Como (realmente) é viajar pela Índia? Roteiro e dicas atualizadas

Wendell Oliveira 14 · setembro · 2018

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A Índia está na lista de desejos de muita gente. Uma viagem a um destino exótico e colorido, ainda visto como longínquo e misterioso. Da espiritualidade zen dos seus milhões de deuses ao romatismo do Taj Mahal; vacas sagradas e comidas picantes. Mas basta uma rápida pesquisa na internet para se surpreender negativamente: muitos relatos apresentam a Índia como um lugar lotado, sujo, sem infraestrutura e até mesmo perigoso para o turismo. Verdade ou exagero?

O fato é que muitos blogs falam de viagens de até 10 anos atrás e não refletem a realidade do país em pleno 2018. Temos boas notícias: A Índia conhecida pela sujeira, dores de barriga e taxistas malandros está às vias de extinção. O “I” dos BRICS está se desenvolvendo a passos largos e avanços da internet como aplicativos de táxi, reservas de hotéis e avaliações de restaurantes facilitaram muito a vida dos turistas!

Se você sempre sonhou em visitar a Índia, a hora é agora. Desmistifique esse incrível país e prepare-se para a melhor viagem da sua vida!

Como chegar à Índia

Não existem voos diretos para a Índia saindo do Brasil e será necessário fazer ao menos uma conexão. Aqui no MD já divulgamos passagens baratas para a Índia a abaixo dos R$ 3.000, voando com as companhias Ethiopian, Air China e Emirates.

Brasileiros precisam de visto para entrar na Índia, que pode ser obtido na representação consular mais próxima. Mas desde a implantação do Visto Eletrônico (e-Visa) o processo ficou bem mais simples e rápido. O custo de emissão é de U$50 e pode ser solicitado até 4 dias antes da data do início da viagem. O visto eletrônico fica pronto em até 48h e permite duas entradas, com permanência máxima de 60 dias, sem possibilidade de extensão.

O Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela também é um requisito obrigatório para brasileiros que desejam visitar a Índia.

Roteiros de viagem pela Índia

A Índia é um país de proporções continentais e explorá-lo exige tempo. É comum ver viajantes separando semanas e até meses para visitar todas as regiões, embora existam maneiras mais práticas de otimizar o seu tempo.

Selecione as regiões desejadas de acordo com os seus interesses. Há roteiros prontos e já conhecidos que podem ser percorridos com facilidade.

Triângulo Dourado (Déli, Agra e Jaipur)

Indiscutivelmente a rota mais famosa da Índia, o Triângulo Dourado reúne os principais pontos turísticos e serve como uma excelente introdução ao país, podendo ser realizada em uma semana ou menos. Entretanto, a regra de ouro na Índia é: quanto mais tempo disponível, mais você poderá se “adaptar” ao país e aproveitar com calma a sua viagem.

Nova Déli

A capital Nova Déli provavelmente será seu ponto de chegada. Uma metrópole vibrante, colorida, que pode ser tão caótica quanto organizada, dependendo de onde você ficar. Hotéis no bairro de Paharganj atraem mochileiros com preços baratos em meio a ruas lotadas, barraquinhas de rua dividindo espaço com vacas e riquixás, além de estações de trem e metrô por perto. Nas proximidades de Karol Bagh Chandni Chowk há opções igualmente baratas e menos tumultuadas. Quem preferir opções de melhor padrão em áreas organizadas da cidade, pode optar por Connaught Place, próximo ao transporte público, ou em regiões ao sul da cidade como Kailash, de aspecto residencial e bem desenvolvidas.

>> Confira as opções de hotéis em Nova Déli.

Portal da Índia em Nova Déli

Déli é repleta de atrações, a mais famosa delas é o Portal da Índia (India Gate), monumento construído em homenagem aos soldados indianos mortos na Primeira Guerra Mundial. A cidade também transparece sua fé através de santuários como o Templo de Lótus, uma grandiosa construção em forma de flor de lótus, cercada por um parque que garante boas fotos. O lugar é sagrado para os adeptos da fé Bahá’í, mas é aberto a todos os visitantes de forma gratuita.

O mesmo para o templo Gurudwara Bangla Sahib, em forma de palácio e ponto de adoração para os Sikh, que acreditam que as águas do lago ao redor possuem propriedades curativas. Além disso, a capital indiana orgulha-se do belo Jardim Lodhi (Lodhi Garden), um parque com paisagismo impecável e que atrai visitante durante todos os dias do ano.

Agra

Lar do monumento mais famoso da Índia, Agra é um destino imperdível em qualquer roteiro pelo país. Não cometa o crime de não visitar o Taj Mahal: uma das sete maravilhas do mundo moderno que, independente da fama ou da lotação, vale muito a visita.

“🎵… o amor do príncipe Shah-Jehan pela princesa Mumtaz Mahal… 🎶”

Agra e Déli estão a cerca de 230 km de distância, um tour de bate-volta com carro privado é perfeitamente possível. Mas se tiver tempo, recomendamos passar ao menos uma noite em Agra e pegar o Taj Mahal ao amanhecer. Devido à curta distância entre as duas cidades, o trajeto de trem é bem popular. Até o momento não há voos diretos entre Agra e Déli.

Quer uma foto sem tantas pessoas na frente? Chegue cedo.

O Taj Mahal “abre 30 minutos antes do nascer do sol e fecha 30 minutos antes do por do sol”, e não funciona às sextas-feiras. O ideal é madrugar na fila para pegar o Taj Mahal abrindo e garantir fotos sem multidões. Durante os meses de novembro a fevereiro, a neblina pode atrapalhar a visibilidade durante a manhã — neste caso, é melhor visitar a atração à tarde.

Fora o Taj Mahal, a cidade de Agra não é exatamente bonita e possui poucas atrações, destacando-se o Forte de Agra nos arredores. Existe uma grande disponibilidade de acomodações a uma curta caminhada da entrada do Taj Mahal, para todos os bolsos. Garanta um hotel com terraço e tenha a oportunidade de contemplar o monumento a distância.

>> Confira as opções de hotéis em Agra.

Vista dos terraços de Agra

Jaipur

Finalizando o tour pelo Triângulo Dourado, vá à cidade de Jaipur, localizada no icônico estado do Rajastão, de paisagem desértica e fortes tradições. Jaipur foi a primeira cidade planejada da Índia e é conhecida como “A Cidade Rosa”, devido à cor característica de suas construções. O símbolo da cidade é o Hawa Mahal, edifício de arquitetura peculiar projetado para que as concubinas do rei pudessem olhar a cidade sem que ninguém as visse.

Forte Amber

Patrimônio Mundial pela UNESCO, o Jantar Mantar é um observatório construído em tempos remotos com ferramentas capazes de medir o tempo, prever eclipses, registrar a órbita das estrelas e demais atividades astronômicas. O Forte Amber chama a atenção pela opulência e já foi um palácio real, bem como outros fortes espalhados na cidade, em especial o Jaigarh Nahargarh, palcos de um belo pôr do sol todas as tardes. Demais exemplos da arquitetura tradicional indiana como o City Palace e o palácio sob as águas de Jal Mahal podem ser apreciados na cidade, que é facilmente acessível de trem ou avião. As principais atrações estão inclusas em um ticket composto ao preço de 1.000 rúpias.

Varanasi

Considerado um lugar sagrado para os hindus, Varanasi tem grande importância histórica e é uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo. Muitos fiéis acreditam que morrer em Varanasi é o caminho para a salvação e a cremação de corpos às margens do rio Ganges tornou-se um ritual corriqueiro.

Varanasi não é para os fracos. Visitá-la é uma experiência única e sensorial. Ruelas em forma de labirinto, espiritualidade exacerbada, vacas desfilando por todo o canto e o sempre lotado Ganga — como os locais chamam o Ganges — farão você amar ou odiar a cidade.

A cidade não é repleta de coisas para se fazer. O espetáculo diário de vida e morte é a principal atração. Reserve um passeio de barco (privados por 100 rúpias/1h ou compartilhados por 20 rúpias) e contemple a devoção do povo que vem de longe para mergulhar nas águas sagradas e nada limpas do rio Ganges, poluído a níveis perigosamente altos. Apesar disso, muitos indianos disputam logo cedo os melhores locais do rio para poderem se banhar, beber e expressar suas crenças. A vida parece correr livre ao longo do rio, com gente lavando roupas, cortando cabelos e até escovando os dentes em um espaço dividido com esgoto e corpos em decomposição. É altamente recomendável que turistas sequer toquem no rio.

Ritual de casamento: o casal é “batizado” com as águas sagradas do Ganges

Existem 84 ghats nas redondezas — isto é, escadarias que levam ao rio, construídas pelos antigos reis hindus que queriam ter sua morada pós-vida junto ao rio. Alguns, como o Ghat Dasaswamedh e o Ghat Assi, possuem infraestrutura com hotéis e restaurantes por perto. Outros, como o Ghat Manikarnika, são utilizados unicamente para rituais que envolvem cremação de corpos, nem sempre realizados com discrição. A visita é permitida, mas fotos não são recomendadas por questão de respeito.

>> Confira as opções de hotéis em Varanasi.

Rishikesh

Mas e a “Índia zen”, onde encontrar? Se você busca por contato com a natureza, alimentação saudável, cursos de yoga e meditação, Rishikesh é o lugar certo! A pequena cidade a 230 km de Déli é um excelente refúgio do caos da cidade grande, com natureza bem preservada e próximo à nascente do rio Ganges, onde ele ainda é limpo e até é possível mergulhar sem problemas. A cidade ficou famosa por receber os Beatles na década de 60, e até hoje é referência em comunidades alternativas e retiros espirituais (“ashrams“) para quem busca isolamento do mundo exterior.

Além de oferecer lindas paisagens, o consumo de carne é proibido e todos os restaurantes locais são vegetarianos. À noite, rituais com fogo e apresentações religiosas são realizadas em frente ao rio. Rishikesh é facilmente acessível de trem ou avião a partir da cidade de Dehradun.

>> Confira as opções de hotéis em Rishikesh.

Mumbai

Também conhecida como Bombaim, a capital financeira da Índia é uma cidade cosmopolita, com vida noturna agitada e quente o ano inteiro. Lar dos filmes de Bollywood, a maior parte das atrações de Mumbai está localizada na área sul da cidade: construções coloniais, museus, galerias de arte, shopping e até praias — embora a qualidade não seja muito boa. O Portal da Índia é a principal atração da cidade, com vista para o mar e rivalizando com o memorial de Déli. Passeie pela Marine Drive e admire os prédios em estilo Art déco. Mumbai só perde para Miami em número de construções deste tipo.

>> Confira as opções de hotéis em Mumbai.

Goa / Kochi / Kerala

Quem optar por explorar o sul da Índia terá a chance de conhecer uma região completamente diferente do restante do país! A começar por Goa, um estado de colonização portuguesa, que guarda heranças de nossos descobridores na arquitetura, culinária e até idioma — o português é falado por parte da população. Goa também é famosa pela vida noturna, com festas na praia que atraem turistas do mundo todo. A cidade de Kochi, no estado de Kerala, também é um excelente ponto de entrada para a região, com natureza bem preservada e um belo litoral.

Praias na Índia: às vezes você terá que dividí-las com as vacas

A Índia oferece muitos outros destinos que definitivamente valem a pena caso você disponha de tempo para explorá-los. A região do Rajastão reserva bonitos desertos e uma imersão total na cultura indiana. Já Khajuraho possui um templo inteiramente dedicado ao Kama Sutra. Calcutá, na região de Bengali, é muito mais do que a cidade onde Madre Teresa dedicou sua vida, mas também lar do famoso tigre-de-bengala, que habita o Sundarbans, a maior floresta de mangue do mundo.

Transportes na Índia

Trem, avião, metrô, ônibus e até “veículos” movidos a tração humana. Existem várias formas de se locomover pela Índia, das mais rápidas e confortáveis até as mais baratas – e divertidas!

Táxis, Autos (Tuk Tuk) e Riquixás na Índia

Locomover-se na Índia é muito barato, especialmente nos grandes centros urbanos. Mesmo as cidades que não possuem metrô dispõem de uma grande frota de táxis e demais “transportes alternativos”, como os autos (triciclos motorizados, como os tuk tuks do Sudeste Asiático) e riquixás. Táxis e autos podem ser encontrados facilmente na rua. Taxímetros existem, mas dificilmente usados e resta ao turista a opção de negociar preços, nem sempre justa. Nossa dica é instalar o Ola Cabs, aplicativo de transporte mais famoso da Índia, onde você tem total controle sobre o trajeto, informações do motorista e saberá o preço com antecedência. Muitos carros utilizados como táxi na Índia são produzidos por montadoras locais, consideravelmente menores do que os modelos que estamos habituados. Viagens com autos tendem a ser ligeiramente desconfortáveis, um pouco mais baratas que os táxis e valem pela experiência.

Autos (ou Tuk Tuks), os onipresentes triciclos motorizados da Índia

Riquixás são opções baratas e ótimas para fugir do trânsito. Em comum, os condutores oferecem preços irrisórios, disposição para pedalar por quilômetros e péssimas noções de inglês e geografia. Experimente dizer “Para a lua, por favor” e você provavelmente ouvirá um “yes, sir“. Tenha paciência. Se quiser experimentar o modal, prefira trajetos curtos que sejam justos para você e o condutor. Ter um mapa, GPS ou endereço anotado ajuda. Negocie o preço antes. Uma corrida de 1-2 km não deve custar mais de 50 rúpias (menos de U$1!), embora os locais paguem muito menos.

Viajando de trem na Índia

A Índia possui uma das maiores redes ferroviárias do mundo, com mais de 100 mil km de extensão. O trem é o meio de transporte mais popular no país, preferido por locais e turistas. Viajar nos trens indianos é uma experiência única, cujo grau de emoção varia de acordo com a classe escolhida.

É possível adquirir ingressos pessoalmente nas estações ou através de agências. Comprar tickets online é uma tarefa árdua, mas sites como o Make my Trip e goibibo podem ajudar.

Antes de reservar uma passagem de trem pela Índia, escolha bem a classe ciente das diferenças entre cada uma delas. Nem todos os trens dispõem de todas as classes. Há opções com leitos dobráveis para viagens noturnas e outras somente com assentos, além de vagões climatizados. Segue um resumo das classes mais populares de trem na Índia, em ordem decrescente de conforto e preço:

Classe Descrição
2A AC two tier: Vagões com ar-condicionado, compostos por seis leitos em cada compartimento em forma de beliche. Lençóis e travesseiros inclusos. É a classe mais espaçosa e confortável de todas, considerada a “verdadeira” primeira classe.
FC First class: Não se engane com o nome, os vagões desta classe não possuem ar-condicionado, tampouco roupa de cama. Somente disponível em trens antigos.
3A AC three tier: Parecida com a classe 2A, com a diferença de que possui oito leitos ao invés de seis. São dois leitos para um lado e e seis do outro, em forma de triliche. Lençóis e travesseiros inclusos. Uma das classes mais recomendáveis para turistas, ideal para quem não abre mão de conforto e também deseja economizar.
EC Executive chair car: Vagão climatizado e assentos na configuração 2 x 2, com assentos espaçosos e bastante espaço para as pernas, além de tomadas elétricas. Disponível somente em viagens diurnas.
CC AC chair car: Semelhante à classe EC, mas com assentos na configuração 3 x 2. Disponível somente em viagens durante o dia.
SL Sleeper class: Uma das classes mais comuns nos trens indianos, com triliches sem ar-condicionado nem lençóis/travesseiros. Muito procurada por quem quer economizar, com razoável conforto.
2S Second seater: Assentos em configuração 3×2, sem ar-condicionado.
UR/GEN Unreserved/General: Ingressos super baratos, mas sem garantia de assento. Sabe aquelas fotos de trens indianos abarrotados com gente até no teto? É esse. Basicamente o inferno na terra, com vagões sujos e frequentemente lotados. Não recomendável para turistas.

Atrasos já foram muito comuns no passado, mas atualmente os trens de classes superiores possuem padrões diferenciados e costumam sair no horário. Chegue com antecedência nas estações. Em algumas viagens há serviço de bordo com venda de refeições e bebidas.

Por último mas não menos importante: os vagões são dotados de sanitários. A higiene é questionável. Como em boa parte dos banheiros indianos, alguns “vasos” disponíveis serão em forma de latrina, exigindo alguma adaptação para passageiros estrangeiros. Não estranhe se ver o fundo com os trilhos em movimento – é assim mesmo!

Viajando de avião na Índia

O transporte aéreo na Índia é bem desenvolvido, com rotas conectando todo o país e uma ampla oferta de companhias low cost (Jet Airways, GoAir, IndiGo, etc). Em geral não é necessário comprar passagens com muita antecedência, embora valha a pena acompanhar os preços e aproveitar as tarifas super promocionais que eventualmente surgem.

O principal aeroporto do país, em Déli, é conectado a rede de metrô, facilitando bastante o trajeto até a cidade. Para o restante do país, sua melhor alternativa será chegar e sair do aeroporto de táxi. Vá cedo para evitar filas e contratempos. Devido ao aumento do tráfego aéreo nos últimos anos, atrasos não são raros e afetam quase 30% dos voos na Índia.

Viajando de ônibus na Índia

As condições das estradas na Índia vêm melhorando significativamente ao longo dos anos, permitindo viagens de curta-média distância com alguma comodidade e preços baixos. Existem desde ônibus de primeira classe com ar-condicionado e poltronas reclináveis, até veículos locais abarrotados e em más condições, definitivamente nada confortáveis. Passagens podem ser obtidas online pelos sites goibibo e redBus, por meio de agências físicas ou diretamente nas rodoviárias.

A maior desvantagem nesta opção é a velocidade reduzida, já que o trânsito em um país com mais de 1 bilhão de habitantes costuma ser lento e confuso, especialmente na saída das grandes cidades. O fator segurança também deve ser um motivo de atenção, sendo melhor evitar viagens durante à noite quando acidentes são mais frequentes.

Custos de viagem na Índia

A Índia costuma liderar os rankings de países com o custo de vida mais barato do mundo. E é verdade: a Índia provavelmente será o lugar mais barato que você irá visitar na vida! U$1 compram atualmente 65 rúpias indianas, e acredite, por menos que isso já é possível encontrar pratos de comida e até pagar por corridas de táxi.

Kachori, típico lanche de rua indiano: não custa mais do que 10 rúpias (U$0,15)

Mas atenção: nem sempre o custo-benefício será excelente. Quartos de hotel baratos demais têm grandes chances de ser uma espelunca. Alguns produtos à venda nos mercados estão longe de ter um padrão internacional de qualidade. Barganhar é comum e aceitável; caso ache que algo está caro, é porque provavelmente está. Não obstante, faça um turismo ético e de bom senso, sem usar o baixo custo para obter vantagens demais. Gorjetas são bem-vindas e algumas rúpias a mais na mão de um indiano farão mais diferença para ele do que para você.

Um excelente site para conferir os custos médios na Índia é o Numbeo. Verifique também a cotação da rúpia indiana.

Comida na Índia

Depois do Taj Mahal, a culinária indiana provavelmente é o segundo maior motivo que atrai turistas ao país. E não é para menos, a comida da Índia é rica em sabores, cores e temperos, provocando uma explosão de sensações em quem a experimenta.

Na Índia é comum comer com as mãos, ainda que haja talheres disponíveis. Além do delicioso arroz indiano em diversas fragrâncias (basmati, biryani), há também opções de pão como acompanhamento, como o chapatinaan (pão achatado sem fermento) e a paratha (feito com farinha de trigo integral), podendo inclusive ser recheados. Há uma infinidade de curriesmasalas e outros temperos indescritíveis, que você precisa experimentar para saber! Uma excelente introdução à culinária indiana são os thali sets, com porções pequenas combinando sabores doces, salgados, amargos, azedos, adstringentes e picantes em um único prato! Ingredientes como lentilhas, paneer (o queijo indiano) e grãos-de-bico estarão sempre presentes. Na Índia a vaca é sagrada e carne bovina não está disponível no cardápio, mas churrascos de búfalo e frango são facilmente encontrados, nas versões tipicamente locais como tikka (marinados em temperos locais) e tandoori (que leva iogurte e é assado em um forno de barro). Chá e iogurte são manias nacionais, não deixe de experimentar o chá masala e nem o tradicional lassi.

Vegetarianos se sentirão no paraíso na Índia. Boa parte da população é adepta do hinduísmo e outras crenças que desaconselham o consumo de carne, tornando os restaurantes vegetarianos presentes em todos os lugares. Os pratos são tão bem elaborados e saborosos que mesmo não-vegetarianos se adaptarão facilmente. Mas não se engane, mesmo sem carne alguns pratos podem ser caprichados na fritura e gordurosos demais.

Há uma certa “fama” de que a comida indiana possa causar revertérios no estômago por conta dos baixos padrões de higiene do país. A afirmação é correta, embora um pouco exagerada. Na verdade, o principal inimigo do turista é a pimenta e a grande variedade de condimentos utilizada nos pratos, dos quais poucos não-indianos estão acostumados. A dica é ir experimentado com calma, pedindo pratos leves e não apimentados. Com o tempo, vá “subindo de nível”.

Se a comida indiana não apetecer (ou se você simplesmente enjoar), há várias opções de redes de fast food na maioria das cidades.

“Chicken Maharaja Mac”, a versão indiana do Big Mac feita com carne de frango

Segurança na Índia

Para um país tão populoso, a Índia possui índices surpreendentemente baixos de crimes violentos, especialmente contra turistas. Pequenos furtos são comuns e recomenda-se atenção com seus pertences.

Os maiores desafios de segurança para os turistas na Índia atualmente se concentram em dois temas: golpes e assédio, este último de especial interesse a mulheres que viajam desacompanhadas.

Golpes na Índia

Cura para a AIDS e o câncer??

A maior parte dos indianos são pessoas honradas e honestas, que não hesitarão em ajudá-lo com genuína boa vontade e sem interesses. No entanto, a moeda desvalorizada e as condições precárias de vida em algumas cidades despertam pessoas má-intencionadas que tentam obter vantagens em cima de turistas, equivocadamente vistos como “ricos”.

Os golpes mais comuns são com taxistas. De jeito algum entre em um táxi (ou riquixá) sem negociar o preço antes, ou você será vítima fácil de cobranças exageradas. Ao lidar com prestadores de serviço (agências de turismo, estandes de chip de celular etc), exija sempre os recibos dos serviços contratados. Tratando-se de Índia, um destino famoso por sua aura mística, é saudável ter um pouco de ceticismo e duvidar de gurus que ofereçam milagres bons demais para ser verdade. Há muitos charlatões que abusam da fé alheia em troca de dinheiro. Além disso, duvide sempre de quem se ofereça “apenas para ajudar”. Em cidades turísticas como Varanasi, há verdadeiros especialistas em arrancar dinheiro dos turistas, que se prontificam a acompanhá-los como “guias” sem serem solicitados, dando informações – e cobrando por isso. Seja firme, eles costumam ser insistentes, mas não violentos. Na dúvida, apenas ignore.

É de cortar o coração, mas crianças também são usadas para mendicância. Caso queira ajudar, prefira dar comida do que dinheiro. Faça de forma discreta, ou você atrairá uma pequena multidão de pedintes ao seu redor. O tráfico e uso de entorpecentes é punido com rigor na Índia, mesmo que o uso de drogas recreativas e chás alucinógenos seja recorrente em alguns lugares. Recuse. Além de ser alvo de possíveis extorsões, você pode acabar sendo intoxicado e ficar vulnerável a situações desagradáveis.

Assédio na Índia

Não é tendencioso dizer que a Índia ainda é um país de cultura “machista e patriarcal”. Um dos primeiros choques ao visitar o país é perceber que há muito mais homens do que mulheres nas ruas, já que muitas tendem a ficar reclusas em casa, restritas às tarefas do lar. Ser mulher na Índia não é fácil, e não seria diferente com estrangeiras.

Um fator cultural a ser notado na sociedade indiana é a separação por gênero, desde a escola: meninos para um lado, meninas para o outro. A falta de convivência cria um enorme problema para as mulheres, que precisam lidar com rapazes que simplesmente não sabem se portar perante o sexo oposto. A ausência de presença feminina nas universidades e no mercado de trabalho só pioram as coisas.

Nas ruas, é comum olhares inconvenientes, gracejos, assovios e – em casos extremos – contato físico não consentido. Estrangeiras, especialmente as de pele clara que fujam ao biotipo da mulher indiana, normalmente atraem atenção indesejada. Não há receita para evitar o assédio. No entanto, é prudente evitar usar roupas decotadas, shorts e minissaias. A maioria das mulheres indianas cobrem os braços e pernas, imitá-las é uma boa opção.

Faça uma tatuagem de henna nas ruas e colabore com as trabalhadoras locais

Cada vez mais jovens indianos têm a oportunidade de viajar para o exterior e ter contato com mulheres fora de seu ambiente familiar, aprendendo a respeitá-las. Mas isso não é regra. De maneira alguma fique sozinha em ambientes onde só haja homens, nem aceite caronas ou ofertas de hospitalidade. O metrô possui vagões específicos para mulheres, e aplicativos de táxi como o Ola Cabs possuem um “botão do pânico” em caso de incidentes. Recomenda-se que cumprimentos como abraços e apertos de mão com desconhecidos sejam evitados a fim de evitar aborrecimentos.

Melhor época para visitar a Índia

Os melhores meses para visitar a Índia são de outubro a março, quando o clima está mais seco e com temperaturas moderadas. Durante o inverno, de novembro a fevereiro, as mínimas em Déli chegam a 8°C, enquanto nos meses de verão, de maio a junho, as máximas passam dos 40°C.

Julho a agosto é o período de monções e as chuvas fortes podem atrapalhar sua viagem. Mumbai e as regiões ao sul do país não sofrem com o inverno e possuem temperaturas estáveis ao longo do ano, com mínimas de 16°C e máximas de 33°C.

Não mergulhe no rio Ganges no inverno. Nem no verão. Nem nunca 🙂

Dicas de viagem para a Índia

– Planeje bem seu roteiro e separe dias suficientes para sua viagem, contando com eventuais imprevistos. A Índia não é um destino simples para viajar de maneira espontânea, a menos que você esteja disposto a pagar a mais por isso.

– Inglês é um dos idiomas oficiais da Índia e a comunicação não deveria ser um problema. Entretanto, o sotaque carregado e algumas expressões idiomáticas podem gerar uma leve barreira linguística. Não tenha receio de fazer a mesma pergunta várias vezes; se possível escreva, faça mímicas ou use aplicativos de tradução para não haver dúvidas.

– Os padrões de higiene na Índia são bem diferentes do que estamos acostumados. Lide com isso. Seja compreensível com algumas diferenças culturais, busque por restaurantes confiáveis que possuam boas recomendações, e confie na sua intuição acima de tudo. Andar com lencinhos umedecidos e álcool em gel na mochila ajuda. Evite bebidas com gelo do qual você não saiba a procedência. Água, somente de garrafa, preferencialmente lacradas — amasse-as após o uso, a fim de evitar adulterações. Há quem até mesmo recomende evitar a água da torneira para escovar os dentes, embora isso nos pareça um exagero.

Às vezes o conceito de “pé sujo” na Índia é levado a sério demais

– A Índia possui diversos feriados religiosos, sendo o maior deles o Holi, uma colorida celebração que toma conta do país — alterando os horários de funcionamento de diversas atrações e lotando transportes e hotéis. Fique atento, a data do festival varia de acordo com o calendário hindu. Em 2019, será celebrado no dia 21 de março. Prepare-se com antecedência.

– A linguagem corporal dos indianos é bem peculiar e chama a atenção pelas diferenças com o Ocidente. Um dos gestos mais notórios é o balançar da cabeça, como se estivesse fazendo um movimento de negação. Na verdade, o aceno significa que o interlocutor está compreendendo o que está sendo dito, embora pareça exatamente o contrário. É confuso, mas você vai se acostumar.

– A mão esquerda é considerada impura na Índia, tendo seu uso associado à limpeza e higiene pessoal. Por isso, evite usá-la para comer ou passar objetos para outras pessoas.

Sério: Não. Mergulhe. No. Ganges. Lembre-se disso.

– O slogan oficial “Incredible India” já diz tudo. A Índia é realmente incrível, em diversos sentidos. Livre-se de qualquer preconceito e vá sem medo descobrir esse lindo país com seus próprios olhos.


E você, tem planos de visitar a Índia ou já esteve por lá recentemente? Deixe suas dicas nos comentários!

Autor

Wendell Oliveira - Editor