Furacão em Orlando: como foi nossa experiência com o Matthew

Thayana Alvarenga 11 · outubro · 2016

A possibilidade de encontrar furacões em Orlando, Miami e outras cidades da Flórida ou Caribe sempre preocupa os brasileiros. Mas qual é o risco real? Como será que isso pode afetar suas férias? O que ocorre nesses casos? Semana passada eu estava em Orlando durante a passagem do furacão Matthew e nesse post vou relatar como foi a experiência. Já tratamos anteriormente da temporada de furacões no Caribe e nesse post vamos esclarecer mais algumas dúvidas.

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O furacão Matthew fotografado pela Nasa

No domingo, dia 2, eu fui visitar Orlando a trabalho. Havia um guia turístico me acompanhando pela cidade nas atrações que estavam na programação, então até aí estava tudo bem. Antenada nas notícias que sou, sabia da possibilidade de um furacão passar pela Flórida, porém a gente sempre pensa que estas coisas só acontecem com os outros, não é mesmo? Não foi bem assim.

Vale destacar que furacões em Orlando são muito raros – o último havia passado por lá há mais de dez anos. Mas fiquei sabendo que a possibilidade se tornou realidade e que o furacão efetivamente chegaria. Inicialmente ele viria pela costa, no caso o litoral, que é Miami. Depois disso, iria passar por Orlando, onde eu estava. Eu naturalmente sou uma pessoa bastante tranquila, então fiquei mais curiosa do que preocupada. Porém, a situação mudou um pouco quando percebi que a maioria das pessoas estava tensa. Será que eu deveria me preocupar? Os americanos são naturalmente bastante precavidos. Em alguns momentos, vi carros sendo lotados de garrafas de água e alimentos. Algumas pessoas disseram que prateleiras de supermercados ficaram vazias. Com tanta precaução, passei a achar que algo iria realmente acontecer.

Chegada do furacão a Orlando

O furacão Matthew chegou a Orlando na madrugada de quinta para sexta-feira. Antes disso, já havia muita chuva e ventos pela cidade. O suficiente para tirar qualquer pessoa e veículos das ruas – que foram proibidos de circular. A cidade ficou na situação que chamamos no Brasil de “toque de recolher”. Ninguém podia sair às ruas. Isso era instrução do Governo.

No meu caso, que estava hospedada em um resort, não havia muito o que temer. A parte ruim foi ficar presa dentro do quarto por longas horas. Isso alterou completamente a programação turística, já que todas as lojas fecharam – todas mesmo, desde comércios aos parques de diversões. Os comerciantes estavam com medo dos estragos que poderiam ser feitos pelo furacão, então preferiram proteger seus funcionários, além das próprias casas. Então tudo fechou e a cidade estava completamente “desligada”. O único barulho que se escutava era do vento uivando lá fora.

Eis que o furacão chegou e, em algumas horas, foi embora para o norte dos Estados Unidos. Felizmente não houve grandes estragos em Orlando, e Matthew estava perdendo sua força. De nível 5 ele caiu para 3, o que tranquilizou bastante gente. No vídeo acima, os ventos ainda fortes horas depois da passagem, quando enfim fomos autorizados a sair dos quartos.

Após o acontecido, era possível observar semáforos queimados, árvores jogadas pelo chão, e coisas assim. Felizmente nada irreparável como a vida.

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Durante o furacão, senti tremores em alguns momentos, sem contar que um pouco de água da chuva foi levada pelo vento ao meu quarto do hotel. Havia gritos nos corredores, provavelmente de turistas preocupados com a estranha movimentação. Que bom que não passou de um susto. Alguns pontos de Orlando ficaram sem energia elétrica e linha telefônica, então dá para imaginar o medo de algumas pessoas. Mas nada que não aconteceria no Brasil durante / após uma forte tempestade, daquelas que costumam aparecer no mês de janeiro em São Paulo.

Após a passagem…

Na expectativa de ver o Mickey, tive de me contentar com o furacão. No dia seguinte, grande parte dos comércios ainda estava fechado. No sábado, enfim, a programação feita pelo guia pôde continuar e tudo voltou ao normal. O problema é que já era meu dia de ir embora. Alguns voos foram cancelados pelas companhias aéreas, mas não foi o meu caso.

Cidade ficou sem muitos estragos após a passagem do furacão
Cidade ficou sem muitos estragos após a passagem do furacão

Na ida de São Paulo para Orlando, o piloto disse que o serviço de bordo não iria servir chá, cafés e coisas assim. O motivo? Estávamos em turbulência por contornar um furacão. Isso já disse muito sobre como seria a viagem. Meu voo se manteve para sábado à noite e consegui voltar para casa sem nenhum problema. Embora eu tenha perdido muitas atrações da programação, foi uma experiência incrível vivenciar um fenômeno deste – e sobreviver a ele, rs. Mas claro que desejo que sua viagem seja tranquila e com nenhum imprevisto assim, muito menos deste porte. Ninguém merece sair de casa para passear e ter de ficar preso dentro de um quarto de hotel, não é mesmo?

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Céu aberto e pessoas nas ruas como se nada tivesse acontecido

O que fazer se houver um furacão durante sua viagem?

1 – Mantenha a calma

Em geral, o mais importante é manter a calma. Pode parecer clichê dizer isso, mas é o passo inicial para lidar com a situação, principalmente quando envolve um fenômeno natural como este, que não depende do ser humano para acabar. O melhor dos furacões é que geralmente é possível prever sua chegada dias antes, ao contrário de outros fenômenos, como terremotos.

2 – Esteja informado

É importante sempre ficar atento às notícias. Ligue a televisão e também fique de olho na internet onde as informações costumam chegar mais rapidamente. Pode ter qualquer alteração na rota do furação que pode beneficiar seu passeio. Há, também, a possibilidade de descobrir que o furacão vai chegar com menos força do que você imagina, causando estragos menores, como aconteceu desta vez comigo. Fique informado.

3 – Não banque o super-herói

As vezes a gente pensa que “é exagero”, e que “dá para ir até tal lugar rapidinho”. Não, nem sempre dá. Não queira bancar o super herói e colocar sua vida ou a vida de outras pessoas em risco em meio a um fenômeno natural. Turistas, em sua maioria, se hospedam em hotéis. Estes espaços contam com estrutura suficiente para te deixar tranquilo, principalmente porque há uma grande equipe trabalhando disposta a te atender. Ouça as recomendações que lhe forem dadas e obedeça, assim evitando ainda mais imprevistos. Em caso de dúvidas, há recepcionistas e outros profissionais dispostos a esclarecer tudo para você.

4 – O prevenido vale por dois

Tem um ditado popular que diz que o prevenido vale por dois. A frase faz todo o sentido para esta situação. Não há como prever a intensidade que um furacão pode chegar a você, ou seja, pode ser destruidor, como pode ser apenas uma tempestade. Alguns hotéis, como o que eu fiquei desta vez, contam com espaços abertos para chegar até o lobby ou restaurante. Ou seja, em caso de furacão é impossível passar por um espaço aberto assim. Para não correr o risco de ficar sem se alimentar, leve para o quarto consigo algumas garrafas de água e coisas para comer. Já é um problema a menos.

5 – Música pode cair bem

Muita gente tem medo do barulho de tempestade, então imagine o som de um furacão lá fora? Pode ser enlouquecedor. Mas não fique sofrendo enquanto há alternativas fáceis. Coloque uma musiquinha ambiente, pode ser no seu próprio celular. Fones de ouvido também ajudam. Isso vai cobrir o barulho do vento e chuva forte do lado de fora. Com isso, você evita pensar no que acontece e ainda curte o som.

Não deixe de ler nosso post especial sobre furacões no Caribe, que afetam também os Estados Unidos.

E você, já passou por alguma situação parecida em suas viagens? Conte suas experiências nos comentários e participe com a gente!

Publicado por

Thayana Alvarenga

Repórter

  • César Novaes

    Interessante! Há uns 9 anos, se não me engano, passei por um fenômeno que não avisa quando vai acontecer, estava em Santiago quando umas 8:30 houve um terremoto de 4 graus. O engraçado foi que eu estava no elevador descendo para ir ao supermercado, senti o elevador bater nas laterais, Mas nem imaginava o que poderia ser um terremoto, pensei que era no vento canalizado no fosso do elevador, cheguei ao mercado, vi alguns produtos caídos pelo chãoe todas as pessoas tranquilas fazendo suas compras, so me dei conta do que tinha acontecido quando voltei para o Apart Hotel e vi meu amigo acordado, branco com os arregalados e me perguntou ” você sentiu o prédio tremer? ” rsrsrs. No dia seguinte fomospara Viña del Mar com uma empresa de Turismo local, tendo outros turistas do mundo todo na excursão, inclusive do Brasil, nisso a nossa guia, que era muito simpática, perguntou quem estava em Santiago desde ontem de manhã, e éramos nós 2, e ela complementou a pergunta “primeiro terremoto da vida de vocês? ” rsrsrs o mais engraçado foi que outros brasileiros que estavam na excursão ficaram chateados por terem perdido o terremoto!!!!

  • Anibal

    Mantenha todo mundo avisado de quando você vai para o Chile… Vai ser pé frio assim :p

    • Ricardo

      Haha! Estou no Rio agora, e o Pastor/Bispo Crivella deve ser nosso próximo prefeito. Acho pior que terremoto!