Em primeira mão! Fomos conhecer o Metrô do Aeroporto de Congonhas, que deverá ganhar mais estações
Em primeira mão! Fomos conhecer o Metrô do Aeroporto de Congonhas, que deverá ganhar mais estações
Depois de uma espera de 12 anos, chegou o dia: o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, tem agora uma estação de Metrô! A linha 17 – Ouro, um sistema monotrilho, foi oficialmente inaugurada em um evento na manhã de hoje na estação que dá acesso ao terminal aeroportuário. E com uma novidade: o novo ramal terá uma expansão, prevista para ser entregue, no mínimo, entre 2031 e 2032.

(Foto: Kayke Guimarães/Governo do Estado de SP)
Confira a seguir todos os detalhes da linha, incluindo o passeio que fizemos na manhã de hoje! Em breve teremos um review completo, que será publicado no YouTube do Melhores Destinos.
Como é a nova linha 17 – Ouro do Metrô de São Paulo?
Com investimento de R$ 5,97 bilhões, a linha 17 – Ouro do Metrô de São Paulo tem oito estações ao longo de 6,7 km, e deve transportar 100 mil passageiros por dia quando estiver em operação plena, prevista para outubro. Quando anunciada, em 2012, a previsão era de que o ramal tivesse 17,7 km e 18 estações.

O trajeto terá parada em sete das oito estações da linha: Morumbi (conexão com a Linha 9 – Esmeralda), Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo (integração à Linha 5 – Lilás), Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas.
Neste início, o acesso é totalmente grátis. Após o período de testes, a cobrança será de R$ 5,40, como acontece em todo o sistema ferroviário da capital e região metropolitana.
A estação Washington Luis não está funcionando neste momento. Segundo o governo, a decisão de não abri-la agora decorre do “aumento significativo no tempo de espera”, uma vez que essa parada exige o uso da bifurcação da linha. A estação será aberta quando novos trens entrarem em operação, o que permitirá a redução do intervalo de circulação. Isso está previsto para junho.

Nesta fase, o ramal funciona somente de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. Hoje, excepcionalmente, operou das 16h às 20h. Posteriormente, passará à operação diária, sempre das 4h40 à 0h.
A linha começa com apenas dois trens e um tempo de espera médio entre sete e 14 minutos. O formato da operação é chamado pelo Metrô de shuttle (cada composição vai e volta pela mesma via, em ambas as vias) e acontece entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Morumbi.

(Foto: Divulgação/Aena)
Por agora os trens têm a presença de operadores, que posteriormente serão substituídos por um sistema automático. As composições podem alcançar até 87 km/h, mas devem circular a uma velocidade em torno de 60 km/h na operação plena.
Neste momento, no entanto, a velocidade será ainda menor, algo comum na abertura de novas linhas do Metrô, uma vez que ainda há testes e avaliações de segurança em andamento. Segundo funcionários ouvidos pelo Melhores Destinos durante a inauguração, a estatal ainda está estudando o sistema para definir a velocidade máxima dos trens em determinados trechos, como nas curvas.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
Cada uma das 14 composições da frota, fabricadas pela BYD na China, têm capacidade para 616 passageiros, e 11 já estão no Pátio Água Espraiada. Oito já estão comissionadas – processo de cumprimento dos protocolos de testes de segurança e liberação para operar.
As outras três composições estão a caminho do Brasil por navio e a utilização de mais trens na operação comercial será ampliada conforme a demanda. Segundo o governo, o investimento nos trens foi de R$ 989 milhões.
Como foi a nossa experiência no Metrô do Aeroporto de Congonhas

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
Com aquele cheirinho característico de coisa nova, embarcamos pela primeira vez no trem da linha 17 – Ouro durante o evento de inauguração. O passeio começou na estação Aeroporto de Congonhas e terminou no Morumbi, com apenas uma parada no Campo Belo, que dá acesso à linha 5 – Lilás. Não houve descida nas demais estações intermediárias da linha.
Como tudo o que é novo, a estrutura das estações e dos trens estava impecável, sem sinais aparentes de que ainda havia algo a ser feito. Todas as estações têm portas de plataforma, espaços para guarda de bicicletas e estão bem sinalizadas.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
Tanto as passarelas quanto o túnel do aeroporto de Congonhas são abertos a todos os pedestres, inclusive para quem não for embarcar no monotrilho.
Cada composição é formada por cinco carros, com passagem livre entre eles, ar‑condicionado, iluminação em LED, câmeras de vigilância, sistemas de detecção e combate a incêndio e tração sobre pneus. Outro destaque é o conjunto de baterias, que permite o deslocamento dos veículos mesmo se faltar energia.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
Como dissemos acima, os trens da linha 17 – Ouro foram projetados para funcionar com um sistema sem condutor. Mas no nosso passeio – e enquanto durar a fase inicial da operação – os funcionários do Metrô conduziram os trens. O trajeto começou em baixíssima velocidade, mas depois da primeira parada, na estação Brooklin Paulista, a composição começou a circular bem mais rápido.
O trem é espaçoso o suficiente para que usuários com suas bagagens possam embarcar e desembarcar sem problemas. Chama a atenção, porém, a ausência de lugares específicos para a acomodação de malas, algo que existe, por exemplo, na linha 13 – Jade, que vai até o Aeroporto de Guarulhos.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
O sistema de ar-condicionado é muito bom e deu conta de manter todos refrescados em meio ao calor de quase 30 graus do lado de fora – e mesmo com bastante gente embarcada. No nosso trem estavam jornalistas, vários funcionários do Metrô, da BYD (que fabricou as composições) e de outras empresas.
Toda a comunicação visual e sonora do trem estava apenas em português, o que pode ser um eventual problema para passageiros estrangeiros que queiram usar a linha 17 – Ouro para chegar ou sair do Aeroporto de Congonhas. Vale lembrar, porém, que estávamos em uma viagem inaugural – resta saber se futuramente as informações também serão dadas em outros idiomas. Nas estações, por outro lado, já há indicações em inglês.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
Na parada da estação Campo Belo pudemos fazer o trajeto de transferência a pé entre as linhas 5 – Lilás e 17 – Ouro. Prepare as pernas, porque, como a linha 5 – Lilás é muito profunda, você terá que subir ou descer diversas escadas rolantes até chegar na plataforma.
Vale a pena usar a linha 17 – Ouro para chegar a Congonhas?
A resposta objetiva é: depende. A linha 17 – Ouro foi desenhada para se conectar diretamente a apenas dois outros ramais: a linha 5 – Lilás do Metrô e a linha 9 – Esmeralda, operada pela ViaMobilidade.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
Se você sai da região da República, no Centro de São Paulo, como é meu caso, é necessário fazer troca de linha na Luz, para pegar a 1 – Azul; na Santa Cruz, para pegar a 5 – Lilás; e no Campo Belo, para só então embarcar na 17 – Ouro e chegar ao Aeroporto de Congonhas.
A avaliação inicial é que moradores da Zona Sul e de parte da Zona Oeste da capital paulista tendem a se beneficiar mais do novo ramal, enquanto habitantes das regiões central, Leste e Norte precisarão fazer entre três e quatro baldeações para chegar ao aeroporto.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
O preço com certeza compensa independentemente de onde você está em São Paulo ou para onde pretende ir depois de pousar. Afinal, estamos falando de uma passagem de R$ 5,40 contra corridas de táxi e veículos de aplicativo que podem custar uma pequena fortuna dependendo de onde você está.
Por outro lado, pode fazer mais sentido continuar usando táxi ou aplicativo se você está com o tempo contado ou se você simplesmente não quer se aventurar na rede de transporte ferroviário de São Paulo. O ônibus também continua sendo uma opção dependendo do seu trajeto de/para o aeroporto.

(Foto: Mateus Tamiozzo/Melhores Destinos)
O sistema ferroviário, embora também apresente falhas, ainda é mais previsível do que o deslocamento via carro ou ônibus, que depende da boa vontade do trânsito enigmático da capital paulista. Mesmo tendo que fazer três trocas de linha, eu provavelmente vou preferir usar o Metrô a partir de agora para chegar a Congonhas.
Linha 17 – Ouro terá mais quatro estações na próxima década
Durante a inauguração, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou a expansão da linha, com mais 4,6 km de extensão e quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis.
Questionado pelo Melhores Destinos durante a coletiva de imprensa a respeito de prazos para o novo trecho sair do papel, o governador afirmou que a expectativa é que a obra seja entregue não antes de 2031 ou 2032.

Segundo Tarcísio, a expectativa é que a empresa vencedora da expansão da obra seja conhecida no segundo semestre deste ano. Em 2027, os trabalhos devem girar em torno da realização do projeto, para contratar a obra em 2028. O governador admitiu que deve ser uma obra “cara e complexa”, especialmente por conta da travessia por cima do rio Pinheiros, depois da estação Morumbi.
“Vamos estar falando em três, quatro anos de obra, não menos do que isso”, afirmou o governador.
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Mateus Tamiozzo
Sou jornalista com 10 anos de experiência em aviação - e completamente apaixonado por tudo o que envolve aviões e aeroportos. No Melhores Destinos, fico bem de olho nas companhias aéreas e na movimentação sempre intensa do setor, tudo para levar a você informações úteis e atualizadas.
Na bagagem, 26 países, incluindo a Coreia do Norte, e 17 companhias aéreas. E é só o começo!