Avaliação da Emirates

Leonardo Cassol 3 · maio · 2018
Econômica
GIG - EZE
EK 247
Boeing 777-300ER
27/04/2018

Embarque

Previsto: 15:15h
Efetivo: 15:45h

Partida

Previsto: 16:15h
Efetivo: 16:40h

Chegada

Previsto: 19:45h
Efetivo: 19:22h

A Emirates é uma das maiores e melhores companhias aéreas do mundo. Com sede em Dubai, possui uma frota moderna com mais de 260 aeronaves, atendendo mais de 150 destinos no mundo. A empresa voa diariamente entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com jatos Boeing 777, numa rota que faz sequência para Dubai.

Embarcamos num dos voos do Rio de Janeiro para a capital argentina nesse último feriado e contamos como foi a nossa experiência, e no que ela difere da maior parte das companhias que operam com aeronaves menores.

Resumo do review

Duração da viagem: 2h50m

Destaques positivos: assento, entretenimento e serviço de bordo

Pontos a melhorar: cobrança para reserva de assento

A compra da passagem

A passagem foi emitida com milhas Smiles (o programa tem parceria com a Emirates desde 2016). Eu paguei 11 mil milhas por trecho, por pessoa, totalizando 44 mil milhas a ida e volta para um casal, mais taxas que somaram R$ 339 por pessoa, ou R$ 678 no total.

Eu achei um bom uso das minhas milhas, considerando que a viagem ocorreu num feriado prolongado, com uma boa cia (era a minha primeira vez voando Emirates), e que incluía franquia de bagagem despachada (até 2 volumes por passageiro). Foi melhor ainda porque acumulei essas milhas aproveitando uma promoção divulgada no Melhores Destinos, onde ganhei 100% de bônus na transferência sobre os pontos do meu cartão de crédito. Ou seja, o custo foi equivalente a apenas 11 mil milhas por pessoa (ida e volta)!

Ressalto que a passagem nesse trecho normalmente custa 15 mil milhas, mas umas 4 vezes por ano costuma ter promoção com resgate reduzido, como essa aqui que também divulgamos no site.

Check-in

7,5

Reserva de assento (?!)

Logo depois de comprar a passagem na Smiles eu fui todo empolgado reservar os assentos no site da Emirates. O Boeing 777 têm uma configuração ruim para quem viaja em casal, 3 x 4 x 3, sendo bem difícil conseguir um dos poucos assentos das últimas fileiras, que tem a configuração 2 x 4 x 2. O problema foi que, ao acessar a minha reserva, descobri que a Emirates cobra para reservar previamente os assentos em classe econômica. E bem caro! Isso independe de comprar a passagem com milhas, ou em dinheiro. Para reservar o assento antes do check-in, somente pagando, ou sendo membro com status Gold do Skywards, programa de fidelidade da companhia.

Para Buenos Aires, num voo de cerca de 3 horas, o menor valor para reserva antecipada de assentos era de R$ 70 por pessoa, numa poltrona comum, R$ 130 na fileira que eu queria, com apenas 2 poltronas no canto, chegando a R$ 192 por um assento com mais espaço para as pernas (as primeiras fileiras e saída de emergência). Na boa, R$ 640 a mais (o valor do casal, ida e volta) me pareceu uma extorsão (imaginei nessa hora os preços dos assentos no voo para Dubai)! Fiquei p… da vida! E decidi pagar para ver, sem gastar nenhum centavo! Ainda fui sacaneado porque fiquei enchendo a bola da Emirates na hora de comprar a passagem e, no fim, sequer consegui marcar uma poltrona, ainda que lá no fundão kkkk. Que raiva! (cadê a melhor companhia do mundo??? Aff!)

Vejam os preços praticados pela Emirates para reserva de assentos. Os valores apresentados são por voo:

Eu acho muito antipático uma companhia aérea cobrar pela reserva de assento. E se o valor é caro como esses praticados pela Emirates, dá mais raiva ainda! Afinal, correr o risco de ver sua família espalhada pelo avião é uma experiência desagradável… Já deu aquele ranço… Mas, vamos lá!

Check-in

Aqui cometi o meu maior erro nessa viagem. Sabendo que estava sem assento reservado, esqueci de colocar um alerta para o horário de abertura do check-in, 48 horas antes do voo. A companhia até manda um e-mail informando que o check-in ficou disponível, mas eu só fui ver a mensagem umas cinco horas depois, pois estava num dia cheio de compromissos. Resultado: mesmo faltando 43 horas para o voo, não havia mais nenhuma poltrona para viajar junto. Nem pagando! O voo estava lotado e teríamos que voar separados…

Por sorte, consegui dois assentos em janelas (25K e 26K), sobre asas, em fileiras sequenciais, uma atrás da outra. Não era o que eu tinha planejado, mas bem melhor do que sentar longe e em assentos do meio. Finalizei o check-in e salvei os cartões de embarque no celular.

Chegando no aeroporto, cerca de 2 horas antes do voo, o check-in estava completamente vazio. Fui prontamente atendido para despachar uma única mala. Perguntei se não havia algum assento disponível para mudar, mas o atendente confirmou que o voo estava cheio, enquanto imprimia os cartões de embarque. Então, fica a dica! Se quiserem economizar, façam o check-in online no momento que ele for liberado, exatas 48 horas antes do voo!

Passei tranquilamente pelas filas dos raios-x e do controle de passaportes. Menos de 2 minutos de fila! Esse horário não tem praticamente nenhum outro voo, deixando o terminal internacional bem ocioso.

Sala VIP Smiles / GOL Premium Lounge

Como cliente Smiles Diamante, tive acesso a Sala VIP Smiles Internacional no aeroporto do Galeão. Já falamos algumas vezes desse lounge no Melhores Destinos, que acho sensacional.

Com poucas pessoas, nesse horário tinha refeições quentes e completas. Eu comi estrogonofe de frango com arroz e batata palha. Havia também macarrão com molho branco, além de várias opções de mini sanduíches, pães que queijo, frios etc. De sobremesa, minha escolha foi brigadeiro (alguns deles, na verdade!), mas tinham alguns outros tipos de doces, tortinhas e quindim. Uma tortura!

Para beber, caipirinha e outras opções de drinks feitos na hora, além de vinho branco e tinto, cerveja, refrigerantes, sucos, chá ou café. Fui de caipirinha, afinal, era uma sexta-feira!

Embarque

O avião chegou com atraso de Dubai e o embarque iniciou 30 minutos depois do previsto. No entanto, como havia poucas pessoas para embarcar, o voo não atrasou muito. Os poucos gatos pingados no embarque me fez crer que o voo tinha vindo cheio de Dubai, com poucos passageiros desembarcando no Rio. Dito e feito!

O embarque da Emirates é feito por zonas, começando pelas prioridades definidas em Lei, seguido por passageiros voando em primeira classe, ou em classe executiva, e depois passageiros das Zonas C/D e E/F/G, atribuídas conforme a localização de sua poltrona no avião. Eu estava na zona G, e fui um dos últimos a embarcar. O voo estava absolutamente lotado, tanto que nem consegui tirar as fotos da cabine para a avaliação (mas calma, eu tirei no voo de volta!).

Cabine

8,0

O Boeing 777-300ER da Emirates tem capacidade para 354 passageiros, sendo 8 deles em suítes da primeira classe, 42 em classe executiva e 304 na classe econômica. Veja o layout completo do avião no seat guru.

A classe econômica vai das fileiras 17 a 45 na configuração 3 x 4 x 3, restando algumas filas adicionais com a configuração 2 x 4 x 2. Aqui cabe uma ressalva, que algumas companhias operam essa aeronave com configuração 3 x 3 x 3 na econômica, o que garante um espaço lateral maior na poltrona, como a Qatar (em parte da frota), ou como United, por exemplo. Mas esse não é o caso da Emirates!

A Cabine

O avião era antigo, com poltronas com acabamentos em tons claros, já desgastadas pelo tempo, mas ainda conservadas, sem defeitos aparentes. Apesar do atraso informado na chegada do voo vindo Dubai, a aeronave estava bem limpa.

A distância entre as poltronas é razoável. Uma vantagem é que a reclinação é feita em parte com o encosto vertical, e em outra com o deslizamento da almofada onde a gente senta. Isso ajuda a diminuir o desconforto do passageiro quando a pessoa que está na frente reclina totalmente o seu assento. A gente não se sente tão apertado assim… só um pouco!

Na imagem acima vocês podem ver a fileira com apenas dois assentos no canto,  que eu mencionei no início da avaliação. Era a que eu queria, mas, infelizmente eu só consegui esse assento no voo de retorno, e não me arrependi da escolha!

No voo da ida, meu assento ficava uma fileira após os banheiros e uma das galleys (cozinha / área de serviço dos comissários). Ainda assim, não foi algo que me incomodou, pelo menos num voo durante o dia e de curta duração.

Cada poltrona conta com um apoio retrátil para a cabeça, que ajuda na hora de dormir ou relaxar. Mas eu estava sem sono e acabei nem cochilando, como costumo fazer.

A experiência com a cabine, no geral, é bem mais confortável do que voar num Airbus A320/A319, ou num 737-800/737-700, que costumamos viajar dentro do Brasil, e que também são muito utilizados nas rotas para a Argentina! Afinal, o Boeing 777 é uma aeronave projetada para voos de longa duração!

Se alguém tiver curiosidade de saber sobre os banheiros, são mais espaçosos do que a média, mas sem nada muito diferente, além da tampa do vaso com acabamento em madeira.

Entretenimento

9,5

Uma coisa que me impressionou positivamente foi o tamanho da tela e a qualidade da imagem do entretenimento. Para uma aeronave que não é nova, chama ainda mais a atenção. Além disso, a tomada de energia e da entrada USB são bem posicionadas (veja a imagem) e acessíveis para o viajante. O monitor também indica qual poltrona você está sentado, o número do voo, a origem e o destino, e quanto falta para o fim da viagem, outro diferencial.

O controle remoto também possui uma pequena tela que serve como acessório para as funções do monitor.

A Emirates disponibiliza uma enorme variedade de filmes, séries, músicas e jogos, parte deles com conteúdo dublado, em português, e em outros idiomas. Tem ainda um fone diferente, de formato meio quadrado, mas que funciona bem e até oferece algum isolamento acústico.

Notem que os filmes são organizados por categorias. Algumas delas coletâneas especiais, como filmes da Marvel ou da Disney, e ainda o “Clube do Filme”, com uma seleção de sucessos mais antigos.

É possível ainda assistir a decolagem, o pouso ou qualquer outra fase do voo nas câmeras instaladas fora da aeronave, o que aproveitei e achei bem legal.

No meu voo aproveitei para assistir ao filme “Star Wars: o último Jedi”, que eu não consegui ver nos cinemas. Mas quase não consigo terminar, porque o filme é beeeem longo e várias vezes a programação foi interrompida, para o vídeo de segurança, fala dos comissários etc.

Achei interessante que dentro da programação tem muitos comerciais, especialmente antes de começar um filme ou uma série. Deve ser uma fonte de receita para a companhia. Não chega a incomodar demais, mas chamou minha atenção.

Serviço de bordo

9,0

Ao chegar no meu assento encontrei um travesseiro, além dos fones de ouvido mencionados acima. No voo de volta, noturno, deram também um cobertor para cada passageiro. E, um pouco antes da decolagem, os comissários passaram distribuindo cardápios (em inglês e árabe), com os itens do serviço de bordo, e também os formulários da alfândega argentina.

Distribuir cardápio em papel para passageiros da classe econômica é algo raro nos dias de hoje. Poucas companhias, como Singapore, Etihad, por exemplo, oferecem esse “mimo”. A maioria utiliza o antigo sistema “massa ou frango?”, dito de forma apressada por um dos comissários :-), pouco importando o acompanhamento de cada item. Nesse quesito, ponto para a Emirates!

E, uns vinte minutos depois da decolagem, começou o serviço de jantar. Mesmo sendo um voo de cerca de 3 horas, o serviço de bordo é o mesmo de voo de longo duração, com refeição completa, bebidas variadas, incluindo vinho tinto ou branco, além de chá, ou café, no final.

Foram 2 opções de prato principal: (1) cordeiro com cuscuz marroquino; ou (2) cubos de peito de frango ao molho com arroz branco. Vale ressaltar que no voo de volta eram as mesmíssimas opções. Então, como no voo da ida eu escolhi o frango, na volta optei pelo cordeiro. Vejam os pratos:

A frango no voo da ida chegou quente e estava gostoso. Senti falta de um pouco mais de sal, mas havia como havia um sachê no kit, deixei a comida no meu gosto. Já o cordeiro estava mais saboroso, apesar o cuscuz estar um pouco seco.

De entrada, salada de alface, tomate cereja, batata e salmão cru, com azeitona preta. Tudo bem gostoso! Senti falta apenas de algum molho ou, ao menos azeite para a salada, que não tinha. O serviço incluiu ainda pão, bolacha (ou biscoito) cream cracker, polenguinho e manteiga.

Na sobremesa, tinha pudim de pão. Apesar de ser um pouco mais massudo do que o pudim de leite condensado que estamos acostumados, estava bom!

Uma curiosidade é que a Emirates oferece tanto Coca-cola, como Pepsi nos seus voos. Geralmente é um ou outro, não é? Mas nos meus voos o passageiro podia escolher, e as latinhas ainda vinham com escritas em árabe.

Achei o serviço de bordo muito bom para um voo tão rápido como esse, especialmente porque se eu estivesse viajando com boa parte das companhias que operam essa rota, eu estaria comendo aquele sanduíche frio, sem graça. Nada reclamar! Agora, se vocês me perguntarem se é uma comida espetacular, não é. Mas valeu!

Comissários e equipe de solo

9,0

Tanto no voo de ida, como no voo de volta, as equipes de solo e os comissários da Emirates foram cordiais, solícitos e profissionais, durante toda a viagem! Havia pelo menos um comissário brasileiro e outro argentino, em cada voo, que se colocaram à disposição dos passageiros falando no sistema de som em português e espanhol, respectivamente. O comandante do voo de volta também era brasileiro e falou com os passageiros em português, espanhol, inglês e árabe.

Dá para notar que a Emirates se esforça para selecionar e treinar bem os seus funcionários. Fiquei observando como eles reagiam quando os passageiros faziam aquelas perguntas óbvias e corriqueiras, repetidamente… e só vi respostas gentis, quase sempre acompanhadas de um sorriso. Infelizmente, não vemos essa atitude e simpatia em muitas companhias aéreas…

Programa de fidelidade

7,5

O programa de fidelidade da Emirates é o Skywards. Nele o acúmulo depende das regiões de viagem. É possível acumular míseras 840 milhas num voo de ida e volta entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, dependendo da tarifa adquirida (veja aqui a calculadora de milhas da Emirates).

Entretanto, como a Emirates não faz parte de nenhuma grande aliança, para quem mora no Brasil e não vai viajar com frequência para o Oriente Médio ou para as rotas operadas pela companhia, uma possibilidade interessante é acumular milhas na Smiles. Confira as regras de acúmulo de milhas na parceria do Skywards com o Smiles.

O Skywards também permite acumular e usar milhas nos programas de companhias parceiras, como JAL, Jet Airways, Korean Air, South African e Qantas.

Nota final

8,4

Desembarque e retirada de bagagem

Mesmo com o atraso na partida, pousamos em Buenos Aires antes do horário previsto. Isso porque a Emirates planeja um tempo de viagem maior do que efetivamente precisa. O desembarque foi rápido e, ao sair do avião, pegamos uma fila bem grande na imigração argentina, que levou uns 25 minutos.

Ao chegar na esteira de bagagens (bem moderna, por sinal) as malas já tomavam boa parte do espaço disponível. Não demorou mais do que 5 minutos para a minha aparecer, intacta!

O voo de volta

O voo de volta foi na noite do feriado de 1° de maio. Cheguei cedo ao aeroporto de Ezeiza, cerca de 4 horas antes do voo. Não despachei bagagem e, por isso, não passei pelo check-in. O embarque atrasou cerca de 40 minutos e foi bem mais confuso do que no voo da ida. Todo mundo amontoado esperando, inclusive eu, que queria embarcar cedo para fazer as fotos para essa avaliação. Os funcionários tiveram trabalho para organizar as filas de acordo com as zonas. E foi uma zona mesmo!

Felizmente no retorno eu fiz o check-in assim que abriu e consegui as poltronas 45A e 45B, na fileira com configuração 2 x 4 x 2, o que me garantiu o grupo de embarque C, logo depois das prioridades e clientes voando em classe executiva. Então, fiquei mais tranquilo, e nem me importei muito de esperar. No mais, a experiência foi quase idêntica ao da viagem de ida, até a comida foi exatamente a mesma. Então, vou poupar vocês de um novo relato, exceto por algumas fotos que inclui aqui.

Avaliação geral

Fiquei satisfeito de fazer essa viagem Emirates. De um lado, a qualidade da aeronave, o serviço de bordo, o sistema de entretenimento e a generosa franquia de bagagem são vantagens em relação às companhias que operam aviões menores nessa rota. De outro, a cobrança pela reserva antecipada de assentos é caríssima e tira um pouco do brilho da experiência.


E você, já voou com a Emirates para Buenos Aires? Teve uma experiência parecida ou diferente? Comente e participe!

Veja também como é voar com a Emirates na classe executiva do Airbus A380 para Dubai, na executiva do Boeing 777 da Emirates para Dubai, e ainda na classe econômica da Emirates para Dubai.

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Autor

Leonardo Cassol - Editor Economista, apaixonado por viagens, aviação e milhas! Especialista em programas de fidelidade do Melhores Destinos