Novelão! Trem do Aeroporto de Guarulhos pode iniciar operação plena só em agosto
Novelão! Trem do Aeroporto de Guarulhos pode iniciar operação plena só em agosto
Atualmente em funcionamento parcial, a operação plena do aeromóvel do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, só deve começar em 10 de agosto. Segundo informações que constam de um processo na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), esse é o prazo dado pela AeroGRU, consórcio responsável pela obra, para que todo o projeto seja entregue, incluindo sua certificação.

O documento público registrado na Anac em 6 de janeiro foi mostrado em reportagem desta semana do Estadão e acessado também pelo Melhores Destinos, e aponta os marcos na operação do aeromóvel. Confira a seguir:
- Primeiro trimestre de 2026: prazo informado pela AeroGRU ao Melhores Destinos para início da operação parcial com passageiros. Essa informação não aparece no documento da Anac.
- 16 de abril: início da operação do segundo veículo (de cor laranja). A circulação seguirá com restrições e apenas das 18h à meia-noite. Os carros laranja e verde (este, usado na operação parcial atual) andarão em direções opostas a um máximo de 25 km/h – o veículo de cor azul ainda não estará liberado para trafegar com passageiros. O sistema ainda não será sincronizado, o que significa que os veículos precisarão parar no chamado “by-pass”. O limite será de 100 pessoas, já aberto ao público geral.
- 25 de junho: data prevista para circulação sincronizada dos veículos, ainda com algumas restrições. Nesta etapa, a operação é sincronizada, e espera-se que possa ser aberta a todo o público sem a restrição de 100 passageiros, com funcionamento das 4h à 0h. O limite de velocidade será mantido em 25 km/h.
- 10 de agosto: entrega do sistema Automated People Mover (APM) com certificação e operação plena.
Anac reclama da falta de transparência em prazos de entrega do aeromóvel

As datas acima foram apresentadas pela AeroGRU em uma visita técnica feita pela Anac no fim de novembro do ano passado. Na ocasião, representantes da agência pediram informações atualizadas do projeto e do cronograma futuro.
Segundo o Anac, os prazos “não configuram operação plena do sistema APM, permanecendo, até agosto de 2026, restrições relevantes de horário, velocidade, capacidade, frota e ausência de sincronização, além da inexistência de certificação do sistema.”
A principal questão em torno dos atrasos seria a complexidade da certificação de segurança.
De acordo com o documento, o cronograma foi apresentado apenas verbalmente pelos representantes do projeto do aeromóvel. Na opinião da Anac, “não há, até o momento, elementos técnicos suficientes que permitam considerar confiável qualquer prazo de conclusão informado.”
A agência também afirma no processo que “não há elementos concretos que indiquem que o consórcio [AeroGRU] tem capacidade técnica suficiente para entregar o objeto contratado.”

Em nota, a AeroGRU informou que a operação com funcionários do aeroporto desde dezembro (confira mais detalhes na sequência do post) “mostra que o sistema possui plena capacidade técnica para a entrega e operação completa.” Segundo o consórcio, mais de 15 mil testes foram feitos desde outubro.
A AeroGRU também disse que o processo “faz parte do planejamento faseado definido em conjunto com a GRU Airport, Anac e Innomotics, seguindo as recomendações da entidade certificadora internacional responsável pela homologação. Todas as etapas vêm sendo executadas de forma coordenada e transparente entre todas as partes.”
O consórcio afirmou ainda que “não há pendências que comprometam a entrega do sistema.” Depois do início das operações para todo o público, o aeromóvel seguirá “em operação faseada até cumprir todas as etapas finais de certificação, mas com entrega total ainda neste ano.”
AeroGRU cita empresa parceira para justificar parte do atraso
No documento registrado na Anac, a AeroGRU joga parte da responsabilidade pelos atrasos à Innomotics ao afirmar que está “negociando alguns ajustes”, sem dar detalhes. A empresa atua no mercado como fornecedora de motores elétricos e grandes sistemas de acionamento.

Segundo o consórcio, as tratativas envolvem “aspectos técnicos e comerciais indispensáveis para que o cronograma reflita […] todas as interfaces necessárias, evitando reprogramações posteriores”.
Em nota ao Melhores Destinos, a Innomotics afirmou que “trabalha em estreita colaboração com seus parceiros para garantir o resultado mais pontual e bem-sucedido do projeto.”
Aeromóvel de Guarulhos está em funcionamento parcial
Atualmente, o aeromóvel está em uma etapa de operação parcial com o veículo de cor verde. Apenas ele trafega na linha transportando funcionários do Aeroporto de Guarulhos, e somente das 18h à 0h. Em meados de janeiro, uma parada repentina fez com que os passageiros descessem nos trilhos em meio à chuva e seguissem a pé pelo resto do percurso.

Quando entrar em operação regular, o aeromóvel vai funcionar nos mesmos horários da CPTM, das 4h à 0h, diariamente. O serviço vai conectar todos os terminais de passageiros do Aeroporto de Guarulhos à linha 13-Jade da CPTM.
O sistema terá três trens, e cada composição terá dois carros, com capacidade total para 200 pessoas por viagem. O trajeto é curto, de pouco mais de 2 km em cada trecho, e será cumprido em aproximadamente seis minutos em cada sentido.
No entanto, nesta etapa de operação parcial, em que técnicos acompanham de perto a operação dos trens, a velocidade está reduzida e o intervalo médio entre as partidas será de 15 minutos.
Espera pelo aeromóvel dura 13 anos
Nunca demorou tanto para que a construção de pouco mais de 2 km de trilhos saísse do papel! Ao todo, o aeromóvel de Guarulhos tem investimento de cerca de R$ 300 milhões, vindos de recursos federais e privados. As obras começaram em janeiro de 2022, com prazo de entrega inicial até fevereiro de 2024.

Desde então, esse limite vinha sendo adiado – primeiro para agosto de 2024 e depois para janeiro de 2025. Em março do ano passado, o novo prazo passou para o “segundo semestre”. A expectativa passou a ser o mês de agosto, e depois, setembro.
Com o início da operação parcial apenas para funcionários do aeroporto, a nova promessa era de que o serviço abriria para todos os usuários em janeiro, o que novamente não aconteceu.
Os atrasos recorrentes já fizeram a Anac abrir apurações para investigar o descumprimento contratual pela concessionária do Aeroporto de Guarulhos e pelo consórcio AeroGRU. O contrato da obra já prevê a aplicação de multas.
O documento para execução dos trabalhos atuais foi finalizado em 2021, mas o projeto existe desde 2013! Portanto, são 13 anos de espera pela linha.
Que novela, hein? Será que os prazos apresentados serão cumpridos? Participe nos comentários!