De São Paulo a Amsterdã em um E175: como é feita a entrega de um novo avião da Embraer

Thayana Alvarenga 30 · maio · 2018

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Já imaginou como são feitos os voos de entrega das novas aeronaves? A primeira viagem desde a sede da fabricante até o hub da companhia é conhecida como ferry flight, e muitas vezes pode ser em outro continente. Em novembro fizemos o voo da sede da Airbus em Toulouse a Belo Horizonte com o novo A320 da Azul. Desta vez, a convite da Embraer e da KLM, o Melhores Destinos embarcou no sentido inverso: de São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde fica a sede da fabricante brasileira, a Amsterdã, para a entrega do mais novo E175 para a KLM Cityhopper. Acompanhe como foi este interessante voo inaugural, atravessando o Atlântico em um avião de pequeno porte!

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Do Brasil à Holanda em um E175

A Cityhopper é uma subsidiária do grupo KLM e opera conectando 67 destinos na Europa. Ela utiliza aeronaves de médio porte, o que é estratégico para ligar aeroportos menores. Anteriormente, a Cityhopper operava voos com os holandeses Fokker, porém a empresa substituiu sua frota pelos Embraer. O principal motivo é a manutenção, que tem um custo mais baixo, além da tecnologia que ajuda a economizar até 22% de combustível.

O primeiro Embraer solicitado pela KLM foi no ano de 2008. A partir disso, a companhia passou a analisar resultados de perfomance e fazer mais encomendas com a fabricante brasileira. Ao todo, são 49 modelos Embraer, sendo que este que acompanhamos foi o último a ser entregue.

O E175 que voamos tem capacidade para transportar 88 passageiros em classe única. Sua envergadura é de 28,65 m, com comprimento de 31,68 m e velocidade de cruzeiro de 850 km/h.

Começando a jornada

A entrega da aeronave já iniciou bastante empolgante, porque a sede da Embraer dispõe de uma estrutura muito bacana em seu hangar. É bonito de ver aquele monte de aviões! Em meio a eles, lá estava o E175, que foi nossa casa durante algo em torno de 13 horas de voo (somando o total voado, sem contar as paradas para reabastecimento) e 9,5 mil quilômetros voados até pousarmos em Amsterdã. A quantidade de pessoas no avião foi completamente limitada: apenas o piloto, copiloto, manutenção, engenharia e quatro jornalistas a bordo, totalizando 12 pessoas. Bem exclusivo, né?!

O avião passou por uma longa jornada até chegar a Amsterdã. Como a autonomia de voo do E175 é de 4 mil km, seriam necessárias paradas para reabastecimentos. Os trechos foram SJC (São José dos Campos) – REC (Recife) – SID (Ilha do Sal – Cabo Verde) – FAO (Faro) – AMS (Amsterdã).

Após a solenidade de praxe, embarcamos em São José dos Campos para o primeiro trecho, até Recife. Estávamos todos na expectativa, afinal, trata-se de uma aeronave novinha! Com os cintos afivelados, a decolagem foi feita de maneira bastante tranquila, assim como o primeiro pouso. O voo durou algo em torno de 2h30.

Tudo por ali cheirava a novo, o que torna a experiência completamente diferenciada. Para começar, as poltronas possuem revestimento em couro e têm configuração 2 x 2 em azul, com o cinto de segurança em vermelho e prata. O carpete também dá um charme a mais na parte interna.

Apesar de bonita, a configuração adotada pela KLM Cityhopper nos voos regionais não oferece nada de muito especial: não há entretenimento de bordo individual, muito menos tomadas ou entrada USB – bastante úteis hoje em dia.

Por outro lado, há opções de banheiro na parte dianteira e traseira da aeronave, o que é ótimo. Apesar da simplicidade, estava tudo bastante confortável. O espaço era bom, inclusive o existente debaixo da poltrona à frente – que serve para bagagem de mão, mas também para esticar as pernas, assim tornando o voo mais agradável.

O E175 era silencioso e as pessoas presentes no voo tornaram o ambiente bastante tranquilo. Os holandeses conversavam entre si no idioma deles e nós, os brasileiros, não entendíamos nenhuma palavra. A cena era bastante engraçada.

Como não havia tripulação, não havia também serviço de bordo com comissários. Para matar a fome, os holandeses da KLM deixaram à nossa disposição durante os voos isopores com diversos tipos de bebidas, como sucos, refrigerantes, água e iogurte, além de lanchinhos recheados frios. Tinha de presunto/queijo e peito de peru. Assim mesmo, sem frescura. Um voo self service! Eu provei e aprovei!

Todo o procedimento de conferência de passaportes para território estrangeiro foi realizado no aeroporto do Recife, onde fizemos nossa primeira parada. Lá, a Polícia Federal liberou os acessos para darmos prosseguimento à viagem. Passamos pelos raios-x e já voltamos para dentro do avião: era hora de deixar o Brasil a bordo do E175!

Do Recife a Cabo Verde

Nossa próxima parada era em Cabo Verde, mais especificamente na Ilha do Sal. Decolamos do Recife sem nenhum problema e, após cerca de quatro horas de voo, já dava para perceber que estávamos chegando. Do alto, dava para ver as belíssimas águas cristalinas. Como ainda estava claro, foi possível apreciar a paisagem da ilha. Achei espetacular! Pena que apenas pernoitamos por lá para reabastecimento da aeronave, porque deu bastante vontade de ficar mais tempo e curtir aquele cenário de perto em um dia de sol.

Infelizmente não tivemos tempo para conhecer muito, mas o que deu para ter certeza é como o local é exótico. A começar pelo aeroporto que fica praticamente “no meio do nada”. É sério! Dá uma olhadinha nas imagens abaixo. Cabo Verde é país insular localizado num arquipélago formado por 10 ilhas no meio do Oceano Atlântico. Isso explica muita coisa! Curioso, né? Ah, para quem não sabe, o país pertence ao continente africano.

Em um momento específico, confesso que senti um certo medinho de estar neste tipo de voo. Isso aconteceu quando a ficha caiu de que eu estava em uma aeronave super nova, pequena (!) e voando sobre o Oceano Atlântico. E se acontecesse algo? Mas é claro que depois a gente volta para a realidade e pensa no tanto de testes e tecnologias que foram utilizadas pela fabricante para garantir a segurança de todos a bordo, então o medo vai embora e a curiosidade volta a ganhar espaço: o que mais viria pela frente?

De Cabo Verde a Portugal

Após uma noite de descanso, pela manhã retomamos nossa jornada – desta vez rumo à Europa! Nosso próximo destino era Faro. Mais umas quatro horas voando e pousaríamos em solos europeus. Este seria o fim do terceiro voo, o que significa que nossa jornada estava quase acabando.

Chegamos a Portugal por volta de meio-dia. O pouso por si só já foi uma atração à parte. O cenário maravilhoso do marzão azul visto de cima por dentro do avião é de arrepiar. Em Faro nós nem saímos do aeroporto. Na verdade, estávamos ali apenas para realizar o reabastecimento da aeronave. Enquanto isso acontecia, fizemos algo inédito: almoçamos com o avião parado em solo.

Fomos surpreendidos com a pergunta: “carne ou frango?”, feita por um dos gentis holandeses da KLM, que segurava algumas bandejas. Eu fiquei com a segunda opção, que veio acompanhada de arroz branco, um pãozinho, salada e sobremesa. Estava bem gostoso e deu para matar a saudade de comer comida – já que no dia anterior não conseguimos almoçar devido à correria dos voos durante o dia, e à noite, ao chegar em Cabo Verde, optei por jantar pizza por indicação do piloto.

Ao término do abastecimento e do almoço, cintos afivelados e seguimos, por fim, para a nova casa do E175!

De Portugal à Holanda

Por fim, o último trecho! Renovados após o almoço, estávamos todos empolgados para entregar a nova aeronave da KLM Cityhopper. Apenas três horas nos separavam do objetivo final, o que causava certa ansiedade. O tempo passou super rápido – eu, particularmente, nem senti. Quando percebi, o avião estava descendo, ficando mais perto do pouso em Schiphol.

Saímos do calor escaldante que fazia em Faro, para o frio com forte vento em Amsterdã. Após tocar o solo, enquanto o piloto estava taxiando, a nova aeronave já era a verdadeira sensação local. Da janela era possível notar uma movimentação diferenciada do lado de fora, sendo que várias pessoas estavam com suas câmeras prontas para registrar o novo Embraer 175. Eram funcionários da KLM e do próprio aeroporto que estavam empolgados com a chegada da aeronave – além de familiares dos pilotos e demais holandeses a bordo desde São José dos Campos. Infelizmente não houve batismo, mas nada que apagasse o brilho da 49ª nova aeronave chegando em sua nova casa. Portas abertas e clima de comemoração com a chegada do último avião da Embraer para a KLM Cityhopper.

Conclusão

A experiência de levar uma aeronave completamente brasileira (e novíssima!) para Amsterdã foi bastante interessante. Para quem gosta de aviação, é realmente incrível acompanhar de perto cada detalhe. Agradecemos à KLM pelo convite para participar deste momento tão especial.

E você, sabia como funcionava a entrega de um avião da fabricante para a companhia? Comente abaixo suas impressões e participe com a gente! 🙂

Autor

Thayana Alvarenga - Repórter