Azul estuda transformar o TudoAzul em empresa de capital aberto, seguindo tendência do Multiplus e do Smiles

Leonardo Cassol 28 · agosto · 2015

Em entrevista à Revista Exame, o fundador da Azul Linhas Aéreas, David Neeleman, informou que estuda levantar recursos para investir na companhia aérea, transformando o TudoAzul numa empresa de capital aberto, ou negociando uma parcela do programa com um investidor privado.

As companhias aéreas e seus controladores descobriram uma “mina de ouro” em seus programas de fidelidade. Inspirado no Aeroplan (Air Canada), o Multiplus foi o primeiro programa brasileiro ligado a uma empresa aérea a se transformar numa empresa independente e a ter ações negociadas na Bovespa. Criado em junho de 2009, passou a ter um valor de mercado que superou o da própria TAM, empresa que lhe deu origem. Em 2013, foi a vez do Smiles declarar independência da GOL e estrear na Bolsa de Valores.
Logo-TudoAzul

Os programas lucram com a venda de pontos para bancos, hotéis, locadoras de automóveis, seguradoras e outros parceiros, ganhando com os juros cobrados sobre o dinheiro antes que as recompensas sejam resgatadas pelos clientes, com pontos vencidos, bem como com a diferença entre o custo do item resgatado e o valor cobrado pelas milhas usadas no resgate.

No entanto, apesar de ser um excelente negócio para os seus controladores, há controvérsia quanto ao potencial conflito de interesses depois que esses programas se tornam independentes. De um lado, o objetivo de fidelizar o cliente, através de vantagens e benefícios exclusivos, associados ou não à companhia aérea que lhe deu origem. De outro, a necessidade de lucrar, comercializando milhas e serviços, reduzindo benefícios e/ou aumentando o custo de resgate de prêmios.

As experiências pregressas do Multiplus e do Smiles indicam que esse movimento beneficia muito mais a companhia aérea e seus controladores, do que os consumidores. Os programas de fidelidade acabam usados para antecipar caixa para as empresas aéreas e para distribuir dividendos para investidores, aumentando seu valor de mercado. Os custos de resgate acabam subindo num ritmo muito maior do que as oportunidades de acúmulo e a ampliação das parcerias.

Concluída essa operação, restará apenas o programa Amigo da Avianca Brasil no modelo tradicional de programa de fidelidade de companhia aérea. Resta saber por quanto tempo…

Qual sua opinião sobre esse tema? A transformação do TudoAzul numa empresa traz mais riscos ou oportunidades para os clientes? Comente e participe!

Com informações da Exame.com

Publicado por

Leonardo Cassol

Editor

  • Marcio Correa

    Demorou….”se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”. Esta é a sina dos consumidores que fidelizam esta ou aquela empresa.

  • Renato Sperandio

    Pois é, nem tudo será tão azul assim…

  • Renato

    Vish, a moda do smiles vai pegar mesmo. Caramba vão acabar com todos os programas de fidelidade de empresa aérea do Brasil mesmo?

  • Marcia

    Sou grande usuária do Multiplus e ainda sou beneficiada…a maneira que mais acumulo pontos é através da parceria com cartão de crédito, muito mais do que através das viagens propriamente ditas. E adoro receber viagens em troca do que preciso comprar diariamente – supermercado, drogaria, pet shop, até alguma conta paga com cartão me permite viajar.

  • Rodrigo Aguiar

    Pra acontecer isso, o TudoAzul teria que se destacar no mercado ainda, ser uma boa opcao….

  • Jorge

    Já se foi o tempo que programa de milhagem era para fidelizar cliente. Hoje a prioridade pe lucrar. Quem paga o pato infelizmente somos nós, os consumidores.

  • Hermes Hs

    O Multiplus, na minha opnião, ainda é vantajoso, pois, principalmente a a troca dos pontos no cartão de crédito, onde você não tem custo algum para acumular os pontos ainda é vantajoso, até porquue a TAM sendo a principal controladora, mesmo seguindo a tendência mundial, de alteração da forma de acúmulo, é menos vantajosa que antes, porém, tem preços das passagens em milhas mais justo que a Smiles ou “Smoneys”.

    O Tudo Azul, ainda precisa se destacar, por exemplo, entrando para Star Alliance (segundo o que indica a tendência), e reformulando o regulamento de acúmulo e resgates de forma a torná-lo equilibrado (bom para o cliente e bom para a empresa), assim como o múltiplus , na minha opnião. Nesse sentido tem dois grandes exemplos: um ruim (Smiles) e um bom (Múltiplus) a seguir. Espero que siga o melhor.

  • Sim Pinto

    Infelizmente, o povo nao percebe que nao existe ganhar milhas. Todas sao pagas pelo proprio cliente. Existe a ilusao de que estao oferecendo algo e todos aceitam como verdade. Seu cartao e todos as empresas participantes estao lhe cobrando por essas milhas, muito antes do que voce imagina. Essa e’ a tradicional e famosa promocao “me engana que eu gosto”… Existe formas mais inteligentes de beneficiar comsumidor e as cias aereas….

    • Jose

      100% certo Sim Pinto. Testo trazido pelo MD, sucintamente, diz tudo sobre mecanismo de lucros dos Planos de Fidelidade Aéreo. Infelizmente faltou informar a explosão inflacionária no uso das milhas aéreas nos últimos 4 anos: exemplo, antes da unificação TAM e Lan, viajei 3 vezes GRU-SCL i/v por 8.000 ptos. Multiplus, desde então, 12.000 ptos Smiles mesmo percurso em promoção e 16.000-20.000 ptos Multiplus em promoção (aumentos de 50%, 100% e 150% respectivamente). Dividindo-se as milhas pelos Km de distancia entre os aeroportos, não há proporcionalidade nenhuma entre os voos nacionais: nas ultimas promoções do MD para voos aos EUA chegou a ser mais barato do que voar pelo Brasil!

  • Jonatas Elias

    Até tu Brutus

  • euler

    Nao tardara para que dentro destes programas, outros programas sejam criados, segmentados e ai sim trabalhados com o propósito de fidelizar.

    • Márcio Corrêa

      Estava pensando exatamente nisto.

  • Fabio

    Ferrou!

  • Fernando

    Eu tinha um restaurante. Para aumentar as vendas, criei um programa de fidelidade que a cada dez vezes que os clientes iam lá ganhariam uma refeição grátis. Cada vez que o cliente ia, ele ganhava um carimbo numa cartela e quando chegassem a dez carimbos, ganhava uma refeição de graça.Quando os clientes estavam próximos de conseguir , eu resolvi mudar a regra é aumentar a quantidade de refeições necessárias para 20. Alguns chiaram, outros entraram na justiça , mas o importante é que meu restaurante ficou na boca do povo . Daí eu resolvi aumentar novamente a minha tabela para 30 refeições para se ganhar uma. Como as pessoas já tinham 10 ou 20 refeições, e s concorrência ao redor era pouca, mesmo insatisfeitos eles continuavam a ir ao meu restaurante. Para ajudar alguns a completar o prêmio e se sentirem felizes , passei a vender carimbos de refeições . É claro que para garantir a transparência no trato com os clientes eu vendia os carimbos quase pelo valor da refeição, mas ninguém se incomodava muito com isso. Depois, descobri que eu podia comercializar meus carimbos com outros comerciantes da região . Para quem fosse a padaria, ao posto de combustível, ao salão, eu oferecia um carimbo por visita e estes estabelecimentos me pagavam para dar estes carimbos. Como as pessoas são viciadas em colecionar coisas , eu achei que era melhor me dedicar ao negócio dos carimbos do que em fazer refeições . Vendi meu restaurante e lancei minha empresa de carimbos no mercado de ações.

    • Márcio Corrêa

      Então a venda de carimbos cresceu, a empresa colocou ações na bolsa para vender ações aos que antes compravam carimbos. Agora colecionam carimbos e ações, e a empresa fica com os cofres cheios.

  • Hugo Leonardo

    Eu fiquei muito desanimado com essas mudanças, o Múltiplus ainda consegue acumular mais milhas em voos promocionais, o Smiles virou uma piada (não que não ache promoção ou coisa boa, mas ficou muito restrito e difícil), e a Azul indo para o mesmo lugar….

    Eu já desisti de um cartão de crédito que não quis me isentar da anuidade e agora fiz o NuBank que não tem benefício nenhum (ainda), mas só de não cobrar nenhuma tarifa para absolutamente nada e ter a metade do juro dos cartões que eu tinha a mais de uma década, já é economia e compensa o custo de se “acumular” milha nas empresas.

    Assim, direciono o dinheiro para comprar o benefício que eu quiser, sou mais economizar no dia a dia do que juntar milha para uma viagem ou produto que não faço a mínima ideia se vou conseguir, já que oscila MUITO as condições de resgate.

    Se é para brincar com a sorte, sou mais jogar em alguma loteria.

    • Jonatas Elias

      O Smiles é uma piada sem graça. E o cartão Nubank é ótimo, o único Platinum sem anuidade.

  • catvampiro

    É a crise!

  • Márcio Sampaio

    Não entendi um detalhe… como exatamente o cartão me cobra as milhas? Não pago anuidade, nem taxa extra, muito menos tarifa para transferência de pontos. Minha fatura se resume ao que efetivamente adquiri, seja produto ou serviço. Assim, onde estaria essa cobrança?

    • Hugo Leonardo

      Você é um dos poucos que usa o cartão de forma correta e responsável transformando as suas compras do dia a dia em benefícios.

      A crítica das pessoas, é que essa não é a rotina da grande maioria das pessoas, muitos pagam valores menores do que o mínimo pagando juros altíssimos, outros não negociam as anuidades (teve uma declaração de algum presidente de banco que falou que menos de 20% liga para negociar isso), outros pagam tarifas sobre exceder limite, avaliação emergencial de crédito e etc.

      O problema é que se muita gente passar a ser responsável como você, os cartões mudam as regras para continuar com a lucratividade.

      Mas acho que a crítica do pessoal é em “se esforçar” para conseguir milhas, preferindo uma loja a outra por oferecer pontos, comprar milhas em “promoções”, transferir por impulso, etc, etc.

      • Raul Grilo

        O cartão cobra um percentual sobre o preço das compras, às vezes até 5%. Alguns estabelecimentos dão esse desconto se o pagamento for a vista, outros não, já deixam imbutido no preço da tabela. Mesmo se esforçando para pagar sempre à vista, todos pagam algo pela decisão da maioria, que usa o cartão de crédito. Em contra partida, a melhor das recompensas não lhe dá nem 2% sobre a fatura com pontuação. Quer dizer, eles levam até 3% de tudo que você consome, mesmo que não pague anuidade, nem juros e, às vezes, mesmo que não tenha cartão de crédito. Por isso todo mundo uso e por isso continua assim.

        • Bruno Becker

          a contrapartida é que você ao andar com menos dinheiro na carteira torna-se uma vítima em menor potencial de batedores de carteira, então os 3% tornam-se baratos perto do custo de ter uma carteira furtada com dinheiro dentro. EU vejo como positivo o uso do cartão se usar para arrolar prazo de pagamento, usufruir de pontos (sabendo se vale a pena usar as milhas ou comprar, dependendo do trecho e data) e não ter dinheiro em espécie consigo.

          • Hugo Leonardo

            Concordo e fico super perdido quando vou para alguns lugares no interior e raros são os estabelecimentos que aceitam cartão. Cobrar 2~5% deles pode ser injusto, mas cabe usar os benefícios e ir atrás de opções coerentes, como citei, o NuBank.

            A única coisa que eu disse, é que não vale a pena “se esforçar” para ter mais milhas. Ou seja, ter um Smiles Platinum que é quase impossivel conseguir a isenção da anuidade, ou pagar contas se há tarifas extras, ou usar aquele sistema de milha turbinada de pagar 4% a mais da fatura (não vale a pena), ou deixar de comprar algo mais barato em algum lugar só para comprar em outro que dá milhas, etc, etc… Milha só vale a pena, no uso normal do dia a dia agora, sem esforço.

          • Raul Grilo

            Bem, Bruno, nesse ponto, o seu celular vale mais do que isso. É essa conversa que vende o peixe, e quem sai ganhando? Eu considero válido usar o cartão para parcelar. Entretando, nos EUA não rola isso. Por que? O parcelamento tem juros, mesmo o juro zero é pago. O banco não empresta de graça. Então, se não está explícito, está implícito. Existe uma frase que é “não existe almoço de graça”. Tudo que você recebe, paga. Agora, a gente está pagando até pelo que NÃO recebe. Você acha isso honesto?

          • Raul Grilo

            Só pra completar, ter cartão não é seguro contra roubo. Quando o roubo é pra valer, rouba até mais exatamente porque tem o cartão.

    • Fernando

      Nesse caso, ele cobra do comerciante. Que cobra de todos.

      • Célia Amaral

        Fernando disse tudo, eu também não pago nada pra ter e nem transferir os pontos, MAIS pago embutido nas transações tanto débito quanto crédito os quase 4% em cada transação, portanto esses 4% já vem de “brinde a mais” no valor final da compra.

      • Henry

        Fernando.. vc está certo sim…e sempre que posso eu estou preferindo pagar à vista..
        Mas, o problema é que a lei no Brasil impede dos comerciantes terem preços diferenciados para pagamento parcelado no cartão, ou no cartão (à vista) ou cash…
        Tudo tem que ser vendido pelo mesmo valor..
        Fizeram alguns projetos de lei para permitir que tenham preços diferente, mas fico com a nítida impressão que estes projeto são só para tirar dinheiro das associações de bancos e administradoras de cartões de crédito, porque deve rolar um qq legal, pois os projetos não viram lei..
        Se um restaurante cobra de vc R$ 20,00 no cartão de crédito, ele recebe do banco +- uns R$ 19,00 (+- 5,0% de taxa de administração) e uns 30/45 dias depois que vende para você…
        É claro que o restaurante embute isto no preço…
        Aí está o quanto vc paga pelas suas milhas…

  • lucf2

    Perfeito!

  • Célia Amaral

    Múltiplus se você prometer que não vai mudar o programa, juro ser uma consumidora fiel

    Smilles e Azul morreram quem será o próximo, Amigo ou Múltiplus?

    • Jonatas Elias

      Os dois.

  • Henry

    Parabéns Fernando…
    De forma simples, lúdica e para qualquer leigo entender, você explicou a p.i.c.a.r.e.t.a.g.e.m. que se tornaram os programas de fidelidade no Brasil.. a começar daquele que pertencia a uma Cia. aérea que tem a cor laranja..

  • Renato

    Uma susgestão a equipe do MD uma avaliação dos programas de fidelidade das empresas aéres estrangeiras que conhecem e de uma maneira uma indicação se possível do melhor programa de empresas de fora do Brasil, pois pelo visto em breve não teremos mais nenhuma opção decente para pontuar no Brasil.

  • José Guilherme

    Corrige ali no final: “A transformação do TudoAzul numa empresa trás mais riscos…” => Traz, com Z.

  • Renan

    cara, vc foi mais que perfeito para nao ser redundante às demais falas
    acho que nunca vi uma expilcação tao didatica… show de bola!

  • Fernanda

    Podia começar com uma super promo.

    • Fernanda, boa ideia. O pessoal do TudoAzul costuma ler o MD!

      • Fernanda

        Jura?
        Então eles poderiam explicar porque se comprar só uma perna fica mais caro (às vezes o dobro) de comprar uma só perna, enquanto todos os outros programas tratam cada perna separadamente.

  • luis

    Tudo Azul cada dia fica pior,já desisti pontuar nela.

  • Marcos

    Arrasou! O MD até que poderia dar um destaque no seu comentário.

  • Vitor Valente

    Quer dizer que poderemos trocar os pontos a expirar por bugigangas diversas no ShoppingAzul?