Como é voar com a Arkia, segunda maior companhia aérea de Israel

Como é voar com a Arkia, segunda maior companhia aérea de Israel

TBS Tbilisi
TLV Tel Aviv
IZ 418
Avião Embraer 190
Classe Econômica
Poltrona
Data 14/05/2018
Partida 22:40
Chegada 23:58
Duração
Por
15 · ago · 2018

A Arkia é uma companhia aérea israelense fundada em 1949, originalmente conhecida como Israel Inland Airlines. Atualmente voa para 25 destinos domésticos e internacionais. Apesar da pequena frota de apenas dez aeronaves, a companhia é a segunda maior empresa aérea do país e principal concorrente da El Al. Com a aquisição de seis Embraer 195-E2 e oito Airbus A321/A330, previstos para serem entregues ainda em 2018, seu ambicioso plano de expansão começará a ser notado em breve por quem viaja para a Terra Santa saindo da Europa e outros destinos no Mediterrâneo.


Resumo do review
Arkia Israeli Airlines IZ 418
Tbilisi (TBS) – Tel Aviv (TLV)
Aeronave: Embraer 190
Pontos positivos: preço e segurança
Pontos a melhorar: atendimento, assentos, lanche e infraestrutura básica da aeronave

Quem já viajou ou planeja viajar para Israel sabe que não é só de fé que vive a Terra Santa. Quase sempre em pé de guerra com seus vizinhos imediatos, o país precisou desenvolver ao longo dos anos fortes aparatos de segurança para prevenir ameaças terroristas em seu pequeno território. E isso, é claro, se reflete na proteção de seus aeroportos e procedimentos de imigração, antes mesmo da chegada do avião.

É padrão ser entrevistado e ter bagagens revistadas ainda na origem, durante o check-in para qualquer destino em Israel. Eu já havia tido essa experiência em 2014, quando visitei Tel Aviv pela primeira vez, saindo de Berlim. Lembro-me de uma sisuda oficial do governo israelense me interrogando seriamente, fazendo várias perguntas repetidas, só para testar se eu cairia em contradição.

Minhas bagagens foram reviradas, precisei pagar para despachar porque não deixaram levar meu computador na mala de mão, o voo atrasou, mas finalmente permitiram meu embarque. Ao chegar em Israel – surpresa! – fui encaminhado para a infame salinha, onde fiquei aguardando um bom tempo com outros “suspeitos” até, enfim, ter minha entrada autorizada. Sinceramente? Valeu a pena cada segundo. Israel é um destino incrível!

Quatro anos depois e com mais experiência de vida, eu já imaginava o que aconteceria quando fosse visitar o Estado judeu novamente. E a oportunidade surgiu no dia que precisei viajar para a Jordânia. Eu estava em Tbilisi, capital da Geórgia, e um voo para Amã não sairia por menos de U$500. No entanto, descobri que havia um voo com a Arkia direto para Tel Aviv, com 2h45 de duração e pela bagatela de U$97, comprando com menos de uma semana de antecedência! Daí era só desembarcar em Israel e cruzar por terra a fronteira jordaniana – sairia bem mais barato!

Ah, só tinha dois probleminhas que eu esqueci de avisar para vocês:

1) O voo partiria no dia 14 de maio, justamente a data que marca o aniversário de 70 anos da criação do Estado de Israel. Coincidentemente, o dia que o presidente norte-americano Donald Trump decidiu oficializar a mudança da Embaixada dos EUA, de Tel Aviv para a nova capital Jerusalém, desencadeando diversos protestos nos territórios palestinos.

2) Eu tenho um carimbo do Irã no passaporte. Não é necessário ser nenhum gênio das Relações Internacionais para saber que Irã e Israel não são exatamente parceiros diplomáticos…

E foi assim, desse jeito, acompanhando apreensivamente o noticiário internacional que já contabilizava centenas de feridos nas manifestações, que segui para o Aeroporto Internacional de Tbilisi. Àquela altura, ter o embarque negado não me parecia tão ruim assim.

Check-in

O voo estava marcado para às 22h10. Por precaução, resolvi chegar com 4h de antecedência. Mas nem precisava, já que os guichês só abriram por volta de 20h30.

Apesar de pequeno, o aeroporto da capital georgiana possui uma grande preocupação com a segurança. Logo na entrada é necessário passar a bagagem por scanners. Tal preocupação é perfeitamente compreensível, já que a localização estratégica do país e alguns fatores culturais o tornam atrativo tanto para voos ao Irã quanto a Israel, cujos check-ins acontecem literalmente a poucos passos de distância.

Como não havia feito o check-in online (imagino que essa opção nem exista, haja vista a complexidade do voo), segui para a fila e fui um dos primeiros a serem atendidos. Para minha surpresa, a responsável pela entrevista era uma moça sorridente que em nenhum momento pareceu ter a intenção de intimidar, apesar das perguntas de praxe: “Você pertence ou já pertenceu a alguma organização terrorista? Possui explosivos em sua bagagem? Drogas?”

A fim de evitar problemas, tomei a iniciativa de relatar sobre minha viagem anterior ao Irã, mesmo que ela não tenha perguntado. Respondi mais algumas perguntas acerca do meu trabalho, apresentei o app do Melhores Destinos e garanti que, quando ela fosse viajar ao Brasil, era só ficar ligada no MD para conseguir as passagens aéreas mais baratas 🙂

Deu certo! Logo após a revista de bagagens, eu estava com o cartão de embarque em mãos, pronto para embarcar.

Esse é o conselho que deixo caso um dia vá viajar para Israel: Seja 100% honesto sobre seus planos no país, roteiro, intenções, e também sobre sua vida pessoal e profissional. Vale mencionar que é perfeitamente legal visitar os territórios palestinos (à exceção de Gaza, mas você não vai querer ir lá). Algumas cidades históricas como Belém e Jericó são localizadas do outro lado do muro, e estão acostumadas a receber vários turistas diariamente.

Saiba mais lendo nosso Guia de Israel.

Cabine

À primeira vista o Embraer 190 da Arkia, com capacidade para 110 passageiros, parece apertado e pouco aconchegante. À segunda vista também.

O espaço entre os assentos é bem estreito, mesmo para quem não passa dos 1,70m (meu caso). O botão para reclinar existe, mas é praticamente decorativo, já que o ângulo de inclinação é mínimo e quase imperceptível.

O espaço para bagagens também é diminuto, precisei empurrar bem a mochila para caber. Se estivesse um pouco mais cheia, eu teria problemas.

Entretanto, nada supera o aperto do banheiro, cujo teto inclinado pode bater na cabeça dos mais distraídos. É, sem dúvida, o menor banheiro de avião que já vi – mas essa nem é a pior parte.

Logo no início do voo fui lavar o rosto e… não saía água da torneira! Tentei de várias maneiras e nada. “Ainda bem que não fui fazer nada pior“, imaginei, já que ficaria extremamente incomodado com uma situação assim. Pensei que o problema era minha inaptidão e retornei ao assento. Poucos minutos depois outro passageiro teve o mesmo problema e solicitou o auxílio dos comissários, que a princípio o ignoraram, e só depois, conforme outros passageiros reclamavam, enfim ofereceram uma solução:

Não sei o que dizer, apenas sentir…

Confesso que fiquei chocado, em todos esses anos nessa indústria vital eu jamais vi algo parecido. Não sou especialista em sistemas hidráulicos de aeronaves, mas entenderia a falta d’água caso estivéssemos no meio de um voo longo – o que não era o caso. Como deixaram isso acontecer eu não faço ideia, mas aparentemente o avião decolou sem água a bordo!

Entretenimento

Não havia telas de entretenimento no voo, tampouco espaço para fones de ouvido, como é comum em algumas companhias aéreas.

O único entretenimento disponível a bordo era a revista da empresa, com matérias em hebraico, francês e inglês. Estranhamente, os artigos eram aleatórios e diferentes entre si. Ou seja, caso tivesse se interessado pelas fotos do texto em hebraico, melhor aprender o idioma, já que nenhuma outra folha possuía versão traduzida.

Serviço de Bordo

A Arkia não se apresenta como uma companhia “low cost”, e inclusive oferece franquia grátis para bagagem despachada de até 10 kg. Por conta disso, imaginei que algum lanche a bordo seria servido durante as quase três horas de voo.

Deixarei que a foto fale por si só:

Em situações assim, fico me perguntando o quanto de valor de marca algumas companhias perdem ao não oferecer um lanche um pouco mais elaborado. Um ou dois dólares a mais na passagem certamente pagariam ao menos um suco de laranja e um pãozinho, o que já passaria uma impressão bem melhor do que água e biscoito (ou “bolacha”, longe de mim criar mais um conflito nessa região).

Mais tarde, os comissários ofereceram pelo sistema de som um sanduíche por 20 shekels (algo em torno dos R$20). Não vi ninguém comprando.

Comissários e equipe de solo

Apesar da simpatia dos oficiais do governo israelense responsáveis pelos procedimentos de segurança do voo, eles prestam um serviço à parte da companhia aérea. Por isso, infelizmente a nota aplicada aqui não os considera como “equipe de solo”.

Na verdade, fomos praticamente escoltados até o balcão de check-in e os funcionários da Arkia apenas fizeram a emissão dos cartões de embarque de forma burocrática e sem perguntas.

O grande destaque negativo aqui vai para os comissários, que durante todo o tempo pareciam apáticos e sem muito ânimo para servir. Ainda no início do voo, uma comissária me repreendeu veementemente por estar com a câmera na mão e solicitou que eu apagasse as fotos. Fiz conforme pedido e perguntei o porquê, temendo alguma política da empresa ou até mesmo dos voos para Israel, mas a resposta foi “porque eu não gosto”. Complicado.

Durante o restante do voo notei outras peculiaridades, como avisos no sistema de som apenas em hebraico, e coleta de lixo de forma desajeitada com sacos grandes esbarrando em passageiros que dormiam e acordavam com o susto. Fiquei com a impressão de que a companhia precisa seriamente repensar o atendimento ao cliente por parte de sua tripulação.

Programa de Fidelidade

A Arkia aparentemente possui três programas de milhagens diferentes: Amit ArkiaArkia Princes e Club Up Grade, cada um voltado para determinado tipo de cliente.

Infelizmente há pouca informação sobre eles na internet. A única certeza é que, por não fazer parte de nenhuma aliança de companhias aéreas, os pontos acumulados com a Arkia só são válidos para voos com a própria companhia.

Conclusão

Com exceção da falta de água, o voo seguiu sem grandes destaques. Partimos com meia hora de atraso, o que é bem comum em voos para Israel. Ainda assim chegamos praticamente no horário marcado.

Em tese o trajeto poderia ser mais curto, mas analisando o mapa do voo é possível ver que estrategicamente não sobrevoamos a Síria, contornando seu território pelo mar e acrescentando alguns minutos à viagem.

Desembarcamos com o auxílio de escadas no aeroporto de Tel Aviv e seguimos com um ônibus providenciado pela companhia. Fui rapidamente atendido na fila da imigração e questionado: “É sua primeira vez em Israel?” Mal deu tempo de responder “Não, segund…”, e a funcionária já liberou o papelzinho do visto (Israel não costuma carimbar o passaporte).

– Sério, é só isso?
Próximo!

Fiquei sem reação. Cadê a salinha fria, as longas horas de espera, a troca de olhares suspeitos, as perguntas repetitivas…? Um letreiro grande e irônico à minha frente dizia: “Bem-vindo a Israel”. Com receio das possíveis implicações que poderia ter, eu nem sequer havia reservado hotel naquela noite. Meu “plano” era passar a noite detido e, com sorte, sair cedo ao amanhecer. Mas não foi isso que aconteceu.

O jeito foi pegar a bagagem e sair no saguão de desembarque, pronto para aproveitar Israel! Mas não sem antes dormir na cadeira do aeroporto, só para deixar de ser bobo.


E você, já viajou para Israel? Como foi sua experiência? Deixe seu comentário! E se você ainda tem dúvidas, confira as dicas do nosso Guia de Israel. Mande também sua avaliação de voo através do e-mail avaliacao@melhoresdestinos.com.br

Nota final

Arkia Israeli Airlines

Tbilisi - Tel Aviv

Voo IZ 418

5,5
Embarque 9
Assento 5
Entretenimento 5
Amenidades 5
Equipe 4
Fidelidade 5