Governo eleva limite de capital estrangeiro em empresas aéreas. Saiba como isso vai revolucionar o mercado no Brasil!

Leonardo Cassol 1 · março · 2016

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Está confirmado! O governo publica amanhã uma Medida Provisória que eleva o limite de capital estrangeiro nas empresas aéreas brasileiras de 20% para 49%, abrindo espaço para uma inevitável ampliação da participação de grupos estrangeiros na gestão das companhias brasileiras, bem como novas fusões e aquisições, a exemplo do que já ocorreu com a Latam.

Saiba o que deve ocorrer com as quatro grandes companhias aéreas nacionais após essa mudança, nesse post exclusivo.

A expectativa em torno da mudança era enorme, num momento em que as companhias aéreas brasileiras acumulam grandes prejuízos e precisam de capital para sobreviver num cenário extremamente desafiador, com uma longa e profunda crise econômica no Brasil, de um lado, e a forte alta e volatilidade do dólar de outro. Ao mesmo tempo, os maiores grupos da aviação mundial anunciam lucros históricos, resultado principalmente da redução do custo do combustível junto preço do petróleo e dos ganhos com sinergias de fusões e aquisições.

O cenário que tratamos aqui começou a se desenhar meses atrás. A Azul tem hoje como sócios a norte-americana United Airlines e o grupo chinês HNA, proprietário da Hainan Airlines. A GOL tem como sócios a Delta Air Lines e o grupo Air France – KLM. A TAM anunciou a fusão com a chilena LAN, criando a Latam. A Avianca Brasil já faz parte do grupo Synergy, que controla a Avianca Holdings.

O que pode ocorrer após a mudança?

LATAM

Informações de bastidores dão como certa a aquisição do grupo Latam pelo grupo IAG, dono das companhias British Airways, Iberia e Vueling, e pela American Airlines. Os dois gigantes já manifestaram publicamente, através de representantes, interesse na Latam. Isso formaria o maior grupo de aviação do planeta. E há quem acredita num surpreendente anúncio já em 2016. Consultorias, bancos de investimento e auditorias supostamente estariam trabalhando na avaliação da Latam.

Quando surgiram os boatos, os irmãos Cueto negaram qualquer negociação em andamento, mas são cada vez mais fortes os rumores sobre um anúncio da compra de uma participação da Latam pelo IAG ainda no primeiro semestre de 2016. Alguns meses depois, seria confirmada a intenção de fusão, que ainda ficaria pendente de aprovação das autoridades regulatórias no Brasil e nos países envolvidos. Fontes ouvidas pelo Melhores Destinos confirmaram, em caráter de confidencialidade, que há um projeto de integração das bases da Latam no exterior com as da American Airlines, Iberia e British, o que sozinho não é a prova de uma fusão, mas converge com as especulações do mercado.

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GOL

O caminho da GOL já está traçado. Não seria surpresa nenhuma a Delta e/ou a Air France – KLM ampliarem substancialmente a participação no capital e no controle acionário da empresa, que hoje, é o ativo mais depreciado e que mais foi atingido pela crise econômica brasileira. Se isso não ocorrer, a empresa vai precisar buscar rapidamente algum outro sócio. Por enquanto, ela tem buscado respaldo no Smiles, com a venda antecipada de R$ 1 bilhão em passagens, anunciada na semana passada.

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AZUL

Um movimento da American Airlines sobre a Latam certamente instigaria a United a ampliar ou consolidar sua participação na Azul, sendo esse um cenário provável. Outro cenário crível é um movimento do grupo chinês HNA de ampliar e consolidar sua participação na Azul, que hoje se restringe a 23,7% das ações preferenciais, que não dão direito a voto. A TAP, que é controlada por David Neeleman, fundador da companhia, também tem estreitado laços com a Azul e HNA.

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Avianca

A Avianca Brasil já faz parte do grupo Synergy, que controla a Avianca Holdings. Um cenário possível seria a fusão com a irmã Avianca Internacional, cujo grupo controlador adquiriu companhias como Taca e Lacsa. Outra possibilidade, no momento puramente especulativa, seria a investida de algum grupo europeu, como a Lufthansa. Mas, diferentemente dos outros casos que comentamos nesse post, não há nenhuma evidência ou intenção conhecida do grupo Lufthansa, nem mesmo aparenta estar na estratégia do grupo a aquisição de uma companhia aérea brasileira.

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Consequências da consolidação no setor aéreo

A consolidação das companhias aéreas em poucos e enormes grupos globais parece uma tendência irreversível. De um lado, as fusões e aquisições animam investidores com ganhos de escala, reduções de custos operacionais e administrativos. E acabam mesmo aumentando a eficiência do setor.

De outro lado, a criação de grandes grupos preocupa autoridades e passageiros, devido ao risco de monopólios e da redução drástica da concorrência em determinado mercados. Menos concorrência significa preços das passagens mais altos. Além disso, quanto maiores ficam os grandes grupos da aviação mundial, mas difícil é a competição para as companhias menores, que podem quebrar e desaparecer do mercado, ou se tornarem presas mais fáceis para esses grandes grupos.

Nos Estados Unidos, apenas nos últimos 5 anos, tivemos a fusão da United e da Continental, bem como da American Airlines com a US Airways. E ainda aquisição da Northwest pela Delta, formando  três dos maiores grupos do mundo. Na Europa, o grupo Lufthansa expandiu seus domínios com a aquisição da Swiss, Austrian, Brussels, além da formação das low costs Germanwings e Eurowings. Ainda na Europa, o grupo IAG adquiriu a Iberia, a British, a Vueling e a Aer Lingus.

No Brasil, não foi diferente. Quem ainda se lembra da aquisição da Webjet pela GOL, ou da Pantanal pela TAM, ou a fusão da Azul com a Trip? A criação da Latam foi apenas o episódio mais recente, e certamente não será o último.

Para os passageiros brasileiros, na minha visão, é melhor ver uma companhia nacional passar a ser controlada por um grande grupo estrangeiro do que ver ela quebrar. Isso pensando no aproveitamento dos impactos positivos desse movimento, como ganhos de eficiência e maior escala, integração das malhas internacionais e dos programas de fidelidade, e na mitigação de seus impactos negativos, como a menor concorrência.

A fusão entre empresas nacionais também não é um bom negócio para os consumidores. Como exemplo, podemos lembrar o que aconteceu poucos meses após a aquisição da Webjet pela GOL. Parte das rotas operadas pela Webjet foram extintas e os preços subiram rapidamente.

Autor

Leonardo Cassol - Editor Editor e especialista em programas de fidelização do Melhores Destinos.