Como é voar para Santiago do Chile com a GOL

Denis Carvalho 15 · setembro · 2014

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Semana passada tivemos um grande debate sobre os voos internacionais da GOL e em face de tantas dúvidas, decidimos nesta semana fazer um especial com avaliações de rotas da companhia para o exterior. Para começar, segue meu relato sobre como é voar com a GOL para Santiago. Teremos ainda avaliações das rotas para Buenos Aires e Punta Cana.  

É noite de sexta-feira e nem preciso dizer que o Aeroporto de Guarulhos está lotado. No balcão de check-in da GOL, a fila para voos nacionais impressiona. Felizmente nosso destino é fora do país e a fila dos voos internacionais está bem mais tranquila. Assim começa nossa viagem para Santiago com a GOL, experiência que vou compartilhar com vocês. Vamos lá? 

Dois anos após abandonar a rota de São Paulo a Santiago, a GOL voltou a voar para a capital chilena em julho. São dois voos diretos do Aeroporto de Guarulhos ao Arturo Benitez, todos operados com Boeing 737-800. O retorno é parte do acordo imposto pela justiça chilena para liberar a fusão da LAN e da TAM. As companhias tiveram de abrir mão de horários para evitar um monopólio da rota de Santiago a São Paulo, o que favoreceu tanto a GOL quanto a Sky.

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Check-in 

A primeira coisa digna de nota: a GOL não permite check-in online para voos internacionais. Site e aplicativo para celular? Esqueça! Assim, chegamos sem o cartão de embarque diante da funcionária postada no início da fila, certamente para que algum passageiro distraído de voo doméstico entrasse ali por engano.

Pergunto se havia uma fila especial somente para despacho de bagagem e com a resposta positiva me dirijo a um dos muitos totens da companhia ali ao lado. A fila do check-in não estava grande, mas para que esperar, não é? Processo concluído, na hora de imprimir o cartão vem a surpresa: uma cobrança de valor adicional que poderia ser paga com cartão de crédito no totem.

Sem entender bulhufas, retorno à fila onde a funcionária se limita a dizer que façamos o check-in no balcão. E vamos nós encarar a bendita fila e fazer o check-in à moda antiga… Uns vinte minutos se passam até que somos chamados. O funcionário nos revela que o cartão de crédito não havia aprovado o valor integral por isso era necessário o pagamento adicional. Conversa estranha, mas conferindo posteriormente vi que ele tinha razão. Check-in feito, cartões de embarque e passaportes na mão, vamos em frente!

Embarque

“Como assim passaporte?”, deve estar se perguntando o atento leitor. De fato, para entrar no Chile e países da América do Sul basta um RG em estado apresentável, como repetimos sempre. Mas como já temos os passaportes, os levamos apenas para receber mais dois carimbos e deixar a viagem registrada.

Ah, é bom explicar o plural! Fizemos a viagem minha esposa Elaine e eu mais minha irmã e meu cunhado. Só um fim de semana para aproveitarmos o finzinho da temporada de neve. Após uma parada na Pizza Hut, seguimos para o embarque, iniciando com imensa fila na Polícia Federal.

Mais um detalhe: minha esposa está grávida de seis meses (sim, vou ser pai!!! 😀 ), por isso nos dirigimos para a fila de prioridades, muito menor que a geral. Ledo engano! A bendita fila, que não tinha mais que cinco casais/famílias simplesmente não andava! Minha irmã passou pela enorme fila normal, saiu do outro lado e ficou esperando mais uns cinco minutos até que finalmente fomos liberados.

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Passagem rápida pelo free shop, vamos em busca do portão e – surpresa! – vamos nós para o bendito embarque remoto! Eita, mas como a GOL tem embarque remoto! Neste anos todos, acho que nem 10% dos voos com a companhia passei por um finger. A barriguinha de seis meses da minha esposa garantiu nosso embarque imediato, mas a GOL mais uma vez mandou bem na entrada dos passageiros: tudo rápido, organizado e sem gritaria. E vamos nós passear de ônibus por Guarulhos!

Avião

Quem já viu um 737-800 da GOL já viu todos. E realmente a aeronave do nosso voo, o PR-GUJ, não tinha nenhuma diferença para as que fazem rotas domésticas. Havia até propaganda do serviço de bordo pago e um cardápio com preços esquecido na poltrona, indicando que o jato não exclusivo das rotas internacionais.

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Mas não estou criticando, pelo contrário! Sou fã do design da Boeing, desde o 737 ao 787, que já avaliei aqui para o MD. O jato estava impecável, limpo e com cara de novo, apesar dos três anos voando por esse Brasil de meu Deus. E o melhor: espaço Gol+ realmente fazendo a diferença. Para quem ainda não experimentou a nova configuração acredite: é uma nova companhia! Com meu 1,80 metro não tive qualquer desconforto durante o voo e mesmo minha esposa com o João Paulo na barriga não reclamou.

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O jato era dividido em duas “classes”, a normal e a GOL+conforto, que oferecia mais espaço e inclinação, além de banheiros exclusivos. A separação entre elas era feita por uma cortininha. Em todas as poltronas havia um travesseiro e uma manta laranja.

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As portas foram fechadas às 21 horas, com dez minutos de atraso, e às 21h15 chegamos à pista de decolagem para ganhar o céu da noite paulistana. Hora de reclinar a poltrona, sacar o iPad e relaxar…

Serviço de bordo

Pelo menos era o que pensava, mas mal o avião estabilizou e lá vem a comissária de bordo entregar um formulário para a Receita chilena. “Apenas um por família”, explicou. Muito simpática, ela perguntou sobre o tempo de gestação da Elaine e se era menino ou menina. Além dela havia um comissário e outra comissária, esses menos sorridentes. Talvez o cansaço da sexta à noite, enfim.

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Ainda estava tentando me entender com o formulário em espanhol (odeio formulários) quando passam as comissárias com um carrinho. Sim! A GOL tem serviço de bordo e não é amendoim nem barrinha de cereal (quem lembra?). Não que não soubesse, já que publicamos aqui no MD alguns relatos da companhia, mas estava curioso sobre o que seria servido. Talvez o mesmo lanchinho das rotas para Buenos Aires…

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Não caro leitor, quando o carrinho chegou à nossa fileira descobrimos que teríamos uma refeição de verdade, com as famosas opções de “chicken ou pasta”. Já pensando nesta avaliação combinei com a Elaine para não pedirmos a mesma opção. Ela foi de frango e eu de massa.

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A tal massa era um farfalle ao molho branco – aquele macarrão em forma de gravatinha. Não estava bom, mas também não estava ruim. Para quem tinha a expectativa de um sanduíche, foi uma boa surpresa. Já o frango…

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Ah, o frango! Sério gente, até agora nos perguntamos que raio era aquele frango! Pense na coisa mais insossa, sem sabor e estranha que podem encontrar. O troço parecia meio cru, estava branco e com um sabor esquisito. Poucas garfadas – com os talheres cor de laranja da GOL – foram suficientes para minha esposa desistir de vez da pobre ave!

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Tudo era acompanhado de um pão de leite e manteiga e doce de leite de sobremesa. Entre as bebidas, água, sucos e refrigerantes. Com direito a uma repetição no fim da refeição, quando as comissárias adicionaram as opções de chá e café – esse sim muito bom! Agora sim, era reclinar a cadeira e aproveitar o voo, a essa altura já com as luzes apagadas.

Falando em luzes, o jato tem o Sky Interior da GOL, mas achei curioso que durante todo o percurso ele se manteve azul. Não tinha uma história que ele muda de cor conforme as fases do voo para aumentar o bem estar dos passageiros? Enfim…

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Chegada

Nada digno de nota aconteceu  até o fim do voo. passamos pelas cordilheiras e juro que vi alguma coisa da minha janela, apesar das nuvens e da escuridão. Balançou um pouco, mas quem já foi ao Chile já espera por isso. A foto da cordilheira ficaria para o voo da volta.

Era 0h25 no horário chileno quando o 737 tocou o solo. Pouso suave e em pouco tempo chegávamos ao desembarque do aeroporto chileno, dessa vez pelo finger. Ai foi um corre corre. A GOL não entregou os formulários para entrada no país (a comissária disse que havia acabado) e os passageiros voaram nos poucos que haviam na mesa do saguão. Cópias verdes, brancas, amarelas, rosas, marcadas para entradas de cidadãos argentinos (oi?). Uma bagunça!

Finalmente chegou um funcionário com mais talões e explicou que era necessário preencher um formulário (já disse que eu odeio formulário?) com uma cópia carbonada. Não importava a cor deles. Preenchemos e seguimos para a imensa fila da imigração, que conseguimos driblar devido à gravidez da Elaine. Passaportes carimbados, passamos pelo free shop e nos dirigimos à esteira, onde as bagagens de todos haviam sido retiradas por um funcionário do aeroporto enfileiradas para que não ficassem lá girando à toa.

Seguimos para a saída e mais uma surpresinha. Lembram-se do formulário da receita chilena? Pois é, não era um por família coisa nenhuma, mas sim um por pessoa! Coisa feia, dona GOL! Vamos nós – e todos os demais passageiros – preencher mais um formulário (ah, como os odeio!). As malas passaram pelo raio-x e a funcionária pediu que eu abrisse minha mochila para mostrar um objeto redondo. Acho que pensaram ser um queijo, mas não passava de uma inofensiva touca para a neve.

Uma dica: nunca levem alimentos ou produtos de origem animal ou vegetal para o Chile. Eles apreendem sem dó! Mais uma dica: vale a pena reservar seu táxi na Táxi Oficial ou na Transvip, ou pegar a van deles, que demora mais e vai parando nos hotéis. Por 17 mil pesos (lá estavam cobrando 18 mil) o pessoal da Táxi Oficial nos esperou na porta com plaquinha com o meu nome e chegamos ao Mercure Centro de Elantra! 😉

Volta

O fim de semana passou voando e lá estávamos nós no aeroporto para o voo de volta. Uma dica importante: cheguem com antecedência! Sem o check-in online e sem totens da GOL, afila do check-in estava imensa. Sem problemas, vamos para a fila preferencial!

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Pior decisão impossível! Havia apenas uma funcionária, que parecia estar em treinamento, para atender a fila que deveria ser mais rápida. Resultado: uma demora absurda, que revoltou os passageiros que tinham necessidades especiais ou níveis elevados no Smiles. Pode parecer frescura, mas trata-se de uma questão de humanidade, pois não é nada fácil aguardar em pé em uma fila depois de certa idade ou com uma criança em seu ventre. Tanto que minha esposa não aguentou e teve que ir procurar um banco para se sentar. A coisa só melhorou quando as pessoas começaram a aumentar a voz para protestar! Absurdo!

Na polícia chilena, a fila estava imensa! Havia voos da TAM, LAN e Aerolíneas além do nosso e todo mundo aguardava a autorização para deixar o país em um mar de gente. Dessa vez a fila preferencial foi providencial, passamos direto e tivemos que ignorar o free shop, pois a Elaine, ainda não recuperada do tempo em pé na fila “preferencial” da GOL precisava de uma cadeira urgente.

Embarque

O embarque foi rápido e bem organizado, novamente pelo finger. O 737-800 PR-GUT, um ano mais novo que o jato da vinda, também estava em perfeitas condições, exceto por alguns rabiscos de giz de cera que alguma criança havia feito na poltrona.

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Ficamos quase uma hora aguardando no avião enquanto os passageiros chegavam aos poucos, reclamando da imensa fila da polícia chilena. Ainda assim às 16h39 as portas foram fechadas e à 16h58, no horário previsto, deixávamos o Chile rumo a São Paulo.

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Após o teatrinho da segurança, o aviso sonoro informou para mantermos os cintos afivelados pois passaríamos pela Cordilheira dos Andes. O tempo fechado impediu a esperada foto das montanhas cobertas de neve, mas ninguém se importou. Estavam todos assustados com a turbulência e com uma senhora que passou mal, vinte minutos após a decolagem.

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Turbulência e susto

A atuação dos comissários pareceu bastante atabalhoada nesse momento. Apesar dos insistentes pedidos pelo botão, eles só apareceram quando começou uma gritaria dos passageiros perguntando se havia um médico no avião para ajudar a pobre senhora. Tinha. Uma jovem pulou as poltronas e se sentou ao lado dela. Tensão e nervosismo de muitos que poderia ter sido evitada pelos funcionários da GOL, que pareciam meio sem saber o que fazer, de um lado para o outro. Felizmente, no final não houve nada grave.

Passado o susto e o frio na barriga, o comandante Carvalho (será que é parente?) Fez uma saudação muito amistosa, começando com ˜senhoras e senhores, meninos e meninas”. Explicou que as turbulências eram causadas pelos ventos fortes que vinham do Pacífico e falou um pouco da rota, que passaria por Mendoza, Córdoba e próximo a Foz do Iguaçu. Gostei! Poderíamos ter mais comandantes com essa atitude.

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Passava das 17h40 quando teve início o serviço de bordo. Exatamente o mesmo do voo da vinda. Inclusive o frango medonho. Um professor chileno que estava na fileira ao lado pediu e após abrir ficou contemplando, talvez sem compreender aquele prato sinistro. Coitado! Para não dizer que não mudou nada, o pão e a sobremesa melhoraram, com uma torta de limão bem bacana. Ah, e entregaram um sachê de molho de salada. Não entendi por que, já que não havia salada.

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O voo chegou no horário e lá fomos nós pegar o bendito ônibus para alcançar o terminal em Guarulhos. Pelo menos liberaram a descida pela porta traseira, o que agilizou bem o desembarque.

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A fila da Polícia Federal estava grande, mas com o aumento do número de guichês o atendimento estava bem rápido. Quem voa por Guarulhos há tempos vai notar a diferença positiva. Esse é também o ponto positivo de voar em um avião menor: menos passageiros e malas para embarcar e desembarcar, o que se reflete em menos espera.

 

Nossa mala demorou para chegar, apesar da etiqueta de “prioritária”. Sorte que a essa altura a Elaine já passeava com minha irmã pelo free shop e não sentiu o tempo de espera.

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Conclusão

Não podemos dizer que voar com a GOL para o Chile seja uma experiência desagradável, mas também está longe de encantar o passageiro. A companhia peca muito em detalhes que acabam fazendo a diferença no todo. Após horas de voo, ninguém gosta de descobrir que terá que preencher mais um bendito formulário. Isso sem falar na terrível fila preferencial que nunca andava em Santiago ou na cara de desânimo dos comissários.

O 737-800, apesar de ser uma aeronave fantástica, foi duro nas turbulências sobre os Andes. Não sei se foi falta de sorte nossa ou se há sentido na teoria que os aviões menores balançam mais pela falta de peso, mas o fato é que o 777 da TAM e o 767 da LAN parecem bem mais estáveis. Enfim, optarei novamente pela GOL caso o preço seja menor que a LAN e a TAM – não precisa ser muito menor. E vale a dica de levar um tablet ou um livro para suprir a falta do entretenimento de bordo!

E você? Já voou com a GOL para o Chile? Fez outros voos internacionais com a companhia? Conte como foi nos comentários e participe!

Autor

Denis Carvalho - Editor chefe