Avaliação da Air China

Wendell Oliveira 12 · abril · 2018
Econômica
BKK - JFK
CA 960 / CA 989
Boeing 777-200 / Boeing 777-300ER
21/12/2017

Embarque

Previsto: 18:35h
Efetivo: 18:35h

Partida

Previsto: 19:15h
Efetivo: 19:40h

Chegada

Previsto: 23:55h
Efetivo: 0:51h

A Air China é uma das maiores companhias aéreas da Ásia. Com sede em Pequim, é membro da Star Alliance e possui 395 aeronaves com voos para mais de 200 destinos ao redor do mundo. No Brasil, é conhecida pelos voos a preços competitivos que fazem conexão em Madri. Já no continente asiático, a companhia também oferece excelentes tarifas com conexão em Pequim.

Avaliamos os serviços da Air China saindo de Bangkok, a agitada capital da Tailândia, até Nova York, em pleno período de fim de ano – cruzando diversos meridianos, com direito a uma pausa para visitar a Muralha da China. Acompanhe!

Compra

Mesmo após uma viagem de volta ao mundo, eu ainda não havia visitado os EUA devido ao velho receio que muita gente ainda tem com o visto americano. Mas a ideia de passar o Natal e Ano Novo em Nova York era tentadora demais e resolvi arriscar. Comecei a acompanhar em junho os preços partindo de Bangkok, e a Air China era a companhia que oferecia o preço mais em conta: 23.890 baht (aproximadamente R$ 2.400,00, ida e volta com taxas inclusas). Não tão barato quanto os super preços divulgados no Melhores Destinos de passagens saindo do Brasil, mas considerando a data e a possibilidade de uma conexão longa em Pequim, achei o valor razoável.

Após tirar o visto para os Estados Unidos em agosto (um processo mais simples e fácil do que eu imaginava), finalmente fui comprar a passagem – que para minha surpresa, permanecia o mesmo preço. Antes de selecionar os assentos, costumo acessar o Seat Guru, site que ajuda a escolher os melhores lugares no avião de acordo com a companhia e modelo da aeronave. Infelizmente os melhores assentos já estavam ocupados, e para conseguir ficar junto com minha esposa, tive que optar por sentar bem atrás. Também aproveitei o momento da compra para escolher minha refeição especial hindu – mas isso eu explico depois 🙂

Recebi o e-mail de confirmação da Air China assim que concluí a transação, com um recibo discriminando todos os valores. A tarifa correspondia apenas a um terço do total pago, o restante eram taxas! Nem havia reparado na política de bagagens, mas a confirmação de voo também informava que teria direito a duas malas despachadas de 23 Kg e uma de mão de até 5 Kg, ideal para levar casacos e suportar o inverno do hemisfério norte.

Check-in

9

Cheguei ao aeroporto Suvarnabhumi, em Bangkok, com 3 horas de antecedência. Os guichês da Air China não estavam tão cheios quanto eu imaginava e não fiquei mais do que 15 minutos na fila – majoritariamente composta por chineses retornando à terra natal. Vale mencionar que a China é o principal emissor de turistas para a Tailândia e o fluxo de viajantes entre os dois países é bem intenso.

O atendente foi muito solícito e rapidamente etiquetou nossa bagagem despachada, bem como efetuou uma mudança de última hora no nosso programa de milhagem. Enfim, era hora de embarcar!

Cabine

7

O primeiro voo, em direção a Pequim, foi em um Boeing 777-200 com configuração de assentos 2 x 5 x 2. A princípio achei exagerado, mas com a lotação da aeronave, fiquei convencido que o uso deste modelo atende bem a demanda do voo.

A limpeza estava impecável e, no geral, tudo estava em boas condições de uso.

Os assentos não eram super confortáveis, nem reclinavam muito, mas é o padrão para classe econômica. Todos possuíam um travesseiro, cobertor e um fone de ouvido à espera dos passageiros. O espaço entre os assentos me pareceu o suficiente, pelo menos para mim, que sou um gigante de 1,69m.

A decolagem foi um pouco brusca e a janela começou a fazer um barulho bem incômodo devido à trepidação. Nada que atrapalhasse a viagem, já que o som cessou tão logo o avião se estabilizou e atingiu a velocidade de cruzeiro.

Após 4h30 de voo, aterrisamos de madrugada em Pequim. Nossa conexão seria de 24 horas, um período propositalmente escolhido para explorarmos a capital chinesa, já que brasileiros não precisam de visto para a China em conexões de até 144 horas nos principais aeroportos, como Pequim e Xangai. Por conta do horário, não havia funcionários na Imigração e tivemos que esperar um pouco para sermos atendidos e encaminhados para um guichê à parte, até obtermos o carimbo de isenção de visto e sermos liberados.

A Air China oferece hotel grátis em longas conexões, então aproveitamos o benefício. Eles também providenciaram o translado até o hotel, nas proximidades do aeroporto, razoável para uma estadia de apenas uma noite. Na manhã seguinte fomos visitar a Muralha da China e a Cidade Proibida, além de outros pontos turísticos de Pequim.

De volta ao aeroporto após um dia exaustivo de passeio, era hora de seguir para o próximo voo rumo aos Estados Unidos. Como de praxe, as medidas de segurança foram intensificadas e passamos por uma rigorosa revista até sermos liberados para o embarque, que atrasou por quase uma hora.

Dessa vez a aeronave era um robusto Boeing 777-300ER de configuração 3 x 3 x 3, em perfeito estado. Assim como na aeronave anterior, o banheiro permaneceu em boas condições, mesmo com o uso constante em um voo de 13 horas de duração. Um creme hidratante  disponível ao lado do sabonete líquido ajudou a pele a não sofrer tanto.

O voo foi tranquilo e sem grandes destaques, pelo menos até a hora do pouso. Infelizmente alguns detalhes no entretenimento e serviço de bordo foram um ponto negativo, como veremos abaixo.

Entretenimento

6

Não havia telas de entretenimento nas poltronas do voo para Pequim, somente uma tela principal no meio da aeronave, com áudio disponível através do fone de ouvido. Logo percebi algo fora do comum: a programação estava instável, com filmes sendo interrompidos e trocados aleatoriamente a cada 20 minutos.

Ainda assim mantive-me neste curioso exercício de audiência até que, por fim, os fones pararam de funcionar – tanto os meus, quanto os da minha esposa e dos demais passageiros, que dormiam ou usavam o celular. Sem outra alternativa a não ser folhear a revista da companhia (Wings of China, com 90% do conteúdo em mandarim), optei pelo melhor entretenimento a bordo: dormir.

A situação melhorou no segundo voo, de Pequim para Nova York. Dessa vez tínhamos um China Daily à disposição e, enfim, telas interativas! O sistema de mapas era um dos mais completos que já vi, com tracking em tempo real, diversas opções de gráficos 3D bem trabalhados e acesso às câmeras externas da aeronave.

O grande problema é que simplesmente não havia como ajustar o brilho da tela, o que causa certo incômodo quando as luzes da cabine diminuem. Já o controle manual era preso à divisória do assento e manuseá-lo exigia alguma habilidade, diferente da maioria dos voos que já fiz, onde os controles possuíam cabo retrátil.

A seleção de filmes é boa, mas quem não fala inglês pode ter dificuldades, já que não existem opções de legendas. Os filmes chineses também só possuem o áudio original e não havia legendas em inglês ou qualquer outro idioma. Uma pena.

Serviço de bordo

4

Senti falta de um amenity kit básico, inexistente em ambos os voos.

Uma máscara de dormir seria bem-vinda, mas tive que improvisar com o cobertor, que além de quentinho também é preto e cria um efeito “blecaute” quando colocado sobre o rosto. Solicitei uma escova de dentes e fui atendido, com um modelo bem simples.

Poucos minutos após a decolagem o serviço de bordo começou, em etapas. Primeiro as comissárias passam distribuindo bebidas, depois servem as refeições, e aí então servem bebidas novamente, em diferentes trolleys.

Lembra quando eu disse que pedi uma refeição hindu? Não que eu tenha me convertido ao hinduísmo, mas em todos esses anos nessa indústria vital, se tem uma coisa que eu aprendi é que quem pede comidinha especial sempre é atendido primeiro. Fica a dica, se você for esfomeado como eu.

Dito e feito, fui servido antes de todo mundo, com um delicioso prato hindu não-vegetariano: arroz basmati com frango ao curry e ervilhas, salada de abóbora, frutas tropicais – abacaxi e pitaia -, além de naan, típico pão indiano, com manteiga de semente de girassol (aparentemente alguns hindus não comem derivados de leite, já que a vaca é sagrada, lembram?). Detalhe interessante: a refeição veio adesivada com o símbolo da Thai Airways, companhia tailandesa membro da Star Alliance e que provavelmente fornece essa e outras refeições específicas à Air China.

Dentre as opções padrão, havia carne e frango. Minha esposa pediu a segunda opção, que era bem insossa – para dizer o mínimo. O frango e os acompanhamentos (cenoura, pepino e batata) não tinham gosto de absolutamente nada. Estou habituado com a culinária chinesa, até gosto, e posso garantir que o problema da refeição não era ser diferente, era ser ruim mesmo.

Para beber, havia refrigerante, suco de tomate, maçã e laranja, além de cerveja e vinho. Pedi um vinho branco, da marca “Dragon Seal”já esperando o pior, mas até que era bem gostoso e suave. Já minha esposa não deu tanta sorte, o suco de laranja parecia tamarindo com gosto de groselha.

Após o recolhimento dos pratos e talheres, fomos surpreendidos pela distribuição de sorvetes, que vieram a calhar – talvez não tanto quanto sobremesa, mas como compensação.

Por fim, minha escolha de uma refeição especial acabou se mostrando uma decisão acertada, já que o menu padrão da Air China não era nem um pouco apetitoso. Futuramente pretendo me converter à culinária de outras religiões, como a kosher judaica, a halal muçulmana e a vegan 🙂 .

No segundo voo, para Nova York, a ordem de servir as bebidas primeiro, depois as refeições e bebidas novamente se manteve. Me arrependi amargamente de não ter solicitado uma refeição especial para esse voo. Além de não ter prioridade na hora de ser servido, as opções não eram nem um pouco palatáveis.

Chicken or beef? Eu e minha esposa escolhemos um de cada, como habitualmente fazemos para provarmos um pouco de cada menu. Seja sincero, você consegue ver alguma diferença nas fotos? Pois é, os pratos eram idênticos não só na aparência, mas também no sabor – ou ausência dele. O arroz era completamente papado e o molho indistinguível, apesar de termos conseguido identificar a cenoura e um ou outro cogumelo perdido por ali. Decidi pedir o vinho tinto, da marca “Great Wall”, mas ao contrário da Muralha ele não era tão great assim. Como seria um voo de 13 horas, acreditei que tudo iria melhorar depois…

Ledo engano. Se a vingança é um prato que se come frio, aparentemente também são assim as refeições da Air China. Dessa vez as opções eram frango ou camarão. O frango era exatamente o mesmo servido há algumas horas, com a diferença do pão, salada e um bolinho. Pedi perdão mentalmente às criancinhas da África, mas não consegui nem tocar. Já o camarão, estamos tentando encontrar até agora. Provavelmente se perderam no meio do macaroni, que deveria vir com queijo. Deveria.

Salvaram-se o pão e a manteiga. Infelizmente, no meu ranking pessoal de companhias aéreas, a Air China ganhou, de longe, como a pior de todas no quesito refeições a bordo.

Comissários e equipe de solo

9

Os comissários da Air China são altos (para os padrões orientais), em boa forma física, bem sérios e de atitudes firmes. Dão broncas sem nenhum receio. O que particularmente eu acho ótimo. Esses detalhes podem parecer bobagem, mas comissários não são garçons que estão ali para nos servir: são profissionais responsáveis pela segurança a bordo e precisam estar preparados para o pior.

Passageiros chineses são famosos pela grande movimentação na aeronave em qualquer etapa do voo, o que é uma questão cultural: como tomam água em temperatura morna e muito chá, estão sempre levantando para pegarem suas garrafinhas térmicas, mesmo quando o sinal de apertar os cintos está ligado. Nesses momentos, os comissários se faziam presentes repreendendo veementemente qualquer deslocamento fora de hora.

Em uma situação de emergência, eu dispenso sorrisos e ficarei feliz se tiver gente capacitada e com espírito de liderança para tomar as medidas necessárias. E os comissários da Air China, ao seu modo, me passaram essa segurança – apesar das idiossincrasias do serviço de bordo.

Programa de fidelidade

9

A Air China é membro da Star Alliance e é possível pontuar em qualquer programa de uma companhia membro da aliança, desde que selecionado previamente no ato da reserva ou durante o check-in. Foi o que fiz, aliás.

Anteriormente eu havia optado por pontuar no programa Amigo, da Avianca, mas decidi no último instante trocar pelo Miles & Smiles, da Turkish Airlines. As milhas foram creditadas poucas horas após a chegada.

A Air China também possui seu próprio programa de milhagem, o Phoenix Miles. Dentre as vantagens, há a oportunidade de obter upgrade de classe, aumento na franquia de bagagem e a possibilidade de escolher um hotel para ficar em caso de conexão longa. No entanto, só faz sentido para quem viaja muito pela companhia, o que não costuma ser o caso de turistas brasileiros.

Nota final

7,3

O pouso em Nova York não foi nem um pouco delicado, com ligeira demora para tocar o solo e uma derrapada inesperada que fez todo mundo se segurar firme. Isso talvez seja explicado pelas baixas temperaturas da cidade na época visitada, que podem ter ocasionado finas camadas de gelo na pista de pouso. De toda forma a aeronave rapidamente retomou o equilíbrio e seguiu freando forte até parar.

Além de um certo atraso na chegada, o congestionamento do aeroporto JFK nos fez aguardar mais uns 45 minutos dentro do avião. Finalmente saímos e fomos em direção à Imigração. Era nossa primeira vez nos Estados Unidos e o friozinho na barriga já começava a incomodar. Uma fila gigantesca de asiáticos se formou, e só a gente no meio de “diferentes”.

Foram selecionando algumas pessoas aleatoriamente para serem atendidas primeiro, e por fim acabamos sendo deixados por último! Na nossa vez, o Oficial de Imigração, certamente já cansado, nos olhou com certa surpresa, após ter lidado com tantos chineses. Meio sem entender o que um casal de brasileiros com visto de residentes na Tailândia e vindos de Pequim iriam fazer na América, ele nem se deu ao trabalho de fazer perguntas. Apenas carimbou nosso passaporte, fechando com chave de ouro uma longa jornada de 19 horas de voo, 24 horas de conexão, 6 meses de planejamento e 27 anos de espera.

Obrigado mãe, obrigado pai, obrigado MD, obrigado Trump! Enfim era hora de curtir o sonho americano – made in China!

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