GOL vai pagar bônus polêmico a pilotos por economia de combustível

Denis Carvalho 15 · abril · 2013

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A GOL encontrou uma maneira inovadora e polêmica para reduzir custos e tentar reverter os prejuízos que vem registrando. A partir de agora a companhia vai pagar um bônus salarial a pilotos e comissários de bordo se eles economizarem combustível. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso a um comunicado interno da empresa.

Datado de 27 de fevereiro, ele diz que a meta é economizar 700 toneladas de combustível por mês. Para isso, seria preciso reduzir em 40 segundos o tempo de cada voo e manter 55,1% dos voos sem atraso. Se a meta for atingida, a GOL economizará R$ 1,9 milhão por mês, dos quais R$ 820 mil serão divididos entre pilotos e comissários. Isso dá 3,3% a mais no salário mensal, para os pilotos; o primeiro pagamento será em julho.

O combustível é o maior gasto de uma linha aérea. Na GOL, são 43% das despesas. O resultado, segundo a empresa, poderá ser obtido com algumas medidas, como não acionar o reverso (dispositivo que ajuda a frear) em aeroportos com pistas mais longas, como Cumbica (Guarulhos), se elas estiverem secas. Um avião é preparado para pousar sem o reverso. Em Congonhas e no Santos Dumont, de pistas mais curtas, o procedimento é proibido.

Os pilotos foram encorajados também a pedir ao controle de tráfego aéreo rotas mais diretas entre um destino e outro, o que acelera a viagem. Nem sempre é possível, em razão do movimento. Isso ocorre porque no Brasil nem sempre os voos não são feitos em via reta entre os aeroportos de origem e destino, mas seguem rotas determinadas, as aerovias.  Além disso, devido à superlotação de alguns terminais, não é raro que os pilotos sejam o obrigados a sobrevoar por algum tempo antes de receber autorização para pouso, o que aumenta o gasto com combustível. Outra ação foi incentivar que o avião desça de maneira mais direta possível da altitude de cruzeiro (12 mil metros) até o pouso. Era comum o avião descer em degraus.

Essas ações de economia são aplicadas em outras empresas do mundo todo, como a Lufthansa – sem o bônus. A empresa alemã disse que não recorre à bonificação por questões de segurança – para não envolver o piloto em uma questão econômica. As companhias dos EUA tampouco pagam bônus. A Folha consultou a American Airlines, a United, a US Airways e a Southwest. A Continental, hoje incorporada à United, chegou a fazê-lo entre os anos 1980 e 1990. Abandonou a ideia, entre outras razões, por constatar o mau uso da medida pelos pilotos, como voar mais lentamente ou desligar o ar-condicionado da cabine.

Entre analistas de segurança de voo, não há consenso. Alguns afirmam que o bônus abre um precedente que, no limite, pode levar um piloto a tomar decisões baseadas não só na segurança mas também no que ganhará se poupar combustível. Outros especialistas, mais a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), afirmaram ao jornal que não existe risco se os procedimentos de segurança forem seguidos. A GOL também nega que haja risco e diz que os pilotos são bem treinados e que monitora os voos para detectar eventuais desvios. A companhia afirma ainda que, entre economia e segurança, a prioridade será sempre a segurança. Além disso, as metas são coletivas e não individuais.

Bonus Gol

Entrevistado pela Folha, o vice-presidente técnico da GOL, Adalberto Bogsan, garantiu que as metas de economia de combustível não põem em risco a segurança de voo. Ele diz que a proposta de bônus foi antecedida de análise, durante 13 meses, de voos da empresa, para identificar os pontos de economia. Também foi acompanhada durante todo o tempo pela diretoria de segurança da GOL. A iniciativa só saiu do papel, diz, porque a conclusão foi que não causava riscos. E que, entre a economia e a segurança, sua prioridade será sempre a segurança.

Outro fator a contribuir para a segurança, diz Bogsan, é que as metas não são individuais, mas coletivas, de modo a evitar que um piloto se arrisque, por exemplo, para bater a meta. Os tripulantes só terão acesso aos dados do voo no mês seguinte. Assim, não conseguem saber, no mesmo mês em que estão voando, se atingiram a meta ou não. O vice-presidente afirma que a intenção do projeto, no futuro, é transformá-lo em um PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

E você? O que acha dessa medida da GOL? Deixe sua opinião nos comentários

Leia a matéria completa no site da Folha de S. Paulo

Dica do leitor Mendonça Júnior

 

Autor

Denis Carvalho - Editor chefe