Como é voar com a Malindo Air, da Malásia

Marcel Bruzadin 26 · abril · 2016

Hoje o Melhores Destinos preparou a postagem de uma avaliação de voo inédita para nós, da companhia Malindo Air, empresa aérea da Malásia e Indonésia. O relato foi enviado pelo leitor Leonardo, que nos conta – com muitos detalhes e fotos – como é voar com uma das dezenas de companhias aéreas da região asiática.

A Malindo Air tem como base o aeroporto de Kuala Lumpur e fez seu voo inaugural em 2013 de lá a Kota Kinabalu. A companhia e sua proposta é transportar viajantes para os principais pontos turísticos da Malásia, Índia, Indonésia e outros países através da sua novíssima frota composta de Boeing 737-900ER e ATR 72-600.

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Confira o relato na íntegra, com todas as fotos e comentários do próprio Leonardo, nosso leitor e viajante.

Boa leitura!

Introdução

Gostaria de deixar aqui a minha contribuição ao Melhores Destinos, um site que muito admiro e acompanho desde o seu primeiro ano de vida, além de ter podido viajar muito através das dicas e promoções. Primeiro, vou apresentar o meu perfil: Meu nome é Leonardo, sou um aficionado por aventuras e o meu relato sobre a Malindo Air se baseia em uma viagem de aventura no estilo mochilão que fiz pelo sudeste asiático durante os meses de janeiro e fevereiro de 2016. No total foram 23 voos, sendo 2 deles pela Malindo Air, e posso afirmar que, sem dúvida, foi a melhor experiência.

Dados dos voos:

– OD 2204 – Kuala Lumpur / Langkawi
– OD 1004 – Kuala Lumpur / Kota Kinabalu

Minha opção pela Malindo foi uma combinação de preço, conveniência de horários e franquia de bagagem. Havia a opção pela AirAsia (praticamente pelo mesmo preço), no entanto, não ela nào dava franquia gratuita, já a Malindo oferecia 15kg gratuitos (apesar da minha mala ter pesado 17kg e eles não terem comentado nada em nenhum dos voos).

Compra

Todo o processo de compra foi feito online através do próprio site da empresa. O processo é simples e prático, mas peca na opção de fornecer um calendário completo com o preço para vários dias, ele mostra o dia em questão e você pode navegar pela barra por dias próximos e descobrir o preço do novo dia.

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Como eu possuía datas precisas para estar em cada cidade, para mim não foi um problema. Os preços da empresa são altamente competitivos, principalmente se comprados com antecedência, estavam sempre entre os menores das demais empresas. Um ponto negativo é que o preço era informado apenas em Ringgit, a moeda da Malásia, não havia uma opção de selecionar dólar.

Check-in

Eu instalei o app da Malindo para poder acompanhar o status do voo, nele é possível fazer o check-in, mas como eu possuía bagagem para despachar, não vi como uma opção útil, então eu fiz diretamente no balcão da empresa no aeroporto de Kuala Lumpur, no terminal KLIA2 (havia um cartaz falando que eles iriam mudar para o KLIA em breve).

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O aeroporto é muito bonito, organizado e o processo de check-in foi rápido e super eficiente, não há nem o que comentar, havia apenas um casal na minha frente, a funcionária me atendeu de forma cordial, pegou o meu passaporte, checou os dados, pesou a minha mala (ignorou os 2kg excedentes da franquia gratuita da bagagem) e me deu o cartão de embarque, em ambas as viagens, o processo não levou nem 5 minutos.

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Mas não pense que isso é uma questão da Malásia, eu fiz voo pela Malaysia Airlines e eles são MUITO desorganizados fora de Kuala Lumpur, eu tive 4 voos com eles, inclusive em Langkawi o trecho de retorno e a desorganização era rotina pelos comentários dos demais passageiros, então, a Malindo surpreendeu e muito com a sua organização, ponto positivo.

Embarque

No aeroporto de Kuala Lumpur, o terminal  (ou KLIA2 como eles chamam) é enorme, e o portão de embarque da Malindo era um dos últimos do terminal, eu gastei uns 15 minutos andando de forma acelerada para chegar até lá. Mas o local era adequado, uma sala com várias poltronas para aguardar o voo, e como todas as companhias, a chamada foi feita por ordem de prioridade de embarque (atenção especial, executiva, primeira metade do avião e segunda metade do avião). Não houve tumulto, e nem passageiro perdido, o meu embarque foi simples, como esperado.

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Avião e Entretenimento

Ambos os voos que fiz foram em um Boeing 737-800 na disposição 3×3 poltronas na classe econômica e 2×2 na executiva. A classe executiva era dividida por uma cortina, separando-a da classe econômica.

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Eu fiquei impressionado assim que entrei no avião. Primeiro pelo enorme sorriso e receptividade das comissárias, passava uma sincera simpatia (diferente do que vemos aqui no Brasil), segundo pela música, no meu primeiro voo estava tocando pop atual, e terceiro pela apresentação do interior do avião, ele me convidava a viajar.

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A distância dos assentos era visivelmente maior do que eu estava acostumado, eu não sou alto, tenho 1,73m, mas meu joelho sempre ficou próximo do assento da frente, e pelas fotos, é possível ver uma distância maior, além do conforto das poltronas, e o próprio ambiente com as cores, música e iluminação.

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O fato de possuírem um monitor individual contou muito, além disso, a imagem era até bonita de se ver com todos aqueles monitores ligados. Eu passei por 6 diferentes empresas aéreas lá na Ásia, e a Malindo e a Malaysia foram as únicas a possuírem monitor, mas a Malaysia não ativou em nenhum dos 4 trechos que fiz.

A programação da Malindo não era muito grande, possuía dois episódios de cada série, umas 6 opções de show americano e a oferta de filmes era dividida em Bollywood, Hollywood, Indonésia, Chinês e Árabe. Eu assisti um pouco da penúltima temporada de The Big Bang Theory enquanto o resto do avião tinha altas gargalhadas com os filmes de Bollywood, parecia ser uma paixão regional.

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Serviço de bordo e Refeições

As comissárias vestiam uma roupa típica, calças em tons coloridos e blusa em tom claro, era bonito pela combinação de cores. Logo que todos os passageiros sentaram, instruções foram passadas em malaio e depois em inglês, todas as funcionárias com quem interagi falavam fluentemente inglês.

Durante a apresentação de segurança, a música foi interrompida e logo vieram informações do comandante que falou apenas em inglês. Logo após o avião atingir a altura de cruzeiro, elas serviram um copo de água e uma bolacha cracker gratuitamente.

No primeiro voo entre Kuala Lumpur e Langkawi, o tempo de voo era curto, apenas 40 minutos, por isso não foram oferecidas as opções do cardápio. Mas no segundo voo entre Kuala Lumpur e Kota Kinabalu todas as opções do cardápio estavam disponíveis mediante pagamento que podia ser feito na moeda local ou em dólar. Infelizmente não sei dizer da taxa de conversão, pois paguei em Ringgit mesmo.

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Logo em seguida vieram as refeições. Como eu estava com um pouco de saudades da comida brasileira, eu pedi um prato de arroz, frango e feijão, paguei MYR 13,00 (cerca de R$ 12,50 na cotação atual), levou uns 5 minutos até me trazerem a bandeja, o sabor era o mesmo de algum restaurante de lá, o arroz é apenas cozido com água e não leva nem sal, o feijão e o frango, como tudo na Malásia, altamente apimentado. Mas matou a minha fome para um voo de 2 horas.

Trinta minutos antes do pouso, passaram recolhendo o lixo, anunciaram a preparação para a aterrissagem, interromperam a programação do monitor e religaram a música para todo o avião, dessa vez era rock dos anos 80. Tenho que dizer, sensacional e traz um clima muito bom para os procedimentos de decolagem e aterrissagem.

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Chegada

Ambos os voos foram diretos. No primeiro, eu aterrissei em Langkawi, uma fascinante ilha da Malásia que vale cada esforço para conhecê-la, era um aeroporto médio (se comparado o tamanho dos aeroportos brasileiros), deu exatos 5 minutos após eu ter chego na sala de bagagens para iniciar a surgir as malas, a minha estava mais para o fim, talvez por ser uma mochila. Não observei nenhum problema, e o procedimento foi como o esperado.

No segundo voo, eu aterrissei no aeroporto de Kota Kinabalu em Sabah que fica na ilha de Borneo, o aeroporto era grande com muitas opções de lojas e restaurantes. Por ser uma região autônoma da Malásia, você precisa passar pela imigração novamente, mesmo o voo tendo como origem a própria Malásia.

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Até ganhei um novo carimbo no passaporte por ter entrado em Sabah. O processo foi super rápido, a oficial de imigração perguntou apenas de onde eu vinha, para onde eu ia, quanto tempo ficaria e o motivo da viagem e já me liberou. Em seguida, fui para a restituição de bagagem e a minha mochila já estava lá na esteira me aguardando.

Incidentes

Eu não tive nenhum incidente com a Malindo, pelo contrário, a eficiência em todos os procedimentos me impressionou muito, ainda mais comparando com outras empresas nos trechos de retorno. Por isso, quero exemplificar uma situação com a concorrente.

Na ida para Langkawi, eu optei pela Malindo por oferecer um voo logo no início da manhã, assim eu teria mais tempo no destino, no retorno, eu optei pela Malaysia para casar com o segundo voo que eu faria na cidade seguinte.

Eu sofri muito para fazer o meu check-in pela Malaysia no aeroporto de Langkawi, foi 1h cravado lá na fila. Enquanto eu observava os funcionários da Malindo organizando a fila e tirando as dúvidas dos passageiros, eu estava em uma fila cheia de árabes e chineses totalmente perdidos, passando na frente e gerando filas duplas pela confusão que eram os balcões específicos da Malaysia e não ter ninguém para se informar, sendo apenas dois balcões para um avião inteiro, sendo que eu fui lá me informar sobre o tempo não ser suficiente e a funcionária dizendo para eu me acalmar que todos ali iriam para o mesmo voo e estava tudo normal o atraso, e, de novo, observando os funcionários da Malindo em uma calma super convidativa organizando o processo de check-in deles.

Conclusão

A Malindo é uma empresa nova e de origem da Malásia e da Indonésia, daí que vem o seu nome, é uma empresa de baixo-custo que oferece serviços superiores às concorrentes. Na Malásia, eu voei com a Jetstar Asia, AirAsia e Malaysia Airlines, e posso dizer que a Malindo superou DE LONGE a experiência de voar. A combinação preço, qualidade e eficiência juntamente com a franquia de bagagem faz dessa a primeira opção se ela tiver o trecho que você buscar. Não posso dizer quanto aos voos internacionais dela, mas duvido que perca a qualidade que vivenciei nos voos domésticos.

Deixo aqui o meu relato e espero ter contribuído para a sua dúvida se vale ou não a pena escolher a Malindo, e pelo que pude experimentar, pode comprar a sua passagem tranquilamente, e, se puder, dê preferência a ela do que às outras empresas, é perceptível que eles fazem com carinho os procedimentos para agradar os clientes.

Publicado por

Marcel Bruzadin

Marcel

  • Ludwig von Mozart

    sdds relatos de viagem, bom ver vc de volta

  • rodrigo Resende

    Excelente relato.
    Surpresa para mim foi essa queda na qualidade da Malaysia Airlines, que me parecera uma empresa bem decente até uns 3 anos atrás, quando voei com eles. Teria isso alguma relação com os 2 aviões deles que se “acidentaram”? É bom saber de mais uma opção para aqueles viajantes pela Ásia.

    • Gabriel Almeida

      Quando os aviões caíram o principal impacto na Malaysia foi a queda da receita, pois muitas pessoas pararam de voar com eles. Sem dinheiro é preciso cortar gastos, e osso significa muitas vezes queda na qualidade do serviço.

  • paluzoid

    Discordo com “passava uma sincera simpatia (diferente do que vemos aqui no Brasil)”.

    As últimas viagens que fiz (Gool e Avianca) tiveram uma tripulação sorridente, simpática e atenciosa…

    • Luis

      Sobre o atendimento das cias brasileiras, as comissárias da TAM sempre são piores, igual a gente fala, provavelmente todas elas acham que são Miss Brazil.Pra mim, Azul e Avianca são melhores. GOL? JAMIS!

  • Hugo Leonardo

    Talvez ficou preso na memória uma ou outra situação de desconforto, enquanto lá na Malásia reinava a emoção do passeio. Mas sim, há comissários(as) super legais aqui na nossa terrinha.

  • Bruno Bastos

    Sinceramente, voos no Brasil são geralmente curtos, é melhor tirar um cochilo que ficar reparando se os comissários são simpáticos ou não. Nunca entendi pq o pessoal dá tanta importância a esse aspecto.

    • Eliezer Fonseca

      Poize… também nunca entendi essa e outras críticas exageradas e por vezes infundadas contra as cias nacionais. Quanto a essa Malindo Air, o leãozinho na cauda dos aviões indica que é cria da Lion Air, que apesar da frota nova, contra ela pairam já antigas denúncias de graves problemas de segurança, inclusive de tripulação usando drogas para suportar a jornada excessiva. Segue uma matéria como exemplo, tem várias outras, até mais recentes (http://www.businessinsider.com/why-indonesian-pilots-use-crystal-meth-2013-4).

  • jorge moraes

    O que são aquelas parabólicas sobre os balcões de check in?