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10 mentiras sobre a Tailândia que contaram para você

Wendell Oliveira
Wendell Oliveira
20/01/2020 às 5:00

10 mentiras sobre a Tailândia que contaram para você

Você já deve ter ouvido muita coisa “esquisita” sobre a Tailândia. Afinal, esse é um dos destinos mais visitados e incompreendidos do mundo. Os milhões de turistas que viajam para o país todos os anos se encantam com a beleza das praias paradisíacas, templos sagrados e tradições únicas. Não obstante, a barreira linguística, choques culturais e diferenças de percepções podem dar lugar a julgamentos precipitados, que nem sempre condizem com a realidade.

Sou editor do Melhores Destinos e tenho o privilégio de chamar a Tailândia de casa desde 2014. Minha intenção é ajudar a esclarecer o que realmente é verdade ou mentira sobre o país: Será que a Tailândia é muito pobre? Tudo é tão barato quanto dizem? Não há nada para fazer além das praias? Os elefantes sofrem maus-tratos e as mulheres-girafa são feitas de escravas? Acompanhe!

1. “A Tailândia é um país pobre”

O que é um “país pobre” para você? Embora ainda seja classificada como uma nação em desenvolvimento, a Tailândia vem apresentando melhoras consideráveis em diversos índices sociais e econômicos. Nos últimos cinco anos, o país saiu da 161ª para a 77ª posição no ranking global de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) — ultrapassando o Brasil, aliás, em 79º lugar.

Não é necessário “escovar os dentes com água mineral” (já ouviram essa?), passar álcool em gel nas mãos de meia em meia hora ou outros exageros do tipo.

shopping iconsiam bangkok

Iconsiam: apenas “mais um” shopping de luxo em Bangkok, com Apple Store e lojas de grife.

Quem já visitou Bangkok sabe que a metrópole tem uma paisagem urbana quase futurista: arranha-céus, metrôs de superfície, alguns dos maiores shoppings do mundo, redes de hotéis de luxo e inúmeros restaurantes com estrelas Michelin. Tudo convivendo em harmonia com tuk-tuks, templos budistas, hostels baratos para mochileiros, feirinhas locais e barraquinhas de rua.

Leia também:
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Outro detalhe interessante é que, ao contrário do real, fortemente desvalorizado em relação ao dólar, a moeda local tailandesa (thai baht) valorizou-se frente à moeda americana. Em tese, a média salarial da Tailândia já é maior do que a do Brasil. O que nos leva a outra questão…

2. “A Tailândia é ridiculamente barata”

A Tailândia tem fama de ser um dos países mais baratos do mundo para viajar. O que não deixa de ser verdade, mas cuidado: Muito além de simplesmente “barata”, a Tailândia é um destino onde o custo-benefício deve ser observado. Você recebe pelo que você paga.

Exemplo: Quer pagar o equivalente a R$ 15 em um hotel na Tailândia? É possível, mas provavelmente será um quarto simples e com higiene questionável. Já os R$ 150 que você pagaria em uma pousadinha na sua cidade podem garantir um resort com piscina em frente à praia em alguma ilha tailandesa.

Tuk-tuks parecem baratos, mas acredite: táxis são mais.

Tuk-tuks parecem baratos, mas acredite: táxis são mais.

Comidas de R$ 5 são fáceis de encontrar em qualquer esquina, mas comer em pé e exposto ao sol não é exatamente a melhor experiência gastronômica do mundo. Você pode ir a um restaurante ou à praça de alimentação de um shopping e pagar… o dobro. Sim, R$10!

Leve em consideração que, por questões logísticas e culturais, alguns produtos podem ser mais caros na Tailândia do que no Brasil e até mesmo na Europa/EUA. A carne bovina é importada da Austrália e Nova Zelândia, sendo vendida a preços altos. Idem para chocolates, queijos e vinhos, que são mais caros porque não fazem parte da dieta local, voltados quase que exclusivamente para o consumo de expatriados e turistas estrangeiros.

Eletrônicos em geral tendem a ser mais baratos do que no Brasil. E com a restituição de 7% de VAT (imposto sobre compra tailandês) para turistas, vale a pena comprar seu iPhone na Tailândia.

3. “Massagem tailandesa é sinônimo de prostituição”

A massagem faz parte da cultura tailandesa, recentemente sendo reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Uma prática milenar, considerada até mesmo como medicina alternativa por alguns.

Para a nossa por vezes maldosa mentalidade brasileira, é normal estranhar a quantidade de “casas de massagem” espalhadas pelo país. Principalmente quando algumas funcionam à noite, com jovens massagistas na porta chamando clientes. Mas não se engane: a maioria das casas de massagem tailandesas é legítima.

Massagem tailandesa na Khao San Road, em Bangkok

Tente alguma gracinha com as massagistas e elas provavelmente torcerão o seu pé 🙂

Sim, lugares suspeitos e com práticas pouco usuais também existem. Mas são a exceção, não a regra. Aliás, a prostituição é ilegal na Tailândia.

Identificar uma casa de massagem verdadeira é bem óbvio: opte por aquelas com funcionários vestidos em trajes típicos, incensos e estátuas de Budas à vista, com preços claramente anunciados e menções a “Spa” e “traditional”. E é claro, evite estabelecimentos onde as massagistas estejam maquiadas demais, com roupas provocantes e possuam “erotic” ou “sexy” no nome! 🙂

4. “Não tem nada para fazer além das praias”

O quê??? Sim, a Tailândia pode até ser conhecida pelas praias. Mas basta uma pesquisa mais atenta para descobrir um mundo de atrações no país.

Festivais tradicionais como o Songkran (Ano Novo Tailandês) e o Yi Peng/Loy Krathong (Festival das Lanternas) são apenas algumas das grandes celebrações que ocorrem anualmente no país, reunindo multidões em busca de muita diversão! Os inúmeros templos exóticos espalhados pelo país encantam, mesmo que você entenda muito pouco sobre budismo. Dos mais variados tipos, as construções se destacam pela criatividade e aura de paz e tranquilidade.

Templo Branco, em Chiang Rai

Templo Branco, em Chiang Rai.

Isso sem mencionar os shoppings de Bangkok, a vida noturna agitada, uma gama de atividades culturais que envolvem culinária, mercados locais, museus , sítios históricos, massagens e o inconfundível Muay Thai, arte marcial tailandesa que você pode acompanhar de longe ou até mesmo praticar, fazendo uma aula!

Para os amantes da natureza, ainda há oportunidades de trekking pelas florestas, montanhismo, cachoeiras de águas cristalinas, hotéis flutuantes em rios, escaladas… Acredite, é possível fazer uma viagem inesquecível pela Tailândia sem nem passar perto das praias.

5. “Elefantes sempre sofrem maus-tratos com o turismo”

Engana-se quem pensa que atividades com elefantes na Tailândia é algo recente. Sagrados na cultura tailandesa, esses animais carregaram o país nas costas — literalmente. Era comum vê-los sendo usados como meio de transporte, levando toneladas de peso para construção civil e agricultura. A maioria morria de exaustão antes de completar 30 anos. Os que viviam em liberdade na natureza não raramente morriam ainda mais cedo, vítimas de caçadores de marfim.

Bandeira de Bangkok

Bandeira oficial de Bangkok, com uma estátua de Buda sendo carregada sobre o elefante.

Desde que a caça foi considerada ilegal e eles foram introduzidos ao turismo, a expectativa de vida dos elefantes aumentou para 60 anos, com alguns chegando até mesmo aos 80 anos!

Graças aos santuários e elephant camps, a preocupação com o bem-estar dos animais tornou-se um assunto de extrema importância — inclusive para o governo, que passou a monitorá-los com microchips, coletar amostras de DNA e até mesmo a emitir documentos de identidade! Hoje em dia eles possuem veterinários à disposição, com acompanhamento de saúde e cuidados que garantam uma vida longeva.

carteira identidade elefantes

“Você sabe com quem está falando?”. Elefantes também podem dar carteiradas (foto: wfft.org).

Sim, casos de abuso ainda existem, mas são cada vez mais raros e punidos com rigor. Infelizmente, não há uma solução perfeita: manter os elefantes “soltos na natureza” não é uma escolha tão simples quanto parece. Sem o mínimo de exposição aos humanos, os animais selvagens são vítimas fáceis de caçadores ilegais, doenças e outras mazelas.

elefante carro tailandia

Elefantes consomem cerca de 250 kg de alimentos por dia. Adivinha o que acontece quando eles ficam com fome? (foto: Pratya Chutipaskul).

Note que de maneira alguma estamos incentivando que você faça ou deixe de fazer atividades turísticas com elefantes na Tailândia. Apenas deixando claro: Turismo com elefantes e maus-tratos não são sinônimos, pelo contrário! Há muitas atividades sustentáveis que mesclam entretenimento e proteção aos animais, sem causar danos a nenhuma das partes envolvidas.

6. “Mulheres-girafa são escravas”

Você provavelmente já as viu em algum documentário. As mulheres da tribo Karen/Kayan têm o costume de usar argolas nos pescoços —  uma cultura exótica até mesmo para os tailandeses —, que guarda uma das histórias mais fantásticas da região: fugindo da perseguição étnica e religiosa de sua terra natal, o Mianmar, essas guerreiras refugiaram-se nas montanhas ao norte da Tailândia para sobreviverem. Rapidamente tornaram-se uma atração turística, o que levantou muitas polêmicas.

Quais são os limites do turismo? É ético visitar exilados de uma crise humanitária? Elas estariam sendo “obrigadas” a ficar ali, ou até mesmo sendo escravizadas? Elas são felizes?

mulheres girafa kayan karen tailandia

As “mulheres-girafa” fogem da perseguição no Mianmar, onde, de fato, são escravizadas.

Vamos por partes: o governo tailandês não tem histórico de oferecer asilo e, de fato, não as reconhece como cidadãs. Apesar disso, elas são livres para trabalhar dentro de sua comunidade, pequenas áreas espalhadas pelo Norte da Tailândia, especialmente na cidade de Chiang Mai. Isso não significa que estejam confinadas: elas frequentam escolas, hospitais, igrejas (serviços missionários são comuns entre as tribos), e algumas até mesmo se casam com tailandeses, o que pode ajudar no processo de documentação e legalização.

É importante ressaltar que o uso das argolas no pescoço não é obrigatório. As crianças da tribo usam modelos falsos, somente para fotos, podendo decidir na adolescência se querem ou não adotar um permanente.

De acordo com as autoridades tailandesas, a área cedida para elas não é considerada um campo de refugiados, justamente porque elas são livres para sair. A afirmação gerou um desentendimento com o Alto Comissariado das Nações Unidas, pois sem o reconhecimento oficial do status de refugiadas, elas não podem receber asilo em outros países. Daí a discussão de que elas seriam mantidas presas —  uma questão puramente semântica e burocrática.

mulheres girafa tailandia

Artesanatos tão lindos a ponto do governo “escravizá-las”? É o que muita gente acredita.

O fato é: o que era para ser uma história triste e cinzenta tornou-se uma alegre e colorida atração. Há quem chame o passeio de “zoológico humano”, mas a que condições estariam submetidas essas mulheres fortes e de mentalidade antifrágil se não fosse o turismo? A visitação das tribos e a venda de artesanatos é uma fonte de renda importante para elas, que poderiam estar em condições de fome, desabrigo ou muito pior: escravidão e estupros ainda são comuns no Mianmar, por isso elas continuam fugindo para a Tailândia.

Se você deve ou não visitá-las, é uma decisão sua. Mas não propague fake news de que elas são mantidas em cárcere privado ou forçadas a viver sua própria cultura. É pura ignorância.

7. “Eles comem carne de cachorro na Tailândia”

Entra ano, sai ano, e a velha lenda continua: “asiáticos comem carne de cachorro”. Chineses já levaram a fama, vietnamitas, filipinos e, de vez em quando, acusam os tailandeses também.

Vamos aos fatos: Em alguns países da Ásia, bem no interior e em datas de festivais específicos, pode haver sim o costume entre os mais velhos de relembrar os tempos de escassez consumindo esse tipo de carne. Tal prática está longe de ser popular, e é vista como um tabu nos dias atuais, mesmo nas pequenas cidades. Você não vai encontrar carne de cachorro sendo vendida no açougue, tampouco consumi-la “sem querer” em algum restaurante. Principalmente na Tailândia, onde o consumo de carne de cachorro é ilegal.

Junte isso ao fato de que o povo tailandês ama seus animais de estimação. Além do famoso gato siamês —  espécie nativa do país — , os cachorros também são adorados. Muitas fotos oficiais do rei da Tailândia tem os “Cães Reais” como companhia. Essa ligação afetiva com os animais é tão grande que há até mesmo um abrigo para cães abandonados construído pela realeza!

Abrigo para cachorros em Hua Hin, construído pelo rei da Tailândia

Rama IX, antigo rei da Tailândia, com os cães no abrigo construído por ele (foto: Divulgação).

Uma outra esquisitice muito mencionada é o consumo de insetos, como gafanhoto e escorpião. Nesse ponto há um que de verdade: mesmo que a maioria dos tailandeses não os consuma, eles são uma fonte de proteína amplamente disponível no interior do país, e também facilmente encontradas nos pontos turísticos de Bangkok, para os turistas que desejem tirar fotos e ter uma experiência “bizarra”.

Insetos podem ser encontrados à venda, atraindo principalmente turistas

Insetos podem ser encontrados à venda, atraindo principalmente turistas.

Aliás, essa conversa nos leva à outra mentira…

8. “A comida tailandesa é ruim”

A comida tailandesa é sinônimo de excelente gastronomia no mundo todo, frequentemente encabeçando as primeiras posições dos rankings de melhores comidas.

Existem até mesmo redes de fast food especializadas nos pratos típicos do país, como o Pad Thai e os mais variados tipos de curry. Não é incomum ver filmes de Hollywood onde os personagens frequentam restaurantes tailandeses, tamanha a popularidade da comida tailandesa — que aliás, já virou até tema de série da Netflix.

comida tailandesa homem aranha

Tia May e Peter Parker num restaurante tailandês (Homem-Aranha: De Volta ao Lar – 2017).

Dito isso, é necessário reconhecer: a culinária local pode ser muito diferente para o paladar brasileiro, pouco acostumado aos temperos fortes, molhos de tamarindo e peixe, com receitas à base de ingredientes simples e pouco sofisticados, como arroz e macarrão instantâneo.

Pad Thai, o mais famoso prato da Tailândia.

Pad Thai, o mais famoso prato da Tailândia.

Definitivamente não caia nesse papo de que a comida tailandesa é ruim, tampouco cometa o pecado de sair da Tailândia sem provar ao menos um prato local. Não tenha medo, dê chances ao novo. Você pode acabar descobrindo o seu prato favorito, do outro lado do mundo. Aconteceu comigo.

Leia mais:
Comida Tailandesa: 15 Pratos típicos e onde comê-los em Bangkok

9. “A Tailândia fica longe de tudo”

A Tailândia é um dos países mais visitados do mundo. Um destino turístico consolidado, com voos diretos da Europa, Oceania, África e Oriente Médio, além de muito bem conectada a diversos outros países asiáticos. Vizinhos famosos, como Japão, China, Índia e Coreia estão a poucas horas de voo. Além de outros destinos emergentes, como Maldivas, Singapura, Vietnã e Camboja, perfeitos para combinar em uma viagem mais longa pela região.

O país todo é dotado de uma excelente infraestrutura turística, seja nos transportes, hotelaria e demais prestações de serviço. Para um norte-americano, por exemplo, seria mais fácil e rápido embarcar para o México ou até mesmo o Brasil do que para a Tailândia. No entanto, o número de turistas vindo dos EUA para a Tailândia bateu a marca de 1 milhão em 2017, mais do que o dobro dos que foram para o Brasil no mesmo período.

A Tailândia atrai turistas do mundo todo, por alguma razão...

A Tailândia atrai turistas do mundo todo, por alguma razão…

As companhias aéreas se esforçam cada vez mais para oferecer uma experiência confortável em voos longos. E com os voos 2 em 1 que frequentemente divulgamos pelo aplicativo do MD, ficou bem mais fácil encarar uma viagem para o outro lado do mundo: você pode “quebrar” sua viagem ao meio, visitando dois destinos em uma só viagem e reduzindo os efeitos do Jet Lag.

Qual é a sua desculpa para não viajar para a Tailândia, mesmo?

10. “É perigoso viajar para a Tailândia”

Não, a Tailândia não está em guerra (sério, de onde as pessoas tiram isso?). Também não sofre tanto assim com a força da natureza, se comparado com outros destinos asiáticos como Japão e Filipinas, por exemplo. O país não está na rota de tufões/furacões, terremotos são raros e restritos a áreas afastadas das cidades. O famoso tsunami de 2004, embora de grande magnitude, teve seu epicentro na Indonésia e afetou bem mais a Índia e o Sri Lanka do que a Tailândia.

Além disso, a Tailândia é conhecida por ser um destino pacífico e acolhedor aos turistas. Não é nem de longe um país violento: crimes como assaltos à mão armada e sequestros são praticamente inexistentes e não fazem parte do noticiário local.

Já os macacos tailandeses são meio cleptomaníacos. Cuidado com eles (não é piada).

O trânsito, no entanto, requer atenção. Cuidado ao atravessar ruas movimentadas, o fluxo de carros e motos é intenso. Ao cruzar grandes distâncias no país, prefira ir de avião ou trem. Dependendo da rota, ônibus noturnos não são recomendados.

E vale o lembrete: evite dores de cabeça, faça um seguro viagem internacional 🙂


E você, já visitou ou tem curiosidade de viajar para a Tailândia?