Como é voar com a Qatar Airways no 787 Dreamliner

Marcel Bruzadin 1 · abril · 2016

Dando sequência à publicação de avaliações de companhias aéreas enviadas por vocês, leitores do Melhores Destinos, hoje colocamos no ar a experiência de voo da Ana Cristina da Rocha Monteiro, que teve a oportunidade de voar de São Paulo até Munique na Alemanha, com conexão em Doha, com a Qatar Airways em um novíssimo Boeing 787 Dreamliner.

Para quem não sabe, a Qatar Airways é uma das melhores companhias aéreas do mundo e hoje está na 2ª colocação do guia de companhias aéreas do Melhores Destinos. Mas será que vale a pena voar com a Qatar? Confira o review completo, incluindo informações de conexão para o trecho que a Ana Cristina voou e tire todas as suas dúvidas.

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Caso também tenha voado com a Qatar Airways, não se esqueça de deixar suas impressões nos comentários ao final do post, eles ajudarão muitos outros viajantes e leitores do Melhores Destinos.

Boa leitura!

Introdução

Em minha última viagem tive a oportunidade de voar pela Qatar Airways, mundialmente conhecida como uma das melhores companhias aéreas do mundo, na rota Doha – Munique – Doha e no novíssimo Boeing 787 Dreamliner.

Na ocasião, a Qatar havia feito uma promoção global que durou três dias, onde passagens de São Paulo para diversos lugares da Europa, Ásia e Oriente Médio estavam com preços bastante convidativos. Como eu tinha planos de ir à Alemanha e depois ao leste europeu, comprei uma passagem São Paulo (GRU) – Munique (MUC) – São Paulo (GRU) pagando R$ 1.850, muito mais barato que a Air France/KLM estavam cobrando, por volta de R$ 2.400. Como moro no Rio de Janeiro, fiz os voos até São Paulo com a Gol.

Antes que me perguntem, realmente não faz lá muito sentido fazer conexão em Doha para depois alcançar a Europa, mas fui movida pela curiosidade de viajar com uma das melhores companhias aéreas do mundo, além do preço e do fato de voar num Dreamliner.

Compra do Ticket

A compra da passagem aérea foi fácil e rápida. O preço indicado no final veio em reais e já incluía as taxas. Contudo, o serviço ao cliente da Qatar é um dos piores que conheço. Para esclarecer uma dúvida sobre a possibilidade de a companhia aérea providenciar hospedagem durante uma conexão mais longa, liguei para três números diferentes, onde ou eu não era atendida ou me mandavam ligar para um outro número – e ninguém sabia responder uma simples dúvida.

Embarque

Embarquei no Aeroporto de Guarulhos de madrugada, no voo das 2:45. Depois de quase 14 horas de voo, cheguei a Doha às 23:00, horário local. A área do aeroporto é gigantesca. Descemos longe dos fingers e fomos transportados de ônibus até os respectivos terminais – o cartão de embarque mostra, pela cor, em qual devemos descer. Se o destino final for Doha, o cartão tem detalhes em azul, se somos passageiros em conexão – como era o caso, em amarelo.

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Minha conexão foi rápida, de apenas 1h50min. Assim, foi só o tempo de dar um passeio pelo terminal, olhar o Duty Free, bom e não muito grande, e me conectar à internet. A conexão da internet começou ruim, mas depois melhorou.

As tomadas para plugar os notebooks, smartphones e outros gadgets são muito disputadas e ficam em balcões, um pouco longe dos assentos das salas de embarque.  O terminal estava bastante movimentado e as filas nos balcões de informação da Qatar eram imensas e lentas.

No voo de volta ao Brasil, minha conexão era mais longa e decidi utilizar o Espaço Oryx. Por US$ 40 é possível desfrutar de um lounge com comida e bebida à vontade, chuveiros (mas você mesmo deve ter seu sabonete, toalha, etc.), poltronas e sofás para descansar. Internet gratuita e de conexão melhor do que do lado de fora.

O limite de tempo de permanência é de 6 horas, o que foi o suficiente para eu recarregar minhas baterias antes de uma longa viagem. Quem for VIP ou Frequent Flyer da Qatar (Privilege Club) tem outro longe exclusivo à disposição.

Área de check-in

Como eu estava em conexão e não fiz outro check-in em Doha, não sei o quão organizado o serviço é. Posso opinar sobre o serviço de verificação dos cartões nos portões de embarque, que foi um pouco lento e os ônibus para levar os passageiros às aeronaves demoravam a chegar, fazendo com que nos amontoássemos nas salas de embarque.

Área de alimentação

Área de alimentação de porte menor do que eu esperava, mas que atende às necessidades dos viajantes.

Aeronave

Agora vamos ao Dreamliner, um dos motivos da viagem. Realmente o avião é ótimo! Novíssimo, configuração de 3 assentos por fileira e com distância confortável entre para a poltrona da frente (tenho só 1.70m, mas nem sempre consigo acomodar meus 92 cm de pernas de modo satisfatório).

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A largura da poltrona também era adequada. Outra coisa que adorei no Dreamliner é que as janelas não fecham, mas têm dimmers para impedir a claridade de entrar! À medida que ia clareando o dia, podíamos regular a entrada da luz solar. Não vi os comissários solicitando que as pessoas o fizessem, mas fato é que muitas janelas estavam escurecidas, principalmente mais perto da hora do pouso em Munique, quando já eram quase 07:00 da manhã.

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Serviço

Recepção impecável pelos comissários de bordo, sempre sorridentes e prontos a solucionar pequenos abacaxis, como negociar troca de assentos com passageiros. Os acessórios fornecidos no voo foram: travesseiros, mantas e fones de ouvido. No trecho GRU – DOH, vi um comissário que falava português, já no trecho até Munique era “apenas” inglês, alemão e árabe.

Aqui faço uma observação: toda a tripulação está de parabéns, incluindo a dos voos com origem e destino São Paulo, serviço igual ou até melhor do que o da Singapore, com a qual viajei para Barcelona;

Refeições

Eu sou suspeita para falar de comida de avião, geralmente gosto de tudo que servem e acho tudo uma delícia – talvez influenciada pelo fato de estar comendo a caminho de um destino super-legal ou pra onde estou indo pela primeira vez, com toda a expectativa boa que isso traz.

Tanto na ida como na volta do trecho GRU-DOH havia duas opções entre massa, carne ou frango, tudo bem apresentado, farta escolha de bebidas (água, suco, café, vinho) e lanchinho e suco para os insones no fundo do avião, tudo bem saboroso.

Eu já estava sentada mais ao fundo do avião e ainda havia as duas opções.  Não foi disponibilizado o cardápio previamente em papel, como faz, por exemplo, a KLM. Deveríamos acessá-lo no sistema de entretenimento.

Entretenimento

Como não durmo direito em aviões (tenho certo medo), tratei de conferir o sistema de entretenimento. Filmes recentes para todos os gostos, tela de ótima resolução e comando que se assemelhava a um smartphone, em cristal líquido.

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Inúmeros canais de TV, jogos, seriados, jornais e filmes, variedade suficiente para distrair até o mais entediado dos passageiros. Também há uma revista de bordo que achei boa, mas com menos conteúdo do que as de outras companhias aéreas.

Incidentes

No trecho que estou relatando, DOH-MUC-DOH, não houve qualquer contratempo, tudo correu às mil maravilhas. No voo GRU-DOH, contudo, um comissário se viu obrigado a repreender (com educação) um pai cujo filho de uns 4 anos de idade resolveu “tocar o terror” e subir nos apoios de braço da poltrona onde deveria estar sentado, já perto do pouso, depois de passar boa parte do voo incomodando os passageiros chutando e se apoiando nos encostos das poltronas. O comissário disse ao pai que era a segurança do menino que estava em questão e mandou que ele o vigiasse.

Chegada

Chegando a Munique, a retirada da minha bagagem transcorreu normalmente, mas foi uma das últimas a aparecer na esteira, para meu desespero (já tive problemas com mala que ficou na conexão).

O aeroporto de Munique é um dos melhores que conheço, com farta quantidade de lojas, incluindo um supermercado e conexão com as linhas de trem e ônibus. O balcão de informações da Deutsche Bahn (a companhia ferroviária alemã) e da MVG (a companhia de transporte urbano) ficam perto da saída e os funcionários são muito amistosos, já quebrando aquela impressão de que todo alemão é frio.

Único detalhe é que, na volta ao Brasil, a atendente do check-in errou a cor do meu cartão de embarque e na conexão em Doha tive que ficar atenta para não descer do ônibus no terminal errado.

Dicas

Dependendo da categoria da tarifa do bilhete, é possível solicitar acomodação em Doha por conta da Qatar, para quem vai fazer conexões superiores a 8 horas. Contudo, como contei lá no começo, recomendo paciência e tentar também contato por e-mail, pois o serviço de atendimento ao cliente é muito falho.

Se vocês forem olhar a página da empresa no Facebook, ela tem vários posts de gente reclamando do atendimento (ou falta dele).

Conclusão

Recomendo a todos a experiência de voar pela Qatar. Fico sempre de olho no Melhores Destinos para acompanhar a publicação de alguma promoção com a companhia.

Publicado por

Marcel Bruzadin

Marcel

  • Você não está sozinha, muita gente já foi para Europa com a Qatar (inclusive eu).

    Saudades daquela promoção da Qatar em 2010, que vendeu passagens para Barcelona e Madrid por R$570,00 com as taxas.

    • Ana Cristina Da Rocha Monteiro

      Cara, eu lembro dessa! Eu estava morando em Strasbourg, mas voltaria ao Brasil no meio do ano e as datas eram pra outubro. Passei a madrugada tentando comprar e não consegui… 🙁

  • Bandeira

    Quando viajei não tive acesso liberado ao espaço Oryx, apesar de que me virei muito bem com outro lounge, também pago, no aeroporto.
    E a hospedagem em Doha não era, pelo menos até junho do ano passado, por conta da Qatar. Eles resolviam tudo, mas por 150 doletas.

  • Thiago

    Viajei com a Qatar de Miami para Doha no 777 e no A380 pra Bangkok. Gostei do voo, realmente a cia é boa, porém esperava um pouco mais.
    O meu comentário pode parecer um pouco preconceituoso, mas uma coisa que atrapalha um pouco os voos da Qatar é a grande presença de indianos. Sem querer generalizar, mas todos os voos que peguei com muitos indianos a bordo tive problemas. Eles são em regra muito sem noção.
    Neste voo Miami – Doha quando cheguei no meu assento tinha uma indiana no meu lugar (corredor) que relutou muito para sentar no meio (lugar dela). A pessoa sentada atrás de mim, também indiana, ficava botando os pés no meu assento, fui chutado a viagem inteira. Sem falar nas gritarias e brigas entre eles mesmos na cabine.

  • Ana Cristina Da Rocha Monteiro

    Me afirmaram outra coisa, Bandeira. Na época (março de 2014), eles faziam um esquema semelhante ao da Emirates no caso de ausência de opções de conexão mais longas. Mas isso pode ter mudado e na sua época, não ser mais possível.

    • Bandeira

      Estamos falando do STPC, correto? Com transfer, hotel e visto.
      Acho que pode ter condições diferentes para bilhetes diferentes (além de que há condições para que ele esteja disponível!). No meu caso, em voo promocional, estava condicionado a este pagamento. Essa informação pode até ser encontrada na internet, em outros relatos.
      No final das contas o dólar havia subido pouco tempo antes de minha viagem e, como eu tinha dólar em espécie e o pagamento a eles, ainda que cotado em dólar, deveria ser feito por depósito em reais, preferi abrir mão e encarar 9h de conexão por lá mesmo. Paguei, se não me engano, 50 dólares no lounge em que fiquei e achei que valeu a pena. Um banho gostoso e pra lá de necessário e uma comida fantástica à disposição. Sem espaço pra dormir, é verdade.

  • Felipe Ernesto

    Realmente o atendimento da Qatar no Brasil é péssimo. Tive que cancelar uma passagem há um ano e tive muita dor de cabeça pra conseguir ser atendido.