Avaliação da Gulf Air

Wendell Oliveira 4 · setembro · 2018
Econômica
AMM - MNL
GF 972
Airbus A320-200
28/05/2018

Embarque

Previsto: 11:55h
Efetivo: 12:00h

Partida

Previsto: 12:35h
Efetivo: 12:47h

Chegada

Previsto: 11:30h
Efetivo: 11:09h

A Gulf Air é a companhia aérea nacional do Bahrein, um pequeno país no Golfo Pérsico, ilhado entre a Árabia Saudita e os Emirados Árabes. Fundada em 1950, a empresa é uma das mais antigas do Oriente Médio e deu origem à Etihad Airways após a decisão de retirar Abu Dhabi como hub. Atualmente possui uma frota de 30 aeronaves com voos para 50 destinos na África, Europa e Ásia. Fomos conferir os serviços da companhia em um voo de Amã, na Jordânia, até Manila, nas Filipinas. Confira!


Resumo do review
Gulf Air 972 / 154
Amã (AMM) – Manila (MNL)
Aeronave: Airbus A320-200 / A330-200
Pontos positivos: preço e atendimento
Pontos a melhorar: entretenimento e padronização das aeronaves

A Jordânia é um destino incrível. Considerado um oásis de tranquilidade no Oriente Médio devido à sua estabilidade política, o país é repleto de desertos, sítios arqueológicos e paisagens únicas que valem a visita — principalmente para quem vem de Israel, nação vizinha facilmente acessível por terra.

Passamos um tempo no país fazendo o Guia da Jordânia e agora era hora de partir para o próximo destino: Filipinas. Em nossas buscas, a companhia com os melhores preços sempre era a Gulf Air, embora as concorrentes Oman Air e Saudia oferecessem preços bem competitivos. Acabamos comprando as passagens por U$300, o que é um preço razoável para uma jornada de quase 18 horas cruzando a Ásia de uma ponta a outra.

Tenho o costume de acompanhar a variação de preços das passagens mesmo após a compra, por pura curiosidade. Para minha surpresa, o valor se manteve igual até o dia da viagem! Aliás, neste exato momento, enquanto escrevo a avaliação, há passagens disponíveis nessa faixa. O que me leva a crer que o preço praticado seja fixo, atendendo à grande demanda de filipinos que retornam à terra natal. Com cerca de 10% da população trabalhando no exterior, as Filipinas são o maior exportador de mão de obra do mundo, especialmente para o Oriente Médio.

Check-in

9

O aeroporto de Amã fica literalmente no meio do deserto.

Não há metrô disponível, e as opções para chegar e sair se resumem a ônibus e táxis. Fui surpreendido por um terminal amplo, bem sinalizado e moderno, um contraste com a paisagem desértica do lado de fora.

Sem bagagens para despachar, optei pelo check-in online, funcionalidade disponível no site da companhia de 24h até 90 minutos antes do voo. Selecionei os assentos e refeições especiais (sempre peço, já explico o porquê) sem maiores problemas. Recebi imediatamente os cartões de embarque em PDF por e-mail e não fiz questão de imprimir, apenas apresentei diretamente no celular.

Dois fatos engraçados aconteceram em seguida: primeiro, os funcionários encarregados de scannear o QR Code simplesmente não conseguiram colocar a maquininha para funcionar e… liberaram minha entrada, sem notificar nada! Obviamente isso causou um no-show na lista de passageiros e, minutos antes do embarque, tive a honra de pela primeira vez ter o nome chamado nos alto-falantes do aeroporto. Uma simpática funcionária trajando hijab, o típico véu muçulmano, imprimiu na hora o cartão de embarque e não acreditou quando eu contei que havia entrado sem verificarem meu QR Code – falha grave de segurança.

De todos os aeroportos do Oriente Médio que já passei, o de Amã é provavelmente o mais relaxado no quesito segurança, reflexo de um país neutro e sem inimigos aparentes. Entrei com uma garrafa d’água na área de embarque após passar pelo detector de metais – que curiosamente não reconheceu a fivela do meu cinto e nem as moedas da carteira.

O embarque atrasou poucos minutos, o suficiente para contemplar alguns aviões taxiando pela pista em meio ao deserto. Dentro de poucos minutos começaria o primeiro trecho da viagem, de Amã para a conexão em Bahrein.

Cabine

7

Embarcamos em um A320-200 com cheirinho de novo. A primeira impressão foi a melhor possível: uma aeronave confortável, com excelente espaço entre os assentos e para bagagens. A limpeza estava impecável. Confesso que fiquei com vontade de ver a companhia voar um dia para o Brasil, fazendo concorrência com a Emirates e Qatar, além de preencher o espaço vago deixado pela Etihad.

O voo da capital jordaniana para Bahrein levou pouco mais de duas horas, em uma viagem tranquila e sem maiores incidentes. Tanto as condições gerais da aeronave quanto o serviço de bordo e o entretenimento disponível foram melhores do que o esperado. O pouso foi suave, com direito a uma vista panorâmica do arquipélago barenita e seu curioso litoral artificialmente recortado.

A conexão no aeroporto do Bahrein durou cerca de cinco horas e foi uma experiência agradável, embora um pouco cansativa. A internet funcionava bem, havia várias tomadas disponíveis e ganhamos até lanchinho de graça. Estávamos no período do Ramadã (época de jejum dos muçulmanos, do nascer ao pôr do sol), e todos os passageiros receberam um pequeno kit com pães e doces.

A exemplo de outros destinos no Oriente Médio, como Doha e Dubai, o Bahrein também é um hub internacional que liga viajantes do mundo inteiro. É interessante observar esse contraste típico de aeroportos movimentados: jovens europeus voltando das férias, famílias indianas em roupas coloridas, empresários asiáticos engravatados e mulheres muçulmanas em roupas conservadoras, todos juntos, indo às mais variadas direções do globo.

Nem todo mundo esperou o sol se pôr para abrir a caixinha…

Enfim, hora de embarcar rumo a Manila! Era só entrar no avião, relaxar na poltrona e pronto: Filipinas, aí vamos nós… “Epa, que isso, mudaram a companhia?”. Foi esse o meu primeiro pensamento ao embarcar no velho A330-200 da Gulf Air de configuração 2 x 4 x 2, que certamente já viveu dias melhores. A diferença do padrão do primeiro voo era brutal.

Embora o espaço continuasse ótimo, a limpeza deixava a desejar. A falta de cuidado com a manutenção, como o carpete sujo e rachaduras no acabamento da janela, destacava mais ainda mais o aspecto encardido da aeronave. Até mesmo o atendimento e a forma de entretenimento oferecida mudou. Falarei mais sobre isso abaixo.

O chão tá sujo, senhor comissário!

Entretenimento

6

Além da revista “Gulf Life” da companhia, o primeiro voo era dotado de telas de entretenimento sensíveis ao toque acompanhadas de fones de ouvido. A seleção de filmes era bem curta, mas suficiente para um voo de 2h10 de duração. Isto é, dá para assistir “A Forma da Água” todo e ainda utilizar os 10 minutos restantes para tentar entender como um filme desse levou o Oscar.

Já o segundo voo, de Bahrein para Manila… Nem sei por onde começar. Vamos lá:

“E o salário, ó!”

Olhe bem essa tela. Sério, olhe novamente. Analise a proporção. É bem possível que a tela do seu celular/tablet seja maior que isso. Concordo que tamanho não é documento, mas uma telinha tão diminuta – sem controle de brilho, aliás – não atende a um voo com 9h30 de duração. Desnecessário dizer, o sistema era todo analógico, sem touchscreen, manuseado apenas por um controle preso ao assento. Calma que piora.

De repente ouço um estalo vindo do teto. “Será algum problema técnico na aeronave? O céu está caindo?” Não, é apenas uma tela jurássica do A330-200 da Gulf Air descendo na direção da minha cabeça. Depois do susto, resta apenas contemplar o trabalho de engenharia que foi inserir uma TV de tubo dentro de um avião.

Parabéns a todos os envolvidos

Prefiro não reclamar e aproveitar a viagem, quem sabe escolher um filme legal para ir assistindo. No entanto, o sistema analógico das telas de entretenimento não é nenhum Netflix e simplesmente não dá a opção de trocar de filmes (selecionar legenda, nem pensar). A curta seleção se faz por meio de canais, como uma TV comum. Com uma diferença: só há um filme disponível em exibição. Adivinhe qual?

Nãããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããão!

Sem ter para onde correr (literalmente), o jeito foi zapear até encontrar o canal do mapa do voo – esse sim, merecia o Oscar.

Serviço de bordo

7

A partir do segundo voo tivemos à disposição o kit de amenidades, composto por protetores auriculares, meia, tapa-olhos e uma bolsinha. O kit já se encontrava sobre os assentos no momento do embarque.

Apesar da curta duração do primeiro voo (2h10), uma refeição foi servida. Durante o check-in online solicitei com antecedência o menu hindu (dica: refeições especiais são servidas primeiro!), composto por arroz biryani, frango e castanhas, acompanhada por arroz doce e salada. As opções padrão oferecidas aos demais passageiros foram carne com arroz, macarrão com frango e uma opção vegetariana. O macarrão com frango estava delicioso, bem caprichado no queijo.

As opções de comida no segundo voo caíram bastante de nível. Um pãozinho com iogurte de morango foi oferecido como lanche. Como refeição especial, meu prato hindu era frango ao curry. As opções padrões em carne ou frango somente, este último bem similar ao meu prato hindu, com arroz diferente e grãos-de-bico. A apresentação de ambos os pratos estavam bem aquém do esperado, acompanhados de uma salada insossa e um doce que não fui capaz de identificar.

Comissários e equipe de solo

8

Uma curiosidade: embora o uso do véu não seja obrigatório para as mulheres no Bahrein (e nem na Jordânia), tanto as colaboradoras da equipe de solo quanto as comissárias vestiam o acessório, o que parece ser parte do elegante uniforme da companhia.

Após ter o nome chamado no alto-falante do aeroporto devido a um erro no check-in, fui muito bem atendido pela equipe de solo, que esbanjava simpatia e boa vontade, independente das diferenças linguísticas e culturais. Já os comissários não se destacaram muito e fizeram um serviço dentro da média, com considerável diferença no segundo voo, do Bahrein para Manila.

Programa de fidelidade

5

A Gulf Air possui o programa de milhagem Falconflyer, que permite pontuar em voos operados pela companhia e também através de codeshare com o prefixo GF. Os pontos podem ser resgatados em forma de passagens, upgrades e parceiros como hotéis e locadoras de veículo.

Apesar disso, a Gulf Air não faz parte de nenhuma aliança global, o que torna o programa pouco atrativo para o passageiro comum que não viaja frequentemente com a companhia.

Nota final

7,0

Chegamos em Manila antes do horário, mais um ponto para a Gulf Air. A saída no movimentado Manila Ninoy Aquino International Airport foi tumultuada como o esperado, e rendeu alguns perrengues de viagem.

Sobre a Gulf Air, minha avaliação é dividida, afinal a sensação foi de ter voado em duas companhias diferentes. De Amã para Bahrein, um voo exemplar. Do Bahrein para Manila, um serviço abaixo da média. A impressão que fica é que, a fim de reduzir custos, o voo para as Filipinas é feito na base do “para quem é, está bom”. São poucos turistas fazendo essa rota, a maior parte dos passageiros são filipinos, mão de obra barata no exterior, em sua maioria trabalhando como babás ou na construção civil.

Em resumo, eu viajaria novamente com a Gulf Air, especialmente com passagens a preços promocionais. No entanto, adoraria ver uma padronização nos serviços prestados. E mais filmes, por favor!


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