Governo suspende Plano de Desenvolvimento da Aviação Regional que beneficiaria aeroportos menores

Denis Carvalho 5 · junho · 2015

A site de notícias Bloomberg revelou hoje que o governo suspendeu o Plano de Desenvolvimento da Aviação Regional (PDAR), que beneficiaria aeroportos de médio e pequeno portes. A informação foi dada à publicação por um integrante da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff e os recursos que seriam destinados à ampliação da malha aérea, do Fundo Nacional de Aviação, e criação de novos voos para atender a cidades mais distantes da capital será agora usado para alcançar a meta de superávit de orçamento do governo federal.

O plano foi desenvolvido para encorajar as companhias aéreas a voar para destinos com pouca oferta no país, permitindo o acesso de mais pessoas à malha aérea e facilitando o desenvolvimento destas cidades. Também era visto como um estímulo à fabricante de jatos Embraer, porque deveria subsidiar metade dos assentos em aviões com até 10 lugares, apesar de algumas companhias terem anunciado a pretensão de voar com turboélices ATR.

Segundo a Bloomberg, o atraso no plano de aviação regional reflete os esforços do governo para conter os gastos em atingir uma meta orçamentária com o objetivo de recuperar a confiança dos investidores e evitar um rebaixamento do grau de investimento brasileiros por parte das agências internacionais.

Outra medida que está sendo considerada pelo governo seria um corte no tamanho da Infraero e uma possível abertura de seu capital, com a venda de parte de suas ações na Bolsa de Valores.  A proposta, que ainda não foi aprovada pela presidente, inclui vender à iniciativa privada os direitos de explorar todos os aeroportos com mais de 1 milhão de passageiros por ano sem a participação da Infraero.

Caso seja confirmada, passariam a ser gerenciados por empresas privadas os aeroportos de Congonhas, Santos Dumont, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, belém, Florianópolis, Vitória, Goiânia, Manaus, Cuiabá, Maceió, Foz do Iguaçu, São Luís, Campo Grande Aracaju, Navegantes, João Pessoa, Teresina, Londrina, Uberlândia e Ribeirão Preto.

Confira a matéria completa na Bloomberg (em inglês).

Autor

Denis Carvalho - Editor chefe
  • Breno Vieira

    Poxa 🙁

  • Eduardo Scoz

    Privatiza tudo que é bem melhor, um exemplo é o contraste em GRU do T3 com relação ao T2 e T1.

    • Leandro Neves

      Unico terminal verdadeiramente com cara de internacional, eh o T3.

  • Rodrigo Zucker

    Na verdade o governo apenas oficializou algo já esperado… Existem vários aeroportos regionais fechados por não apresentarem condições mínimas e o governo diz que iria desenvolver um plano para construir 1000 aeroportos regionais… Mais uma promessa eleitoreira, infelizmente :/

  • Daniel Lammel

    Que rasteira a TAM levou ein?
    A mesma comprou a Passaredo (pelas suas rotas) pouco antes do anúncio do Plano de Desenvolvimento (estranho?! não seguramente não!!!) e agora tomou essa!

    • MOACYR LOPES DOS SANTOS

      A TAM não comprou a Passaredo. Fez acordo de codeshare de voos apenas.

      Um abraço.

    • jorge moraes

      Se alguém levou rasteira foi a Azul que comprou dezenas de ATR para voar para esses aeroportos.

      • Wescley Lima

        No caso da Azul não creio que tenha levado uma rasteira. O David desde o começo da Azul, enxergou destinos fora dos grandes eixos e também planejou operar em cidades que foram abandonadas pelas aéreas que faliram ou que foram vendidas. Creio que a Azul ainda precisa de mais aeronaves.

      • MOACYR LOPES DOS SANTOS

        A Azul não levou rasteira. Ele programou a compra de Airbus A-320 para colocar nas rotas mais longas e de maior demanda e iria deslocar os E-jets para a aviação regional, já que o projeto original previa subsidios para aeronaves embraer e de até 120 lugares. Creio que ela deva diminuir o pedido da Airbus agora.

  • Diogo Marxx Ramirez

    RAO é administrado pela DAESP e não Infraero.
    Ademais, já passou da hora de privatizar os aeroportos brasileiros, com um pórém: cada administradora que vencer o leilão de um aeroporto lucrativo, deve levar junto um deficitário no pacote (Tefé, por exemplo). Por que se a Infraero ficar só com os aeroportos pequenos e deficitários, quem paga a conta é o contribuinte.

    • adrianogarcia

      Se a concessionária levar um deficitário junto com um lucrativo, a conta será dividida entre os passageiros do lucrativo e do deficitário, pois certamente iria parar nas taxas de ambos.

      • Hugo Leonardo

        É mais fácil uma empresa privada minimizar o fato de não conseguir lucrar e fazer de tudo para reverter, e enquanto isso tirar de um que dá muito lucro do que deixá-la só com o lucro e a Infraero bancar, digo, todos nós bancarmos. Uma empresa privada é MUITO MAIS criativa e livre para adotar ideias diferentes e planos de negócios inovadores e consegue fazer acordos dos mais diversificados possíveis e trazer fontes secundárias de renda que a Infraero jamais conseguiria, por que raios um funcionário público vai trabalhar mais e se esforçar se ele tem emprego vitalício e não vai ganhar um centavo e nem reconhecimento se fizer algo melhor?

        • Miguel

          E as ferrovias federais privatizadas abandonadas que estão sendo entregues para o governo de volta? É ilusão pensar que por ser privado vai resolver tudo.

        • adrianogarcia

          Concordo que a empresa privada é realmente muito mais eficiente. O problema aqui é que estes aeroportos são deficitários por uma razão, que vai além da ineficiência estatal. Normalmente, porque são superdimensionados para a cidade que atendem (Uberaba, por exemplo, é um caso). Gerar tráfego para estes locais vai além da possibilidade de atuação de uma concessionária. Em último caso, talvez estes aeroportos acabem virando também shoppings centers e opção de lazer para a comunidade local. É válido e tiraria mais um cabide de empregos das costas do contribuinte. Mas simplesmente repassá-los à iniciativa privada, achando que só isto os tiraria das costas do contribuinte é irreal.

          • Hugo Leonardo

            Não é achar que a iniciativa sozinha resolveria, mas ela teria muito mais condições. A proximidade de Uberaba e Uberlândia talvez divida o público de ambos aeroportos, mas pensando que Uberaba é mais forte na pecuária do que Uberlândia, a concessionária poderia se esforçar em incentivar os eventos nessa área, conseguir um acordo com uma empresa aérea que não opera em Uberlândia, diminuir o custo estatal (eficiência dos funcionários), pleitear incentivos com o governo mineiro (impostos reduzidos para aviação regional, a Infraero não vai atrás, as empresas aéreas que vão), incentivar o turismo agropecuário, explorar como aeroclube, aviação executiva, aproveitar melhor o aluguel dos espaços, adequar o horário de funcionamento à realidade da demanda, etc etc. Coisas que a Infraero JAMAIS faria.

            Se você pegar Viracopos como exemplo, mesmo com o absurdo atraso na inauguração, a empresa foi atrás de novas empresas, novos voos, fez apresentações no exterior, negocia a ampliação do parque industrial, da área de exportação e importação, fez acordos com a Sanasa, MRS Logística, e várias outras empresas, coisa que a Infraero jamais poderia fazer ou se importaria de ir atrás.

            Considerando que ela vai lucrar em um aeroporto, repartir parte do custo para manter um outro não é colocar o custo no usuário, é ajudar a desenvolver um outro aeroporto trazendo divisas e oportunidades e com o tempo transformá-lo em um negócio lucrativo.

          • mendes

            Hehehe… pra variar deve ser um Uberabense com “dor de cotovelo” sobre Uberlândia…. hahaha…..

    • Cidadão

      O problema é que para cada aeroporto lucrativo, existem 20 deficitários

  • MOACYR LOPES DOS SANTOS

    E Uberaba Sifu mais uma vez.

  • Hugo Leonardo

    Eu não concordava com o governo subsidiar assentos nos voos, infelizmente vivemos um país onde muitos tentariam de tudo para burlar as regras, acho mais coerente subsidiar as tarifas aeroportuárias, não os assentos, então fico feliz de terem cancelado essa ideia de pagar para empresas voarem com aviões vazios.

    Quanto a privatizar os aeroportos acima de um milhão, ideia sensacional, não que seja apenas a incompetência da Infraero, mas a burocracia exigida de uma empresa pública é muito alta, com as licitações, disputas judiciais, só pegar o aeroporto de Goiânia que vai completar uma década já que está sendo construído.

    E reforço a ideia do Diogo Marxx, se levar um aeroporto lucrativo, leva junto um não lucrativo, a ideia é sensacional =D

    • Wescley Lima

      Goiânia, Vitória, João Pessoa e por ai vai…

  • jorge moraes

    Este PDAR nunca passou de um devaneio do governo Dilma. Felizmente puseram os pés no chão e o abandonaram.

  • Jonatas

    Onde este governo mete a mão dá M. Se as empresas aéreas verem que algum lugar vai ser viável elas mesmas dão um jeito de voar prá lá. Iniciativa privada serve para isso e, no fim, se der certo todos ganham se der errado o prejuízo é deles e não “socializado”.

    • Wescley Lima

      Concordo. Um exemplo é o que a Azul fez quando resolveu usar Viracopos (que era esquecido pela aviação comercial) como HUB e depois investiu em cidades menores.
      E o resultado é que quase sempre somente eles operam voos comerciais nessas pequenas cidades. E quando não dá certo eles deixam de operar alegando que não há demanda.

  • Alan

    Normal em qualquer primeiro ano de mandato. Com relação à privatização: ela é boa no curto prazo (enche os cofres públicos) e pode ser ruim no médio e longo: dobra a qualidade mas triplica o preço e deixa de contribuir para o erário público como antes. É como vender um bem.

  • Diego L. Martínez

    Então, pelo visto, minha cidade -Divinópolis, MG, 225mil hab- escapou por pouco. A Azul começa a operar aqui dia 06/07, depois de vários adiamentos: algo como uns 9 meses de blábláblá. Se tivessem esperado mais, talvez nem daria certo.

    • Alan

      Como os mineiros chamam, “Di-vi-nóp” =)

  • Sergio Rainor

    O que esperar de um (des)governo de bandidos mentirosos?

  • Mauro

    Na verdade o Guvernu vai privatiza o Brasil todinhuuu

  • camila

    O que a população brasileira não sabe e que nao é divulgado na midia é que até antes do governo do pt a infraero era uma empresa superavitaria e nunca faltou nada. So foi o pt assumir que colocou cargo politico para a presidencia da empresa em vez de tecnico como sempre foi, assim como fez com a petrobras. De repente nao tinha mais dinheiro pra nada. O governo foi literalmente rapando tudo e iniciando o processo de sucateamento da empresa ao mesno tempo que iniciou-se a campanha midiatica para dizer que os aeroportos eram ineficientes etc e assim conquistar a opiniao publica para que todos clamassem por privatizacao. Hoje os aeroportos mais lucrativos ja foram concedidos em detrimento de todos os outros que dependiam de recursos vindos dos lucros desses aeroportos e que hoje estao nunca situacao bem delicada. O que adianta um punhado de aeroporto privado funcionando muito bem e o restante tendo que depender do governo pq não dá lucro e consequentemente com a qualidade dos serviços comprometida por falta de recursos? Enfim aos adeptos da privatização digo que nem tudo é vantagem privatizar. Um dos exemplos é a infraero pois empresas privadas não compram aeroportos que não dão lucro pelo contrário a maioria so dá prejuízo. E agora com esse anúncio que não vai ter mais investinentos pros regionais quem vai pagar o pato será sempre a população.

  • Petim

    Todo mundo quer wi-fi, piso de mármore, pão de queijo a R$1,99 e por aí vai…
    O problema destas privatizações é que logo, logo vamos estar comprando passagens em promoção por R$49,00 e pagando R$100,00 de taxa de embarque como acontece em muitos países da Europa e nos EUA.
    Cuidado!

  • Guilherme silva

    Privatizar….. A exemplo do que ocorreu com a Petrobrás, a privatização pode ser uma forma de evitar o saque constante em nossas estátais, tem que se criar mecanismos para que a licitação, leilão ou concessão seja imparcial, e que o concessionário responda siga regras, como em teoria ocorre nas telecomunicações… Será que a privatização é uma solução para a corrupção, ou a última facada sangrenta antes de perder o comando do país?

  • Eduardo Soares

    achei bom. Com a crise financeira que pode ainda piorar não dá para o contribuinte ficar arcando com assentos em aeronaves. Lamentavelmente a aviação regional deverá ficar mais cara, mas subsídios desse tipo são só para nações muito ricas como as europeias, o que não é nosso caso. De que adianta as aéreas e a Embraer serem cias. privadas se ainda ficarem mamando no governo?