Infraero adia abertura da lanchonete popular em Congonhas

Denis Carvalho 29 · abril · 2013

A lanchonete popular do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, não tem mais data para sair do papel. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) prometia a loja para este mês, mas rescindiu na semana passada o contrato com a CD Plan, vencedora da licitação, que não cumpriu as exigências estabelecidas em contrato, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo. A lanchonete popular vende lanches e alimentos com preços tabelados, semelhantes aos cobrados no comércio normal da cidade e geralmente muito abaixo dos valores cobrados nas demais lanchonetes dos aeroportos.

Com a rescisão, a estatal convocou a segunda colocada na concorrência, a RA Catering, dona de outras lanchonetes em diversos aeroportos do país (até em Congonhas) e também responsável por serviço de refeições a bordo de algumas companhias aéreas. Com isso, o processo de apresentação e aprovação recomeçou e o prazo para que a lanchonete seja instalada está indefinido.

Segundo o jornal, a CD Plan alega que a Infraero foi “intransigente” na rescisão e teria entregue uma área menor do que a prometida em contrato. “A área licitada no edital é de 68,57 metros quadrados, mas, quando chegamos lá, vimos que o lugar tem 56,4 metros quadrados. São 12 metros a menos”, reclama o advogado da empresa, Paulo Solano. “Isso impacta toda a operação, a quantidade de equipamentos que vamos conseguir colocar e nossa remuneração. Só que, em vez de tentar renegociar, eles preferiram rescindir.”

A Infraero cobraria da empresa um valor de aluguel mensal de R$ 67 mil pela lanchonete. Segundo Solano, a CD Plan queria uma revisão do valor do aluguel, de acordo com a nova metragem, mas não houve conversa. “Temos total know-how do processo, mas houve uma certa intolerância por parte da Infraero. Vamos recorrer”, diz Solano. A empresa é a mesma que opera a primeira lanchonete popular a entrar em funcionamento, a do Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba. Também tem quiosques de comida instalados em estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em São Paulo.

Os 12 metros de área a menos não foram o único entrave à construção da lanchonete. Dos três projetos elaborados pela CDPlan – arquitetônico, elétrico e hidráulico -, o último foi reprovado pela Infraero. Para a estatal, a inaptidão da empresa nesse quesito foi o principal motivo que levou à rescisão. “A empresa apresentou projetos incompletos, o que comprometia a estimativa de execução da obra”, disse a Infraero.

Sobre a área menor, a estatal admitiu que houve um “equívoco na informação da metragem”, mas todos os esclarecimentos foram dados à empresa. Diz ainda que a CD Plan teve tempo suficiente para, antes da assinatura do contrato, ir até o espaço e fazer uma vistoria em relação à área da futura lanchonete. A Infraero afirma também que quem fixa o preço do aluguel é o concessionário, e o valor é cobrado pelo ponto, não pela metragem da área.

Restaurante

Enquanto São Paulo enfrenta problemas, o Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, deve receber o primeiro restaurante self-service com preços controlados. De acordo com a Infraero, o estabelecimento terá o peso por quilo e uma lista de produtos com preços diferenciados, determinados por meio de pesquisa no mercado local. Além dos preços, o edital define também as variedades mínimas de opções de comida disponíveis no buffet.

O edital prevê a concessão de uma área de 104,82 metros quadrados no terraço do terminal de passageiros e dois outros espaços no subsolo para o estoque de suprimentos.  O prazo máximo previsto em edital para o início do funcionamento do restaurante é de cinco meses, contados a partir da assinatura do contrato. A abertura da licitação está marcada para o dia 22 de abril.

De acordo com a Infraero, o modelo da loja é uma variação do conceito das lanchonetes populares. A intenção é oferecer uma opção mais acessível de alimentação para os usuários de aeroportos e estimular a competição. A Infraero prevê a instalação de estabelecimentos com preços controlados em todos os aeroportos das cidades-sede da Copa do Mundo.

Com informações do Estado de São Paulo e do Terra

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Denis Carvalho

Editor chefe

  • Diego

    Tá ai uma questão que eu não entendo… Porque as comidas nos aeroportos brasileiros apresentam preços exorbitantes? Não pode ser só o aluguel do espaço, que apesar de caro (e isso é unicamente questão da INFRAERRO, que poderia tornar os preços dos pontos compatíveis com os preços praticados nas cidades a que os aeroportos servem), não deve justificar todo o abuso de preços. Não há razão para 1 refrigerante em lata custar R$ 6,00 ou mais, 1 sanduíche passar dos R$ 15,00.

    Em diversos países desenvolvidos, o preço do produto dentro do aeroporto é muito semelhante (senão igual) ao preço cobrado na região central da cidade.

    Evoluir na questão da aviação comercial passa, também, por tornar a experiência do passageiro mais agradável. Mais opções de alimentação, com preços justos; isso já seria 1 passo à frente.

    Foge do tema, mas cabe lembrar. Em POA, não temos mais nenhuma sala VIP/lounge para ser utilizada. A TAM e a GOL, quando fecharam as suas, justificaram dizendo que a INFRAERRO requisitou os espaços. O que tem lá agora? NADA! Incrível a incompetência em administrar um espaço público, que deveria aos cidadãos, não ao estado,

  • Thiago Ambrós

    Me diz uma coisa: Tem como fazer lanche a preço popular pagando R$ 67.000,00 de aluguel??????

    • Thiago, longe de mim defender a Infraero, mas é preciso lembrar que a estatal fixa um valor mínimo e a partir daí as interessadas fazem sua proposta, como uma espécie de leilão, e isso aumenta muito o preço. Ou seja, quem fixa esse valor final é a própria concorrente! O preço inicial, esse sim fixado pela Infraero, era de R$ 17 mil mensais. veja o Edital: http://licitacao.infraero.gov.br/arquivos_licitac

  • Demétrius Nob

    No mês passado estive numa conexão no Aeroporto de Congonhas. O preço de uma lata de suco era R$ 9,80 e um sanduíche R$ 18,00. Vergonhoso!

    • Cicero Santiago

      é uma palhaçada o preço dos lanches/comidas em aeroportos brasileiros, não existe meu… poxa o governo faz vista grossa pra isso e pra tantas outras coisas abusivas neste nosso país. Tá difícil, mas fazer o que né? Tem que aguentar pois nada muda neste país… nada muda pra melhor, é sempre a mesma coisa e se muda é a passos de tartaruga…

      • Celio S.F.

        Cícero, isso já foi tema de reportagem na TV e o que o Procon disse é que os preços dos aeroportos são livre concorrência, ou seja, cada um cobra o quanto quiser.

    • Celio S.F.

      Estive ano passado em Buenos Aires e paguei $18,00 (Pesos) por uma xicrinha de café expresso. O equivalente a R$9,00. Um assalto.

  • Fernando Ribeiro

    Bem caro o preço deste aluguel para uma área deste tamanho. A do restaurante com preços controlados de Confins, que só teve uma interessada, ficou em R$84.501,00, sendo que, R$1,00 foi o que a vencedora aumentou no preço quando solicitada pela Infraero a apresentar uma proposta melhor. Este valor já é altíssimo para um restaurante com preços controlados em se tratando de Confins.

  • Fred K. Chagas

    vê se a máfia de GRU iria deixar… Notícias têm sempre uma mensagem e a verdade por baixo. Claaaaaro que não é do interesse dos estabelecidos (poderosos). Mas se quiserem acreditar em tudo o que leem, vão em frente. Mas também, em GRU, o que poderia se esperar né?

  • Paulo Otávio

    Acho que também tem a questão do monopólio/oligopólio das lanchonetes nos aeroportos. Em Congonhas mesmo, tem umas duas ou três lanchonetes, que ficam uma em frente a outra, com diferentes nomes mas pertencentes ao mesmo grupo, a RA Catering. Essa mesma empresa é dona de muitas outras lanchonetes nos aeroportos do país, franqueada de lanchonetes como Bobs e McDonald's em alguns lugares, e ainda fornece a comida que comemos nos voos de algumas grandes empresas aéreas :/