Fui barrada na imigração americana: a primeira vez na temida “salinha” e dicas para evitá-la

Monique Renne 23 · abril · 2014

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Já estive sete vezes nos EUA e nunca passei por problema na imigração. Já viajei com excursão,família, amigos, namorado, sozinha e com um grupo de jornalistas. Sempre passei ilesa pelo pequeno interrogatório na saída do avião. Já conversei com o agente da imigração sobre caipirinhas, dei dicas de como conseguir um apartamento tão barato na Central Park West e, de curiosa, já perguntei como ele tinha um português tão bom (o agente em questão falava nove línguas). No final o resultado era sempre o mesmo: seja bem-vinda! 

Imigração na chegada aos Estados Unidos (foto: divulgação U.S. Customs and Border Protection)
Imigração na chegada aos Estados Unidos (foto: divulgação U.S. Customs and Border Protection)

Desta vez foi diferente. O aeroporto era o de Atlanta. Voo direto de Brasília. Cheguei como sempre chego: com sorriso no rosto, simpatia e um inglês razoável. “Good morning, Sir!”  As perguntas eram as de sempre: para onde vai, quanto tempo vai ficar, quanto dinheiro está trazendo. Porém o número de perguntas começou a aumentar.

Já passava do padrão que eu estava acostumada. O agente insistia no fato de eu estar viajando sozinha. Expliquei que estava acostumada a viajar sozinha. Os carimbos no meu passaporte entregam que eu viajo muito. Ele quis saber o porquê. Expliquei que sou fotógrafa e viajo a trabalho.

_ Então você está aqui a trabalho?

_ Não. Estou a turismo.

Nessa hora eu pensei: Meu trabalho é ser turista! Que azar! Fui condenada por ter o trabalho de turistar.

_ Vai fazer o que em Vegas? Está com o seu equipamento? Conhece alguém nos EUA?

As perguntas foram aumentando e aquela tensão pareceu uma eternidade pra mim. Respondi tudo calmamente, sem gaguejar! Até que chegou o temido momento de não ter o meu passaporte carimbado com a data de entrada nos Estados Unidos. Pela primeira vez ele foi colocado em uma pasta de plástico e entregue a outro agente.

_ Acompanhe este senhor, por favor.

Imigracao-estados-unidos

Pronto! Deu tudo errado! O que eu falei? Ou o que eu não falei pra ter dado errado? Passa de tudo na cabeça. Enquanto eu acompanhava aquele senhor simpático (que tentava puxar papo) eu só conseguia pensar em uma coisa: mantenha a calma!

A sala para onde fui levada tinha porta automática e os passageiros só saem de lá se alguém buscar. Dentro estavam outras quatro pessoas. Os nomes eram chamados por um alto-falante. Não demorou cinco minutos, mas foram os minutos de maior martírio da minha vida de viajante. Eu estava tão concentrada em manter a calma que nem percebi quando um agente entrou e gritou meu nome. Levantei no susto e o acompanhei até uma segunda sala. Lá estavam o meu passaporte e mais dois agentes. Simpáticos, é verdade! Mas não importa! Eu estava correndo o risco de ser enviada de volta pra casa.

Novamente respondi às mesmas perguntas. Os dois, com sorriso no rosto, foram realmente muito gentis. Estranharam o fato de o meu visto americano ser tão recente (renovei este ano) e, no mesmo passaporte, ter carimbos de entrada nos EUA com data anterior ao visto. Expliquei que aquele era o meu terceiro visto americano e o anterior estava em um passaporte com validade expirada (durante algum tempo andei com os dois passaportes por causa disso).

Eles fizeram uma cara de Ahhhhhhhh, então é isso! Pelo que entendi eles tinham acabado de perceber porque fui parar naquela salinha. Ainda assim os questionamentos continuaram. A conversa só acabou quando a pergunta foi “quanto você está trazendo de dinheiro?”. Respondi a quantia em espécie e emendei, de maneira proposital, que tinha também um American Express Platinum, sem limite (não, não sou rica, mas sei que cartões platinum são coisa rara nos EUA). Os agentes fizeram cara de espanto.

_ Você tem esse cartão mesmo? Podemos ver?

Respondi que sim, mostrei o cartão e tudo mudou! Muitos sorrisos, conversa sobre blogueiro de viagem nos EUA e, finalmente, o que eu queria ouvir:

_ Ok, obrigada! Desculpe-nos pelo incomodo e seja bem-vinda aos EUA.

Imigracao-estados-unidos-usa
Peguei minhas coisas rapidamente, fiz propaganda do Melhores Destinos (que estava claramente anunciado no meu travesseiro de pescoço) e agradeci. Saí de lá correndo para pegar meu voo de conexão para Vegas, torcendo para não mudarem de ideia até eu sair do aeroporto.

Welcome to Vegas!

Las Vegas

Dicas para passar na imigração americana

Uma das maiores preocupações dos brasileiros que visitam os EUA é como funciona o processo de imigração. Na verdade, ele é bem mais simples e menos assustador do que parece. Se tudo correr como esperado você não passará mais do que cinco minutos com o agente da imigração.

O processo começa ainda no avião. Você receberá um formulário que deve ser preenchido e entregue posteriormente ao agente que irá te atender. Ao descer da aeronave, siga as placas de imigração pelos corredores. Não tem como errar: provavelmente este será o único – e quase sempre longo – caminho. Ao chegar, você verá vários guichês: uma fila para cidadãos americanos e outra para estrangeiros. Entre na fila correta e aguarde a sua vez. Um agente te encaminhará para o guichê correto. Caso esteja em família, todos juntos poderão seguir para o mesmo atendimento.

Aqui é onde começa realmente o processo de imigração. Você precisará apresentar o passaporte, visto válido e, caso seja solicitado, documentos como passagem de volta e comprovante de hospedagem. O agente da imigração certamente fará algumas perguntas, as mais comuns são: Para onde vai? Conhece alguém nos EUA? Qual o motivo da viagem? E a sua profissão? Quanto tem em dinheiro e quantos dias vai ficar? Após as perguntas, ainda no guichê, você será fotografado e os seus dedos escaneados para comparação de impressão digital. Se tudo estiver ok você receberá o carimbo de entrada nos EUA e as boas vindas! As malas você pega apenas depois de todo este processo.

Imigração no aeroporto (Foto: divulgação US Customs and Border Protection)

Se as coisas não saírem conforme o esperado, a primeira medida que você deve tomar é não questionar. Não pergunte o porquê de ter sido levado para uma segunda entrevista, nem para onde está indo, muito menos o que pode acontecer com você. Apenas mantenha a calma e responda, mesmo que pela milhonésima vez, tudo o que for perguntado. Preferencialmente não caia em contradição. Caso as dúvidas sejam sanadas, você será liberado (com um pouco mais de emoção, é verdade) e tão bem vindo aos EUA como todos os outros.

Algumas medidas simples podem ajudar a evitar problemas na imigração americana. O Melhores Destinos separou alguma dicas para quem está com viagem marcada:

– Mantenha sempre o passaporte e visto americano à mão e com você;

– Caso o seu visto esteja em um passaporte já vencido, lembre-se de levar os dois passaportes;

– Leve impresso todos os dados da sua viagem, principalmente reservas de hotel e passagens aéreas;

– Tenha sempre uma quantia em dinheiro, além de cartão de crédito internacional;

– Ao desembarcar do avião, já tenha o formulário de alfândega (você receberá ainda no avião) preenchido e sem rasuras. Caso erre alguma informação, solicite um novo formulário;

– Não utilize equipamentos eletrônicos, câmera fotográfica ou telefone celular enquanto estiver dentro da área de segurança;

Controle de acesso no aeroporto (foto> divulgação U.S. Customs and Border Protection)
Controle de acesso no aeroporto (foto: Divulgação U.S. Customs and Border Protection)

– Na sala da imigração existe uma fila para cidadãos americanos e outra para estrangeiros. Leia atentamente qual entrada você deve pegar;

– Evite qualquer tipo de piadinha, isto vale até para a conversa entre os amigos;

– As imigrações de vários aeroportos americanos contam com intérpretes para o português, não é preciso se preocupar caso o seu inglês não seja dos melhores;

– Dirija-se ao guichê apenas quando for chamado e mantenha-se atrás da linha de segurança. Caso esteja em família, todos juntos poderão seguir para o mesmo guichê;

– Tenha, na ponta da língua, as respostas para tudo o que os agentes perguntarem e não responda mais do que o necessário;

– O número de perguntas aumentou? Responda todas elas sem contradição;

– Se acontecer com você de ser enviado para uma segunda etapa de verificação, não perca a calma. Mantenha-se seguro e aguarde ser chamado pelos novos agentes que o entrevistarão. Se você não tiver nada a esconder, as chances são grandes de ser liberado para curtir a sua tão sonhada viagem…

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Autor

Monique Renne - Editora de Destinos Jornalista e repórter fotográfica viciada em passagens aéreas. Com um mundo inteiro a ser descoberto.