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Estados Unidos e Irã fecham acordo para encerrar guerra – o que muda para companhias aéreas e passageiros?

Mateus Tamiozzo
15/06/2026 às 11:54

Estados Unidos e Irã fecham acordo para encerrar guerra – o que muda para companhias aéreas e passageiros?

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Boa notícia para a semana! Os Estados Unidos e o Irã fecharam um acordo na noite de ontem para acabar com a guerra no Oriente Médio, que se arrasta desde o fim de fevereiro. As informações iniciais apontam que o Memorando de Entendimento inclui o fim de todas as hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz. O documento deve ser assinado na sexta-feira em Genebra, na Suíça.

Para as companhias aéreas e os passageiros, esse é mais um passo decisivo para a normalização total dos voos no Oriente Médio. Anteriormente, um cessar-fogo anunciado no início de abril já havia levado Emirates e Qatar Airways a retomar boa parte de suas operações.

Mas o que significa para o setor aéreo, na prática, o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã?

Voos para o Oriente Médio serão retomados imediatamente?

Se o fim da guerra for uma realidade concreta, será possível vermos o retorno de algumas companhias aéreas ao Oriente Médio em breve. As empresas, contudo, definitivamente não voltarão caso não tenham garantias de segurança.

De forma mais imediata, entre empresas que também operam no Brasil, podemos citar Air France (França), KLM (Holanda) e Royal Air Maroc (Marrocos) como as que têm o maior potencial de retomada no curto prazo. Isso porque os cancelamentos dos voos dessas empresas atualmente vão apenas até este mês.

Outras aéreas já adiaram suas retomadas para, no mínimo, setembro. Mas elas podem voltar antes do previsto? Se considerarmos que as aeronaves que operavam no Oriente Médio já estão em outras rotas, é mais difícil fazer esse movimento antes dos prazos atualmente estabelecidos. Isso seria possível no caso de aviões que estejam parados há mais tempo, sem prestar qualquer serviço.

Além disso, a retomada somente a partir de setembro não deixa de representar uma boa dose de cautela. Ainda há muita desconfiança sobre se os países envolvidos no acordo de fato o cumprirão.

Desde o anúncio do acordo, na noite de ontem, nenhuma empresa – entre as que também operam no Brasil – anunciou o retorno ao Oriente Médio. Vale reforçar que Emirates e Qatar Airways já retomaram grande parte de suas operações, incrementando a rede de voos e destinos aos poucos desde abril por meio de corredores aéreos “seguros” para pousos e decolagens.

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Preço das passagens no Brasil pode cair com o fim da guerra?

Essa é uma questão cuja resposta passa, inicialmente, pelo petróleo. Como já falamos em outros posts, cerca de 20% da produção mundial da commodity passa pelo Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. Com a interrupção do fluxo por conta da guerra e oferta reduzida, os preços dispararam, chegando a mais de US$ 100 por barril nos momentos mais críticos do conflito.

Esse cenário também fez subir o valor do combustível de aviação (QAV). No Brasil, o produto está cerca de 70% mais caro desde o início da guerra, o que aumentou a sua fatia de participação nos custos do setor aéreo – de 30% antes do conflito para 45%, segundo estimativa da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Como resultado dessa bola de neve, os viajantes estão se deparando com passagens, em média, até 30% mais caras e uma série de cancelamentos de voos.

Desde o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã, o petróleo está cotado perto de US$ 80 – antes da guerra estava na faixa de US$ 70. Essa queda ocorre porque se espera que o Estreito de Ormuz seja totalmente reaberto em até 30 dias, o que aumentará a oferta no mercado.

A expectativa é que esse cenário também puxe para baixo os valores do combustível de aviação, o que pode trazer a reboque uma redução nas tarifas e a retomada de operações paralisadas. Esse panorama positivo, porém, não deve se materializar imediatamente, porque o preço do insumo pode demorar semanas para mostrar seus efeitos no mercado local.

Além disso, a própria retomada do fluxo de petróleo e do funcionamento das estruturas de energia no Oriente Médio não será imediata, o que deve continuar pressionando a relação oferta x demanda. Segundo a consultoria de inteligência de mercado S&P Global, o mercado pode levar cinco meses para recuperar 80% da produção de fevereiro deste ano.

A Latam, por exemplo, já afirmou que espera que os valores do QAV continuem elevados pelo menos até o fim do ano, e avalia mais cortes de capacidade em 2027 se não houver um alívio nos preços. A S&P Global cita que os preços do petróleo podem voltar aos níveis pré-guerra só em 2028.

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Europa pode evitar escassez de combustível de aviação?

Atravessando o Oceano Atlântico, desembarcamos em um dos temas internacionais mais críticos para o setor durante a crise atual: a escassez de combustível de aviação na Europa. Em vários momentos, companhias aéreas e especialistas apontaram que o continente poderia ficar sem abastecimento justamente durante o verão, período de forte demanda turística.

Segundo o levantamento da S&P Global, a disponibilidade de querosene para aeronaves ao redor do mundo diminuiu entre 20% e 30% desde o início da guerra. Esse cenário foi potencializado pela atividade reduzida nas refinarias.

Não bastasse isso, a Europa é o segundo continente que mais depende do combustível de aviação produzido no Oriente Médio: importa 24% do que consome internamente, de acordo com a S&P Global. Só fica atrás da África (33%).

Mesmo com o acordo entre Estados Unidos e Irã, a Europa ainda não poderá ficar sossegada. Como explicamos acima, a estimativa é que a produção de petróleo demore de 5 a 6 meses para voltar a uma certa normalidade do pré-guerra. Portanto, o reabastecimento pleno dos europeus não será imediato, embora o cenário claramente poderá ser mais favorável daqui em diante.

Vale ressaltar que a América Latina, por outro lado, tem uma posição muito mais tranquila neste sentido. A região importa do Oriente Médio apenas 2% do combustível de aviação que consome, e tem uma autossuficiência na casa de 65%, segundo a S&P.

O cenário é ainda mais favorável no Brasil, onde o número chega a 80% – a Petrobras já afirmou que o país não corre risco de desabastecimento de QAV.

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Mateus Tamiozzo

Mateus Tamiozzo

Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.

Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!

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