Febre amarela: Tudo o que você precisa saber antes de viajar para o exterior!

Thayana Alvarenga 16 · fevereiro · 2017

A febre amarela é um assunto que preocupa muitos turistas brasileiros. Os números da atual situação aqui no Brasil podem justificar este medo: desde dezembro do ano passado já foram confirmados mais de 200 casos da doença, sendo cerca de 75 mortes. Os cinco estados mais afetados são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro.

No exterior, este cenário muda um pouco. Isso porque dos 254 países signatários, 152 (60%) exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP), como comprovação de vacina da febre amarela. Por outro lado, 102 países (40%) não exigem. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que Panamá, Nicarágua, Venezuela e Cuba entraram oficialmente na lista de países que exigem a vacina da febre amarela de turistas brasileiros. É possível que mais países tomem a medida até que o surto seja controlado. Confira se o país para onde você vai precisa da vacina.

O que é a febre amarela?

Antes de falarmos mais no assunto, é importante entender o básico. A febre amarela é uma doença transmitida por mosquitos em áreas de mata a pessoas não vacinadas. A vacinação está disponível nos postos de saúde de todo o país e é recomendada para pessoas que habitam ou visitam áreas com risco. Duas doses tomadas com um intervalo de dez anos garantem a proteção por toda a vida.

Sintomas da febre amarela

Claro que qualquer doença requer um diagnóstico médico, porém casos moderados provocam, entre os sintomas: febre, dor de cabeça, náusea e vômitos. Casos mais graves podem apresentar problemas cardíacos, renais e hepáticos fatais. As pessoas podem ter dor local no abdômen, costas ou músculos, além de calafrios, fadiga, febre, mal-estar ou perda de apetite. Náuseas ou vômitos também podem acontecer, assim como confusões mentais e hemorragia.

Vacinação da febre amarela

A recomendação é de duas doses da vacina, tanto para adultos quanto para crianças. As crianças devem receber a primeira aos nove meses e a segunda aos quatro anos de idade. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Para quem não tomou as doses na infância, a orientação é de uma dose da vacina e outra de reforço, dez anos depois da primeira. Lembrando que as vacinas são apenas para quem vive ou viaja para os países de recomendação.

A vacina é contraindicada para crianças menores de seis meses, idosos acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até seis meses, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas. Em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação para estes grupos.

Para turistas que forem se dirigir a uma área que precise da vacina e que não completaram o esquema de duas doses, a recomendação é que seja vacinado pelo menos dez dias antes da viagem, que é o tempo que a vacina leva para criar anticorpos e a pessoa estar devidamente protegida. Quem tomou a primeira dose há menos de dez anos não precisa adiantar o reforço.

Transmissão da febre amarela

A febre amarela é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. A manifestação é igual nos dois casos, o que muda é o transmissor. Por exemplo, em áreas florestais o vetor é principalmente o mosquito Haemagogus. No meio urbano, a transmissão se dá pelo mosquito Aedes Aegypti (sim, o mesmo da Dengue). A infecção acontece quando alguém é picado por um mosquito infectado. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Tratamento da febre amarela

A febre amarela pode ser tratada por meio de transfusões de sangue ou apenas plaquetas, caso necessário. Analgésicos normalmente são usados para a dor e antitérmico para a febre. Por outro lado, antivirais não costumam ser eficientes. A hemodiálise pode ser necessária caso haja insuficiência renal.

Prevenção da febre amarela

A recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contra a febre amarela é a aplicação de repelente nas áreas expostas da pele, além de hospedagem em locais com tela de proteção em portas e janelas. Em passeios ecoturísticos, utilize roupas que protejam o corpo contra picadas de insetos, como camisas de mangas compridas, calças, meias e sapatos fechados.

Certificado Internacional de Vacinação

O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) é um documento que comprova a vacinação contra doenças, conforme definido no Regulamento Sanitário Internacional. A lista com os países que exigem o Certificado está disponível no site da Organização Mundial de Saúde.

Para obter o certificado, é necessário primeiramente tomar a vacina exigida e depois fazer um pré-cadastro no site da Anvisa. Na sequência, compareça ao estabelecimento que emitirá o CIVP com sua carteirinha de vacinação e documento com foto. Confira aqui todos os Centros de Orientação disponíveis.

Publicado por

Thayana Alvarenga

Repórter

  • Geraldo Junior

    Viajo em maio para cancun e faço conexão no panama, sou obrigado a tomar a vacina?

    • Ricardo

      Quem tem conexão no Panamá de até 6 horas, sem sair do aeroporto, não precisa da vacina. Mas como falta tempo para a sua viagem, recomendo ficar de olho, pois as regras podem mudar. Ou tome essa vacina logo!

    • Ronaldinho Gaúcho

      Eu tomaria, a COPA é a cia mais chata da face da terra com relação a esta vacina. E outra qual problema em se vacinar? Nenhum… Então faça logo!

    • Fabio

      Se for apenas conexao sem sair do aeroporto, nao eh necessario

      • Maria Renata

        Ai o voo é cancelado, a pessoa precisa ser levada a um hotel para passar a noite e não pode porque não tem a vacina…

        • Fabio

          Nossa, quanto pessismo.

    • Ana

      Ja fiz várias conexões pela Copa no Panamá e nunca foi pedido. A ultima, em janeiro de 2017.

  • Nayara Miranda

    To indo para Oeste Europeu semana que vem, eu não preciso do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, nao.
    certo?

    • Ricardo

      Oeste Europeu? Bom, mas não precisa de vacina para nenhum país da Europa. A vacina é exigida somente para alguns países tropicais.

  • Camille Panzera

    Para quem vai fazer uma viagem ao exterior, vale a pena se consultar com um “médico de viagem”/infectologista. Muitos países exigem que os turistas tomem a vacina contra febre amarela, mas muita gente acaba esquecendo que há várias outras doenças que as vacinas podem evitar e que muita gente não toma porque não são obrigatórias em viagens. Um médico especializado no assunto pode orientar com relação aos cuidados com comida, bebida, prescrever medicações para situações adversas, reforços para vacinas etc. Alguns Estados têm essa especialidade na rede pública.

  • Boa matéria, valeu!

  • Pedro Pinho

    Por favor, corrijam o post. O Rio de Janeiro não apresentou até agora nenhuma ocorrência de febre amarela!!!

  • Rafael Chagas

    Parabéns pelo excelente post!!!

  • Janaina Verissimo

    Parabens muito util o post!

  • Paulo Sena

    É interessante e válida essa reportagem, pois como mostra que a ANVISA realmente quer evitar a propagação mas os países não fazem nem o básico. Em dezembro do ano passado, estive na China e neste país, em tese, é exigida a comprovação de vacinação contra a febre amarela. Fiz todo o processo, tomei a vacina e consegui o certificado para a viagem. Conclusão: na imigração, quando disse que era brasileiro, só ficaram fazendo piadas sobre o Neymar….rs Então, sim é válido fazer todo o processo corretamente, contudo, nem todo mundo faz a sua parte…

    • Leandro Godinho

      Na Tailândia tive que rodar o aeroporto atrás dos carimbos por causa dessa vacina.

  • Jorge Soirefmann

    A informação do reforço da vacina para adultos, a menos que muito recentemente alterada, é furada. No site da Organização Mundial da Saúde (World Health Organization) , sob o título International travel and health – “New yellow fever vaccination requirements for travellers” é dito claramente que a validade da vacina é estendida por toda a vida, ou seja não é necessária a revacinação. Isto foi datado em 27/7/2016. Aliás, esta vacina tem eventualmente reações inconvenientes.

  • Maria Renata

    Estive recentemente em Singapura e o oficial da imigração ao ver que eu tinha tomado a vacina duas vezes ficou chocado, falou que era uma vacina muito forte e que só era necessária uma dose por toda a vida. Ai eu pergunto: Na minha carteira internacional constam as duas doses, porém ambas tem validade (2004-2014 e 2014-2024). Tecnicamente nem precisava da segunda, porém também tecnicamente a segunda em algum momento vai estar “fora da validade”. Vai ficar esse samba do crioulo doido mesmo pro resto da vida? A partir de 2024 vou entrar com esse mesmo certificado, mesmo a validade vencida?

  • Marcelo Berto

    Esse certificado tem algum custo para emissão?

    • Victor Akl

      NÃO!

  • Marcelo Berto

    Alguém conseguiu fazer o um cadastro novo para emissão do certificado?

    Tentei o cadastro novo hoje e não acessa, da erro 404 NOT FOUND!!!

    Mas alguém teve esse erro?

  • Ana

    Tenho uma duvida, tenho tentado falar com os postos de saude mas sem sucesso, então queria ver se alguem passa por algo parecido: Sei que a recomendação é que sejam tomadas no máximo 2 doses da vacina ao longo da vida. A questão é: eu ja tomei essas duas doses, porém a ultima há mais de 10 anos. Será que tenho q tomar uma 3ª dose (o que é contra indicado) para obter o certificado internacional??