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Aeroportos do futuro: 5 soluções tecnológicas que podem fazer parte da rotina após a pandemia

Bruna Scirea
Bruna Scirea
26/05/2020 às 5:13

Aeroportos do futuro: 5 soluções tecnológicas que podem fazer parte da rotina após a pandemia

Imagine entrar em um aeroporto, despachar as malas, passar por um escaneamento corporal que irá identificar seus sinais vitais, em seguida rumar para o controle de segurança e então embarcar na aeronave. Tudo isso sem ter encostado em nada, sem ter segurado nenhum bilhete ou documento em mãos, sem ter tido a necessidade de interagir com nenhum funcionário da companhia aérea ao longo do percurso.

Já se ouvia dizer por aí que as experiências de viagem no futuro poderiam ser bastante diferentes das que temos hoje (ou, melhor, das que tínhamos alguns meses atrás). Mas a pandemia da covid-19 tornou a discussão mais urgente, mais prática e até definiu alguns tópicos prioritários, entre eles, o que diz respeito à experiência dos passageiros nos aeroportos do mundo todo.

Recentemente a Future Travel Experience, braço da APEX (Airline Passenger Experience Association) que realiza eventos e discute sobre a experiência dos passageiros aéreos, fez um seminário online com algumas das principais marcas fornecedoras de equipamentos para aeroportos. As empresas trouxeram o que veem como soluções para os aeroportos do futuro (neste caso, um tempo não tão distante assim): tecnologias contactless (sem contato), biometria, etiquetagem eletrônica para malas e processos que podem ser realizadas fora do aeroporto, agilizando os processos de check-in e embarque nos terminais.

E sabe o quê? O cenário descrito no início do texto parece cada vez mais provável – ainda que colocá-lo em prática possa exigir ainda um tempinho. Enquanto o futuro não chega, confira algumas das principais soluções tecnológicas que podem em muito breve fazer parte das nossas rotinas de viagem:

1. Biometria: reconhecimento facial dos passageiros

Pode ser que o embarque realizado com a apresentação de documentos e passagens em papel estejam com os anos, ou dias, contados. Para a NEC Corporation, empresa de tecnologia da informação, a biometria (reconhecimento das pessoas com base em suas características físicas) vai se tornar uma tecnologia central dentro dos aeroportos. Em alguns lugares, inclusive, já é. A NEC destaca o terminal totalmente biométrico da Delta, em que 87% dos passageiros já embarcam utilizando somente o reconhecimento facial, em uma velocidade de verificação de em média 1,5 segundo por passageiro.

A companhia agora vai oferecer às companhias aéreas um sistema de cadastro biométrico. O programa permitirá reconhecer o passageiro por meio de uma selfie ou foto do passaporte e também autenticar o documento. Para o viajante, o benefício será não precisar mais apresentar o passaporte ou o cartão de embarque nos aeroportos – apenas o seu rosto. Segundo a NEC, a tecnologia em breve deve ser utilizada pelas companhias membros da Star Alliance na Europa.

Tecnologias de reconhecimento facial podem substituir documentos e cartões de embarque

2. Etiquetas eletrônicas de bagagem: o fim do check-in

Filas e aglomerações são problemas a serem enfrentados no novo normal do retorno às viagens e os processos de check-in e despacho de bagagem são problemáticos, seja pela formação de filas, contato com outras pessoas ou máquinas.  Uma das ideias para reduzir os riscos vem da empresa Bagtag: etiquetas eletrônicas de bagagem, que põem fim à necessidade de enfrentar filas de check-in para fazer o despacho das malas ou de imprimir etiquetas de bagagem em máquinas disponíveis nos aeroportos, onde é preciso tocar em telas.

O passageiro compra uma etiqueta eletrônica, se registra no app e pode registrar sua bagagem junto à companhia aérea no momento em que faz seu check-in online. Chegando ao aeroporto basta despachar a bagagem em uma máquina de autoatendimento.

Parece distante? Pois então: quase 300 aeroportos em todo o mundo já trabalham com as etiquetas eletrônicas da Bagtag, com telas impermeáveis, anti-impacto e de alta resolução.

Leia também: Dicas para escolher a mala ideal para a sua viagem de avião

BAGTAG propõe etiquetas eletrônicas para o fim do check-in presencial e o despacho mais ágil

3. Sensores para monitorar o distanciamento físico nos aeroportos

Nunca se falou tanto em distanciamento físico quanto nos últimos tempos. Para a empresa de sensores Xovis, com sede na Suíça, o rastreamento da movimentação dos passageiros e a identificação de áreas de alto risco de contágio dentro dos aeroportos podem ser ferramentas poderosas para garantir que se cumpram as normas de distanciamento após a pandemia. Segundo a empresa, o uso de sensores espalhados pelos terminais daria conta de identificar e monitorar áreas propensas ao contágio (como filas causadas por corredores muito estreitos dentro dos aeroportos) e grupos com comportamento problemático (com pessoas muito próximas umas das outras). Com as informações, aeroportos poderiam redesenhar seus caminhos e processos a fim de evitar filas e também atuar na dispersão de grupos muito concentrados.

Mapeamento por sensores poderia identificar grupos que violam regras de distanciamento e locais de alto risco de contágio

4. Sistema de detecção e contenção de infecções

Uma das formas de garantir viagens mais seguras no futuro é avaliando a saúde dos passageiros, evitando novos casos de contaminação. Desde o início da pandemia, muitos aeroportos passaram a aferir a temperaturas dos viajantes manualmente, uma solução rápida, para ser implementada a curto prazo. De acordo com a empresa Amorph Systems, no entanto, esta prática é incompatível com o distanciamento social, já que a medição é feita por uma pessoa, com um equipamento que deve ser colocado quase encostado à testa do passageiro.

Além disso, pode ser ineficiente a longo prazo, gerando altos custos para os aeroportos e riscos de contaminação às equipes. O que a empresa sugere: um sistema que por meio de câmeras térmicas identifica passageiros com febre, trazendo a localização exata do viajante doente dentro do terminal e emitindo alertas e notificações para que uma equipe médica ou de segurança se dirija até ele.

Sensores térmicos identificariam passageiros com temperatura elevada

5. Embarque 100% contactless (sem contato)

Uma das tendências mais claras após a pandemia da covid-19 é o uso cada vez maior das tecnologias touchless (sem contato). Empresas como a Elenium Automation, especialista em tecnologia sem contato,  estão oferecendo equipamentos que reúnem reconhecimento de voz, leitura de documentos e até comandos realizados com o movimento da cabeça, para casos de passageiros com mobilidade reduzida.

Os equipamentos também podem detectar sinais vitais como batimentos cardíacos, ritmo respiratório e temperatura corporal, indicando a possibilidade de alguma doença e, então, acionando um primeiro atendimento por videoconferência. A Etihad foi a primeira companhia aérea do mundo a testar as tecnologias de autoatendimento sem contato da Elenium Automation. O Aeroporto Avalon, na Austrália também deve implementar a tecnologia em breve.

Tecnologias sem contato devem dominar os aeroportos após a pandemia da convid-19


No seminário online realizado pela Future Travel Experience junto às empresas de soluções tecnológicas, foram apresentadas 12 ideias que podem revolucionar a experiência dos passageiros nos aeroportos. Nós selecionamos as cinco mais prováveis. Para conferir as demais, clique aqui e leia a reportagem completa (em inglês).

E você, o que achou das projeções sobre os aeroportos do futuro? Já esteve em algum terminou com alguma inovação tecnológica parecida com estas? Participe nos comentários!