Avianca Brasil negocia compra de aviões da Embraer

Denis Carvalho 27 · junho · 2013

O presidente da Avianca Brasil, José Efromovich, surpreendeu hoje ao revelar que a companhia aérea negocia a compra de aviões da fabricante brasileira Embraer. Se confirmada a notícia, em breve poderemos ter jatos E190 , E195 ou E175 voando nas cores da companhia ao lado dos Airbus, já que a companhia está aposentando os antigos Fokker-100 (MK-28).

“Estamos conversando seriamente e, se o produto for como nos foi apresentado, existem grandes chances de em um futuro próximo termos aviões da Embraer voando na Avianca”, afirmou o executivo durante o I Seminário de Aeroportos Brasileiros, em São Paulo.

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Ele não revelou qual modelo de aeronave estaria negociando, mas disse ter feito um pedido particular à Embraer. “Por favor, tragam um turboélice bom para podermos atender a aviação regional brasileira. Vamos comprar dúzias deles se vocês trouxerem o projeto de que precisamos”, disse, direcionando-se a um executivo da fabricante de aeronaves.

Com o potencial de crescimento do setor aéreo brasileiro, especialmente a aviação regional, a Embraer estima que sua frota de aeronaves voando no País deve crescer. “A segunda geração de E-Jets, os E2, é de muita economicidade e perfeita para utilização no Brasil”, comentou o vice-presidente de Operações da companhia, Luis Carlos Afonso, destacando a perspectiva de expansão da aviação regional.

Ele lembrou que 200 aeronaves dessa nova família de jatos foram encomendadas pela SkyWest, uma das maiores empresas de aviação regional dos Estados Unidos. “Esperamos que em breve (os E2) também estejam voando no Brasil”. As primeiras aeronaves dessa nova família devem iniciar operação a partir de 2018.

Atualmente, segundo Afonso, existem 72 E-Jets em operação no País, o que corresponde a 16% da frota em circulação em território nacional. Segundo estimativas da Embraer, o número de aeronaves com até 120 assentos pode dobrar, enquanto as aeronaves maiores, com mais de 120 assentos, devem crescer 50%.

A companhia estima que o sistema aéreo brasileiro transportará o dobro de passageiros até 2022. Já em 2020, o índice de voos per capita passará dos atuais 0,5 para 1, ainda abaixo do índice registrado nos Estados Unidos, de 2,5 voos per capita. “Temos conhecimento de um estudo da USP que indica que em 2030 poderemos chegar a 2”, acrescentou.

Tão importante quanto imaginar os modernos E-jets riscando os céus nas cores da Avianca é saber que a companhia pretende investir pesado na aviação regional e ampliar bastante sua malha no país nos próximos anos, afinal ninguém que pensa pequeno compra “dúzias” de aviões! A pergunta é: será que os novos E2 são capazes de competir com os turboélices da ATR que reinam absolutos nos voos regionais do Brasil? Ou a Embraer vai se render aos pedidos e criar um modelo para competir com a construtora europeia? Façam suas apostas!

 Com informações da Exame e Folha de S. Paulo

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Denis Carvalho

Editor chefe

  • Fernando Vieira

    Para quem voa com os Baby Airbus, voar com E-190/195 é tranquilo. Fico feliz com isso, é sempre bom vermos aviões da Embraer sendo vendidos. Todo sucesso a empresa.

    Quanto aos turboélices, é engraçado, a Embraer era uma especialista nesse tipo de aeronave, vide o Brasília. Não sei se isso faz parte da estratégia da Embraer, mas bem que um concorrente ao ATR serviria para dar uma mexida no mercado.

  • Márcio Sampai

    A Embraer tem know-how em turboélices, inclusive começou a sedimentar seu status nos anos 80 com o Bandeirante e depois com o Brasília, mas depois se concentrou nos jatos regionais, por isso acho que ela não voltaria a este nicho.

    Sobre o pedido da Avianca, imagino que ela esteja mirando concorrência com a Azul, não com Tam ou Gol.

  • leo avelino

    Antes de comprar aviões deveriam honrar os compromissos com os passageiros. Venderam voos com saída de Brasilia, acabaram com a rota e não deram satisfação para os clientes que compraram. Já liguei várias vezes e ninguém sabe falar nada. Cade a agência fiscalizadora?

  • Luiz Eduardo

    O MD já virou meu blog de "cabeceira". Entro aqui várias vezes ao dia, sempre antes de conferir os outros blogs que também leio. E tem suas recompensas: sempre nos trazendo notícias boas (e úteis).

    E essa é uma ótima notícia! Espero que logo, logo o mercado dê uma reanimada e a concorrência aumente, trazendo benefícios para nós consumidores. Como sabemos, nos últimos tempos temos sofrido um com as aéreas. A TRIP juntou-se com a Azul e no geral as passagens ficaram mais caras. Webjet foi comprada pela Gol e nossa única "low-cost" se foi. Agora a gol pretende diminuir cerca de 200 voos. Passaredo passou por recuperação judicial (E será que se recupera?). A NHT balanceou e virou Brava. A Latam deve ser mais chilena do que brasileira. Damn it!

    Que esse investimento venha para nos ajudar e interiorizar a aviação civil. Acredito que a Embraer tem capacidade para abastecer essa necessidade à altura. Já se provou no passado e tem capacidade para fazer isso novamente.

    Vamos aguardar, mas estou muito otimista com as informações =)

  • Márcio Sampai

    Leo, acho que você está se referindo a Avianca Internacional (da Colômbia). A Avianca Brasil, apesar de ter o mesmo dono, ainda não possui vínculo direto com a colombiana.

    • Rodolpho F.

      Infelizmente, né, Márcio…

      já que a Avianca – Colômbia é bem superior e o lifemiles ajuda mtooo o viajante…basta lembrar daquela farra de viagens pra Punta Cana e cia a preços ínfimos…

      • leo avelino

        Obrigado Marcio e Rodolpho, sei que são separadas mas dos mesmos donos. emite pelo lifemiles mas precisam cumprir o vendido ou oferecer alguma coisa melhor, e é disso que estou reclamando. do descaso com os passageiros por parte da colombiana,

  • jorge felipe santos

    Melhores Destinos poderia fazer uma matéria sobre "aviões", para que seus leitores soubessem mais sobre os tipos de equipamentos, que estão utilizando em seus voos.Abraços.

    • Douglas Cunha de Alm

      Apoiado Jorge,eu por trabalhar em um aeroporto veja várias coisas,mas seria bem legal a título de curiosidade isso.

    • Fernando Vieira

      Essa seria demais, bela sugestão. As matérias que mais me atraem aqui e que sempre comento são sobre aviões e o mercado em geral. Vida de apaixonado por aviação hehehehehe.

  • Vinicius Dos Santos

    Parabéns para a Avianca, pois os EMB são ótimos.

    🙂

  • Henrique Saint'

    Boa noite, pessoal. Será que alguém poderia me passar mais informações desse estudo comparativo da USP sobre o transporte aéreo de passageiros? Estou pesquisando em área da aviação civil tbm e gostaria de ler tal trabalho.

    Grato.

  • Vitor J. Nunes

    Avianca monitora dólar para reaver margem

    A companhia pretende elevar o faturamento para R$ 1,8 bilhão

    Valor Econômico – 3/7/2013

    O câmbio é o obstáculo mais preocupante da Avianca para cumprir o plano de reaver margens operacionais positivas em 2013 e aumentar o faturamento em 33%, diz o vice presidente comercial e de marketing da empresa, Tarcísio Gargioni.

    A companhia pretende elevar o faturamento para R$ 1,8 bilhão, ante R$ 1,35 bilhão em 2012, com um aumento de 21,5% no total de passageiros transportados, encerrando 2013 com 6,2 milhões de pessoas atendidas. "Se o câmbio e o combustível não atrapalharem, a gente fecha com uma pequena margem positiva depois de ter ficado no zero a zero em 2012", afirma Tarcisio Gargioni. "Para conseguir margem positiva crescendo 30% ao ano é preciso ter taxa de ocupação. E estamos crescendo também nisso".

    O dólar indexa até 70% das despesas da companhia, segundo o executivo. Ele destaca o impacto do câmbio no cálculo do combustível, que responde por mais de 40% do custo operacional do setor. De capital fechado, a Avianca não revela indicadores de margens.

    Segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Avianca teve entre janeiro e maio uma taxa de ocupação de 81,26%, ante 78,65% no mesmo período de 2012 – a mais elevada entre as quatro maiores companhias aéreas no mercado doméstico brasileiro.

    Nos cinco primeiros meses deste ano, a oferta de assentos da Avianca aumentou 32% e a demanda avançou 36,42%. Nessas mesmas bases, o mercado como um todo teve taxa média de ocupação indo de 69,53% a 73,93%, mas com oferta recuando 6,36% e demanda estagnada nos 35 milhões de passageiros.

    "A gente cobra preços das tarifas em linha com o mercado. O que garante nossa margem é a taxa de ocupação, que tem a ver com nossos serviços, com nossas aeronaves com mais espaço, alimentação de qualidade e entretenimento", diz Gargioni. O executivo afirma que a empresa vai elevar em 8,5% o número de funcionários este ano, abrindo 300 novas vagas até dezembro.

    São pessoas que vão atender a demanda de duas ou três aeronaves que a Avianca vai acrescentar a sua frota atual, de 32 aviões. A empresa lança em julho mais duas rotas no mercado brasileiro, uma ligando São Paulo a Natal, e outra unindo a capital paulista a Fortaleza e Recife.

    "Nosso plano de expansão até 2015 está mantido de acordo com o que traçamos em 2010", diz Gargioni referindo-se ao programa de investimentos que somam R$ 2,7 bilhões no período de seis anos. "Não precisamos de capital agora. Estamos confortáveis", acrescentou.

    As concorrentes da Avianca planejam ter ou já tiveram acesso a capital em 2013. A Gol capturou parte dos R$ 1,3 bilhão que a Smiles – gestora do seu programa de fidelidade – levantou na oferta pública inicial de ações que realizou em abril. A Latam (grupo a que pertence a brasileira TAM) vai captar US$ 1 bilhão no próximo trimestre, com emissão de ações em Santiago e recibos nas bolsas de São Paulo (BDRs) e de Nova York (ADRs). A Azul acompanha as condições de mercado para abrir seu capital na bolsa e, segundo fontes do setor, levantar cerca de R$ 1 bilhão.

    O executivo da Avianca admite que o ritmo de crescimento da empresa depende bastante da economia brasileira agora. "Tivemos uma onda de demanda, com a entrada da nova classe média, que agregou milhões de passageiros ao sistema, mas não teremos outra onda dessas. Então, o múltiplo de crescimento do setor voltará a ficar entre 2 e 2,5 vezes o PIB [Produto Interno Bruto]".

    Assim, segundo Gargioni, se o avanço do PIB ficar na casa de 2,5% em 2013, como apontam projeções de economistas reunidas no Boletim Focus do Banco Central, o transporte aéreo nacional de passageiros vai registrar crescimento de 6,2% este ano.

    Um impulso extra pode vir do plano de aviação regional, que o governo federal lançou para estimular a demanda e a oferta em partes do território nacional pouco atendidas hoje pelo setor aéreo. O programa prevê investimentos de R$ 7,2 bilhões para agregar à atual malha de aeroportos mais 240 terminais.

    "Já operamos na aviação regional no Brasil em cinco aeroportos", afirma Gargioni, citando Passo Fundo (RS), Chapecó (SC), Ilhéus (BA), Petrolina (PE) e Juazeiro (CE). "E temos mais de 20 aeroportos mapeados que têm demanda e podem ser atendidos se houver algum investimento na estrutura."

    Para Gargioni, há demanda para um leque maior de aeronaves adequadas para atender esse segmento. "Pena que a Embraer não tem um turboélice", disse.

    Independentemente disso, a Avianca tem interesse em negociar com a Embraer outros modelos. O foco está na nova família de E-Jets E-2, de 130 lugares. "Se eles entregarem tudo o que estão apresentando de economia, de performance, é um avião espetacular para substituir nossos A-318".

    O executivo diz que 15 modelos Airbus A-318 serão substituídos pela Avianca ao longo dos próximos três anos.

  • Cristina Accioly

    Antes de comprar novos aviões deveria qualificar mais seus funcionários que deixaram minha mãe cair da escada rolante do aeroporto do Galeão (05/01/13) e decorrente disso ela veio a óbito no dia 11/02//2013
    Preciso de um advogado que me ajuda a processá-los..