GOL volta atrás e assume oficialmente o fim dos lanches gratuitos

Por Denis Carvalho

Há pouco mais de uma semana, e Melhores Destinos publicou em primeira mão a notícia de que a GOL estava pondo fim ao serviço de bordo gratuito nos voos em que há a venda de lanches. Na ocasião, a companhia aérea negou o término do serviço e garantiu que o mesmo continuava a ser servido normalmente, mas publicamos a notícia com base nos relatos de muitos leitores e mesmo integrantes da nossa equipe que fizeram voos com a GOL e não receberam bebidas e snacks gratuitos.

Após a publicação, centenas de leitores registraram que também não haviam recebido os lanches gratuitos. Apenas aqui no MD foram mais de 800 comentários fora centenas de manifestações no Facebook e no Twitter.

Diante desta mobilização, os maiores  jornais do Brasil nesta semana também abordaram o assunto e a GOL se viu obrigada a mudar seu discurso e assumiu o fim dos lanches gratuitos nas rotas em que o chamado BOB (buy on board), ou seja, a venda de lanches.

O jornal O Estado de São Paulo, que atribui a medida  à crise financeira da GOL, informa que a empresa informou ter cortado os lanches no início deste mês: “Segundo a companhia, o lanche gratuito foi suspenso no começo do mês apenas nos voos com duração superior a uma hora e meia. Dias antes do fim de março, porém, o Estado verificou que já não havia nenhuma opção de refeição sem custo para o passageiro em um voo entre o aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, e Porto Alegre. A medida não afeta a ponte aérea Rio-São Paulo, informou a Gol. De acordo com a empresa, os voos de maior duração terão apenas o serviço de venda a bordo, que oferece refeições um pouco mais elaboradas, como sanduíches. Para a aérea, o lanchinho gratuito já não atendia mais a demanda do passageiro de viagens mais longas”.

Já o jornal Folha de São Paulo traz em sua edição de hoje que a medida afeta inicialmente 180 (22%) dos 820 voos diários da companhia. Até o fim do semestre, o corte atingirá 44% dos voos -todos os que duram mais de uma hora e meia.

“Desde 2 de abril, há apenas a opção do cardápio pago nos voos que passaram pela mudança. Refrigerante, suco e batatinha saem por R$ 5 cada um. Para a companhia, o serviço gratuito deixou de fazer diferença, mas ele continuará a existir na ponte aérea Rio-São Paulo”, explica o jornal.

Em nota, a GOL informou que a suspensão dos lanches gratuitos ocorreu no dia 16 de março, ou seja, antes de publicarmos a primeira matéria. É uma pena que a  GOL tenha negado por meio de sua assessoria de imprensa, já que a medida já estava em vigor. Confira a posição oficial da empresa:

“A GOL informa que desde o dia 16 de março suspendeu o serviço de bordo gratuito nos voos que oferecem a opção de serviço de bordo pago. O novo sistema vem em linha com o plano de negócios da GOL e é amplamente utilizado em companhias americanas e europeias. Hoje, cerca de 180 voos da companhia possuem o serviço de bordo pago. O projeto esta em plena expansão e prevê, até o final deste semestre, a implantação na maior parte das rotas com duração acima de 1h15 de voo. O serviço de venda a bordo foi implantado pela GOL de forma pioneira em 2009”.

A companhia justifica ainda que a mudança trará benefícios aos clientes: “Com o serviço de bordo pago o cliente tem mais facilidade e variedade de escolha para consumo durante o voo. Entre os produtos oferecidos estão sanduíches, snacks, bebidas quentes, cervejas, refrigerantes, sucos, entre outros. A água será dada gratuitamente ao cliente que solicitar. Os pagamentos são realizados a bordo, durante o voo, e por enquanto só podem ser feitos em dinheiro na moeda nacional. A companhia esta trabalhando para oferecer, em breve, a possibilidade de pagamento com cartões de crédito”.

A venda de lanches nos voos domésticos já é algo comum em muitos países. É discutível se esse lanche gratuito faz alguma diferença e boa parte dos nossos leitores opina que não fazem a menor questão. O problema neste caso foi a GOL demorar tanto para reconhecer a medida. De todo modo, fica os parabéns à comunidade do Melhores Destinos, que mostrou mais uma vez sua força de mobilização.