Conheça Vis, a paradisíaca e autêntica ilha da Croácia

Bruna Scirea 21 · setembro · 2018

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Se alguém me disser que está pensando em passar as férias num paraíso de águas turquesas, transparentes e de temperaturas agradáveis, eu direi: vai para Vis. Se me pedirem sugestão de um destino calmo, para relaxar de verdade, viver a natureza e comer frutos do mar à vontade, eu novamente responderei: Vis. Para os loucos das trilhas, pedaladas, velejadores e entusiastas do caiaque, eu recomendo Vis. E até pra quem não me perguntou nadinha de nada, eu venho aqui e digo: vai para Vis!

Entre as ilhas que fazem os verões ferverem na Croácia, Vis é a que está mais distante da costa do país – não muito longe de outras duas, Hvar e Brač, que costumam ficar muito mais cheias de turistas. É uma tranquila e enigmática pérola no meio do Adriático, onde recentemente foi gravado o filme Mamma Mia 2.

Muito antes de estrelar no cinema, no entanto, a ilha serviu como base militar da Iugoslávia entre 1950 e 1989, ficando fechada para visitantes por todo esse período. E é daí que vem parte do charme: no caminho para acessar algumas praias, é preciso passar por fábricas abandonadas, fortificações tomadas de grafite, carros, barcos, grades, tonéis e motores sem uso. A sensação é de se estar num cenário pós-guerra, uma vibe leste europeu, meio anárquica – só que tudo isso cercado por um mar verde-azul em degradê e o constante perfume de figo no ar. Não faz o menor sentido. Mas como é bonito.

Estive em Vis por quatro dias em agosto deste ano e, de tão encantada que saí de lá, resolvi compartilhar com vocês a minha viagem tão logo chegasse em casa. Pega o protetor solar, um bom calçado para enfrentar as pedrinhas brancas de que são feitas as praias na Croácia e vem comigo!

Como chegar e onde ficar em Vis

A melhor maneira para chegar até a ilha é pegando um ferry em Split, a segunda maior cidade da Croácia – a travessia custa uns R$ 35, com a empresa Jadrolinija. Em cerca de três horas, você chegará à cidade de Vis, que pode ser um bom lugar para montar base, já que não faltam restaurantes e opções de passeios para conhecer o restante da ilha. Agora, se a ideia for ficar ainda mais na paz, com várias praias ao alcance de uma curta caminhada, a sugestão é se hospedar do outro lado da ilha, na vila de pescadores chamada Komiža – falando assim, parece que há uma longa distância, mas na verdade são apenas 15 minutos de ônibus de Vis. E, claro, também tem povoados ainda menores, como Milna e Rukavac, onde é possível curtir o sossego ainda mais.

Quando visitei a ilha, passei as duas primeiras noites em Komiža (fotos acima) e as duas últimas em Vis. E foi uma decisão super acertada: as duas cidades são diferentes e merecem ser visitadas, ambas bem estruturadas (restaurantes, passeios, agências para alugar carros, scooters, caiaques e afins) e próximas de praias mais conhecidas. De Vis, é mais fácil acessar a região de Srebrena e Stivina, duas das praias mais famosas de toda a ilha. De Komiža, é mais rápido chegar até a Blue Cave (Gruta Azul), em uma ilhota logo à frente, chamada Biševo.

O que fazer em Vis

Antes cabe um parêntesis: ao se encontrarem nas ruas, os moradores da Dalmácia (região em que está Split, Vis e as demais ilhas) costumam dizer “Pomalo!” uns aos outros. É uma espécie de “vá com calma, relaxe, não se estresse” – recomendações que parecem ser seguidas à risca neste canto do mundo, ainda mais em Vis, que é daqueles lugares ideais para “pomalear”.

Entrei no espírito: minha ideia era ter o menor trabalho possível e curtir a ilha na boa, fazendo somente aquilo que eu realmente estivesse com vontade, não importando que alguns passeios “obrigatórios” fossem deixados de lado. Afinal, eu curti tanto Vis que, desde o começo, meio que já tinha comigo: “provavelmente não vai ser a única vez que eu vou vir para cá”.

Assim, deixei alguns programas para uma próxima (hê!), como a tal da Blue Cave, uma gruta onde a água, conforme as fotos, é de um azul inexplicável. Não fiz nenhum passeio de barco, mas deixo algumas informações que podem ajudar quem se interessar em fazer: para chegar na Blue Cave, em Biševo, é preciso agendar um passeio de barco. A travessia até a ilha leva cerca de 20 minutos partindo de Komiža. Lá, os passageiros trocam de barco, porque somente com um bem pequeno é possível entrar no buraco que dá acesso à gruta. No verão, há filas para acessar a Gruta Azul e, quando lá dentro, os turistas ficam por apenas 5 minutos – e não é possível sair do barco, mergulhar ou qualquer coisa do tipo. Desde Komiža, o passeio até a Blue Cave sai em torno de R$ 170 por pessoa na alta temporada. Desde Vis, há passeios de barco que percorrem várias praias da ilha e também a Blue Cave – eles custam em média R$ 250 por pessoa e duram seis horas (valores do verão de 2018).

Se eu fui pra uma ilha e não fiz nada de barco, o que é que eu fiz? Algumas outras coisas: caminhadas até praias próximas (Kamenica); trilhas até lugares de difícil acesso, mas recompensadores (Stiniva); aluguei um carro por um dia para conhecer algumas praias do sul da ilha (que é onde estão as mais bonitas), como Stončica, Milna, Srebrna e Tepluš; e passei um dia pedalando entre as praias e construções históricas no entorno de Vis.

Caminhar até as praias perto de Komiža

Não precisa ir muito além do porto de Komiža para encontrar bons lugares para dar aquele mergulho. O calor pede. Por mais que você não seja assim tão chegado a um banho de mar, você vai ver aquela água fresca sem ser gelada, transparente e turquesa e sabe o quê? Você vai se jogar. Querendo dar uma banda a pé por perto desta vila de pescadores, minha recomendação é seguir para as praias localizadas à esquerda do centrinho. O caminho é cheio delas, as primeiras mais muvucadas, as últimas, mais tranquilas. Minha preferida foi Kamenica, a cerca de 15 minutos de caminhada do vilarejo. Para chegar lá, você passa por uma antiga indústria ligada à pesca, hoje totalmente abandonada, cruza alguns portões, e segue uma trilha à beira-mar. Parece que o caminho não vai dar em nada.. e aí você vê isso:

Aqui cabe uma história engraçada, porque não foi trágica, e serve de lição. Estava eu bem bela nesta praia quando resolvi explorar o local. Subi até um acampamento (de onde fiz essa foto acima) e fui avançando, seguindo pela beirada do penhasco, num local cheio de cactos (tudo errado), para ver se eu conseguia ver as praias seguintes dali de cima. Eis que ouço um zzzzzzzzz e vejo um bicho preto muito grande voando em minha direção. Não deu tempo de fazer nada: lá estava eu, me batendo toda e sentindo a boca ficar do tamanho da cara inteira. Beijei um marimbondo – acho que foi um marimbondo, o pior é isso: eu nem sei direito o que foi, não vi, só senti. E ainda tive que agradecer: na agitação pós-picada, tentando me livrar do bicho, não caí penhasco abaixo. No fim, me diverti fazendo altas selfies com o “botox natural” e descobri que não sou alérgica. Mas ó, segue o aviso: 1. não ande no meio do mato por lá, tem muita abelha e familiares; 2. leve medicamentos para situações como essa.

Um dia de carro pelas principais praias da ilha

Após muito cogitar sobre a capacidade de dirigir uma scooter – minha única experiência com pequenas motos acabou dentro de um banhado no interior do Paraná -, achei prudente optar por um carro para percorrer as principais praias da ilha. O aluguel foi feito às pressas em uma pequena agência de Komiža e o valor pago foi de R$ 350 pela diária + gasolina.

A ideia foi ir até as proximidades de Vis, na outra pronta da ilha, e voltar parando pelas praias. As poucas estradas da ilha são bem conservadas e, indo com calma nas curvas, bem seguras. O caminho se divide entre a imensidão do mar e as áreas verdes tomadas principalmente pelos vinhedos – sim, não bastasse toda a lindeza de Vis, a ilha ainda é uma grande produtora de vinho. Difícil não amar, né?

STONCICA

Pois bem, a primeira parada foi em uma baía a cerca de 5 km de Vis. Carrinho estacionado e mais uma caminhadinha de três minutos, lá estava Stončica. Diferentemente de boa parte das praias de Vis, esta é de areia. Assim, apesar de mais agradável para os pés, ela acaba perdendo um pouquinho do charme das demais. As pedrinhas brancas, vão por mim, apesar de traiçoeiras se você estiver descalço, deixam a água ainda mais transparente. No mais, o mar é calmo como uma lagoa (não há ondas por ali) e a paisagem deslumbrante:

Como eu tinha em mente que as próximas praias seriam ainda mais bonitas, fiquei ali o tempo suficiente pra bater um rango (uma salada de massa feita antes de sair de casa –  alôôôô farofa!). E segui o percurso passando por Milna, que também é bem bonita:

SREBRNA E TEPLUS

E aí, minha gente, cheguei a Srebrna. Que lugar. Pedrinhas brancas que avançam mar a dentro e, com a ajuda do sol, deixam a água daquele jeito: azul meio verde meio quero-me-jogar-logo-aí-dentro. Pra arrematar, a praia tem uma área de pedras bem grandes e planas à direita, onde é possível ficar ainda mais sossegado. E se o sol estiver demais, é possível dar uma trégua na sobra de uns cheirosos pinheiros, que dão a essa região do mundo um ar bem característico.

O acesso à praia se dá por um amplo estacionamento – de um lado dele está Srebrna, do outro, Tepluš. Como já estava li, após passar umas duas horas curtindo a água e o sol em Srebrna, resolvi dar um pulinho na praia vizinha. Igualmente linda – só não fiquei mais porque eu sabia que uma trilha morro abaixo até Stiniva me esperava. E eu não tinha muita ideia do grau de dificuldade e do tempo que levaria para fazê-la. Essa é Tepluš:

Vale lembrar que o caminho de carro entre cada praia não é mais do que alguns minutos. E há bares com petiscos e bebidas em quase todos esses locais de mergulho. O preço pode ser bem mais caro do que no mercado, e geralmente é, mas você não vai morrer de sede, nem fome.

STINIVA

Muita gente recomenda chegar de barco até Stiniva, considerada em 2016 a melhor praia da Europa pela European Best Destinations. Se é a mais bonita mesmo, eu já não sei – beleza é um troço muito relativo para se colocar num ranking. Mas não discordo que é lindíssima. Ela fica no fim de um vale, entre uma formação rochosa única, que cria praticamente uma piscina natural com águas esverdeadas. Mas voltando à forma de chegar ali… desde o mar, é possível acessar Stiniva por meio de uma fenda. Bem fácil, chega o barquinho ali perto, você se joga na água e está na praia “mais bonita da Europa”.

Eu fui pelo caminho mais difícil, que diziam ser BEM difícil. E, sendo sincera, não é nada difícil se você tiver paciência, um pouquinho de condicionamento físico e, super importante, sapatos adequados. Você deixa o carro próximo da estrada e segue por uma trilha, identificada somente pelo rastro de terra deixado pela passagem dos aventureiros. Para chegar lá, é preciso cerca de meia hora de caminhada por um terreno inclinado e cheio de pedras. Parece horrível, mas veja pelo lado bom: dá pra fazer pausas a qualquer momento para apreciar a vista belíssima, que você só tem lá de cima:

E aí, conforme você vai descendo, vencendo aquela ladeira, a natureza vai te recompensado com detalhes ainda mais bonitos de Stiniva…

Até você de fato encontrar isso, já se esquecendo do pequeno perrengue que passou até chegar ali:

A volta, apesar de mais puxada, é mais rápida – uma vez que não exige tanta cautela quanto a descida. Minha dica é: não faça como eu, que deixou para ir até Stiniva no fim do dia, achando que pegaria menos movimento e poderia curtir melhor. De fato, a praia não estava tão cheia, mas o sol já estava avançando por trás do morro, e a sombra já era grande em boa parte da lagoa. Nas horas próximas ao meio-dia deve ser ainda mais bonito, apesar da galera toda.

Antes de encerrar o passeio e devolver o carro, ainda deu tempo de se embrenhar pelo meio da ilha em busca da “Caverna de Tito”, onde Josip Broz Tito, o fundador da Iugoslávia comunista, supostamente teria se escondido durante a Segunda Guerra Mundial – há quem jure não passar de lenda. Há visitas guiadas na caverna, que podem ser agendas em Vis ou Komiža. Mas, sendo sincera, é apenas um esconderijo de pedras – vale muito mais admirar o caminho até chegar lá (com vinhedos, construções abandonadas e tal) do que o próprio local. Tanto que, me perdoem, nem fotos fiz.

Pedalar pelas praias no entorno da cidade de Vis

Logo de início, a ideia de alugar uma bicicleta não me pareceu plausível. Eu me conheço, sei que me atrapalho um pouco pedalando e não teria força pra subir os tantos morros da ilha de Vis. Mas quando vi estava alugando uma bicicleta por cerca de R$ 60 por um período de seis horas. E que coisa mais maravilhosa for ter feito isso.

Tem gente que se atreve a percorrer a ilha inteira de bike. Conhecendo minhas limitações, resolvi explorar as praias no entorno da cidade de Vis. Beeeem mais moleza – mas ainda assim foram duas subidas, uma de 60 metros e outra de 40 metros, calculadas pelo aplicativo Wikiloc. É morro pra tudo que é lado, mas não dá pra dizer que foi difícil. Valeu muito a pena, certamente foi uma das melhores coisas que poderia ter feito na ilha.

Seguindo à esquerda de Vis, o trajeto te leva a uma pequena igreja bem à beira-mar, encostadinha em um cemitério – sou do time que curte dar uma espiadinha nos cemitérios das cidades. Em seguida, você passa por mais construções abandonadas e começa a subir até o Forte George, que tem uma vista linda e garrafas de água caríssimas, mas que salvam os despreparados (hê).

Vista do Forte George, em Vis

Depois do forte, segui por um caminho cercado por pinheiros, aqueles cheirosos que comentei antes, e acompanhada por um barulho constante de cigarras – sério, elas cantam por toda parte e o tempo todo sem parar um segundo (e eu não estou reclamando disso). Algumas subidas, descidas, pausas para fotos e um merecido mergulho na praia Rogačić, a partir da qual é possível enxergar uma garagem de submarinos, utilizada nos tempos da guerra.

Depois, foi hora de voltar. Morro acima caminhando e puxando a bike e, depois, uma descida deliciosa até Vis, com ventinho na cara e tudo. Hora de seguir para o lado direito da cidade, onde está umas das praias mais queridas que encontrei por lá, a Stenjelo. O caminho é por ruelas, cheias de casas de pedra (como são todas as casas por lá), até se chegar em uma espécie de ciclovia à beira-mar. Que coisa mais linda e agradável.

Stenjelo, mais uma prainha calma e deliciosa de Vis

Entre as praias próximas de Vis, Stenjelo talvez seja a mais bonita delas. É fácil chegar a pé (embora longe) e tem estrutura para passar um longo dia: banheiros e um bar que serve alguns lanches e vários tipos de bebidas. No dia em que fui, como em todas as outras praias da ilha, famílias completas e grupos de jovens amigos dividiam a orla na maior tranquilidade.

O que levar para Vis

CALÇADO: Para aproveitar toda a beleza da ilha é preciso estar preparado. Nem experimente caminhar pelas pedrinhas das praias porque é dolorido pra caramba – além de quente. Se você não tiver levado com você, há diversas lojinhas espalhadas pelas cidades da ilha onde é possível comprar sapatilhas especiais para a água. Eu levei minha papete, uma espécie de sandália, boa para caminhada, descer e subir morro e, também, entrar na água.

BOIA E SNORKEL: o mar é tão calmo e transparente que você vai querer curti-lo de todas as maneiras possíveis. Uma boa dica é levar ou comprar lá uma boia que você possa encher e esvaziar facilmente. É super agradável ficar flutuando e curtindo o visual mais lá no fundo, afastado da orla. E o snorkel é para você ver tudo o que tem embaixo d’água, obviamente. Não cheguei a encontrar peixes suuuper coloridos, mas dá pra se divertir mergulhando por lá.

ESTEIRA DE PRAIA: sei que esse é um item um pouco mais difícil de levar na bagagem, mas uma esteira de praia é a solução perfeita para combater o desconforto que é deitar nas pedrinhas. Se for muito impossível, lembre-se de levar pelo menos uma toalha mais grossa porque, sinto muito, uma canga de praia, como usamos no Brasil, não vai te ajudar em nada por lá.

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E aí, deu vontade de visitar esse paraíso do Adriático? Espero sinceramente que sim, porque vale muito a pena! O campo de comentários aí abaixo está completamente aberto para dúvidas e, claro, sugestões de quem já conhece a ilha de Vis. E não se esqueça… “Pomalo!”

Autor

Bruna Scirea - Editora