Como reduzir os preços das passagens aéreas no Brasil?

Leonardo Cassol 13 · setembro · 2016

Às vezes pode até não parecer, mas o preço médio das passagens aéreas no Brasil vem diminuindo ano após ano. De acordo com a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil – a tarifa aérea doméstica teve redução de 48% entre 2006 e 2015. No último ano, cerca de 11% dos bilhetes vendidos custaram menos que R$ 100 e quase 4 em cada 10 bilhetes custaram menos de R$ 200. Isso era algo impossível de acontecer antes de 2003, por exemplo.

A redução na tarifa aérea na aviação comercial é um movimento mundial, impulsionado nas últimas décadas pelo aumento da concorrência – especialmente das companhias low cost – e viabilizado pelos avanços tecnológicos, modernização das frotas, maior aproveitamento do espaço nas aeronaves e melhoria de processos e de práticas de gestão no setor.

O Brasil é terceiro maior mercado doméstico da aviação mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos e para a China. Mas, quando comparado a mercados mais maduros, como o norte-americano e de alguns países da União Europeia, se nota que ainda há um grande espaço para uma queda nos preços das passagens aéreas.

Quer saber o que falta para isso acontecer? Nesse post vamos listar as principais propostas que podem contribuir para os brasileiros voarem pagando menos!


Para começar, você sabe quanto do valor da passagem que você paga é utilizado pela companhia aérea para arcar com seus principais custos?

Como é formado o preço da tarifa aérea

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Fonte: GOL e Abear

Notem que combustível e pessoal representam 55% dos custos, uma concentração bastante elevada. A seguir vamos compreender melhor os impactos desses custos na passagem aérea.

O que pode contribuir para reduzir o preço das passagens aéreas no Brasil

Além de uma saudável competição nos principais mercados e rotas, as questões regulatórias e de infraestrutura são as mais impactantes, além de medidas econômicas, tributárias e gerenciais que contribuiriam para uma redução significativa nos custos do setor.


Combustível

O querosene de aviação é o maior desafio na atualidade, já que representa quase 40% dos custos das companhias aéreas. No Brasil o preço do combustível é um dos mais caros do mundo, sendo determinado pela cotação internacional do derivado em dólar, acrescido de custos de estocagem, frete e da cobrança de tributos.

Um estudo comparativo encomendado pela ABEAR – Associação Brasileira das Empresas Aéreas, mostrou que as companhias aéreas norte-americanas pagam até 44% menos pelo combustível do que as companhias brasileiras. É uma diferença tão grande que nenhuma empresa no mundo conseguiria compensar, por mais eficiente que fosse.

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Fonte: Panorama do Setor Aéreo Brasileiro 2015

Além disso, cada estado brasileiro tem uma alíquota diferente de ICMS sobre o combustível de aviação. Por exemplo, São Paulo, o maior mercado, cobra 25%, a alíquota mais alta, enquanto Brasília cobra 12%. Isso acaba criando distorções e interferindo em algumas decisões das companhias. Ao definir um novo voo ou cancelar uma rota, por exemplo, as empresas acabam colocando isso na conta.

Mas a maior distorção é causada pela isenção do ICMS sobre os voos internacionais. Muitas vezes isso é o que faz o preço da passagem para o Caribe ou para Estados Unidos ser mais barato do que um voo para o Nordeste, prejudicando o turismo nacional e os passageiros que voam pelo Brasil.

A saída seria reduzir as distorções tributárias e adotar medidas para que o preço do querosene de aviação nos aeroportos brasileiros sejam minimamente competitivos com o restante do mundo. Há um projeto no Congresso que pretende limitar a 18% o teto para a cobrança de ICMS para o combustível da aviação.


Custos em dólar

Cerca de 60% dos custos das companhias aéreas são cotados em dólar. São despesas como o leasing das aeronaves, peças de manutenção e o próprio combustível. Por conta disso, nos últimos dois anos as empresas viram seus custos dispararem junto com a cotação da moeda americana, bem em meio à crise, sem conseguir repassar isso integralmente à tarifa. Como resultado, tivemos o cancelamento de centenas de voos e de rotas, já que ficou mais em conta deixar de operar do que continuar voando com prejuízo.

A saída para esse problema não é simples. É necessário recuperar a confiança e a credibilidade da economia brasileira e retomar o crescimento o que beneficiaria não apenas o setor aéreo, mas o país como um todo. Com a economia dando sinais positivos a quantidade de passageiros também aumentaria, incentivando a criação de novos voos e o crescimento do mercado.


Infraestrutura

O Brasil avançou significativamente em infraestrutura nos últimos anos, com a concessão de vários aeroportos para a iniciativa privada, além da melhoria na gestão de alguns terminais administrados pela Infraero. Ainda assim, a condição operacional dos aeroportos continua a ser um enorme desafio para os passageiros e para as companhias aéreas.

Se por um lado os aeroportos de Brasília, Guarulhos, Campinas, Galeão e Natal tiveram melhorias significativas, ainda existem casos críticos, incluindo capitais como Vitória, Cuiabá, Porto Alegre e Florianópolis. Se formos analisar aeroportos regionais, a situação é ainda mais precária.

Os impactos vão além do desconforto para os passageiros. Na maioria das vezes há um custo adicional relevante para a companhia aérea, que pode se ver obrigada a operar com capacidade reduzida de carga e passageiros, devido a restrições na pista ou na operação do aeroporto, ou gastar tempo adicional no taxiamento, embarque e desembarque, ou ainda não poder operar por instrumentos frente a condições climáticas adversas. Tudo isso contribui para uma operação bem menos eficiente.

Além disso, as empresas reclamam que o governo adotou o modelo de concessão com leilão pela maior outorga, criando espaço o aumento de algumas tarifas não reguladas que são cobradas das companhias aéreas pelo uso dos aeroportos.

A solução seria aprimorar e avançar no programa de concessões e tirar do papel os investimentos prometidos para os aeroportos regionais, que em sua maioria não são viáveis para serem concedidos à gestão privada. Continuar avançando na melhoria dos aeroportos administrados pelo poder público, através da Infraero e de outros órgãos e autarquias estaduais, também é fundamental.


Jornada de trabalho dos aeronautas

Esse tema é bem polêmico. Mas o fato é que a jornada de trabalho dos aeronautas brasileiros é menor do que boa parte do mundo. Em recente entrevista ao jornal O Globo, Claudia Sender – presidente da Latam Brasil, lamentou que um tripulante internacional da Latam possa trabalhar na rota Londres-São Paulo três vezes no mês, enquanto o da concorrente British Airways possa voar quatro vezes. Nesse caso, o funcionário europeu é 33% mais produtivo que o brasileiro, apenas por conta da regulamentação da jornada do aeronauta.

Como mão de obra é o segundo maior custo as companhias aéreas depois do combustível, isso conta – e muito – para as empresas e para os passageiros, que pagam a conta no final, através de passagens mais caras.

Um acordo entre o sindicato dos aeronautas e as companhias aéreas poderia equalizar as normas nacionais ao padrão internacional, poupando o governo e o poder legislativo se interferir nessa regulamentação.


Controle de tráfego aéreo

Uma ponte aérea entre o Rio de Janeiro e São Paulo poderia ser feita entre 30 e 35 minutos, mas algumas vezes leva mais de uma hora, em função da saturação do tráfego aéreo. De acordo com a Associação Brasileira dos Pilotos da Aviação Civil, o controle de tráfego aéreo no Brasil é deficiente por causa de equipamentos obsoletos e da legislação, que não acompanhou a evolução do setor.

Com mais controladores e equipamentos mais modernos, as aeronaves poderiam decolar e pousar simultaneamente em aeroportos que possuem duas pistas ou voar mais próximas uma das outras, aumentando a eficiência do setor como um todo.

Outras medidas que teriam impacto na redução das tarifas aéreas no Brasil


Ambiente de negócios

Um dos itens em pauta é o aumento do limite de capital estrangeiro nas companhias aéreas que atuam no Brasil, que hoje é de 20%. Isso significa, por exemplo, que low costs de outros países não podem atuar no Brasil, bem como investidores estrangeiros não podem iniciar a operação de uma empresa aérea no país. A medida também limita a capacidade de financiamento das companhias aéreas brasileiras no mercado de capitais, por exemplo.

Há propostas para mudar o limite para 50% e até para 100%. Somente isso, contudo, não seria suficiente para aumentar ou, ao menos, manter a competição no setor. Há outras medidas polêmicas que são apontadas como importantes para fomentar a criação de companhias de baixo custo no Brasil, como as listadas a seguir.


Fim da assistência material em casos de força maior

Esta é uma mudança que gera discussões acaloradas, já que mexe com direitos atuais dos passageiros. Hoje a legislação obriga que as companhias prestem assistência material (alimentação e acomodação) em casos de força maior imprevisível, como o fechamento de um aeroporto por condições climáticas adversas.

Em quase todos os países do mundo, porém, as companhias aéreas são isentas dessa responsabilidade em casos imprevisíveis, cabendo a elas apenas oferecer reembolso ou remarcação gratuita aos passageiros.

As companhias aéreas afirmam que a mudança ajudaria a reduzir sensivelmente seus custos, com reflexo direto nos preços das passagens. Nas regras atuais, um passageiro que embarca no Recife com destino a Salvador, por exemplo, acaba sendo penalizado na tarifa pelo fechamento do Aeroporto de Curitiba, por conta da neblina, como os demais passageiros que embarcariam de ou para lá.

Há uma proposta da Anac para mudar as condições de assistência nesses casos, que aguarda aprovação do órgão regulador.


Desregulamentação da franquia de bagagens

Outra medida controversa, mas apontada como vital para a redução dos preços das passagens é a desregulamentação das franquias para bagagens despachadas. É mais uma alteração que mexe com direitos atuais dos passageiros, mas que alinha o Brasil com o que já ocorre em quase todos os países do mundo.

A questão é que hoje quem viaja sem bagagem despachada paga o mesmo preço de quem despacha dois volumes de 32 kg  em um voo internacional ou 23 quilos em um voo doméstico. Com a desregulamentação, as companhias aéreas alegam que poderiam oferecer um desconto bem maior na tarifa, beneficiando quem viajasse com pouca bagagem e cobrando um valor adicional de quem demandasse o serviço.

É assim que funciona nos Estados Unidos, na União Europeia e na maior parte dos países do mundo. Além disso, as empresas aéreas seriam livres para conceder limites adicionais para passageiros frequentes ou aos que pagaram mais caro pela tarifa, como já acontece no exterior.

Como dissemos, é uma das medidas mais polêmicas, porém mais relevantes para viabilizar a atuação de companhias de baixo custo no Brasil, bem como reduzir o preço das passagens aéreas como um todo.

Debate acirrado

Como apontamos, algumas medidas são incontestáveis e outras bem polêmicas, pois mexem com alguns direitos dos passageiros e trabalhadores do setor. Os críticos apontam que não há garantias de que tais mudanças, se confirmadas, trarão real desconto no preço das passagens. Fato. Mas, voltando ao início do post, o histórico os últimos 15 anos mostra uma queda consistente no preço médio da tarifa aérea, argumento utilizado pela Anac para defender a maioria das propostas.

Além disso, algumas mudanças poderiam incentivar a chegada de novos competidores, impulsionando à concorrência no setor. Esse movimento contribuiu para a queda nos preços em outros países.

Com as peças no tabuleiro, o mundo da aviação aguarda com olhar atento os rumos que o Brasil dará ao setor, ciente de que eles definirão como será o transporte aéreo no país nos próximos anos!

E você, o que acha dessas propostas? Deixe sua opinião nos comentários e participe!

Publicado por

Leonardo Cassol

Editor

  • Leonardo

    Um patrocínio ABEAR?

  • Guilherme

    Eu acho válido mexer nessas coisas. A franquia de bagagem internacional de 64KG é uma coisa que acho que só existe no Brasil. Todos os voos entre Europa e Eua por exemplo, QUANDO se tem uma franquia é de 20 ou 23KG. Nos voos nacionais, eu que viajo quase sempre só com uma mochila sairia muito mais satisfeito se pudesse pagar mais barato. A gente tem visto cancelamento de rotas, concentração cada vez maior de mercado (Webjet e Trip que o digam), cias rondando a falência (gol e passaredo) e nada de melhora. Ou a gente moderniza ou ficamos com o custo Brasil cada vez mais pesado no dia a dia (já chega pagar preço de BMW em Gol aqui).

    • As empresas poderiam bonificar com milhas quem não despachasse bagagens ou despachasse menos que a franquia. A Azul, por exemplo, já dá alguns pontos a mais para que faz checkin online.

  • kleber silva

    Pura enrolação.querem apenas tirar os direitos dos usuários.a questão da bagagem é simples,basta dar descontos pra quem viaja sem bagagem.e não punir quem precisa levar bagagem.o preço não é livre? Nem precisa de regulamentação , simples assim!

    • Pelo que entendo, dar desconto para quem não leva passagem é proibido pela legislação atual.

    • Pedro

      É praticamente a mesma coisa, dar desconto para quem viaja sem bagagem e cobrar mais caro de quem viaja com bagagem, no fim das contas para a companhia aérea vai dar na mesma, só vai mudar a forma com que ela vai falar com o cliente… Acaba sendo da seguinte forma: A passagem custa R$100,00 e a franquia de 23kg custa R$30,00, na verdade eu estou dando o desconto de R$30,00 para quem viajar sem bagagem, e estou cobrando R$30,00 de quem viajar com ela… As vezes se cobrar por kg levado possa ser até mais justo, a final de contas eu estou dando “desconto proporcional” de acordo com o peso da mala levada…

      • Emmanuel Kalispera

        Eu só não entendo uma coisa. A questão é o peso (por ter mais massa para transportar) ou a logística de lidar com a mala? Porque se for por peso, no limite, quem é mais magro deveria pagar menos. Antes que me matem, não sou magro, e a questão é meramente teórica e questionadora….

        • Lucas R. Martins

          Já estou imaginando o Vigilantes do Peso fazendo um acordo com a Gol hehehe

  • Excelente pesquisa

  • Emmanuel Kalispera

    Muito bom o texto e a reportagem. Creio que em breve teremos low-cost aqui no Brasil, a exemplo do que ocorre na Europa. Já viajei de Ryan Air e, realmente, é muito chato ter que pagar para despachar malas, pagar para fazer check-in presencial, etc. Mas o preço da passagem compensa, geralmente são passagens de 30 a 50 euros, na maioria das vezes. Creio que no Brasil, poderíamos ter com frequencia passagens entre 50 e 100 reais se algumas dessas medidas fossem adotadas. O que não se pode fazer é deixar o empresário embolsar totalmente essa economia com a desregulamentação.

    • RABUGENTO SFQNS

      Querem também desregulamentar a CLT assim todos trabalharão mais e receberão menos….

      • Emmanuel Kalispera

        Concordo.

      • Curious Jorge

        Viúva da Dilma detected. Eu estou farto de bancar com os recursos do Tesouro as benesses para muitos empregados improdutivos. E os empresários tb. Só quem quer manter a mamata são os militontos que nada produzem, a não ser confusão e arruaça.

    • Muito obrigado, Emmanuel! É isso aí!

    • Marcos

      Aí é que mora o perigo. Nunca vejo o empresário deixar de embolsar aqui no Brasil. Se colocar mais concorrentes, eles dão um jeito de formar cartel, mas não abrem mão do lucro maior. Prova disso são os bancos e montadoras, com seus lucros absurdos e serviços/produtos caros, mesmo quando recebem desoneração de impostos. Talvez com concorrentes mais agressivos, como essas low cost estrangeiras, a coisa ficasse diferente.

  • Italo Silveira

    Concordo em quase todos os pontos, exceto em retirar a franquia de bagagem. Aqui no Brasil nós temos, infelizmente, a cultura da exploração, as companhias aéreas não diminuiriam preços com essa retirada. Nós sairíamos prejudicados.

    • Lucas R. Martins

      É exatamente o que acho.. Elas ficariam com o lucro e não repassariam para o consumidor.

    • FGomes

      alguem reduziria a passagem, sem duvida alguma. e se uma reduz, as outras se veem forçadas a reduzir tambem. eh a maravilha do livre mercado, que infelizmente esta longe de acontecer aqui porque de livre nao tem nada, eh ultra-regulamentado por leis ineficientes que, essas sim, tem interesse de f**** com o consumidor

  • Frederico Luna

    Enquanto o brasileiro achar que o alto preços das passagens, dos carros, dos apartamentos e etc. é culpa dos empresários “gananciosos”, a maior parte dessas medidas não irá passar. Quando o brasileiro começar a entender de economia, quem sabe…

    • Guilherme Linux

      Enquando a gente não entende de economida vamos tratando empresários coitadinhos, num país de lucros criminosos. Tenho pena da FIESP. Só bonzinho ali, preocupado com a desigualdade no Brasil.
      Menos Frederico, menos…

      • Frederico Luna

        Se ser empresário Brasil e tão fácil e os lucros são altíssimos, por que o que todo mundo quer é passar em concurso? Por que todo mundo não vira empresário milionário também? Assim ninguém vai ter que se preocupar com o preço da passagem aérea.

        Outra coisa: é só no Brasil que o empresário é malvado e não vai repassar as economias para o consumidor? Por que na Europa e nos Estados Unidos algumas dessas medidas foram adotadas e o preço da passagem baixou? Lá as empresas são boazinhas?

    • FGomes

      Ao Guilherme Linux: preocupado com desigualdade? que papo é esse, desde quando empresário está (ou deveria estar) preocupado com desigualdade? o negócio é sim lucrar, e pode ter certeza, ao fazer isso, está contribuindo para redução de desilguadade, ao gerar emprego, renda, infelizmente ao pagar impostos, etc. Sai dessa mentalidade de socialista do seculo XX

  • Frederico Luna

    Por sinal, excelente texto!

  • Alan Freitas

    Boa matéria, entretanto faltou o percentual do lucro da empresa, que em média no Brasil chega a ser o dobro da média no exterior (22%). Ou seja, uma parte dos altos valores cobrados pelas passagens também é devido ao alto lucro praticado por aqui… Lucro Brasil!

    • Lucro Brasil é difícil, geralmente as empresas lutam apenas pra sobreviver e não operar no prejuízo. Custo Brasil é a palavra certa pra tudo da errado neste país.

      • Guilherme Linux

        Lutam pra sobreviver? Já viu empresário pobre? Eu não. E ainda tem a FIESP pra fazer campanha do pato golpista e os otarios acreditarem que o problema é o imposto.
        Lucro brasil. Ou enfrentamos ele ou seremos eternamente esse país desigual.

    • Guilherme

      A margem de lucro mundial fica na casa dos 3% para as aéreas. Se aqui fosse 22% a Gol não tava devendo até o último fio de cabelo e todo semestre adiantando receita do smiles.

    • As companhias brasileiras estão todas no vermelho! No ano passado foram R$ 6.32 bilhões de prejuízo somando as quatro: http://www.valor.com.br/empresas/4609343/aereas-brasileiras-quadruplicam-perdas-em-2015

  • Peter Johansson

    Discordo que “Em quase todos os países do mundo, porém, as companhias aéreas são
    isentas dessa responsabilidade em casos imprevisíveis, cabendo a elas
    apenas oferecer reembolso ou remarcação gratuita aos passageiros.”
    De acordo com o regulamento da UE 261/2004 as companhias aéreas sempre são obrigadas a oferecer alojamento e refeições nestes casos também, porém, não são obrigadas a pagarem indeminização.

    • Peter, se for problema climático as cias na Europa não oferecem estadia nem auxílio. Isso é responsabilidade do passageiro. Leia a UE 261 toda que você vai ver as excepcionalidades. http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/26/voo-atrasado-ou-cancelado-na-uniao-europeia-voce-pode-ganhar-ate-600-euros.htm

      • Peter Johansson

        A análise não é tão simples assim. Quando o passageiro comprou ida e volta com a mesma companhia ou operadora de turismo e o problema extraordinário acontece na ida o entendimento da Corte Européia é que a companhia não precisa oferecer nada, como no caso normal o passageiro pode voltar para sua casa. Quando acontece na volta a empresa tem, sim, responsabilidade em oferecer alojamento e refeições, mas não indenização. Esse entendimento foi esclarecido em vários casos na Corte após a nuvém de cinzas após a erupção do vulcano Eyafjattlajökull na Islândia. Não época trabalhava numa operadora de turismo na Europa e tive a responsabilidade, como todas companhias aéreas, de trazer os passageiros de volta para a sua origem e arcar com os custos da estadia até isso poder ocorrer. Muitas companhias chegaram a usar ônibus para conseguirem cumprir com esse dever.
        O ponto que estou tentando fazer é – o artigo passa a impressão que o Brasil é uma exceção assegurando os direitos de refeições e alojamento em situações climáticas extraordinárias e que “todo mundo” lá fora não faz isso. Isso não é correto.
        Pode-se discutir se é justo deixar as companhias com essa responsabilidade, mas isso é outro assunto. O entendimento atual na Europa é que as companhias têm maiores possibilidades de arcar com esses custos, podendo contratar apólices de seguro etc. O consumidor em si neste sentido é fraco e deve ser protegido. Existem companhias que tentam desafiar este entendimento, como a Ryanair e a Norwegian, mas até agora sempre perderam no judiciário. Agora, é correto que este entendimento não vem só de uma simples leitura do regulamento e, sim, da jurisprudência européia.

        Mas estamos juntos no desejo das tarifas aéreas baixarem ainda mais no Brasil…

        • Artur

          Bem colocado eu não sabia desses detalhes, muito boa informação!

  • Josue Catharino Ferreira

    Texto excelente e provocativo. Discordo do argumento que os trabalhadores são menos produtivos que os congêneres internacionais. É só comparar os salários.O problema maior da aviação brasileira é a questão de falta de escala, resultado do baixo poder aquisitivo da população. Viajar custa caro no Brasil… Concordo com o argumento sobre os altos preços dos combustíveis e das taxas aeroportuárias.
    Por fim, interessante é perceber que enquanto acumulam prejuízos milionários, algumas empresas aéreas resolvem investir em patrocínio de Seleção Brasileira, Tocha Olímpica, etc.

    • Obrigado Josue. Era essa a proposta do post. Se queremos passagens baratas como em outros países, temos que analisar também o que tem de diferente aqui. Afinal, queremos todos passagens aéreas mais baratas. Sobre os salários, minha dúvida é se eles não são mais baixos justamente por conta da regulamentação. O que vem primeiro?

    • André Felipe

      as empresas investem em tocha olímpica, por exemplo, pois elas acreditam que o retorno no marketing e exposição da marca da cia seja positivo para a cia aérea.
      e na hora de comparar o salário do trabalhador, você tem de levar em conta o custo total da empresa, como FGTS, 13o salário, o que torna o funcionário brasileiro mais caro.

  • Laisa Murtost

    #Post patrocinado. 😉

  • Emmanuel Kalispera

    O cara que morreu por causa de 220 reais kkkk

  • GUETAO

    Ou seja nao vai melhorar bunca

  • FabioPalmeiras

    Melhoras significativas na infraestrutura dos aeroportos e redução nos preços de passagens, a partir de 2003. Curioso…. tem gente que só enxerga aquilo que quer ver…. E, pra variar, SP sempre cobrando os impostos mais caros do país….

    • Fábio, você tiver a oportunidade de passar pelos aeroportos de Brasília, Campinas, Galão, Natal, Terminal 3 de Guarulhos, certamente vai ver que melhorou muito. Eu voo entre 2 e 8 vezes por semana e posso dizer que não tem comparação, na minha opinião e de milhares de passageiros (veja as pesquisas de qualidade que são públicas e compare com 10 anos atrás)! Isso não quer dizer que esteja tudo perfeito, mas melhorou muito. Agora se você vai a Vitória ou Florianópolis, por exemplo, dá pra sentir a diferença da falta de investimentos. Goiânia, por exemplo, passou quase 15 anos em obras antes de ser entregue. Sobre os preços das passagens, antes de 2003 voar era muito mais caro do que ônibus. São fatos. Basta constatar.

      • André Felipe

        Leonardo, você chegou a pegar o aeroporto de Santarém antes da reforma?
        Aquilo ali era de dar nojo… e STM é a segunda mais importante cidade do Pará em fluxo.

  • Leonardo Victório

    Interessante que não foi mencionado no cálculo do custo da passagem o lucro da companhia aérea, bem como também não houve nenhuma sugestão quanto a diminuição dos lucros. Fato é que atualmente se prefere mexer nos direitos dos passageiros e nos dos trabalhadores do que nos lucros dos empresários. Pelo post ficou a impressão de que as Cias estão fazendo caridade, pois trabalham somente para cobrir os custos operacionais e de direitos dos funcionários e passageiros, o que não é verdade. A AIATA estimou que a LATAM teria um lucro de um bilhão de dólares em 2015. Até o ano passado, Gol, Latam, Azul e Avianca haviam encomendado 199 aviões novos, no valor de 20 bilhões de dólares. Só o consórcio do dono da Azul, que comprou a TAP vai investir cerca de 800 milhões de euros na companhia portuguesa. Assim, apesar do custo Brasil realmente ser alto, me parece que não são os direitos dos consumidores e trabalhadores da aéreas que impedem a baixa dos preços. Está na hora de rever as margens de lucro.

    • Leonardo, o cálculo citado se refere aos custos das companhias. O lucro ou prejuízo é o resultado da operação. Ele vem depois. Sobre o post, estamos apenas apresentando fatos e algumas propostas que a Anac trabalha com o objetivo de reduzir os preços das passagens. Sobre o lucro das cias, os balanços das companhias são públicos. Se você olhar bem vai ver que elas estão no limite do prejuízo. http://www.valor.com.br/empresas/4609343/aereas-brasileiras-quadruplicam-perdas-em-2015

  • Cesar, o entendimento da Anac é que essas medidas reduziriam os custos das passagens. Isso não significa que ela esteja certa. Mas a proposta se baseia em medidas que foram tomadas em vários outros países que conseguiram esse objetivo. Algumas medidas, inclusive, dependeriam de mudanças na lei e não estão sobre a alçada da ANAC, como o aumento do limite de capital estrangeiro no setor aéreo.

  • Ernesto Lippmann

    Leo E o palel dos impostos ,altissimos no querosene de aviação, as carissimas taxas da anac, e as exigneicas burocráticas? Todas elas empurram o custo da passagem para cima, além dos impostos e exigências burocráticas comuns a todas as empresas.

    • Pois é. Isso está no post!

      • Ernesto Lippmann

        Eu acho que isto deveria serr mais aprofundado no artigo. Qaunto os altissimos impostos pesam na passagem, a ponto de um voo para o exterior ser mais barato, só porque neste caso não há impostos no combustivel? E, as taxas de aeronavegação, quanto são no Brasil, e no exterior? Aqui para um voo local num avião pequeno são quase 200 reais. Não sei o valor exato, mas são considerávelmente mais caras para um jato.Quanto se cobra no exterior? Quanto são as taxas de pouso? Qual a diferença destes custos no Brasil e no exterior? E, as multas exorbitantes da ANAC, que lembram as multas de transito na fúra arrecadatória? Tudo isto é repassaado para o consumidor, além de toda a burocracia da empresa brasileira que, por força de lei é muito maior do que a da similar americana. Sei que é dificil quantificar, mas certamente nestes pontos também temos um papel importante no custo do transporte aéreo. E, o custo de importação de aeronaves? Não tenho ideia da relação de preços para um jato Brasil versus exterior, mas um avião de pequeno porte custa pelo menos 2 vezes mais caro aqui do que lá fora, ou as vezes 3 vezes mais caro.

  • Guilherme Linux

    Pelo amor de Deus pessoal. Até quando trataremos os empresários brasileiros como coitadinhos. A FIESP agstou MILHOES na campanha do pato porque ela esta preocupado com o povo?
    O lucro no Brasil é criminoso. E ajuda a entender essa desigualdade.

  • FGomes

    Essa galera sugerindo controle de lucro de empresas tinha que ir pegar avião em Cuba. Vamos evoluir galera, século XX já acabou. Vocês já deveriam ter entendido que empresa ganhando dinheiro = aumento da qualidade de vida da população.

  • Ninguém aguenta mesmo, tanto que a TAM foi vendida para a LAN, a GOL para a Delta e KLM e a Azul para a Hainan e United. E vem muito mais por ai…

  • Ricardo

    Excelente texto. Acho muito válido diminuir a franquia de bagagem internacional, pois 2 malas de 32 kgs é para burro de carga, e não existe em lugar nenhum do mundo.
    Essa diferença entre os estados brasileiros, na cobrança do ICMS no combustível, deveria terminar também, inclusive por segurança. Foi um dos motivos do acidente da TAM em Congonhas, pois o Airbus aproveitou para encher seu tanque em Porto Alegre, que cobrava uma alíquota menor que São Paulo, e consequentemente aterrisou com mais peso do que deveria.
    Coitada da Lan, empresa lucrativa até decidir comprar a TAM e entrar no mercado brasileiro. No dia da “fusão”, em junho de 2012, as ações da Lan custavam 13.700 Pesos chilenos. Hoje custam menos de 5.300 Pesos.

  • Mauricio Ferrari

    1) Quem não tem empresa não tem a menor idéia do que é custo, lucro, encargos, Custo-Brasil, pelo menos na vida real, na prática, e sinceramente nem deveria falar em diminuição de lucros das empresas.
    2) Acompanho bem de perto o setor aéreo nacional e internacional há 4 décadas, por isso sei que uma empresa aérea é um dos negócios mais complexos dentre as atividades comerciais. Só sobrevivem os mais profissionais e que conseguem se modernizar rapidamente, enxergando as tendencias antes que a maioria dos concorrentes.
    3) Empresa existe para dar lucro. Você abriria uma só pra trocar figurinha? E nas aéreas, o que hoje é lucro, amanhã vira recurso pra cobrir prejuízos.
    4) Alguém aí nos comentários citou que as empresas encomendaram muitos aviões!!! Caramba!!! , é em aviões mais novos, mais seguros, mais silenciosos, mais econômicos que queremos voar!!! Ou não!?
    5) Sou totalmente a favor de diminuir muito a regulamentação e emparelhar nossas leis e regulamentos às internacionais. O Brasil sempre querendo reinventar a roda na economia e nas políticas sociais, e é assim que vamos ficando cada vez maisbpra trás . Olha a Coréia do Sul por exemplo!
    Precisamos menos “direitos” falsos do trabalhador, menos “direitos” falsos do consumidor, porque essas coisas nos tornam mais pesados e menos eficientes. A economia quando gerida por leis inteligentes por si só

  • kleber silva

    CONCORDO AS AGENCIAS DEVERIAM SERVIR AOS USUARIOS E NÃO AS ESPRESAS. MÁS AQUI NO BRASIL…

    • Agência Reguladora em qualquer lugar do mundo não existe para defender só o usuário do serviço regulado. E em se tratando de aviação, grande parte das regras são internacionais.

  • Muito obrigado, Maurício!

  • Muito obrigado, Matheus! Seria ótimo se a gente tivesse trem aqui.

  • No estado do Piauí a cobrança, salvo engano, é zero no SWKQ. Por isso que a Azul voltou a mandar um avião vazio para Parnaíba. Enquanto nós discutimos aqui, os donos das cias estão ávidos pelo bolsa querosene. Simples assim. Falam de custo Brasil mas a realidade que enfrentamos se chama Lucro Brasil.

  • Concordo. Também ao citar EUA seria interessante informar o valor do subsídio das cias norte-americanas. Outra coisa é crer que empresas low-cost operariam aqui quase que num passe de mágica. Mas o debate é válido, mesmo que muitos dos colegas não façam uma melhor contextualização do assunto.

  • Sergio, se as passagens baixarem de preço os beneficiados serão todos os passageiros. Não fomos nós que elaboramos as propostas. Apenas reunimos fatos e algumas medidas propostas pela Anac. Algumas delas funcionam em outros países onde as passagens ficaram realmente baratas. Como está escrito no post, é impossível dizer se isso também vai ocorrer aqui. É um bom debate. Mas negar discutir e enfrentar algumas das questões apresentadas e esperar que as passagens baixem por obra do acaso não me parece ser muito inteligente.

  • Tem que ver o de CKS, isso sim. O de MAB é uma beleza comparado com aquilo!

  • Hori G.S. Horikawa

    Alguem me explique por que as cias aéreas preferem voar com poltronas vazias a dar descontos de ultima hora e lotar o vôo? e por que passagem de ida sai mais caro do que ida/volta?

    • Bruno Bastos

      Depois que o voo está pago, passageiros a mais são mais peso e mais gasto de combustível. Fora que de última hora acho que quase ninguém compra pq os preços são extorsivos

      • Hori G.S. Horikawa

        por serem caros ninguem compra e os voos não saem com 100%.Em alguns países são vendidos o Last Minute ticket exatamente para evitar a ociosidade. Peso a mais e mais gasto de combustível? Ele não vai viajar de graça e sim com desconto.