Como é voar com a Druk Air, companhia oficial do Butão

Como é voar com a Druk Air, companhia oficial do Butão

IXB Bagdogra
PBH Paro
131
Avião A319
Classe Econômica
Poltrona
Data 13/12/2015
Partida 09:00
Chegada 09:50
Duração
Por Valentina
Leitora do Melhores Destinos
6 · jun · 2016

Você já ouviu falar da Druk Air? Provavelmente não, certo? No entanto, esta é uma das opções de companhias aéreas que você encontra no Butão, um pequeno e maravilhoso país localizado no sul da Ásia.

Fundada em 2012, a Druk Air (ou Royal Bhutan Airlines) atende 12 destinos em toda região do sul da Ásia com sua frota de aeronaves Airbus A319 e ATR 45-500, com voos inclusive para a Tailândia, Bangladesh, Índia e Singapura.

Será que vale a pena voar com a Druk Air em uma viagem para o Butão e região? Confira a avaliação de voo completa, feita pela leitora Valentina e tire suas próprias conclusões sobre a companhia aérea.

Boa leitura!

Introdução

Conhecer o Butão era um sonho antigo, de mais de dez anos. A oportunidade veio quase por acaso, conforme decidíamos nosso roteiro pela Índia. Como vínhamos de Myanmar por terra, o pequeno reino estava logo ao lado, e um dos custos da viagem, a passagem aérea, poderia ser minimizado se voássemos de uma cidade ali do nordeste indiano.

Apenas duas companhias fazem voos regulares ao país: a Druk Air e a Bhutan Airlines. A primeira é mais conhecida e tem mais opções de aeroportos de partida. Já o destino é sempre a cidade de Paro, onde está o único aeroporto internacional do Butão.

Uma rápida pesquisa na internet nos mostrou que a melhor opção de partida era Bagdogra, próximo à região de Gangtok e Darjeeling. Apenas a Druk Air voava de lá, e assim decidimos que nossa ida seria na rota Bagdogra – Paro, no voo 131. Voaríamos, então, “nas asas do dragão”, como diz o lema da companhia.

Uma vez decidido o trecho de ida, restava comprar o bilhete. Como é de praxe no caso de visitas ao Butão, tínhamos contatado uma agência local para fazer o trâmite de reserva de hotéis, obtenção do visto e pagamento da salgada taxa diária para visitar o país. Aqui fica uma dica: apesar de muitos sites na internet divulgarem que essa taxa é fixada pelo governo e que não há possibilidade de descontos, descobrimos que é sim possível pechinchar e que as agências têm uma boa margem de redução, principalmente se você deixar claro que aceita hotéis mais simples.

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Quanto à passagem, uma grande dificuldade inicial foi descobrir os dias e horários de partida dos voos. No nosso caso, o aeroporto escolhido tinha apenas um voo semanal e ele muda de dia e hora de acordo com a época do ano. Descobrimos isso na negociação do pacote quando contatamos diversas agências: pelo menos três delas nos deram datas diferentes das que eram mostradas no mecanismo de busca do site da Druk Air.

Isso quase causou um caos no planejamento, pois você deve decidir de antemão as datas de chegada e partida, sendo impossível mudá-las uma vez que você pagou. A solução foi escrever um e-mail diretamente para o escritório da Druk Air em Thimphu, capital do Butão. Para nossa surpresa, a resposta veio no mesmo dia e estava em completa consonância com o que nos mostrava o site.

Com a informação correta em mãos, optamos por fazer a compra pela agência, pois os valores eram os mesmos.

 

Check-in

Como não há check-in online, no dia do embarque chegamos bem cedo ao aeroporto. Nosso objetivo era ser um dos primeiros para poder escolher assentos do lado esquerdo do avião, que nos daria uma vista privilegiada dos Himalaias e, principalmente, do monte Kanchenjunga, a terceira montanha mais alta do mundo, na fronteira entre Butão e o estado indiano de Sikkim, e que já tínhamos avistado desde Gangtok e outras cidades na região.

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Como o aeroporto era pequeno, tudo foi bastante simples. Logo na chegada vimos que o balcão da Druk Air estava fechado, mas rapidamente localizamos um funcionário com o uniforme da companhia. Ele nos orientou a passar as malas pelo detector de metal e aguardar. Ficamos um pouco impacientes pois começaram a chegar outros passageiros, e todos eram orientados a fazer o mesmo. Não havia uma fila específica para isso.

Logo que o balcão abriu, porém, fomos os primeiros a ser chamados para o check-in. O tratamento de todo o pessoal da companhia foi uma pequena amostra de toda a gentileza e atenção que experimentaríamos em toda a nossa viagem, de absolutamente toda a população butanesa. Como eram poucos passageiros, o atendimento foi praticamente pessoal.

Além do voo, a companhia é também responsável por checar o documento que a agência de viagens envia, com o protocolo do visto.

Cabine

Nosso voo foi feito em um Airbus A319 bastante novo e confortável. As aeromoças e comandantes nos receberam na porta, muito gentis e sorridentes. O interior da aeronave estava limpo e organizado, nada que chamasse a atenção nem para o bem nem para o mal. Eram duas fileiras de três assentos de cada lado, confortáveis e limpos, e com espaço suficiente para pés.

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Como a viagem foi curta e a paisagem do lado de fora era espetacular, o melhor passatempo era olhar pela janela. Nessa rota que escolhemos, e certamente na rota de Katmandu também, o voo é feito praticamente sobre os Himalaias. As maiores montanhas, como o Kanchenjunga, rompem as nuvens em diversos pontos do caminho, proporcionando um verdadeiro espetáculo.

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Entretenimento

Com relação ao entretenimento a bordo, houve distribuição de fones de ouvido e havia a possibilidade de escutar música a bordo, mas nada de sistema individual.

Uma surpresa ficou por conta da revista de bordo, que era bastante bem feita, com muitas informações sobre o Butão tanto turísticas quanto culturais. Foi nessa publicação, aliás, que descobrimos algumas coisas para fazer em Thimphu e também souvenirs para comprar. Infelizmente não pudemos guardar uma, pois ainda tínhamos muito tempo de viagem pela Índia depois do Butão.

Mas, como disse anteriormente, o melhor entretenimento era olhar pela janela. Depois da decolagem, segue-se um bom período de tempo em que é possível ver diversas montanhas de mais de 7 mil metros, algumas delas bem próximas.

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Mas é na chegada a Paro que a viagem se torna mais interessante. Isso porque a cidade está localizada em um estreito vale, e para chegar até lá o avião tem que literalmente planar entre as montanhas. Qualquer acelerada ou freada mais brusca e fora de hora pode jogá-lo de encontro às encostas. É um teste de coragem, posso dizer com bastante certeza, e não é muito tranqüilo ver árvores e penhascos que parecem literalmente ao alcance da mão.

Sem esquecer que essa aproximação não é feita em linha reta, como na maioria dos aeroportos, mas sim em uma infinidade de curvas, algumas bastante fechadas, feitas a pouquíssima altitude. O frio na barriga não para nem na hora da aterrissagem, uma vez que sinceramente não dá para perceber quando aterrissamos a não ser quando o avião toca o solo. Apesar do medo, é uma das melhores partes da viagem!

Serviço de Bordo

Quanto ao serviço de bordo, não tivemos do que nos queixar. Todos os atendentes estão com um sorriso permanente no rosto, e parecem bastante felizes em ajudar no que for possível. Todos falavam perfeito inglês, tanto comandantes quanto comissários, e os avisos do avião eram feitos em híndi, butanês e inglês. No assento já estavam colocados um travesseiro e uma manta, e foram posteriormente distribuídos fones de ouvido.

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Como o voo partia bem cedo e chegamos com bastante antecedência ao aeroporto, optamos por tomar nosso café da manhã numa cafeteria, antes da partida. Além disso, somos vegetarianos e estávamos preocupados com a possibilidade de não haver qualquer opção para nós.

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Para nossa surpresa, entretanto, a refeição servida foi ótima, apesar de pequena: uma das melhores que provamos nos últimos tempos. Eram apenas suco, amendoim e uma pequena torta, tão bons que não houve absolutamente nada do que possamos reclamar. Aliás, até hoje nos lembramos da torta.

Comissários e equipe de solo

Programa de Fidelidade

Conclusão

Chegamos a Paro aproximadamente 50 minutos depois da decolagem, um pouco adiantados em relação à hora programada. O desembarque foi tranqüilo, feito pela escada da aeronave e com uma curta caminhada até o saguão. Como são poucos os voos que chegam a Paro, é basicamente impossível que duas aeronaves estejam pousando ao mesmo tempo, o que torna a retirada de bagagens bastante tranquila.

Confira algumas dicas antes de pegar o seu primeiro voo com a Druk Air:

1) Checar diretamente por e-mail com a companhia os horários e datas de vôos, pois pode ocorrer de você pesquisar pelo site não ter a resposta correta, isso ocorre por que a companhia faz modificações nessas informações ao longo dos meses do ano. Não acredite em agências butanesas.

2) São poucos os aeroportos de partida do voos ao Butão. No caso de você estar na Índia, pesquise a melhor opção, pois alguns desses pontos de partida ficam próximos uns aos outros, e pode haver diferença de tarifa. Pode ser, também, uma oportunidade de conhecer uma região diferente conjugada com a viagem. No nosso caso, escolhendo Bagdogra pudemos visitar Sikkim, que até pouco tempo atrás era um reino fechado ao exterior exatamente como o Butão.

3) No mesmo sentido da dica anterior, cada ponto de partida te dá uma rota diferente. Nesse quesito, Bagdogra e Katmandu são imbatíveis, pois seguem os cumes das montanhas mais altas do mundo.

4) No nosso caso, saímos do Butão pela via terrestre, não muito usual. Para quem vai e volta de avião, e principalmente se a partida e chegada são em aeroportos diferentes, convém prestar bastante atenção nesse planejamento, pois são poucos os voos e dependendo do roteiro isso vai engessar a quantidade de dias que você pode ficar no país.

5) Lembre-se de que não é possível modificar as datas uma vez que o pacote é fechado e pago. Portanto recomendo planejamento detalhado. Como dica pessoal sugiro que, caso você possa, coloque muitos dias a mais, pois o Butão é realmente maravilhoso.

 

Vale muito a pena voar pela Druk Air. Apesar de haver outra opção, a Druk Air é certamente a empresa mais sólida e preparada, além de oferecer melhores opções de roteiro.

Sendo a companhia governamental, também nos deu maior segurança com relação à qualidade do serviço, o que se comprovou mais tarde na prática. Foi provavelmente a companhia mais atenciosa e agradável em que voamos nos últimos anos, considerando desde a pré-venda até o momento em que saímos do aeroporto. Nada a reclamar. Se formos ao Butão novamente, esperamos que sim, será nossa escolha.

Gostaram da avaliação da Druk Air? Agradecemos muito a Valentina (dona dos perfis @valentina_travels e @jtajra no Instagram) pelo envio do relato de voo. Lembre-se, se você também já teve a oportunidade de voar com a companhia aérea, não se esqueça de deixar suas impressões nos comentários abaixo.

Nota final

Druk Air

Bagdogra - Paro

Voo 131

9,0
Embarque 10
Assento 10
Entretenimento 7
Amenidades 8
Equipe 10
Fidelidade -