Avaliação da Joon

João Goldmeier 29 · maio · 2018
Executiva
CDG - FOR
416
A340-300
06/05/2018

Embarque

Previsto: 12:15h
Efetivo: 13:58h

Partida

Previsto: 13:10h
Efetivo: 15:07h

Chegada

Previsto: 17:35h
Efetivo: 19:17h

Dois dias depois do voo inaugural da Joon de Fortaleza a Paris na classe econômica premium, era hora de pegar o caminho de volta e dessa vez na classe executiva! Como será que a Joon se saiu? Também está curioso? Então confira agora como foi!

Sobre a Joon

A Joon é uma cia aérea criada pela Air France para ser um laboratório de inovação, com o objetivo declarado de buscar ser a próxima geração de experiência a bordo da Air France. Iniciou suas atividade no ano passado voando para destinos na Europa e neste ano (2018) começou a voar para destinos intercontinentais como Teerã, Seychelles e Fortaleza.

Resumo do review

Joon Voo AF-416
Paris (CDG) – Fortaleza (FOR)
Domingo, 06 de maio de 2018
Partida: 15:07
Chegada: 19:17
Duração: 9h10
Milhas: 4.390
Aeronave: Airbus A340-300
Assento: 1L (Executiva)
Destaques positivos: sistema de entretenimento, comissários de bordo
Pontos a melhorar: sala vip em Paris, serviço de bordo, falta de wi-fi

Check-in

6,0

Check-in

O check-in da Joon fica no Terminal 2F do Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, em Paris e o embarque ocorre no Terminal 2E. Ocorre que este último tem as salas de embarque K, L e M, detalhe ao qual não me dei conta antes de chegar ao aeroporto mas que faz toda a diferença como você vai ver daqui a pouco.

O check-in preferencial fica no canto esquerdo do terminal na visão de quem entra. Ao chegar não havia ninguém na fila e fui rapidamente antedido.

Com a bagagem despachada, há um ponto de inspeção de bagagem logo ao lado, também reservado aos passageiros preferenciais. Sem fila, verdade, mas com atendentes de péssimo humor (não é culpa da Air France).

Em frente à saída da inspeção está o Terminal 2E (ainda não tinha me dado conta das outras letrinhas). Fui todo contente para a sala vip da Air France (a Joon não tem salas próprias) e na entrada a atendente me explicou ali era a sala de embarque K que o meu embarque seria na sala L.

A letra L, minha gente, é abreviação de longe! A sala fica no outro extremo de onde entrei, com uma parada obrigatória para o controle de passaporte (imigração). Então a dica é: fique atento à letra da sua sala de embarque e tente chegar mais cedo para evitar complicações.

Assim que sai da imigração havia um funcionário com uma placa indicando que a sala vip da Air France na sala L estava em reforma e que os passageiros que assim desejassem deveriam dirigir-se ao lounge na sala de embarque M (já tá dando nó na cabeça né?). Pra chegar lá é necessário pegar um ônibus na ida e um trem na volta, além de ter que passar por outro controle de bagagem (raio-x). Sinceramente, por melhor que seja a sala vip, não vale a pena!

Sala Vip

A sala vip da Air France da sala de embarque M é excelente e tem algo que eu aprecio muito: lindos janelões voltados para a pista por onde se pode observar o vai e vem dos aviões – deu pra ver, inclusive, o avião no qual eu embarcaria mais tarde!

A oferta de assentos é generosa, possui chuveiros e um mini-spa da marca francesa Clarins com tratamentos espressos de 20 minutos, como massagens na nuca ou nos ombros. Se quiser usufruir do serviço, que é gratuito, é necessário fazer uma reserva (faça logo que entrar na sala).

Há ainda um bufê de pratos frios e quentes, cuja a oferta de itens varia de acordo com a hora do dia, máquinas de café expresso e geladeiras com bebidas em geral, além de algumas bebidas quentes e vinhos franceses (incluindo champagne).

Mesmo com todo o conforto, ter que encarar um novo abre-a-bagagem-tira-laptop-e-líquidos na volta foi cansativo e a Joon deveria pensar numa solução paliativa enquanto duram as obras de reforma da sala vip, Uma alternativa seria oferecer vouchers de alimentação na sala L.

Área de embarque

Como cheguei cedo, pude fazer todo o trajeto de ida e volta à sala vip e retornei com folga para estar entre os primeiros a embarcar (sempre tento fazer isso para tirar fotos sem incomodar os demais passageiros). Como o embarque atrasou, pude dar uma volta na sala de embarque K.

Ela parece ser mais atiquada que as demais salas que eu percorri no Terminal 2E mas tem tudo pra atender as necessidades básicas: banheiros, cafés e lanchonetes, lojas Duty Free, um stand do Tax Refund, além do wi-fi gratuito.

Embarque

Pontualmente às 12:15 estava eu na fila de embarque do portão 46. Após 10 minutos a Joon informou que devido à uma falha técnica o voo iria atrasar. Fui até a janela para ver se conseguia ter uma noção do tamanho do atraso e fiquei de frente pra “falha técnica”: algo de errado no motor do Airbus. Já dava pra ver que ia demorar e, de fato, demorou: o embarque só começou 1h40min depois do horário previsto.

Até aí ok, já que esse tipo de coisa acontece e a segurança sempre em primeiro lugar. Mas ao entrar no avião o comandante usou o sistema de som pra avisar que ainda não tinha o controle da aeronave, eis que os técnicos estavam terminando o conserto. E nisso foi-se mais uma hora esperando. Aqui errou a Joon, que deveria ter aguardado o problema ser resolvido antes de iniciar o embarque.

Cabine

8,0

Logo ao entrar na cabine lá estava ela: a luz azul brilhante que é marca registrada da Joon. Porém, como o voo era diurno, a luz que entrava pelas janelas amenizava bem o seu efeito, o que foi ótimo, pois as fotos com a luz azulada não ficam boas.

O Airbus A340 da Joon foi retrofitado apenas no estofamento, já que segue o padrão antigo da executiva da Air France na configuração 2-2-2 – a cia mãe usa hoje o padrão 1-2-1, onde todos os passageiros tem acesso direto ao corredor.

Pra quem viaja junto é ótimo, mas quem viaja sozinho tem que escolher entre ficar no corredor ou praticar o salto sobre o colega toda vez que precisar ir ao banheiro. Eu como atleta que sou (mentira!) selecionei um assento de janela na primeira fileira e, por sorte, ninguém se sentou na poltrona do lado – melhor dos mundos!

Alguns detalhes agradam, como o cabide com identificação do assento para que as comissárias pendurem seu casaco e a tomada e entrada USB presentes em todos assentos. Outros nem tanto: não há saída individual de ar, no teto apenas as luzes de leitura. Mas no geral aprovei a cabine.

Entretenimento

8,0

Um dos destaques do voo de ida foram os monitores individuais de entretenimento e a programação neles contida: são jogos, séries, filmes e muito mais. A programação é a mesma para todas as cabines e até a tela parece ter o mesmo tamanho da econômica premium (pelo menos a que fica embutida, presente na primeira fileira de ambas cabines). A diferença fica pelo fone de ouvido, melhor e com cancelamento de ruídos.

Mas havia um item que eu estava louco pra testar: o equipamento de cinema imersivo, algo que tinha visto no menu a la carte no voo da ida e que pode ser alugado por qualquer passageiro ao custo de 15 euros.

O kit contém um fone de ouvido e um óculos especial. Existe uma programação voltada para usar o óculo (ele não funciona com todo o catálogo).

O equipamento dá a sensação de que você está no cinema. Há profundidade entre o rosto e a tela e o som do fone especial é bem superior ao convencional. No catálogo de filmes, alguns poucos lançamentos e clássicos de Hollywood, incluindo filmes em 3D. Escolhi assistir Avatar justamente por ser em 3D e fiquei impressionado com o resultado. Porém, devo confessar, os óculos são um pouco pesados e seu uso depois de um certo tempo cansa. Mas valeu a experiência!

Serviço de bordo

7,0

Amenidades

Logo ao tomar meu assento foi oferecido a bebida de boas vindas, com as opções de água, suco ou champagne. Estando numa cia francesa, não quis fazer desfeita e aceitei uma taça do vinho espumante (a Joon serve Taittinger Brut Réserve).

Já aguardando no assento estavam pantufas e meias. A necessaire foi distribuída depois, apenas com o básico: escova e pasta de dentes, protetores auriculares, um mini hidratante (5ml). De diferente apenas o perfume para travesseiro (sim, você leu certo).

Serviço de bordo

Antes de falar do serviço de bordo do voo, é preciso informar que a Joon (assim como a Air France) permite que você pré-selecione a sua refeição durante o check-in (grátis na executiva, pago nas demais classes), com opções como frutos do mar, comida chinesa, japonesa, thai, dentre outras. Mas a ideia desta avaliação é passar ao leitor o que esperar a bordo nas opções do menu, então acabei não fazendo uso do serviço.

Ao receber o menu fiquei surpreso com a quantidade de opções de prato principal: guisado de cordeiro com vegetais, galinha d’angola com risoto de quinoa, filé de peixe com polenta e lasanha de ricota e aspargos (opção vegetariana). Normalmente as opções são duas ou três.

Depois da má experiência com a comida no voo da vinda, pensei bastante e acabei optando pelo cordeiro. Em uma só bandeja foram servidas as entradas, a salada e o queijo, com o oferecimento de pães à escolha do passageiro.

A terrine de tamboril estava fria demais e não agradou ao paladar. A salada só tinha folhas verdes, sem nenhum tomatinho ou cenoura pra fazer uma graça – ainda por cima sem azeite ou vinagre para temperar. Já o pão estava bom, macio e quentinho!

O prato principal foi servido na sequência e estava ok – só achei pouca a quantidade de cordeiro que foi servida. Os queijos Cantal e Petit Chèvre agradaram e combinaram bem com o também muito bom Bordeaux que pedi pra acompanhar a refeição (Saint-Emilion Grand Cru Classé Château Jean Faure 2013) – eram três opções de vinho branco (uma champagne) e duas de vinho tinto.

Por fim a sobremesa veio em trio: cheesecake de limão, muffim de cereja e um crocante de chocolate. Os dois primeiros estavam frios demais, mas o último agradou demais – ainda mais acompanhado de um expresso.

Já a segunda refeição, servida quando faltavam menos de duas horas para o pouso foi mais do meu agrado. Elegi o salmão defumado com pesto de menta, que veio acompanhado de uma salada fria. A outra opção eram batatas crocantes com aspargos e cogumelos porcini. Na bandeja havia ainda maçã cozida caramelizada e um outro trio de pequenos bocaditos.

Se não foi tão ruim como a vinda, confesso que esperava bem mais da Joon no catering, considerando a rica tradição culinária francesa e também o fato do voo sair de seu hub, onde a Air France tem fornecedores estabelecidos há anos!

Comissários e equipe de solo

9,0

Em solo quase não tive intereção com os funcionários da Air France, e por um bom motivo: meu check-in foi super rápido e no lounge a conversa limitou-se às formalidades de acesso.

Já a bordo a equipe da Joon deu um show de simpatia. Vale lembrar que os comissários de bordo da Joon são exclusivos e não cedidos pela Air France (como é o caso dos pilotos). Jovens e motivados eles estavam sempre dispostos a atender às solicitações com presteza.

Programa de fidelidade

8,0

A Joon utiliza do mesmo programa de fidelidade da Air France, o Flying Blue. Além deste programa você pode acumular suas milhas em qualquer outra empresa da aliança Skyteam e também com o Smiles, que é parceiro da Air France.

Nota final

7,6

A Joon não oferece o produto mais avançado do mundo em sua classe executiva, tanto na configuração da cabine como no assento. Optou pela solução mais simples e barata ao apenas trocar o acabamento das poltronas no retrofit da aeronave que recebeu da Air France, o que é compreensível face aos gastos que uma troca de poltronas teria (um assento de classe executiva novo pode custar até 80 mil dólares). As cores e iluminação criaram um ambiente mais descolado, que agradou.

Um outro acerto foi a tripulação exclusiva – se você quer criar uma experiência a bordo diferente, é mais fácil quando se tem pessoal exclusivo.

Ficam faltando (mas com data de estreia marcada para o próximo ano) a internet a bordo e um cuidado maior com as refeições, que precisam de alguns ajustes.

O único fato que considero um erro foi embarcar os passageiros sem que o piloto tivesse o controle da aeronave.

Ainda assim a Joon é uma excelente opção para quem mora ou pretende embarcar para a Europa a partir das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

  • Bruno Bastos

    Pequena correção, não se diz turbina e sim motor do avião.

    • Machado Oliveira

      Exato! A turbina é uma parte interna do motor. Não tem como ser vista se o motor não estiver todo aberto.

      • Fabio

        Na verdade um motor possui mais de uma turbina. O GE 90 que equipa os 777, por exemplo, possui 9 turbinas, sendo 2 de alta e 7 de baixa.

    • João

      Oi Bruno, não sabia da distinção entre um e outro, mas já corrigi no texto. Obrigado.

    • Hermes Hs

      Sim, super importante correção! O natal é de Jesus não do Papai Noel 🙏🏽

      • Paulo

        hahahahaha rindo alto aqui

      • Bruno Bastos

        Boa tarde Hermes. Turbina e motor são coisas diferentes e não é possível usar um termo no lugar do outro. Pra você ver como isso importa, o autor do texto está vivo porque quem fez a manutenção sabia a diferença de um pro outro. Imagina se pensasse que nem você kkkk.

  • Machado Oliveira

    “eis que os técnicos” não faz sentido nenhum. Parece que o autor tentou escrever uma coisa e escreveu outra. Acontece, mas é melhor arrumar isso ou podem achar que quem escreveu não sabe o significado de “eis”

  • Michele Mocelin

    Qual o valor da executiva?

    • João

      Varia bastante de acordo com as datas, mas numa rápida pesquisa foi possível encontrar voos a partir de R$ 8 mil ida e volta.

  • G E O

    Na verdade o objetivo da Joon é contratar novos funcionários com salários menores do que os da Air France. 😛
    Vide Eurowings, Level e outras.

  • Victoria Ede Moreira

    Desculpe-me, mas não vi comentários sobre preços.

    • João

      Oi Victoria, olhe a resposta que eu dei pra Michele abaixo.

  • PauloHCM

    Como não vi nenhuma menção no texto, vou perguntar: A JOON oferece WiFi? Visto que é uma companhia voltada a jovens, imagino que sim, mas não foi descrito.
    Outra coisa: vc tihha como destino final Fortaleza ou alguma outra cidade no mesmo localizador? O atraso influenciou?