Bastidores da aviação: visitamos o centro de operações do Aeroporto RioGaleão

Leonardo Cassol
Leonardo Cassol
24/06/2020  ·  11:4724 · jun · 2020  ·  11:47

Bastidores da aviação: visitamos o centro de operações do Aeroporto RioGaleão

Visitamos o centro de operações do Aeroporto Internacional RioGaleão, no Rio de Janeiro, e mostramos em detalhes como é feito o controle da movimentação das aeronaves, o monitoramento dos terminais de passageiros e a segurança de todas as etapas de uma viagem, nesse post exclusivo.

A visita ao aeroporto ocorreu antes da pandemia de coronavírus.

Sobre o Aeroporto RioGaleão

O RioGaleão, também chamado de Aeroporto Internacional Tom Jobim, é o segundo maior aeroporto do Brasil em movimento internacional e o quarto maior do país em movimento de passageiros, com mais de 13,5 milhões de passageiros em 2019. Oferece voos de 26 diferentes companhias aéreas, com rotas ligando o Rio de Janeiro a destinos nos Estados Unidos, Europa, África, Oriente Médio, América Central e América do Sul, além das rotas domésticas.

Possui o maior sítio aeroportuário em área total do país e também a maior pista de pouso e decolagem comercial do Brasil, com 4 km de extensão e 45 metros de largura. Já chegou a receber voos do supersônico Concorde, bem como do Airbus A380 e do Antonov An-225 Mriya, respectivamente, as maiores aeronaves de passageiros e de carga do mundo.

Imagem: acervo do RioGaleão

Desde agosto de 2014 a administração do aeroporto está sob concessão privada da Concessionária RioGaleão (Concessionária Aeroporto do Rio de Janeiro S/A), cujo controle é feito pela Changi Airport, reconhecida pela administração do Aeroporto Internacional de Singapura, um dos melhores do mundo. Em 2016, inaugurou um moderno Centro de Operações (COR), que você vai conhecer melhor nesse post.

O que faz o Centro de Operações (COR) do RioGaleão?

Controle de pátio e das pistas de taxiamento (Apron Control)

No RioGaleão a gestão da movimentação das aeronaves no pátio de todos os terminais é feita pelo centro de operações. Na maioria dos aeroportos esse trabalho é feito pela torre de controle.

O comandante pede autorização ao COR para o acionamento dos motores, partida (pushback) e taxiamento. De um determinado ponto de espera em diante assume a torre de controle, administrada pelo Comando da Aeronáutica, que continua responsável por autorizar as decolagens e pousos. Uma vez sem solo, após pousar, o piloto realiza o taxiamento até um ponto de espera, a partir do qual passa a receber instruções do COR para estacionamento no terminal.

Todo o procedimento realizado pelo COR conta com telas de visualização e softwares específicos para identificar condições climáticas, o movimento de cada aeronave, posições de estacionamentos livres e ocupadas, bem como o tráfego aéreo no aeroporto, como é possível ver nas imagens abaixo.

Foram instaladas câmeras de alta definição em pontos estratégicos que permitem uma visualização ampla, sem restrições ou pontos cegos. Vale ressaltar que o controle não se restringe às aeronaves. Também são monitorados veículos que transportam bagagens, combustível, serviço de bordo, etc.

A tecnologia utilizada no RioGaleão permite que múltiplas aeronaves deem partida ao mesmo tempo. Durante a nossa visita, vimos 5 aeronaves da GOL fazendo o pushback ao mesmo tempo, o que aumenta a eficiência operacional, sem comprometer a segurança.

Vale destacar que o RioGaleão é o pioneiro no controle de tráfego remoto entre os grandes aeroportos brasileiros. Mas, no mundo, há várias iniciativas semelhantes, como nos aeroportos de Atlanta, Nova York (JFK) e Zurique, ou até mais avançadas, como o aeroporto de Frankfurt, que possui três diferentes células de controle de aeronaves e controla inclusive os movimentos nas pistas de taxiamento.

Controle do terminal de passageiros

Enquanto um setor cuida da segurança e da eficiência operacional do pátio e das pistas de taxiamento do aeroporto (também chamado de lado ar), outro é voltado para o terminal de passageiros, monitorando atividades como check-in, embarque e desembarque, controle de raios-x, imigração, além da limpeza e segurança das aéreas comuns do aeroporto (lado terra).

Cada espaço do aeroporto é monitorado por sistemas e câmeras que ajudam a equipe a realizar vários procedimentos, permitindo que sejam acionadas equipes de vigilância, limpeza ou suporte em caso de qualquer tipo problema.

Nesse espaço, junto com a equipe do aeroporto RioGaleão, trabalham de forma integrada alguns funcionários das companhias aéreas com maior número de voos, para que sejam tomadas rapidamente decisões que possam prevenir, evitar ou minimizar atrasos e cancelamentos.

Sala de gerenciamento de crise do RioGaleão

O aeroporto possui também uma sala de gerenciamento de crise para uso em caso de emergências, acidentes ou incidentes que possam colocar em risco as operações no terminal.

A sala conta com diferentes mapas e plantas do aeroporto, telefones de autoridades, empresas aéreas, serviços de emergência, concessionárias de serviço público, hospitais e imprensa. Há até uma sala de descanso para a equipe, com camas beliche.


Como amante da aviação, fiquei muito feliz de poder conhecer um pouco mais sobre como é feito o controle da operação num aeroporto de grande porte. E também de ver a dedicação das equipes para que atividades tão complexas ocorram de forma eficiente e segura.

Agradecemos a equipe do RioGaleão pelo convite e por permitir que a gente pudesse mostrar aos leitores os bastidores do aeroporto, em especial ao Paulo Barcelos, coordenador da célula de operações aéreas (Apron control).