Avaliação da Air Canada

João Goldmeier 4 · outubro · 2017
Executiva
YYZ - GRU
AC90
Boeing 787-9
13/09/2017

Embarque

Previsto: 22:30h
Efetivo: 22:30h

Partida

Previsto: 23:15h
Efetivo: 23:05h

Chegada

Previsto: 10:00h
Efetivo: 09:55h

O Melhores Destinos tem um dos maiores acervos de avaliações de companhias aéreas do Brasil. Nosso objetivo é ajudar os leitores a decidir entre uma cia e outra na hora da compra podendo ver antes o que os espera e, claro, atender aos aficcionados em aviação civil, nos quais me incluo.

Pensando nisso, embarcamos rumo ao Canadá para avaliar a cia de bandeira do país, a Air Canada, em duas classes de serviço: econômica premium e executiva. Você pode ver a avaliação da econômica premium da Air Canada aqui. Neste segundo post vamos falar como foi o voo de volta, na classe executiva.

Sobre a Air Canada

É a maior empresa de transporte de passageiros do Canadá e uma das principais companhias aéreas da América do Norte. Possui 415 aeronaves (incluindo aí suas subsidiárias) em frota e voa para 194 destinos no mundo todo. Opera um voo diário entre São Paulo e Toronto, que é um seu maior centro de distribuição de voos, de onde saem os voos para os seus diversos destinos domésticos, regionais e internacionais. É membro da Star Alliance.

Resumo do review

Air Canada Voo AC-90
Toronto (YYZ) – São Paulo (GRU)
Domingo, 13 de setembro de 2017
Partida: 23:15
Chegada: 09:55
Duração: 09h50min
Milhas: 5.075
Aeronave: Boeing 787-9
Assento: 3K (Classe Executiva)
Destaques positivos: poltrona, espaço pessoal, comissários de bordo.
Pontos a melhorar: falta de wi-fi

Mapa do voo

Check-in

10

O aeroporto de Toronto Pearson é o maior do Canadá e está entre os 20 maiores do mundo. Distante 27 km do centro da cidade ele tem o acesso facilitado por um trem expresso que faz o trajeto em menos de 25 minutos (UPExpress). Com isso, o passageiro pode controlar melhor o horário de saída e aproveitar ao máximo seu tempo na bonita cidade de Toronto.

O terminal 1 abriga as cias da Star Alliance como a Air Canada, enquanto o terminal 3 abriga das demais cias. A área de check-in recebe iluminação natural e é bem sinalizada e ampla, causando uma boa primeira impressão.

A Air Canada possui uma área separada para o check-in preferencial que fica no extremo direito de quem entra no aeroporto. A área é exclusiva dos passageiros em econômica premium e classe executiva, além daqueles que possuem o status Altitude Super Elite 100K, Elite 75K e Elite 50K no programa da Air Canada e Gold em qualquer cia da Star Alliance.

Como cheguei super cedo tinha o receio de que o despacho da bagagem ainda não estivesse aberto, mas ele não se concretizou e rapidamente eu fiz o check in e segui para a fila preferencial do raio-x e imigração.

Sala Vip

A Air Canada tem uma sala vip própria no Aeroporto de Toronto, chamada de Maple Leaf. A sala fica no mezanino da área de embarque, perto das escadas rolantes. Os passageiros voando na classe executiva têm acesso à sala vip. Também é permitido o ingresso de quem tem status Gold na Star Alliance, mesmo voando na classe econômica de uma das cias da aliança.

Embora a sala tenha um bom tamanho e muitas áreas para sentar, ela ficou desconfortavelmente cheia durante o horário de pico (começo da noite). As opções de comida foram mudando conforme o horário e todas estavam muito gostosas. No setor de bebidas o destaque fica com o chopeira (que inclui chope Guinness) e a máquina de café expresso da Lavazza:

O lounge conta com um pequeno business center com impressora, carregadores para celular e também banheiros com chuveiro, algo que considero um diferencial importante antes ou depois de voos longos.

Embarque

Como os passageiros da classe executiva têm o embarque prioritário resolvi embarcar em cima do horário previsto, passando antes no pequeno Duty Free do aeroporto. Vale destacar que as prioridades de embarque foram respeitadas e o embarque foi bem organizando mesmo sendo um portão um pouco acanhado.

Cabine

10

A configuração na classe executiva é 1-2-1, que permite a todos os passageiros o acesso direto ao corredor.

Ao entrar na aeronave fui recepcionado pelo chefe de cabine que me encaminhou para o corredor esquerdo, onde fica o assento 3K. Foi interessante comparar a cabine da executiva com a da econômica premium com apenas três dias de diferença. As oito fileiras da executiva formam uma cabine menos intimista e privativa que a da econômica premium.

Já os assentos Diamond da B/E Aerospace são o estado da arte em termos de classe executiva. Oferecem muito espaço pessoal, tomada individual, 53 cm de largura e reclinam 180 graus transformando-se em uma verdadeira cama. Mas o que chamou minha atenção foi uma função que eu jamais tinha visto: eles possuem ajuste pneumático de firmeza, além da função massagem que é mais comum (mas sempre bem vinda). O ajuste ajuda demais na hora de relaxar e dormir.

Entretenimento

7

A tela individual de entretenimento é item comum a todos os assentos do Boeing 787-9 da Air Canada. A diferença entre as classes se dá pelo tamanho. Na executiva ela mede 18 polegadas e tem uma definição de cores incrível.

Mas a crítica que fiz no voo da vinda continua válida aqui: a programação é extremamente limitada e o destaque acaba sendo mesmo pro “air show” (que mostra a rota do avião, distância, etc.). Algo que pode ser melhorado facilmente.

Já a falta de wi-fi eu considero ainda mais grave, já que as pessoas que viajam na classe executiva muitas vezes aproveitam estes longos voos para trabalhar.

Serviço de bordo

8

Ainda estava me acomodando no assento quando a comissária de bordo passou distribuindo jornais em inglês e português, o que acabou ajudando na questão do entretenimento de bordo falada no item anterior. Logo depois foi oferecido o drinque de boas-vindas nas seguintes opções: água, suco de laranja e Prosecco.

Aqui cabe um parênteses: na maioria das cias aéreas o espumante servido em solo é diferente do servido durante o voo. Isso porque as bebidas alcoólicas servidas nessa primeira fase do voo tem a incidência dos impostos locais. Então, para economizar alguns dólares as cias servem bebidas que sinceramente são abaixo da crítica. Caso do Prosecco deste voo: doce e intragável.

No assento já estavam esperando o travesseiro (de tamanho grande) e o cobertor, além de excelentes fones de ouvido com a função “noise cancelling” e a necessaire:

Achei a necessaire e o conteúdo muito simples para uma classe executiva. Também no assento já estava o menu do voo, em três línguas (francês, inglês e português):

Os pedidos foram tirados ainda em solo, pouco depois de serem distribuídas toalhas quentes. Depois de taxiarmos por 34 minutos, decolamos de forma suave às 23:25 no horário local e em poucos minutos já estavamos em altitude e velocidade de cruzeiro rumo ao Brasil.

O serviço foi rápido e o jantar servido numa bandeja única, em razão do adiantado da hora, como me explicou um simpático e bem humorado comissário (aliás, que diferença do voo anterior!) – optei pela carne, que estava muito saborosa embora um pouco bem passada demais para o meu gosto.

Para acompanhar me foi sugerido um ótimo tinto austríaco que surpreendeu positivamente, já que o país germânico tem tradição nos vinhos brancos.

A uva verde que veio acompanhando os queijos foi a melhor que comi em anos: doce e sem caroço, acompanhando bem os queijos. A opção saudável feita pela Air Canada ao servir frutas cortadas como sobremesa é compreensível do ponto de vista da saúde, mas todo mundo sabe que as calorias no ar não contam!

Fiz a brincadeira com o comissário que prontamente voltou com uma barra de Lindt meio-amargo. Terminado o jantar, fui ao banheiro escovar os dentes e achei o banheiro da frente (à direita) bem apertado. Mais tarde no voo fui ao de trás que é muito mais espaçoso.

Voltei ao assento colocando o mesmo na posição dormir, ajustei a firmeza do mesmo e pude notar outro destaque dessa cabine: o local onde ficam os pés não afunila, o que permitiu um sono ainda melhor. Aliás, faz tempo que eu não dormia tão bem num avião, nota 10 para o assento!

Acordei pouco antes do início do segundo serviço e lembrei que a aeronave conta com uma máquina de café expresso da italiana Lavazza. Pedi um cappuccino que estava fenomenal!

Pouco depois as luzes da cabine foram lentamente sendo acendidas, um dos benefícios de voar do Boeing 787-9. Antes de mais nada, novamente toalhas quentes e depois: omelete ou panquecas.

Escolhi o omelete com medo que viesse algo igual à vinda, mas este estava muito gostoso e veio acompanhado de pães quentinhos. Esse muffin de mirtilo estava demais!

Pedi mais um expresso para encerrar no momento que já iniciávamos o procedimento de descida no Aeroporto de Guarulhos.

Comissários e equipe de solo

10

Muito se fala que a principal diferença da classe executiva é a poltrona, já que as mais modernas como essa que equipa o Boeing 787-9 da Air Canada viram confortáveis camas que permitem aos que viajam a trabalho chegarem descansados.

Eu concordo parcialmente com a afirmação, pois existem os que viajam a lazer que se beneficiam de itens como sistema de entretenimento, refeições e cardápio de bebidas.

Mas acho que ninguém vai discordar que um bom serviço de bordo faz toda a diferença para todos! E nesse voo ele foi muito acima da média, com atenção e bom humor sem ser invasivo ou forçado. Como é bom poder elogiar algo bem feito, não é mesmo?

No fim do voo o chefe de cabine ainda passou perguntando a todos passageiros como havia sido o voo – nota 10!

Programa de fidelidade

8

O programa de fidelidade da companhia é o Altitude. É possível acumular 7.612,50 no trecho voado na classe executiva (classe tarifária Z) que pontua 150% das milhas voadas. Se não for um passageiro frequente na companhia, uma opção é creditar as milhas no Smiles ou no Avianca Amigo.

Vale lembrar que a Air Canada pertence à Star Alliance e você pode creditar suas milhas nos programas das cias pertencentes à aliança como TAP e United.

Se for pontuar voos da Air Canada no Smiles, verifique antes a tabela de acúmulo.

Nota final

8,8

O Boeing 787-9 tocou o solo brasileiro às 9:55 do horário local, alguns minutos antes do previsto.

Graças aos pontos e milhas, bem como um bug ou outro que o Melhores Destinos divulga, já voei em algumas executivas para poder comparar e dizer que essa da Air Canada bateu todas em termos de conforto do assento e qualidade do sono. Ficou devendo no entretenimento e ausência de wi-fi, mas compensou com maestria com boas refeiçoes e um serviço de bordo nota 10. Recomendo sem restrição como a melhor opção para voar para a América do Norte.

João Goldmeier – é editor do Melhores Destinos e especialista em programas de fidelidade e cartões de crédito. Voou a convite da Air Canada.

  • Diego

    Só uma dúvida pra vocês que aproveitam os bugs… Assim que surge, vocês compram e depois correm atrás do visto? Ou vocês só compram quando já possuem o visto para o país destino? Acho isso curioso pois tem casos que o vôo é para o mês seguinte e deve ficar apertado em 1 mês de conseguir o visto (garantido) para o país que você quer viajar 😛

    • Luiz Fernando ARRUDA

      Só com o visto na mão. Muito arriscado comprar para algum lugar e depois pedir o visto, caso seja negado as regras (multas) para cancelamento quase são o valor integral do bilhete na promoção. Inviável e não recomendo tentar.