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2020 será mais um ano desafiador para as companhias aéreas no mundo inteiro

Leonardo Cassol
16/02/2020 às 7:00

2020 será mais um ano desafiador para as companhias aéreas no mundo inteiro

O ano de 2019 ficou marcado na história da aviação pelo número de falências. Pelo menos 22 companhias aéreas deixaram de operar no mundo todo, um recorde. E o Brasil não ficou de fora dessa triste estatística, com o traumático fim das operações da Avianca Brasil e da francesa Aigle Azur, que prejudicaram milhares de passageiros no país.

Companhias aéreas que faliram ou deixaram de operar em 2019

Elaboração: Melhores Destinos. Fonte: IATA e Samchui

O que o setor aéreo pode esperar de 2020?

O ano de 2020 começou tão ou mais desafiador que 2019 para a aviação global. Logo nos primeiros dias de janeiro eclodiu o conflito dos Estados Unidos com o Irã, que fez o preço do petróleo e, consequentemente, do combustível de aviação disparar. Em seguida, foi a vez do Coronavírus, que está provocando o cancelamento de voos para a China por várias semanas seguidas e pode levar milhões de pessoas a reverem seus planos de viagem, com receio de uma epidemia.

Os problemas do Boeing 737 MAX também estão dando uma enorme dor de cabeça para várias empresas no mundo inteiro. Para completar, o crescimento da economia mundial pode ser negativamente impactado por esses e outros eventos, o que atinge ainda mais o setor aéreo.

O preço do combustível de aviação foi o maior vilão do setor aéreo nos últimos dois anos. Ele representa cerca de 1/4 dos custos totais das empresas. Além disso, com o aumento da competição, as companhias aéreas trabalham com margens cada vez mais apertadas, e nem sempre conseguem repassar todo o aumento de custo para o preço das passagens.

Não demorou para aparecer as primeiras baixas de 2020: a empresa italiana Air Italy e a turca AtlasGlobal suspenderam suas operações recentemente. Além disso, em crise, a South African anunciou na última semana o fim dos voos para o Brasil, após 50 anos da rota entre São Paulo e Joanesburgo.

Aviação no Brasil

No Brasil, a economia ainda não deu sinais claros que vai voltar a crescer significativamente. E, nas últimas semanas, houve um forte aumento na cotação das moedas estrangeiras, o que impacta as companhias aéreas nacionais, que têm os custos de aeronaves e do próprio combustível de aviação cotados em dólar. Ainda assim, as companhias aéreas nacionais estão otimistas e seguem investindo no país.

A Azul, por exemplo, espera atingir a marca de 30 milhões de passageiro em 2020 e lançar de 6 a 8 novos destinos no ano. A empresa já começou a vender voos para Nova York, rota que começa a ser operada a partir de 15 de junho.

A GOL vem conseguindo driblar os problemas do Boeing 737 MAX, adequando sua malha e alugando aeronaves de outras companhias aéreas. Com alta ocupação nos voos, a empresa têm reduzido seu endividamento e deve retomar, nos próximos meses, o controle da Smiles.

Já a Latam está super empolgada com sua nova parceria com a Delta, depois de vender 20% de suas ações para o grupo norte-americano por mais de R$ 8 bilhões. A companhia segue ampliando sua participação no mercado doméstico brasileiro, desde a saída da Avianca.

Além disso, novas companhias aéreas continuam sendo criadas. É o caso da Breeze Airways, do brasileiro David Neeleman, mesmo fundador da Azul e da JetBlue, que deve começar a voar nos Estados Unidos no fim do ano, já em larga escala, utilizando aviões Embraer que hoje são utilizados pela Azul. Isso faz parte do processo de amadurecimento de qualquer setor, ainda mais numa indústria tão competitiva como a da aviação.

Como se proteger da falência ou crise de uma companhia aérea?

Comprar passagem aérea com muita antecedência e de companhias aéreas desconhecidas aumenta o risco de você ser surpreendido com uma notícia negativa. Atualmente, ao planejar uma viagem, não basta pesquisar apenas a reputação da companhia aérea. É importante considerar também a sua saúde financeira, levando em conta o eventual impacto de uma paralisação nas suas operações nos seus planos de viagem.

A quebra de uma companhia aérea é um processo que pode ocorrer relativamente rápido, mas os sinais de problemas ficam logo evidentes e começam a virar manchetes na imprensa. A questão é que nem sempre fica claro se uma empresa está apenas enfrentando uma crise passageira, ou se de fato caminha para um fim trágico. Mas dá para ter uma ideia do risco.

A história recente mostra que empresas de menor porte estão mais vulneráveis a crises do que os grandes grupos de aviação, que têm maior capacidade de financiamento para aguentar prejuízos. Mas isso não significa que empresas grandes e tradicionais não possam quebrar. Por isso, antes de planejar a próxima viagem, vale a pena checar se há rumores de que sua companhia aérea está em apuros, especialmente se a sua viagem só vai ocorrer daqui a muitos meses…

Qual a situação atual das companhias aéreas que têm voos para o Brasil?

As grandes companhias aéreas nacionais estão com uma situação financeira bem mais confortável do que há anos atrás e não preocupam. Azul, GOL e Latam tem boa capacidade de financiamento e podem vender fatias dos seus negócios em caso de uma crise mais grave. A VoePass (antiga Passaredo e que deve se fundir com a MAP), que enfrentou um processo de recuperação judicial num passado não tão distante, deu sinais de melhora. E, no caso de novos problemas, não teria dificuldades para ser comprada por uma de suas concorrentes, já que conseguiu valiosos slots (autorizações de pousos e decolagens) no aeroporto de Congonhas.

Já algumas companhias aéreas estrangeiras que voam para o Brasil estão enfrentando crises financeiras relevantes. É o caso da Alitalia, da Avianca Internacional e da Norwegian. A situação de cada empresa é diferente e, por enquanto, não há risco iminente de suspensão de operações ou de rotas. Mas é importante se precaver e acompanhar o desenrolar de cada caso.

A Alitalia está apresentando prejuízos diários em sua operação e teve que recorrer a mais um empréstimo de 400 milhões de euros do governo italiano, que já havia dito que não daria mais dinheiro do contribuinte para a empresa. No total, a companhia aérea italiana já recebeu mais 1,3 bilhão de euros (mais de 6 bilhões de reais) em empréstimos, enquanto não chega a um acordo com nenhum potencial comprador. De acordo com a Agência Italiana de Notícias, a empresa pode ser reestatizada caso as negociações com os compradores fracassem.

A Avianca Holdings, ou Avianca Internacional, enfrentou um prejuízo bilionário e uma grande crise de liquidez em 2019, que a obrigou a vender aviões, suspender o pagamento de fornecedores e cortar rotas deficitárias. Os acionistas interviram na empresa, afastaram o empresário Germán Efromovich, e conseguiram liberar empréstimos para manter as atividades durante o processo de reestruturação. A situação parece controlada e as ações da empresa começaram a se recuperar depois que os primeiros resultados da gestão de Anko Van der Werff, ex-CEO da KLM e da Qatar Airways, indicado pelo Conselho de Administração para substituir Efromovich.

A Norwegian teve uma expansão muito rápida num modelo relativamente novo de voos intercontinentais de baixo custo, o que lhe custou mais dinheiro do que o esperado. Além disso, segue com problemas com várias aeronaves Boeing 737 MAX, que estão proibidas de voar. Após uma forte pressão dos acionistas, a empresa cortou em setembro rotas entre a Irlanda e os Estados Unidos e Canadá e anunciou em dezembro a venda de sua subsidiária na Argentina. As medidas surtiram efeito e a empresa parece ter ganhado algum tempo de fôlego, com o aumento da taxa de ocupação das aeronaves e da receita por passageiro.

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E você, já teve problemas com alguma companhia aérea que deixou de operar? Conseguiu resolver? Comente e participe!

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