Passeio com o trem Maria Fumaça: tudo o que você precisa saber sobre a famosa atração da Serra Gaúcha

Bruna Scirea 15 · março · 2018

Não perca mais nenhuma promoção!

Promoções no e-mail

Faça como 1 milhão de brasileiros. Cadastre seu email e receba as melhores promoções de passagens!

Promoções no Whatsapp

Agora você pode receber promoções direto no Zap! Escolha se quer receber todas ou só as melhores!

É bem improvável que faça uma viagem à Serra Gaúcha (se você é da turma que gosta de viagens planejadas) sem em algum momento ouvir falar do trem Maria Fumaça. Sem dúvida, este é um dos passeios mais famosos e procurados por quem circula não apenas pelo Vale dos Vinhedos, na região de Bento Gonçalves, mas também por quem está turistando por Gramado e Canela.

Não deixe de conferir todas as nossas dicas sobre o Vale dos Vinhedos e os Caminhos de Pedra, duas das principais atrações de Bento Gonçalves.

Neste post trazemos todas as informações que você precisa saber sobre o Maria Fumaça: duração do percurso, valor dos ingressos, como fazer as reservas e os horários disponíveis. E é claro, embarcamos nesta locomotiva e, mais para o fim do post, contamos para você como é o passeio!

Maria Fumaça na Serra Gaúcha

A locomotiva movida a vapor percorre um trecho de 23 quilômetros entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, um roteiro conhecido pelos vinhos, queijos e outras delícias, verdadeiros legados deixados pelos imigrantes italianos. Ao longo do percurso, os vagões do trem viram palco para apresentações artísticas (de música, teatro e dança), que ficam ainda mais animadas após algumas provas de vinhos, espumantes e sucos de uva oferecidos nas estações em que a Maria Fumaça passa.

Para quem visita Gramado e Canela, há diversas agências de turismo que vendem pacotes que incluem o transporte de ida e volta para Bento Gonçalves (cerca de duas horas cada trecho), o ingresso para a Maria Fumaça, além de outras atrações – dependendo do roteiro escolhido. No entanto, se você preferir fazer tudo por conta própria, reduzindo o tempo de passeio ou visitando apenas o que realmente lhe interessa, é super fácil: basta garantir os bilhetes do trem por telefone ou pelo site da operadora e pegar a estrada até Bento (cerca de 120 km). Veja os dois trajetos possíveis:

Duração

O passeio é operado exclusivamente pela empresa Giordani Turismo e dura aproximadamente duas horas (somando a viagem de trem, de 1h30min, e o regresso/ida de ônibus, de mais 30 minutos). O embarque pode ser realizado em Bento Gonçalves, tendo com destino final a estação férrea do município de Carlos Barbosa – dali, ônibus partem com os passageiros de volta para Bento.

Fazer o passeio de trem no sentido contrário também é possível. Os ônibus da operadora levam os turistas de Bento até Carlos Barbosa – de onde a locomotiva parte novamente em direção a Bento Gonçalves. Ou seja: não importa a escolha, você terá de estar em Bento para iniciar o passeio.

Após o percurso completo, os turistas podem ainda assistir a uma peça de teatro de cerca de 40 minutos no Parque Temático Epopeia Italiana (leia mais abaixo). Se a ideia for fazer a Maria Fumaça e também assistir à apresentação cênica, reserve umas quatro horas do seu dia!

Ingressos

O pacote mais básico inclui, além da Maria Fumaça, a entrada ao Parque Temático Epopeia Italiana, que fica ao lado da estação de Bento Gonçalves e oferece aos visitantes um espetáculo cênico, passando por diferentes cenários por meios dos quais é contada a história de um jovem casal italiano que migrou para o Brasil no fim do século 19 com o ideal de uma vida mais próspera.

Há outros passeios que podem ser feitos, combinando com o Maria Fumaça. Confira no site da Giordani Turismo todas as possibilidades.

O valor para o passeio de Maria Fumaça e a entrada no Parque da Epopeia Italiana é R$ 96 por pessoa nos meses de março e abril (exceto feriados e datas próximas). Já nos feriados, datas próximas a feriados e alta temporada, o valor é de R$ 135 por pessoa. Crianças de até cinco anos não pagam – e devem fazer o percurso de trem no colo dos pais (dependendo da disponibilidade de assentos).

Os ingressos devem ser reservados com antecedência pelo telefone (54) 3455-2788 ou pelo site www.giordaniturismo.com.br. Na alta temporada (inverno), dificilmente se consegue lugares nos vagões de última hora. Este é um passeio que exige planejamento. O pagamento também é antecipado, via depósito, transferência bancária ou parcelado no cartão de crédito em até 3 vezes, sem juros, com parcela mínima de R$ 50.

Horários

Todos os passeios com a Maria Fumaça partem da estação de Bento Gonçalves – de onde sai o trem ou os ônibus em direção a Carlos Barbosa, dependendo do sentido do percurso que você desejar fazer com a locomotiva.

Na baixa temporada, os passeios ocorrem às quartas, sextas, sábados e domingos. Na alta temporada, a atração é oferecida diariamente.

Confira os horários*:

– 9h: ida de trem e retorno de ônibus
– 10h: ida de ônibus e retorno de trem
– 14h: ida de trem e retorno de ônibus
– 15h: ida de ônibus e retorno de trem

* em alguns dias, há dois horários extras, partindo de trem às 18h40 ou de ônibus às 19h30. Se forem horários interessantes para você, vale a pena ver se existe a possibilidade no dia em que você pretende fazer o passeio.

Estivemos a bordo da Maria Fumaça no início de fevereiro de 2018. Partimos de Bento às 14h de um domingo. Confira como foi:

Como é o passeio de Maria Fumaça 

Quando cheguei à estação de Bento Gonçalves, por volta das 13h30, a coisa já estava bem animada. Um músico cantava e dedilhava o hit do rei “Como é grande o meu amor por você”, que soava em bom tom por todo o ambiente. Enquanto isso, centenas de pessoas aguardavam a hora do embarque, já com copinhos de plástico em mãos – um indicativo de que o passeio seria bem regado. E foi mesmo: as provas de vinhos e sucos já começaram ali mesmo, antes de o sino tocar e o trem partir.

Dito isso, já vem a primeira dica, válida tanto para quem pretende encher várias vezes o copinho, quanto para os que preferem mais tranquilidade e menos muvuca: chegue cedo. Entre duas, uma: ou você beberá mais ou poderá se preparar para o embarque com mais calma (pegar os tickets, ir ao banheiro, localizar o seu vagão etc).

Essa foi a primeira visão que tive ao botar os pés na estação de Bento Gonçalves. Uma galera!
O embarque foi tranquilo e super bem orientado por funcionários da empresa que faz o passeio

Apesar da multidão, a fila para retirar o ingresso, que deve ser comprado antecipadamente, não era tão grande. Rapidamente pude pegar o bilhete de ida e o de volta (que garante o retorno de ônibus de Carlos Barbosa até Bento). E assim, pontualmente às 14h, com todos os passageiros embarcados, a locomotiva iniciou o passeio. Eu, como avisei que gostaria de tirar fotos que enquadrassem o máximo possível do trem, acabei indo no último vagão. E posso dizer: vale muito a pena a vista de lá, com o tremzão todo à frente.

O vagão onde fiquei era logo após este, passando por aquela porta ao fundo

Cada vagão conta com um funcionário que, munido de um microfone, passa todo o percurso anunciando as atrações que irão se apresentar, chamando atenção para vistas bonitas ao longo do trajeto e, claro, contando um pouco da história da região e da própria Maria Fumaça.

Os assentos são para duas pessoas e, acima de cada um deles, existe um suporte muito prático para o copinho plástico recebido no embarque. Assim você não precisa carregá-lo durante a viagem, mas ele fica ali, ao rápido alcance da mão, para ser reutilizado no próximo desembarque, em Garibaldi, cidade famosa pelos espumantes.

A verdade é que mal deu tempo de eu me acomodar – tá certo que levei um tempo fotografando tudo – e a primeira atração já estava começando. Era a apresentação da tarantella, com um grupo de canto e dança típico da região, de colonização italiana. Não demorou muito para que muitos dos turistas já estivessem enlaçados nos artistas, dançando no estreito corredor do trem. Os mais tímidos, participaram da festa batendo palmas. Os que não têm a menor aptidão para a dança, esconderam-se atrás dos celulares e máquinas fotográficas – no meu caso, uma bela tentativa de me fingir ocupada o suficiente para não ser “tirada para dançar” por alguém. Hê!

Após a dose a mais de animação, todos se sentaram para apreciar a paisagem e a leve brisa – leve mesmo, já que a velocidade média do trem é de 30 km/h. O percurso tem vários trechos de mata praticamente fechada, em que o verde predomina por todos os lados. Há algumas partes do trajeto em que se passa por áreas urbanas, sobre um viaduto que cruza uma estrada estadual e também por regiões um pouco mais rurais. A vista é bonita, bastante agradável, mas não vá achando que você irá se deslumbrar e dizer “meu deus do céu que coisa mais linda esta paisagem” com o que irá ver pela janela dos vagões – especialmente se for em um período em que as hortênsias, flores azuis e rosas características da região, não estiverem floridas. Quando eu fui, elas não estavam.

Como dito, é uma apresentação atrás da outra. Tanto é que a viagem de 1h30 acaba passando rapidinho. Após a tarantella, teve ainda o show de um gaiteiro, uma pequena apresentação cênica em que as atrizes protagonizavam duas mulheres bem “italianonas” em busca de um marido – e, assim, brincavam com os casais e solteiros e solteiras presentes no vagão. Teve show com uma dupla que apresentou músicas gaúchas e, quem sentiu fome ou sede, pôde ainda contar com pequenos petiscos e bebidas servidas em um carrinho (que devem ser pagos na hora).

Quando nos aproximávamos de Garibaldi, ouvimos um pouco da história do município. E assim que chegamos à Estação foi aquele monte de mãos em busca dos copinhos de plástico pendurados nas paredes. Nesta parada, foram servidos espumante moscatel (bem docinho, para os que gostam) e suco de uva – tudo isso embalado com mais música ao vivo. Desta vez, uma dupla tocava música gaúcha.

Cabe aqui dizer que, para os apreciadores de vinho, aqueles que vão ao Vale dos Vinhedos especialmente para conhecer os excelentes produtos de várias das vinícolas da região, os rótulos servidos ao longo do passeio podem ser bem simples. É bom que se saiba: este é um passeio que tem como apelo o fato de se estar em um trem antigo, percorrendo um trajeto recheado de música, dança e teatro. Muito mais do que um visual surreal ou então uma experiência enriquecedora de provas de vinhos, espumantes e suco, o que a Maria Fumaça se propõe mesmo a oferecer é um passeio cultural e à moda antiga.

Na parada na estação de Garibaldi, cerca de 50 minutos após a partida de Bento Gonçalves, há tempo suficiente para todos desembarcarem e tirarem fotos com o trem ao fundo. É também o momento certo para visitar o vagão 215, o único que conserva os bancos em madeira, originais da época em que a locomotiva estava em pleno funcionamento. Perto dos trilhos também estarão vários vendedores ambulantes, oferecendo pipoca, algodão doce e até mesmo grostoli ou cueca-virada, depende de como cada um chama essa delícia feita de uma massinha fofa, frita, com açúcar e canela polvilhados por cima. Nham!

Fotos feitas, todos novamente embarcados, hora de seguir viagem até a estação final, em Carlos Barbosa, onde chegamos pontualmente às 15h30min. Na parada final, já havia outra leva de turistas prontos para embarcar e fazer o caminho contrário. Desembarcamos, caminhamos cerca de 30 metros até o local onde estavam os ônibus, apresentamos o ticket da volta e voltamos para Bento, onde chegamos em menos de meia hora.

Parque temático Epopeia Italiana

Os ônibus levam todo o pessoal até a frente do Parque Temático Epopeia Italiana, onde a programação segue. É hora de assistir a uma apresentação cênica de 40 minutos que, com ajuda de vários cenários, vídeos e personagens, reconta a história da vinda dos imigrantes italianos para a região no fim do século 19.

Como não é permitido fazer imagens de nenhuma parte do espetáculo, vou ficar devendo as fotos para vocês. Mas posso fazer um breve resumo: após um vídeo que contextualiza a situação crítica da Itália e da Europa no fim do século 19, o público é convidado a percorrer diversos cenários (que simulam uma embarcação, uma mata fechada e centros de pequenas cidades, com direito inclusive à neve falsa caindo do céu!). Quem conduz o pessoal é um dos protagonistas da “epopeia”, um jovem italiano que, às pressas, casou-se com sua namorada para poder rumar ao Brasil a bordo de um navio – no qual, muitos morreram ao longo da travessia.

O relato é das dificuldades deixadas na Itália e das outras tantas enfrentadas ao longo da navegação e também no início da vida no Brasil. É uma forma de entender um pouco mais a história da imigração italiana, que é a marca deste pedaço do sul do país.

Garibaldi e Carlos Barbosa

– No passeio de trem, os turistas acabam não saindo da Estação de Garibaldi. No entanto, a cidade é reconhecida na Serra Gaúcha pela produção de espumantes – tanto é que existe um passeio pela região chamado de Rota dos Espumantes. Para mais informações, acesse o site da Secretaria de Cultura do município. Desde Bento Gonçalves, são 13 km até Garibaldi.

– Carlos Barbosa, município onde chegam ou de onde partem os passeios com a Maria Fumaça (dependendo do sentido de viagem que você escolher), é conhecido pelos queijos e também pela fábrica da Tramontina, reconhecida empresa de utensílios de cozinha, eletrônicos, ferramentas etc. Há inclusive uma grande loja de varejo da marca no centro da cidade e, logo à frente, está uma queijaria. Carlos Barbosa fica a 17 km de Bento Gonçalves e a cerca de 7 km de Garibaldi.

________________________

E você? Já fez o passeio com a Maria Fumaça na Serra Gaúcha? Deixe o seu relato!

Autor

Bruna Scirea - Editora