudou bastante durante as cinco horas da conexão. A sala é bastante completa com opções de entretenimento, bebidas, e comidas, junto a um chef que você pode pedir (ou apontar) para a comida que gostaria, tudo escrito em japonês e inglês. Há opções de salas privadas para reuniões, cadeira de massagem e chuveiro, algo que acho importante em voos bem longos.

Embarcando para Sidney

O embarque para Sydney aconteceu pontualmente e a experiência similar ao primeiro voo, com uma validação por parte da companhia aérea sobre autorização para viajar para Austrália, no meu caso feita na sala VIP.

Chegada e hotel quarentena

Em Sydney o pouso foi antes do previsto, e encontrei um aeroporto diferente da imagem que tinha de outras chegadas. Estava completamente vazio, com muitas partes fechadas. Havia pessoas entregando máscaras se necessária alguma troca, álcool em gel, e uma pequena fila para uma triagem dos sintomas de Covid.

Após a triagem e imigração, caminhei para um ônibus que levaria ao hotel quarentena, todo o percurso vigiado pela polícia e exército. Antes de embarcar para o ônibus, uma pessoa do exército oferecia ajuda com malas. Após alguns passageiros embarcarem no ônibus e uma espera de 30 minutos, fomos para o hotel quarentena – em que a recepção é feita pela polícia, que explica as regras da hospedagem e procedimentos, além de auxiliar no check-in.

Eu fiquei no Hilton, no coração de Sydney, em um quarto de aproximadamente 20 metros quadrados. Tinha o básico para passar os 14 dias seguintes. Alguns passageiros comentaram que trouxeram video-games ou alugaram equipamentos de ginástica a serem entregues no hotel. Mesmo sendo um hotel 5 estrelas, você não podia utilizar as comodidades do hotel, e estava limitado a atividades dentro do quarto, sem contato físico com o mundo exterior.

As refeições eram servidas três vezes por dia, havia opções como vegetariana ou vegana. Durante duas ocasiões fiz o teste PCR no hotel, e todos os dias uma enfermeira ligava para saber meu estado de saúde e psicológico.

Por poder trabalhar em casa e fazer MBA eu tinha muitas atividades para o meu dia, que me mantinham ocupado, porém consigo entender perfeitamente as pessoas que passaram tempos difíceis, completamente isolados no quarto sem poder sair ou abrir as janelas. O hotel quarentena foi muito bem organizado pelo governo e entendo a sua importância na tentativa de eliminar o vírus.

Programa de fidelidade

A Japan Airlines é membro da OneWorld e possui o programa Mileage Bank. Optei por pontuar no programa de fidelidade da Qantas. Pelos dois trechos recebi 10.700 pontos e 90 status credits, são necessários 700 para atingir status Sapphire e 1.400 para atingir Emerald. O grande benefício do programa nessa viagem foi a sala VIP no Japão durante a longa conexão.

Conclusão

Eu recomendo muito a Japan, pois além de honrar um ticket quando muitas empresas estavam cancelando, a experiência foi perfeita do início ao fim com pontualidade, qualidade e cuidado com o cliente.

Voar para a Austrália nesse momento é uma missão quase impossível, as limitações para entrada tornam o processo muito complexo e caro, já a quantidade limitada de voos e dificuldades em achar informações claras sobre conexões são exercícios à paciência.

Houve muito cuidado quanto à pandemia tanto pela JAL, como no hotel quarentena pelo governo. Obrigado a ambos pelo cuidado. Quanto a voos longos durante a pandemia, eu viajei por uma emergência pessoal, se não fosse por isso, eu aguardaria. Finalizo aqui torcendo para que a pandemia acabe e nossos sonhos de viagens possam ser retornados, já que sonhos não envelhecem.


Agradecemos ao Marcus pelo relato! Quer ver a sua avaliação publicada no Melhores Destinos? Capriche no texto e nas fotos e mande para a gente pelo e-mail avaliacao@melhoresdestinos.com.br

Nota final.

Japan Airlines

Frankfurt - Sydney

Voo 408

9,1
Embarque 10
Assento 8
Entretenimento 8
Amenidades 9
Equipe 10
Fidelidade 10

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