Aeroméxico consegue 1 bilhão de dólares de empréstimo com fundo de investimento

Leonardo Cassol
Leonardo Cassol
19/08/2020 às 11:27

Aeroméxico consegue 1 bilhão de dólares de empréstimo com fundo de investimento

A companhia aérea Aeroméxico, que está em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, negociou um empréstimo de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões no câmbio de hoje) com a gestora de investimentos Apollo Global Management, com sede em Nova York. O acordo ainda precisa ser aprovado pela corte norte-americana e envolve algumas condições que podem levar a uma mudança futura no controle acionário da empresa.

Foram negociadas dois blocos (tranches) de apoio para a Aeroméxico. Uma primeira, emergencial, de 200 milhões de dólares. E outra de 800 milhões de dólares, a segunda com uso em finalidades específicas voltadas para a recuperação do negócio. Os valores serão liberados em parcelas e condicionados a etapas do processo de reestruturação da empresa.

O empréstimo utiliza o mecanismo de financiamento DIP (Debtor-In-Possession), onde o credor participa com todos os riscos da reestruturação financeira e operacional do negócio e, em troca, tem garantias para trocar seu empréstimo por ações da empresa. É o mesmo instrumento que está sendo utilizado pela Latam Airlines.

Possível mudança no controle da Aeroméxico

Caso a Apollo Asset Management converta o valor do empréstimo em ações, haverá diluição dos atuais controladores da empresa e também da Delta Airlines, que detém 49% de participação na companhia aérea mexicana. Isso deve gerar também um conflito regulatório, já que no México um estrangeiro não pode ter mais de 49% do capital de uma companhia aérea local.

Mas, de acordo com a imprensa mexicana, não é nada que não possa ser resolvido, já lei mexicana permite investimentos neutros que não envolveriam a administração do negócio no papel (mas que na prática dariam poderes de decisão aos acionistas estrangeiros). Nada impede também que o governo mexicano modifique a lei para viabilizar o negócio e ajudar a salvar sua principal companhia aérea.

Aviões, rotas internacionais e programa de fidelidade como garantia

De acordo com o jornal mexicano La Razón, foram dados como garantia para o empréstimo quatro aeronaves Boeing 737, metade do centro de manutenção MRO da empresa, os direitos em 51 rotas internacionais, incluindo 8 slots (auorizações de pousos e decolagens) no aeroporto JFK de Nova York, 2 slots no aeroporto Heathrow de Londres, a participação da Aeroméxico no Club Premier e a propriedade das marcas e direitos autorais da empresa.

Empréstimo deve garantir a continuidade da Aeroméxico

A expectativa é que o empréstimo seja aprovado nas próximas semanas. O  dinheiro deve permitir que a Aeroméxico cumpra suas obrigações futuras de maneira ordenada e continue com as suas operações durante e após o processo de reestruturação. “Este é um marco no processo contínuo de transformação de nossa empresa com o objetivo de impulsionar o crescimento sustentável de longo prazo”, destacou Andrés Conesa, presidente da Aeroméxico.

Vale destacar que a Aeroméxico retomou os voos para o Brasil desde 11 de julho. A rota ligando São Paulo a Cidade do México havia sido temporariamente suspensa em função da pandemia de coronavírus.

Avianca Holdings espera captar US$ 1,2 bilhão em empréstimos

Enquanto Latam e Aeroméxico já acertaram financiamentos bilionários com fundo de investimentos, a Avianca Holdings informou ao mercado que espera captar US$ 1,2 bi com empréstimos DIP nas próximas semanas. O dinheiro é essencial para a reestruturação da empresa, que está numa situação um pouco mais complicada que suas outras duas concorrentes que também estão em recuperação judicial. Afinal, mesmo antes da pandemia, a Avianca Holdings já enfrentava uma grave crise financeira.

Hoje os irmãos Germán e José Efromovich, acionistas da Avianca Holdings, foram presos em nova fase da Lava Jato, que investiga contratos da Transpetro. Segundo o MPF, os empresários são investigados por suposto envolvimento em um esquema de corrupção que envolve contratos da Estaleiro Ilha S/A (Eisa) – uma das empresas do conglomerado da família Efromovich – com a Transpetro, subsidiária da Petrobras. Vale destacar que a companhia aérea não é citada nas investigações. De acordo com o G1, as duas prisões são preventivas e foram convertidas em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico por conta da pandemia do coronavírus.


Seguimos torcendo pela total recuperação das empresas, já que a concorrência é essencial para termos bons preços nas passagens aéreas!

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