Jujuy: a beleza de uma Argentina como você nunca viu

Thayana Alvarenga 30 · agosto · 2016

O cenário é de paisagens montanhosas intermináveis, acompanhadas de cavalos, vacas, lhamas, cactos e muito, mas muito verde espalhado. Já a trilha sonora fica por conta do canto de passarinhos, estes que parecem assoviar para comemorar tanta tranquilidade ao mesmo tempo e em um único lugar. Por mais incrível que pareça, esta é a realidade de Jujuy, uma província que fica ao Norte da Argentina, pouco conhecida pelos turistas, e que contrasta completamente com a realidade encontrada pelos que visitam o país em busca da popular capital Buenos Aires.

Listamos aqui alguns motivos para te provar porquê você precisa incluir ao seu roteiro de férias esta província tão charmosa e aconchegante. Partiu?

Purmamarca

Nossa visita começou em Purmamarca, um pequeno povoado que está a cerca de 90 km do Aeroporto Gobernador Horacio Guzmán, este que serve a toda Jujuy. O local é encantador e está rodeado pelo Cerro de Los Siete Colores, um dos cartões postais da região, que costuma atrair turistas e a atenção de muitas máquinas fotográficas. A paisagem é efetivamente de um morro multicolorido que cerca a singela vila, sendo que suas tonalidades fazem parte da história geológica local.

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Provavelmente embalados pelo clima que pode chegar a temperaturas negativas, as pessoas preferem se esconder pelas ruas sob cachecóis, luvas e muitas blusas. Mas não é para menos. Conforme caminhávamos, era possível observar pontos de gelo nos altos picos da singela Purmamarca. O perfil dos jujeños, como são chamados os nascidos na província de Jujuy, é bem atípico aos argentinos convencionais: levam consigo traços faciais de chilenos, peruanos e bolivianos, o que deve se dar pela proximidade do local com a fronteira destes países.

El Hornocal

Mas Purmamarca foi apenas o ponto inicial. Jujuy tem muito mais a oferecer aos turistas. Entre as opções, está também o El Hornocal, que fica após a cidadezinha de Humahuaca. A charmosa montanha conta com cinco cores diferentes e está a 4.761 metros de altitude sobre o nível do mar. O local existe há mais de 60 milhões de anos e suas cores trazem consigo significados diferentes, que representam a união de diversos minerais: o amarelo é por causa do enxofre, o vermelho simboliza a argila, o verde representa o cobre, enquanto o branco é por causa do cal e o castanho pelo ferro. Lembre-se de levar um casaco para se proteger dos fortes e acelerados ventos que são encontrados no pico.

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Salinas Grandes

O Norte da Argentina ainda oferece Salinas Grandes, um belíssimo deserto de sal. É impossível não lembrar das referências do Salar de Uyuni, na Bolívia. Em Jujuy há uma versão mais modesta, porém uma excelente opção para quem quer se perder em meio a uma paisagem deslumbrante. A crosta de sal que forma Salinas Grandes soma 12 mil m² e é cortada pela Rota 52, que liga a Argentina ao Deserto do Atacama.

O caminho traz consigo vicunhas, lhamas e outros animais típicos dos Andes. Há, também, um rio de água doce escondido na parte de baixo, a 60 metros do chão. Quem quer desfrutar de uma paisagem cultural e ancestral que conta com mais de 10 mil anos, vale a pena separar um dia para visitar as Salinas dos hermanos. Tiramos a prova real e é tudo feito de sal de verdade! Pode conferir!

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Tilcara

A singela Tilcara fica a cerca de 25 km de Purmamarca. De estrutura pequena como sua vizinha, pelo menos 5 mil moradores vivem por ali. Neste povoado, a flora é bastante árida, sendo assim, composta por acácias, cactus e pimenteiras, enquanto a sua fauna diversificada abriga guanaco, raposas e condores. O clima na região é bastante seco e a temperatura costuma ficar em torno de 20°C. A cidade é rica culturalmente, com muitas pinturas e esculturas.

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Pachamama

Entre as atrações culturais, Pachamama talvez seja a mais importante para os moradores de Tilcara. A palavra vem da língua indígena e significa “Mãe Terra”. O ritual é realizado em agosto e seu objetivo é agradecer as benção e a vida renovada a cada ano. Funciona assim: As famílias se reúnem, convidam amigos e cozinham para a Mãe Terra. Em um local da casa, são enterradas comidas e bebidas, que são oferecidas como sacrifício a Pachamama. Entre os itens, há cigarros, vinhos, folhas de coca, carnes, leite e outros artigos. Tudo de muita qualidade.

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Quebrada de Humahuaca

A cerca de 1.500 km de Buenos Aires, a Quebrada de Humahuaca foi declarada Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela UNESCO em julho de 2003. O vale abriga montanhas multicoloridas e estradas que ligam o local a povoados anteriores aos incas. A Quebrada conta com diversos atrativos naturais, arqueológicos e culturais que trazem muitos viajantes, principalmente pela imensidão de cores reunidas ao cenário natural. Não esqueça de dar uma paradinha no mirador do Hornocal, onde se alcança os 4170 metros de altitude.

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Hotelaria e alimentação em Jujuy

Mesmo sendo considerados pequenos povoados, as belezas naturais atraem muitos turistas para o Norte da Argentina. Conscientes desta demanda, a região tem uma estrutura bacana para receber estas pessoas. Há hotéis para todos os gostos e bolsos. A média de valor para um quarto duplo com café da manhã é de R$250, podendo ficar mais barato ou mais caro dependendo do período.

É importante levar um dinheiro a mais para você conseguir provar alguns dos pratos comuns encontrados por lá, que vão desde carne de cordeiro e trutas com limão, a carne de lhama e vinhos e cervejas artesanais.

Uma alternativa de economia é se hospedar em hostels, que são facilmente encontrados nas regiões centrais. Eles oferecem uma estrutura um pouco mais simples, porém contam com o necessário para aqueles que tem um espírito mais aventureiro. Mesmo assim, é importante realizar a sua reserva previamente.

Conforto em primeiro lugar

Em todas as cidades que visitamos, a estrutura era bem parecida: muitas pedrinhas, poeira e mato pelo chão. Pensando nisso, é recomendado colocar um tênis confortável para garantir uma boa caminhada e se proteger do frio. Sapatos com salto não são muito indicados pela estrutura encontrada. Em grande parte do tempo, é necessário caminhar, por isso é importante estar com um calçado confortável – e, mesmo assim, já se prepare para acumular poeira no seu tênis.

Dicas

1 – Não considero uma boa ideia alugar carro para fazer este passeio, já que as estradas são muito parecidas e a possibilidade de se perder é muito grande. Sem contar que há poucos postos de gasolina nas cidades vizinhas, o que pode atrasar ainda mais seu deslocamento. A sugestão é contratar o serviço de agências de viagens locais, que cobram alguns pesos e facilitam a ida deste trajeto para você.

2 – Leve sempre consigo garrafinhas de água, cremes hidratantes, óculos de sol e protetor solar. Mesmo com a ausência de sol, o tempo seco pode ressecar sua pele e, até mesmo, queimá-la. A altitude pode fazer com que você tenha dificuldades para respirar, principalmente à noite. Para disfarçar o clima seco, panos úmidos pelo quarto podem te ajudar a respirar melhor durante o sono.

empanadas-argentinas-jujuy3- Não deixe de provar o chá de folha de coca, consumido por muitos jujeños. Dizem que é bom para melhorar a circulação sanguínea. Além disso, muita gente costuma mastigar as folhas para prevenir o mal da altitude. Durante as refeições, você vai ver muitas empanadas argentinas. Elas normalmente são servidas como entrada de algum prato principal e podem ser de carne, frango ou até mesmo queijo. Sua aparência lembra bastante a de um pastel assado. Prove!

4 – Algumas regiões não contam com cobertura telefônica, então consulte sua operadora antes de viajar para não contratar à toa roaming internacional, que normalmente têm um preço salgadinho, e não poder usufruir do serviço.

5 – Vale a pena lembrar que não é necessário visto para entrar na Argentina – apenas de um passaporte válido ou documento de identidade recente com foto.

Agora é só fazer as malas, reservar hospedagem e garantir suas passagens aéreas para conhecer esta promissora província que tem muito a ser explorada. A Aerolíneas Argentinas dispõe de frequências diárias saindo de Buenos Aires para Jujuy, com duração de cerca de duas horas. É uma excelente opção!

E aí, já visitou Jujuy, no Norte da Argentina? Conte para a gente a experiência nos comentários e divida sua percepção do local com outros leitores!

Publicado por

Thayana Alvarenga

Repórter

  • Rodrigo eugenio

    Região fantástica, que há muito tempo cobiço visitar. Agora com o guia fica mais fácil ainda.
    Bem próximo a Jujuy está Salta, a que os argentinos se referem como “Salta la Linda”, que bem indica o nível de suas atrações.
    Pena é o preço das taxas de embarque argentinas.

  • Eu fui em Maio/16. Adorei Jujuy e Salta!
    Fiz uma roadtrip com meu namorado por lá.

  • Jujuy tem o Brasil como prioridade número um pelo ministro do turismo de lá (pelo menos foi o que fiquei sabendo semana passada). Estão lutando pra conseguir um voo direto de São Paulo com a construção de um novo aeroporto já que 90% dos turistas da região ainda são da própria argentina.
    Se conseguirem este feito, o acesso ficará muito mais fácil.