Turismo na Coreia no Norte: um relato de três dias na capital Pyongyang

Redação 7 · maio · 2018

Não perca mais nenhuma promoção!

Promoções no e-mail

Faça como 1 milhão de brasileiros. Cadastre seu email e receba as melhores promoções de passagens!

Promoções no Whatsapp

Agora você pode receber promoções direto no Zap! Escolha se quer receber todas ou só as melhores!

Independentemente de qualquer posicionamento político, visitar a Coreia do Norte é certamente uma experiência única. O país, que é um dos mais fechados do mundo, desperta curiosidade em muitos viajantes – são poucas as informações que se tem de lá e também não é tão simples (nem barato) o acesso ao território norte-coreano. O leitor Marcelo Bohm esteve no país no fim de 2017, justamente quando os ânimos entre  Kim Jon-un e Donald Trump estavam ainda mais acirrados. E para nossa sorte, ele escreveu um relato interessantíssimo sobre como foram os preparativos e os três dias em que esteve na capital Pyongyang. Confira!

Roteiro de 3 dias em Pyongyang

* Por Marcelo Bohm

No dia 1º de setembro de 2017 eu parti de Caxias do Sul (RS) para o destino mais difícil, incomum e misterioso entre todos os 34 países em que já estive: a República Popular Democrática da Coreia (mais conhecida como Coreia do Norte). O desejo de conhecer o país comunista mais fechado do mundo vem de longa data. Sempre quis saber o que se escondia por trás de todo aquele mistério e empecilhos criados pelo governo norte-coreano para que se possa ter acesso a essa nação. São poucas as fotos e relatos de viagens sobre a Coreia do Norte disponíveis na internet, assim como são escassas as informações sobre como chegar até lá.

Foi então que criei e coragem e comecei, ainda no final de 2016, a pesquisar em sites e blogs (internacionais, em sua maioria) sobre como conseguir a permissão para entrar no país de Kim Jon-un. As primeiras informações que obtive não foram animadoras. Constatei que o turismo na Coreia do Norte é muito restrito: não é possível ficar sozinho dentro do país, dois guias norte-coreanos ficam juntos ao turista durante todo o período  (o turista só fica sem a presença dos guias dentro do hotel, na hora de dormir).

Além disso, só é possível entrar na Coreia do Norte através de uma agência internacional de turismo autorizada pelo governo norte-coreano (existem menos de vinte em todo o mundo, a maioria está localizada na China); essa agência será responsável por entrar em contato com a KITC (Korea International Travel Company), órgão estatal responsável pelo turismo da Coreia do Norte, que analisará se autoriza (ou não) a sua entrada. A agência internacional também é necessária para a solicitação do visto de entrada norte-coreano, obrigatório para todos os países.

Depois de entrar em contato com várias agências, também constatei que fazer turismo na Coreia do Norte não é nada barato (uma média de R$ 1.000,00 por dia, além do valor dos voos). A agência mais econômica que encontrei foi a Young Pioneer Tours, a mesma agência responsável por levar Otto Warmbier a Pyongyang (turista norte-americano que ficou um ano preso por roubar um pôster do hotel e morreu em coma profundo). Apesar da fatalidade com Otto, as avaliações da agência eram satisfatórias, assim como os preços: a partir de 450 euros para pacotes de três dias em Pyongyang.

Para conseguir o visto, a agência solicita uma lista de documentos, que são analisados pelos representantes norte-coreanos e, depois de alguns meses (ou semanas, com muita sorte), o visto é liberado. A taxa para emissão do visto é de 50 euros. Ou seja, com 500 euros (cerca de R$ 2.100) é possível entrar e sair da Coreia do Norte de trem a partir de Dandong, cidade chinesa na fronteira com a Coreia.

Contudo, além de conhecer a Coreia do Norte, uma das minhas vontades era entrar na nação comunista através da Air Koryo, a única companhia aérea estatal do país. A Air Koryo é conhecida como a pior empresa aérea do mundo (o que é uma injustiça, pois já viajei com muitas empresas piores do que essa, tanto nacionais como internacionais). Só existem duas opções de voos para Pyongyang: a partir da China ou a partir de Vladivostok, cidade no extremo oriente da Rússia. Essa última opção me soou curiosa e mais interessante, tanto que foi a escolhida por um valor adicional de 350 euros. Com a compra desse voo, o total do meu pacote para a Coreia do Norte foi de 850 euros.

Após fechar o pacote com a Young Pioneer, consegui uma promoção de voos do Brasil para a China pela Aeromexico por R$ 2.100 (mais barato do que o curto trajeto até a Coreia). Depois de um ano de programação, bilhetes comprados e pacote fechado, chegou a hora de embarcar. Infelizmente essa hora chegou no pior momento possível, quando os ataques entre Coreia do Norte e EUA, Japão e Coreia do Sul tornaram-se mais intensos, fazendo com que a ONU agendasse uma reunião para tratar da “ameaça norte-coreana”. Mas eu não podia voltar atrás, a viagem estava marcada e prestes a começar.

Viagem à Coreia do Norte

O meu percurso até a República Popular Democrática da Coreia demorou alguns dias. Saí de Caxias do Sul de ônibus até Porto Alegre, onde peguei um voo até São Paulo. De lá, voei com Aeromexico com uma escala na Cidade do México e destino final em Xangai, onde fiquei por dois dias. Da China, voei com a empresa japonesa Peach para Tóquio, onde fiquei por mais dois dias. Da capital japonesa, fui até o aeroporto de Narita e peguei um voo da companhia russa Aurora (em um assustador avião turboélice, modelo De Havilland DHC-8- 400, com capacidade para apenas 70 passageiros). Depois de três horas sobrevoando o Mar do Japão, cheguei em Vladivostok, a última grande cidade do leste da Rússia, conhecida por ser o fim da Ferrovia Transiberiana.

Em Vladivostok, agendei o segundo dia para minha ida ao Consulado da Coreia do Norte na cidade. A agência internacional me avisou que, devido a minha decisão de não entrar através da China (destino de quase todos os turistas, onde os guias os esperam com o visto pronto), eu teria que ir sozinho no Consulado em Vladivostok para retirar meu visto. Chegando lá, um sistema de segurança liberou minha entrada, onde fui entrevistado por um funcionário norte-coreano.

 

Como tudo pode ficar ainda pior, a entrevista teve que ser obrigatoriamente em russo; imaginar um brasileiro e um norte-coreano conversando em russo chega a ser surreal, mas me preparei com antecedência para esse momento e tudo correu bem. Enquanto os turistas que entram pela China recebem apenas um visto provisório em um pedaço de papel que é recolhido na saída do país, eu saí do Consulado de Vladivostok com um visto da Coreia do Corte colado em meu passaporte.

Depois de passar dois dias em Vladivostok, parei e analisei as condições de segurança da Coreia do Norte naquele momento: um míssil norte-coreano havia passado sobre o território do Japão; outros novos testes nucleares foram realizados em Pyongyang; o presidente norte-americano ameaçava destruir a nação comunista completamente. Depois de um ano planejando essa viagem, nada poderia ser pior. Mas já estava tudo comprado e não havia possibilidade de cancelamento. Decidi assumir o risco e fui até o aeroporto.

No aeroporto de Vladivostok, procurei pelo check-in da Air Koryo. Lá, tive o meu primeiro contato com o povo norte-coreano: esperei em uma fila no meio de uma multidão de trabalhadores que voltavam ao seu país (a exportação de trabalhadores para China e Rússia é uma prática comum na Coreia do Norte). Um repórter russo tentava entrevistar alguns norte-coreanos, que ficavam calados ao olhar de uma espécie de líder, que prontamente expulsou a equipe de reportagem. Eu procurava não chamar a atenção para a minha presença, pois eu começava a me sentir inseguro. A tela acima do guichê informava meu próximo voo: AIR KORYO JS272 PARA PYONGYANG.

No raio-x, um médico coreano foi levado com prioridade até a frente da fila pelo “líder” do grupo, sem que ninguém reclamasse. Na sala de embarque, havia uma ala separada apenas para o voo com destino a Pyongyang. Nela, os vidros e a ponte de embarque (finger) possuem adesivos brancos, impedindo a visualização da aeronave (um Tupolev Tu-204 de fabricação russa). Além de uns quatro empresários russos, eu era o único ocidental a entrar naquele voo.

A aeronave da Air Koryo era simples, mas nada deplorável. Havia uma classe executiva e a econômica, dividida em duas fileiras de três assentos. Algumas telas no teto da aeronave mostravam cenas de shows e musicais norte-coreanos. No serviço de bordo, foi servido um hambúrguer e refrigerante da marca Air Koryo (muito comum na Coreia do Norte). Os passageiros receberam um jornal coreano; na minha vez, a comissária me entregou uma revista norte-coreana escrita em russo, a única disponível para não-coreanos. Após 1h30 de voo, finalmente aterrissei no país mais fechado do mundo.

Primeiro dia

Os primeiros minutos no Aeroporto de Pyongyang foram tensos. Após passar pela imigração, fui para a esteira de bagagens e olhei em volta. Os quatro russos não estavam lá, eu era o único estrangeiro entre os norte-coreanos. Soldados fiscalizavam tudo que se passava, a impressão é que eu poderia ser preso a qualquer momento, por qualquer atitude suspeita. Um coreano tirou a mala da esteira e derrubou em cima de minha perna; veio pedir desculpas e eu, morrendo de dor, disse que estava tudo bem (naquele momento, poderia até cair um pedaço de chumbo em cima de mim que eu não reclamaria de nada).

Depois de passar com a mala por mais um controle de segurança, finalmente me encontro livre no saguão do aeroporto, onde meus dois guias norte-coreanos me aguardavam: o guia Qwack e a Kim, dois jovens muito simpáticos, que me receberam da melhor forma possível – e que falam inglês. Todo o meu receio sobre o país foi dissipado com a recepção carismática dos meus guias.

Durante a viagem, eu teria a companhia de um grupo de oito viajantes em Pyongyang. No entanto, o grupo só chegaria pelo trem da China no final do dia; assim, eu tive o primeiro dia de viagem sozinho com os guias e uma van particular. Das janelas do automóvel, o clima socialista era visível através dos prédios cinzas e dos cartazes de propaganda comunista espalhados pelas ruas.

Do aeroporto, fomos almoçar em um restaurante tradicional coreano. Foi servido um naengmyeon (macarrão lámen frio com caldo de legumes), algumas porções de kimchi (vegetais fermentados em conserva) e refrigerante de pera. A meu pedido, consegui versões vegetarianas dos pratos tradicionais.

Depois do almoço, fui conhecer a Grande Casa de Estudos do Povo, a Biblioteca Nacional da Coreia do Norte. A instituição possui mais de 30 milhões de livros, salas de estudos, computadores, acesso à intranet norte-coreana (apenas com sites autorizados pelo governo), entre outros serviços. A Grande Casa de Estudos do Povo ainda oferece diversos cursos para a população, como cursos de inglês, chinês, russo e alemão. Todos os serviços são gratuitos.

No final da tarde, fui levado até a Praça Kim Il-sung, espaço escolhido pelos locais para caminhar, conversar e andar de patins após os seus expedientes. A presença de diversos símbolos de exaltação à pátria e ao comunismo na praça é constante.

No início da primeira noite, fui com meus guias até a estação de trem de Pyongyang para receber o grupo dos oito turistas que vinha da China para juntar-se a mim e dar prosseguimento a nossa viagem. O grupo era formado por europeus e asiáticos (somente eu era do continente americano). Já com a equipe completa, partimos para o primeiro passeio em grupo pelas ruas de Pyongyang.

No caminho, entramos em uma livraria internacional, a única do país que vende livros norte-coreanos em diversos idiomas. No fim da noite, nos dirigimos ao nosso hotel. Não é possível escolher o hotel para se hospedar na Coreia do Norte. O máximo que se pode fazer é perguntar para a agência internacional o nome do hotel incluso no pacote e, com um pouco de sorte, encontrar algumas informações superficiais sobre ele na internet. Ficamos no Hotel Chongyon, um hotel de 30 andares com piscina, bar, karokê, loja de lembranças e restaurante.  Em cada quarto ficavam dois turistas, sendo esse o único momento em que ficávamos sem a presença de nossos guias.

Segundo dia

O segundo dia da viagem era o mais esperado: dia 9 de setembro, o Dia Nacional de Fundação da República Popular Democrática da Coreia, um dos principais feriados do país. Depois do café da manhã, fomos cedo para o Grande Monumento da Colina Mansu, onde estão as duas gigantescas estátuas de bronze de Kim Il-sung, primeiro líder da Coreia do Norte, e de seu filho Kim Jon-il, segundo líder e pai do atual governante norte-coreano.

Seguindo o costume local, depositamos flores e fizemos uma reverência aos líderes, assim como fazem todos os nativos. Concordando ou não com o sistema político da Coreia do Norte, esse gesto representa um sinal de respeito ao país (se seus princípios não o permitem realizar esse gesto, é necessário repensar uma possível ida à Coreia ou a qualquer outro país que exija respeito de seus visitantes).

Após a visita ao monumento dos líderes, fomos conhecer o sistema de metrô de Pyongyang, o mais profundo do mundo, com média de 110 metros de profundidade. O transporte público é praticamente gratuito em todo o país, assim como no metrô, onde uma passagem custa apenas 5 won (cerca de R$ 0,0025, menos de 1 centavo). Conhecemos quatro estações que são verdadeiras obras de arte, com pinturas, lustres imensos e estátuas decorando os ambientes das plataformas.

Descemos na estação próxima a um parque da capital que, em dia de feriado, fica repleto de locais aproveitando o dia de descanso. Em um dos poucos momentos de interação entre coreanos e estrangeiros, pudemos dançar junto a senhoras, que não se importavam com a nossa presença.

Depois do almoço em outro restaurante tradicional, nos dirigimos ao maior monumento da Coreia do Norte: a Torre Juche, com 170 metros de altura. Um elevador nos leva até a chama no topo da torre, que oferece uma vista panorâmica formidável de Pyongyang. Na base da torre, às margens do rio Taedong, há outro monumento representado por um operário, uma camponesa e um estudante, símbolos das massas que fizeram a revolução comunista na Coreia.

Voltamos para a Praça Kim Il-Sung onde, no fim da tarde, aconteceu o evento mais esperado das festividades norte-coreanas: a Dança das Massas. Centenas de estudantes universitários se reúnem em frente à praça, vestidos com roupas tradicionais, para executar passos de dança sincronizados por mais de uma hora. Fiquei admirado com a grandiosidade e a beleza do evento.

Uma das experiências mais interessantes na Coreia do Norte foi a ida a um supermercado popular de Pyongyang. Esse é o único local do país onde podemos trocar nosso dinheiro (euro ou yuan chinês, as únicas moedas aceitas) pelo dinheiro local, o won norte-coreano. Após o câmbio, fomos às compras. Fiquei surpreso com a capacidade dos coreanos de produzirem praticamente todos os produtos necessários para o dia a dia. Diferente do que acontece em outros países socialistas, as prateleiras estavam cheias: alimentos, doces, produtos de limpeza, eletrodomésticos, tudo produzido na própria Coreia do Norte. Os corredores estavam lotados de trabalhadores, operários e donas de casa, todos fazendo suas compras de rotina. Eu tinha lido na internet que somente a elite norte-coreana tinha acesso aos supermercados; esse foi mais um (entre tantos) dos mitos sobre a Coreia do Norte que pude constatar como inverídicos.

Aproveitamos o fim da segunda noite para conhecer um bar muito frequentado em Pyongyang. Após o dia de trabalho, jovens coreanos reúnem-se no bar para beber cerveja, dos mais diversos tipos. Mesas redondas agrupam rodas de amigos formadas por homens e mulheres, sem distinção. Máquinas e telões de karaokê estão à disposição dos que procuram mais de diversão. Após algumas horas de conversas no bar e cheio de sacolas do supermercado, voltei exausto para o hotel.

Terceiro dia

No início do terceiro e último dia de viagem, desci para tomar o café da manhã no restaurante do hotel. Infelizmente, os cafés matinais nos hotéis da Coreia são uma tentativa de imitar o estilo ocidental de alimentação, com pães, café, queijo e ovos. O único traço coreano nessas refeições são os vegetais refogados em molho de soja e as saladas, comuns nessa hora do dia.

Por volta das 8h, nos dirigimos ao Museu da Vitoriosa Guerra da Libertação da Pátria, o museu mais importante e imponente da Coreia do Norte. No pátio, tanques de guerra, materiais de artilharia e navios norte-americanos que foram abatidos durante a Guerra da Coreia e nos anos posteriores estão expostos. Como o USS Pueblo, navio de espionagem dos Estados Unidos abatido em 1968. Dentro do museu, o uso de tecnologias surpreende os visitantes: telões, canhões de luzes e efeitos sonoros, tudo utilizado em prol de uma evidente propaganda política contra os norte-americanos e a favor do regime socialista. No térreo, um vídeo mostra aos turistas a versão da Coreia do Norte sobre o início da guerra: um suposto ataque norte-americano partindo de Seul.

Passamos em seguida por um cenário fúnebre: soldados mortos em um campo, com corvos sobre seus corpos e bandeiras dos Estados Unidos, França e Reino Unido rasgadas em meio à lama. Após subirmos diversas escadas rolantes, chegamos ao ápice do museu: uma gigante sala circular, onde os visitantes sentam-se nos bancos localizados no centro. Nas paredes, inicia-se o espetáculo de projeção de imagens da guerra coreana, com pinturas, sons e luzes, enquanto o centro da sala começa a girar, oferecendo uma visão de 360 graus das paredes e suas projeções. Todos saíram estupefatos com aquele espetáculo.

Antes do meio-dia, fomos até a estação de trem de Pyongyang. Nossa despedida da capital também seria, ao mesmo tempo, a única oportunidade de conhecermos o interior da Coreia do Norte. Sairíamos do país de trem, atravessando o noroeste da Coreia até chegarmos em Dandong, cidade chinesa na fronteira entre China e Coreia do Norte. Na estação, nos despedimos de nossos guias coreanos. Seguiríamos apenas com a guia da Young Pioneer, a britânica Lana.

A viagem durou seis horas. Cada compartimento do trem continha seis camas, três de cada lado, uma acima da outra. Passamos por paisagens bucólicas intercaladas com alguns centros urbanos. Os imensos campos verdes dominaram a vista, até chegarmos ao departamento de imigração norte-coreano. Nesse momento, precisamos entregar nossos passaportes, celulares e carteiras. O trem mantém-se parado por cerca de uma hora, até que todos os trâmites sejam concluídos. Como nossos guias haviam nos explicado, os oficiais norte-coreanos podem nos solicitar para que os celulares sejam desbloqueados e que as fotografias sejam analisadas. É proibido levar notas de won para fora da Coreia, por isso nossas carteiras também poderiam ser abertas.

Por alguns minutos, um pensamento passa pela minha cabeça: “será que eles podem me prender? Ficarei para o resto da vida aqui?” Algumas inspeções foram feitas mas, no meu caso, meus pertences ficaram sobre a mesa e nenhum oficial pediu para mexer. O último momento de tensão dissipou-se sem maiores transtornos e o trem seguiu para Dandong. Mais alguns minutos transcorridos e chegamos à ponte que liga China e Coreia do Norte.

A nova ponte  serve basicamente para os trens que unem os dois países, pois a ponte original foi bombardeada pelos Estados Unidos, estando apenas a metade restaurada pela China, que termina na metade do rio Yalu. Dezenas de turistas se amontoavam no final da ponte: esse é o ponto mais próximo que se pode chegar da Coreia do Norte sem que seja necessário passar por todos os difíceis trâmites burocráticos que permitem a entrada no país. A visão de minúsculas casas, do outro lado do rio, mexe com a curiosidade desses turistas.

Depois de seis horas, chegamos em Dandong, na China. Duas nações socialistas, uma aberta e outra fechada para o mundo. A diferença entre a cultura e o modo de viver desses dois países é gritante. Em Dandong, existe um comércio turístico baseado em costumes e objetos norte-coreanos: notas de won, trajes típicos, fotografias, broches: uma oportunidade de aguçar o imaginário que o mundo tem sobre esse país misterioso que eu acabara de conhecer.

Ali terminava minha viagem ao desconhecido, a um lugar que carecia de referências mais exatas. Depois de fazer uma excursão pelo interior da China, voltei ao Brasil. No fim das contas, nenhum míssil me atingiu. Nenhum ditador me prendeu. Ninguém me proibiu de conversar ou falar sobre algo. Ninguém pediu para que eu apagasse minhas fotos… Enfim, ninguém me desrespeitou ou privou minha liberdade em qualquer sentido.

Viajar para a Coreia do Norte é uma prova de coragem. Significa estar disposto a pagar caro para ir a um lugar que não se sabe como é, sem ter a certeza de que chegará ao destino (ou se sairá de lá). Ainda assim, com todos os perigos inclusos, é uma experiência única, partilhada por poucas pessoas que se dispuseram a correr os riscos. Posso afirmar com toda a certeza que foi a melhor viagem da minha vida.


Agradecemos ao leitor Marcelo Bohm pelo relato desta super experiência, que com certeza despertará curiosidade em muitos outros viajantes! Quer mandar o roteiro de sua viagem para o MD? Entre em contato com a gente pelo e-mail convidado@melhoresdestinos.com.br

Autor

Redação - redacao
  • Rodrigo César

    Marcelo, parabéns!
    Tenho certeza que foi uma ótima experiência.
    Obrigado por compartilhar.

  • Wagner Magda Pierotti

    Parabéns pela viagem… quem sabe um dia chego lá…

  • Ernesto Lippmann

    Parabens por compartilhar, relato rico e agradável de se ler.

    Por sinal, alguem já foi para a Armenia e poderia dar alguma dica?

    • Marco

      Eu ja fui! Vale a pena, mas se já tem planejado, dedique mais tempo a Georgia, sem dúvida um lugar incrível

      • Jose Junior

        Ernesto, concordo com o Marco! Conheci apenas a capital da Armênia (Yerevan) e gostei bastante! Mas no Cáucaso o país que mais me impressionou foi realmente a Geórgia!

        • Ernesto Lippmann

          Voce poderia me adicionar no face para conversarmos sobre a viagem?

      • Marcio Santos

        tambem ja visitei os dois! E dependendo do que quer fazer a Georgia me parece um destino com mais atracoes a serem exploradas!

        • Ernesto Lippmann

          Será que poderiamos converar via face ?

      • Ernesto Lippmann

        Voce poderia me adicionar no face para conversarmos?

    • Raica Possetti

      Olá, fiz uma viagem de carro pela Armenia e Georgia, em 2016.
      Na ocasião, aproveitei e conheci Bacu e arredores, no Azerbaijão.
      Fui para o Azerbaijão de trem e achei muito bom.
      Se quiser, posso passar algumas dicas.
      Meu email ttpossetti@hotmail.com

    • Nosso editor Wendell estava por lá na semana passada! =)

      • Ernesto Lippmann

        Dênis, vai rolar um relato?

    • Felipe Buzanovsky

      Já fui algumas vezes. Minha esposa é de lá

      • Ernesto Lippmann

        Se voce puder me dar algumas dicas, por favor me adicione no face

  • Erico Bertoldi

    Muito legal! Parabéns!!

  • Rica contribuição aos curiosos e viajantes de plantão. Parabéns!

  • Marcelo Bohm

    Obrigado, pessoal!
    Sem dúvidas, é uma viagem especial que vale todo o investimento (e certo risco). Para quem pretende ir, eu digo: vá em frente!
    Se alguém precisar de dicas ou informações, é só pedir. Abraços!

    • Cassiano

      Que massa!! Mandou bem pacas!

    • Pedro Tavares

      Marcelo, não sei se existe outra palavra para descrever isso, mas estou “apaixonado” pelo relato. Parabéns pela curiosidade e principalmente coragem.

  • Felipe Cattini

    Parabéns pela coragem! Quero um dia poder fazer essa viagem!

  • Rômulo Valença Jr.

    Excelente relato!
    Parabéns pela coragem e pelo desprendimento de visitar um país totalmente inusitado, fechado, misterioso…
    Parabéns!!!!!!

  • Luiz Antonio

    Relato muito interessante.
    Eu me surpreendi pelo fato de uma Cia Aérea de um país comunista possuir classe executiva e a econômica.
    E parabéns pela viagem.

  • lucas

    parabéns pela viagem, uma das viagens que mais tenho vontade de fazer. Mas já li diversos relatos que não há risco se você for uma pessoa correta e principalmente não ter o passaporte americano. Agora acreditar que as gondolas do supermercado são cheias em todo o país é piada. Pyongyang é a cidade dos escolhidos pela ditadura, são pessoas que tem um vida minima, apenas com o básico. Pyongyang é o marketing da coreia do norte onde o socialismo deu certo na teoria mas na pratica sabemos que o país vive na miséria indecente para bancar Pyongyang (o dinheiro não cai do céu muito menos há almoço gratis)

    • Marcelo Bohm

      Oi, Lucas! Só queria deixar claro que meu relato foi somente sobre Pyongyang, em nenhum momento eu disse que os supermercados são cheios em todo o país. Na verdade, eu quis fazer uma comparação (sem citar) com a realidade de outros países socialistas que eu conheci. Por exemplo, em Cuba, onde eu encontrei escassez de alimentos inclusive na capital Havana. Em Pyongyang isso não acontece (pelo menos não é visto).

  • Danilo Moraes

    Marcelo, parabéns pela viagem e pelo roteiro. Eu já li livros sobre a realidade da Coréia do Norte e tbm ja conheci um americano que esteve lá ano passado. Eu tenho vontade de fazer essa viagem. Um receio que tenho é que se de alguma forma, nosso passaporte brasileiro ficaria ”manchado”. Pela presença do visto e/ou carimbos de entrada/saída, não sei se haveria muitos questionamentos na hora de visitar algum outra zona capitalista ( ex.: Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa,…) Marcelo, vc chegou a pensar em algo desse tipo ou passou por alguma experiência do tipo depois da viagem??

    • Marcelo Bohm

      Olá, Danilo. Eu estive na Coreia do Sul e em outros oito países do sudeste asiático após essa viagem, não houve problema algum. Sobre os EUA, não saberia te dizer. Mas tu só fica com visto e carimbos no teu passaporte se tu for retirá-lo em um consulado (como eu fiz). A forma “padrão” de entrar na Coreia do Norte, através da China, não deixa provas no passaporte. Tu apenas ganha um papel, que será carimbado e obrigatoriamente devolvido na saída do país.

      • Cassiano

        Parece tipo ir para a Argentina com o RG, né? Nem havia pensado pelo lado que o Danilo colocou. E confesso também que gostaria de manter no meu passaporte um registro físico de visita, como o visto, porém não falo russo, acho que teria que ir via China, então, certo? Fazer o contrário funcionaria também (entrar de trem e sair de Air Koryo)?

        • Marcelo Bohm

          Cassiano, tu podes fazer o visto em qualquer embaixada ou consulado da Coreia do Norte. Nós temos uma embaixada no Brasil, fica em Brasília (apenas Brasil e Cuba possuem uma em todo o continente americano). Eu mandei e-mail pra eles, mas não me responderam, por isso eu fiz na Rússia. Se tu tiveres mais tempo (eu não tinha), pode tentar em Brasília. Se tu entrares pela China sem o visto pronto, não vai ganhar o visto colado no passaporte. Pra mim, ter o visto no passaporte era uma questão de honra. E sim, pode entrar de trem e sair de avião também, ou entrar e sair de trem (fica uns 900 reais mais barato).

  • Italo Silveira

    Parabéns pelos relatos e coragem. Particularmente eu não me arriscaria, mas admiro a sua força de vontade.

  • Rodrigo Aguiar

    TOP! Parabens pela oportunidade de conhecer a Coreia do Norte!! e Parabens tbem pelo otimo relato!

  • Cassiano

    Obrigado por compartilhar com a gente! O problema é que aumentou ainda mais a curiosidade e a vontade de encarar também!

  • Vivi

    Adorei seu relato. Realmente nunca tinha lido nada desse tipo sobre o lugar. Obrigada por dividir conosco.

  • brunofranca

    Pensei até que era da equipe da GloboNews Sem Fronteiras, mas este contribuidor teve coragem de ir ‘pagando’ 😛 A guia da foto do aeroporto parece com a que recebeu o pessoal do Sem Fronteiras…

    Eles controlam os locais a que se pode ir. Ou seja, você vê o “melhor” que tem nessa Korea, e é só isso das fotos… Imagina o lado dos trabalhadores e camponeses… Coitados!

    É muita coragem mesmo, pois lá a vida não vale muito. O ditador matou recentemente o irmão, Kim Jong-nam. Pena que o nosso amigo não pôde trazer nenhuma moeda de lembrança, pois é proibido. Parabéns pela viagem exótica, Marcelo.

    • Marcelo Bohm

      Olá, Bruno! Eu trouxe umas cinco cédulas de dinheiro escondidas (a maioria traz, mas tem que ser BEM escondido).
      Realmente, eles têm uma preocupação muito grande com a estética e a imagem do país. Nos dizem para não tirar fotos de prédios em obras ou pessoas sujas, por exemplo. Mas eles também te levam a lugares menos “deslumbrantes” como esses das fotos. Caminhamos muito pelas ruas, fomos na estação ferroviária, em praças públicas. Tudo isso tinha a cara do povo, não era um teatro gigantesco, na minha opinião. Mas o que acontece no interior do país já é mais difícil de entender ou criar hipóteses.

  • Kristo Vatef

    Excelente descrição! Parabéns pela viagem!

  • Lucas Schneider

    Cômico ver a palavra “Democrática” no visto hheheeheh

  • Ramon

    Com dois fiscais quase 24h acompanhado o cidadão, vc acha que eles iriam permitir qualquer registro que passasse uma imagem ruim do país? A alma do comunismo é a propaganda e dissimulação. Tipo Berlim nas olimpíadas de 36, esconderam a sujeita nazista para receber os jogos e logo em 39 a guerra estoura, até na capas da Times Hitler tinha saído. Propaganda é tudo!

  • Rodrigo Altair

    Sensacional seu relato. Fui a Pequin, mas por questão de orçamento apertado não deu para ir à Pyongyang. Quiçá um dia irei.

  • Cleydson Coelho

    Que legal… Obrigado por compartilhar

  • Yuri Matias

    Uma questão: porque tirar o visto em Vladivostok [saudades coockoo club] em russo se existe embaixada norte coreana no Brasil? A empresa de turismo não deu a opção de tirares no teu próprio país?

    • Marcelo Bohm

      Yuri, eu falei sobre isso em um outro comentário acima. Durante meu planejamento para essa viagem eu mandei e-mail para a embaixada da Coreia do Norte em Brasília, mas eles não me deram retorno. Mesmo que respondessem, eu teria que viajar do RS até Brasília pelo menos duas vezes para conseguir o visto. Como eu já estaria em Vladivostok e a agência me garantiu como certa a emissão do visto, preferi fazer lá, mais cômodo e econômico. 🙂

  • Pedro Pivovar

    Parabéns, muito legal o relato!!!!!

  • Matheus Henrique Leopoldo

    Baita relato Marcelo, parabéns tchê!!! Praticamente somos vizinhos, sou de Santa Cruz do Sul, hehehe… Minha curiosidade até agora é, tu conseguir prosear em russo com um norte coreano!! Tento imaginar a cena.. hahah.. Chegou a fazer curso de russo para esse momento?? E já que tu curte lugares inusitados, quem sabe tu faz o próximo passeio num tour para Chernobyl, na cidade fantasma… Forte abraço!

    • Marcelo Bohm

      Matheus, eu fiz um ano e meio de curso de russo, mas foi em 2008/2009. Tive que revisar muita coisa, mas com certeza foi bem mais fácil do que aprender do zero.
      Sim, Chernobyl está nos meus planos!

  • laura

    Marcelo, você já falava russo? Como foi sua preparação para conversar na embaixada?

    • Marcelo Bohm

      Já tinha feito curso no passado, Laura. Só precisei revisar.

      • beto viajador

        Parabens pelos detalhes de sua viagem. Ja fiz a transiberiana de moscou a pequim. Tenho vontade de conhecer vladivostok e a coreia do norte esta em meus planos o ano que vem. Deu-me outra opcao saindo do leste russo. Eu tenho informacoes da Koryo Tours mais cara que a tua opcao. grato

        • Thiago

          Beto, por acaso você teria algum roteiro ou dicas acerca da viagem pela Transiberiana? Grato!

      • laura

        Entendi… eu falo bem pouco de russo, no caso a opção seria pegar o visto na China né?

        • Marcelo Bohm

          Acho que pode tentar na Rússia, Laura. Eles me fizeram perguntas bem básicas. Ademais, a agência já havia entrado com o pedido pra eles, eu só precisei responder algumas perguntas e retirá-lo.

  • Larissa Correa

    Pensei a mesma coisa… o cara foi com a mapa estampada do reino unido…hahaha Pensa num cara corajoso! (ou louco!)

  • Marcelo Bohm

    Luciano, eu mandei e-mail para a embaixada de Brasília, mas não me responderam.

  • Poxa, primeiro relato que eu vejo alguém que foi a partir da Rússia. Adoraria fazer isso, mas o fato de ter entrevista em russo já elimina essa possibilidade ;(

    • Marcelo Bohm

      Obrigado, Bruno! Então, mesmo sem falar russo, acho que pode tentar. Na verdade, a tua agência que irá entrar com o pedido pra eles. Tu só vai precisar comparecer no consulado pra retirar e responder poucas coisas. Mas tanto os guardas da recepção como o agente coreano não falavam inglês. Se tu chegar lá com um papel dizendo o que tu precisa anotado em russo, talvez funcione.

  • Michael Matos

    olha, é bastante óbvio que os turistas só conseguem ver o que é permitido, exatamente por isso são vigiados 24h e não podem andar sozinhos em nenhuma hipótese, assim é o Comunismo, só serve para enganar as pessoas.

    • Renan

      Você claramente nem sabe o que é comunismo, brother…

  • Júlio Tupinambá Caldas Gomes

    Sensacional o relato! Eu já tinha mta curiosidade de ir, agora fiquei com mais ainda. Achei relativamente barata a viagem…

  • marcelo

    Parabéns pela viagem, vendo este Rio deu uma vontade de afogar coxinhas,reaças e eleitores da direita nele…

  • Fabio

    Somente quem jah jogou War sabe o quanto Vladvostok eh importante.

  • Vitor Pascoal

    Gostei muito dos relatos da viagem, algo diferente e intrigante para nós brasileiros

  • Marcelo Fercondiny

    Review muito legal mas eu jamais faria uma viagem dessas

  • Leandro de Souza Ferreira

    Desculpe a ignorância, mas tenho algumas perguntas:
    a) você disse que tem piscina no hotel, as pessoas vestem o que para tomar banho?
    b) você viu alguma coisa sobre homofobia lá? Você fez ideia de como os gays vivem lá?
    c) você falou de mercado, as pessoas tem dinheiro para comprar?
    d) as pessoas que você falou sonham em sair de lá?
    e) o que eles acham do resto do mundo?

    • Marcelo Bohm

      Olá, Leandro! Respondendo às suas perguntas:
      a) Havia duas piscinas, uma interna e outra externa (estava vazia). No único momento em que passei pela piscina interna não havia ninguém nela. Então realmente não sei o que vestem. Mas a maioria dos hóspedes do hotel são turistas.
      b) Em nenhum momento eu vi alguma referência sobre homossexualidade, consequentemente não vi nada sobre homofobia. Mas até as relações heterossexuais são muito sóbrias, não vi ninguém se beijando nas ruas, eles não se expõem em público.
      c) Sim, elas compram com o won norte-coreano. Tanto no mercado como nas bancas de comida nas praças e parques elas estavam comprando comida com seu próprio dinheiro.
      d) Na verdade, é extremamente difícil conversar com as pessoas de lá por dois motivos: primeiro porque ninguém fala inglês, e segundo porque são extremamente reservadas e tímidas, assim como os chineses. As conversas são basicamente com os dois guias, com os funcionários de hotéis e dos museus. Alguns turistas tentaram tirar foto e conversar com locais, mas eles ignoraram completamente. Se eles são proibidos de falar com turistas eu não sei, os guias disseram que não são, mas não querem. Na China foi a mesma coisa, sem chances de conversar com locais.
      e) Só posso falar pela opinião dos guias. Acho que eles não se importam muito com o resto do mundo. Só odeiam veementemente os EUA e Japão.

      • Leandro de Souza Ferreira

        Muito obrigado pela presteza das informações e parabéns pelo excelente domínio do português! Dá gosto de ler um texto tão bem escrito.

  • Rafael Henrique Ribas Vieira

    Marcelo meus parabéns pelo excelente relato e pela coragem e determinação em conhecer uma cultura única .Como curiosidade , Qual o custo médio de uma refeição simples ? No
    supermercado os produtos eram muito caros? Conseguiu perguntar a alguém qual o salário base da população ? Obrigado e parabéns novamente , relato show de bola 👍👏

    • Marcelo Bohm

      Obrigado, Ricardo!
      Todas as refeições são inclusas no pacote, não paguei nenhuma. Precisei comprar algumas bebidas, como sucos e cafés gelados, que custavam 8 yuans chineses, cerca de 4 reais. Mas esse é o preço pra turista, para eles é um preço muito inferior, mas não sei quanto. No mercado os produtos eram um pouco mais baratos que no Brasil, mas não muito. Sobre o salário deles, infelizmente não perguntei.